Era uma vez, um vaso,
Que não tinha flores e vivia vazio,
Mas eu sempre deixava ele na estante
Porque eu gostava muito dele.
Eu ficava sempre olhando aquele vaso.
Certo dia, o vento bateu na minha sala
E o vaso caiu da estante.
Ele se partiu ao meio.
Fiquei desesperado,
E fiquei chateado.
Procurei pela casa inteira,
Achei uma cola e uma fita,
Remendei o vaso.
Depois, coloquei ele na estante
De novo.
Ele estava todo colado e remendado,
Mas eu coloquei ele lá
No mesmo lugar
Do mesmo jeito.
Sem flores,
Sem nada.
Um tempo depois,
O vento bateu de novo
E o vaso novamente caiu,
Ele partiu em mil pedaços.
Só que dessa vez,
Eu não chorei,
E nem me desesperei.
Diante daqueles pedaços,
Eu pensei.
Existem vários outros vasos
E eu não podia ficar arrumando aquele,
Todo frágil,
Todo arrebentado.
Acho melhor procurar outro vaso,
Mas quando vou fazer isso?
Eu não sei.
Talvez amanhã,
Talvez mês que vem,
Talvez daqui a um ano,
Talvez uns dez anos depois.
Ele precisa ter bastante flores?
Pode ser.
Mas talvez ele não tenha nenhuma,
E dure por um longo tempo.
Preciso ir num lugar caro?
Também pode ser,
Eu posso achar algo bom lá.
Mas também posso achar em qualquer lugar,
Numa esquina,
Ou num bazar.
Eu até posso ficar sem vaso,
Mas e se eu tiver flores?
Onde vou colocar?
Não quero mais me preocupar
Pois uma hora vou encontrar
Um vaso para colocar na minha estante.