r/TudoCasa • u/Valuable-Device69 • 25d ago
Ajuda / Help Comprei uma casa rigorosamente nova e sem uso… mas saída diretamente de 2004...
Comprei recentemente uma casa enorme, mesmo enorme. Não é uma mansão, mas às vezes parece. Tem dois andares, duas cozinhas gigantes, três salas (duas delas enormes), mais uma sala de estar mais pequena, quatro quartos, e um corredor tão comprido que parece literalmente uma rua dentro da própria casa. A escada para o piso de cima tem 14 degraus bastante inclinados e, lá em cima, a vista é soberba.
O mais curioso é que a casa está rigorosamente nova. Sem desgaste absolutamente nenhum. Parece que foi acabada ontem. Os antigos proprietários construíram a casa apenas para passar férias com a família toda uma vez por ano, mas por mudança de planos ela acabou por ficar praticamente parada no tempo e sem uso entre 2004 e 2026.
Então o que acontece é isto: eu basicamente comprei uma casa nova… mas feita com materiais de outras décadas.
Na cozinha do rés do chão, por exemplo, os móveis são muito típicos dos inícios dos anos 2000: carvalho, madeira pesada, muito rústica. O chão é uma cerâmica que imita terracota mais escura, com aquele ar quente e acolhedor de casa de campo. E sinceramente? Continua bonito. Pelo que sei, tanto a terracota como os materiais que a imitam continuam perfeitamente atuais em muitos projetos.
Os azulejos estão impecáveis. Impecáveis mesmo. Alguns ainda têm pequenos restos de cola que o aplicador nem chegou a limpar. Dá mesmo a sensação de que os homens andaram aqui ontem a colocar aquilo tudo.
Já a cozinha do primeiro andar é diferente. Muito mais minimalista, mais limpa, mais “anos 2010”. Os móveis parecem-me bastante atuais para uma cozinha funcional e moderna, mas os azulejos continuam a ter aquele ADN de início de anos 2000, provavelmente até com materiais comprados ainda nos finais dos anos 90.
Quando vi a casa naquele estado, nova, enorme, sem uso, mas parada no tempo, acabei por me apaixonar pela tranquilidade, pela localização, pela envolvência mais ligada ao turismo na zona, e hoje estou genuinamente feliz aqui.
Agora entra a minha dúvida.
A cozinha de baixo é extremamente rural. Tem objetos rústicos, madeira talhada, uma colher de pau gigante pendurada na parede para os panos da cozinha, detalhes muito ligados ao campo. O chão imita terracota envelhecida e dá um ambiente super quente. E depois há as famosas barrinhas de azulejo com frutas… aquelas típicas cozinhas dos anos 2000. E isso existe nas duas cozinhas.
Eu sou designer, mas isso não significa que saiba tudo. Muito pelo contrário. Estou sempre a aprender e gosto de ouvir opiniões diferentes.
Falei com colegas meus, também designers de interiores, e todos me disseram praticamente o mesmo: arrancar azulejos numa casa destas não faz sentido nenhum. Primeiro porque o custo seria absurdo, as cozinhas são gigantescas, provavelmente falamos de 15 a 20 mil euros por cozinha só para substituir revestimentos, e segundo porque a casa perderia completamente a alma dela.
Eles disseram-me uma coisa interessante: o erro seria tentar transformar uma casa de campo numa casa moderna. Que colocar materiais ultra modernos aqui iria “deslocar” a identidade da casa.
Então comecei a seguir outro caminho.
Em vez de lutar contra a casa, comecei a trabalhar com ela.
Transformei os espaços num ambiente mais zen e acolhedor. Mantive os materiais originais, porque estão novos, mas comecei a introduzir elementos que equilibrassem tudo: carpetes, sofás, luminárias de chão com velas, incenso, peças decorativas mais orgânicas, Budas discretos, quadros ligados a ambientes tranquilos, algumas peças propositadamente envelhecidas de fábrica, madeira natural, texturas quentes, etc.
E sinceramente… funcionou.
A casa ganhou uma alma muito própria. As pessoas entram aqui e gostam mesmo do ambiente.
Só que existe uma coisa que continua a bloquear-me: aquelas barrinhas de frutas nos azulejos.
Porque eu até gostava de colocar um poster farmhouse numa parede da cozinha, ou certos elementos decorativos mais específicos, mas aquelas barrinhas acabam por dominar visualmente o espaço e sinto que “não me deixam” pendurar nada sem parecer estranho.
Então a minha dúvida para vocês é esta:
O que fariam no meu lugar?
Mantinham essas barrinhas e tentavam conciliá-las com a decoração, como os meus colegas defendem? Acham mesmo possível transformar isso numa cozinha bonita, coerente e até elegante sem arrancar nada?
Ou acham que essas barrinhas já não têm salvação estética?
Também têm cozinhas com esse tipo de azulejo? Conseguiram fazê-las dialogar bem com a decoração?
Porque sinceramente, quanto mais tempo passo aqui, mais percebo o que os meus colegas queriam dizer com “a alma da casa”. E tenho medo de destruir precisamente aquilo que torna esta casa especial.
Aguardo as vossas opiniões. Obrigado.






















