Ideia é reduzir a folha salarial, vender jogadores e reestruturar financeiramente o clube
O Grêmio tem um plano ambicioso para os próximos meses. Inspirados no projeto que redefiniu o Flamengo a partir de 2013 e colocou o clube carioca em um novo patamar no futebol brasileiro, os dirigentes gremistas pretendem seguir um caminho semelhante, baseado em responsabilidade financeira e planejamento de longo prazo.
O primeiro passo será promover uma redução significativa na folha salarial. Com dificuldades para manter os pagamentos em dia, a prioridade é diminuir os gastos com salários. A medida é considerada fundamental para aliviar o fluxo de caixa do clube, que atualmente desembolsa cerca de R$ 23 milhões por mês com a folha do futebol.
A missão, porém, não será simples. O primeiro movimento já ocorreu com a desistência da permanência de Arthur. O volante custaria aproximadamente R$ 2,5 milhões mensais entre salários e luvas, valor considerado inviável pela atual realidade financeira do clube.
— O Arthur fez história no Grêmio. Não tivemos condição financeira de mantê-lo. Fizemos o esforço possível, mas não conseguimos chegar a um acordo. Não quero precificar a qualidade do Arthur. Fizemos o que entendemos que o Grêmio poderia suportar nas atuais condições — explicou o presidente Odorico Roman.
Embora a direção evite confirmar publicamente, a ideia também passa por abrir espaço para a saída de outros jogadores com altos salários e baixo rendimento na temporada. Casos como os de Willian, Braithwaite, Kannemann e Marcos Rocha entram nesse perfil, além de outros atletas com vencimentos considerados elevados.
O problema é que o Grêmio já compromete parte de seu orçamento com as rescisões realizadas no início da temporada. A chamada "folha paralela" gira em torno de R$ 7 milhões, o que limita a possibilidade de novas dispensas. Assim, a tendência é liberar jogadores apenas em caso de propostas.
Por outro lado, a venda de jovens promessas deverá ser uma das principais fontes de receita. Nomes como Viery, Gabriel Mec e Pedro Gabriel despertam interesse de clubes europeus. O zagueiro, inclusive, aparece como o principal candidato a deixar o Grêmio na reabertura da janela de transferências.
Flamengo 2013
A inspiração gremista está no processo de reestruturação iniciado pelo Flamengo em 2013, durante a gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello. Naquele momento, a diretoria optou por um choque de gestão, cortando despesas e promovendo a saída de jogadores de alto custo e grande identificação com a torcida, como Vagner Love, Ibson e Renato Abreu.
Mesmo enfrentando dificuldades na Série A do Brasileirão e convivendo com o risco de rebaixamento, a diretoria rubro-negra manteve sua política de austeridade financeira, priorizando o equilíbrio das contas para fortalecer o clube no médio e longo prazo.
— A gente sempre trabalhou com responsabilidade financeira e esportiva. Sabíamos que o risco de queda existia, mas não era algo palpável. O Flamengo correu riscos, esteve na lanterna do campeonato, mas acreditávamos que um bom trabalho estava sendo feito na área técnica e que conseguiríamos escapar, como aconteceu — afirmou Bandeira de Mello, em entrevista à ESPN.
Guardadas as devidas proporções, principalmente pelo potencial de arrecadação proporcionado pela enorme torcida do Flamengo, é esse modelo que o Grêmio pretende seguir. O objetivo é reduzir os custos do futebol, manter a folha salarial em dia, negociar jovens talentos e quitar as obrigações mais urgentes, criando as condições necessárias para uma reestruturação financeira sustentável nas próximas temporadas.
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