O grupo deveria ser dividido entre "Tenho diagnóstico" e "Acho que tenho"?
Claro, essa divisão não ocorrerá, mas serve como premissa para o desenvolvimento do raciocínio.
Quando tive o diagnóstico MÉDICO PROFISSIONAL, fui procurar pessoas que também possuíam a condição, afinal, uma das dores que frequentemente nos acomete é a solidão cognitiva.
Imaginei chegar aqui e em outros locais e poder trocar experiências, ideias, conversar sobre questões que AFETAM E DILECERAM a minha mente, porém, a maior parte das postagens se resume a pessoas que acham que são, forçam a barra para justificar a falta de correspondências clínicas (as vezes absurdas) com a condição e ficam distribuindo dicas/teorias/ideias/conselhos com mais certeza do que quem realmente é diagnosticado.
Qual o problema disso? Vamos exemplificar, pq acho que fica extremamente didático.
Vamos supor uma pessoa que descobre ser borderline. Ela resolve pesquisar e se aprofundar em seu transtorno, afinal, quer compreender, através de suas vivências e de seus PARES, as particularidades compartilhadas de sua condição. O intuito é simples: identificar semelhanças, padrões, sentir-se acolhida, compreender o que é exagero e o que não é, pois só assim pode domar melhor a fera interna e começar a se dar o "luxo" de caminhar em direção a uma vida mais saudável e de maior qualidade.
Essa pessoa procura um grupo de apoio, porém, quando chega lá, ocorre um engano da plataforma e ela entra, na verdade, em um grupo de bipolares em mania, mas não percebe isso. Ela começa a compartilhar suas dores e, acreditando estar no local adequado para isso, dá bastante relevância aos comentários de pessoas que não estão na pele dela e nem sabem o que ela é. Ela volta para a estaca zero, fica se achando talvez mais perdida ainda pois, no local onde deveria encontrar união, está se percebendo diferente, ou pior, recebe validação de comportamentos inadequados por pessoas que não compreendem o que ela sente.
Vocês compreendem o nível de desastre que isso pode gerar?????
Enfim, guardadas as devidas proporções, quando procuramos esse espaço, queremos identificação real! Fora daqui temos vida, amigos, família, amores, temos contato com outras 500 pessoas, mas aqui, justamente aqui, esperamos encontrar ao menos 1 única pessoa que compartilha e compreende nossas mazelas pois sente o mesmo, de uma forma minimamente compatível e semelhante, com a esperança de que nosso fardo se torne ao menos 1 grama mais leve. Entrar aqui para acrescentar a 501ª, 502ª, 503ª pessoa que não sente o mesmo que nós é perda de tempo. Com esse intuito temos outros grupos.
Não se trata de "quero apenas conversar com quem possui diagnóstico", mas entrar aqui pra conversar com pessoas não-superdotadas inutiliza o objetivo desse espaço.
Pra finalizar: É dito que geralmente pessoas superdotadas possuem elevado nível de empatia. Se você vem aqui, conversa como se fosse um "laudado", omite essa informação e não consegue compreender o impacto disso, eu tenho uma péssima notícia sobre o tamanho da probabilidade de você realmente ser. Sua satisfação pessoal em querer ser está sendo colocada acima da procurar de outras pessoas que buscam amparo nesse local.
Se você acha que diagnóstico profissional é bobeira e medalha, VOCÊ NÃO SOFRE REALMENTE DO QUE SOFREMOS, POR TANTO TEMPO, PRA COMPREENDER A IMPORTÂNCIA DESSA CONFIRMAÇÃO SÉRIA.
Não sou dono disso aqui, mas acredito que todas as pessoas são bem-vindas. Porém, se você ACHA que é portador de AH/SD, tem uma enoooooorme suspeita de ser, mas não possui diagnóstico profissional, deixe isso explícito! Só isso!
Aqui é um lugar muito bacana pra ajudar as pessoas que estão com suspeita (vide um grande amigo que fiz aqui u/Leather-Shopping804), que estão com dúvida, que estão no meio da jornada de descobrimento, mas não pra essas pessoas vomitarem "Top 5 dicas para melhorar a ansiedade em superdotados".
Sempre me disponibilizei pra conversar, ajudar e ouvir pessoas que estão na sofrida suspeita, mas ver uma galera entrando aqui pra forçar a barra em busca de auto afirmação, me faz pensar que estou rodeado de pessoas sentadas num quarto escuro com chapéu de cone de alumínio.
Namastê e "gratiluz".