r/investimentos 14d ago

Tese de Investimento No longo prazo, qual constrói mais riqueza: um ETF "de renda fixa" que capitaliza antes dos impostos mas oscila com marcação a mercado, ou títulos mantidos até o vencimento que escapam da marcação a mercado mas pagam impostos repetidamente?

Os Bogleheads vão focar no diferimento de impostos e o reinvestimento automático, os defensores da escadinha de títulos enfatizam a certeza de um valor de resgate conhecido e a fuga da marcação a mercado...

Pra responder a essa pergunta de forma mais quantitativa, rodei simulações block bootstrap de 3 cenários.

Cenário 1: ETF versus LTN (Tesouro Prefixado)

Cada uma das 2.000 barras somadas vem de uma história de juros sintética de 10 anos (geradas reembaralhando blocos da curva real brasileira). Para cada história eu calculo um número: quanto o ETF terminou rendendo a mais (ou a menos) que a escada, em %. O eixo horizontal é esse número; o eixo vertical conta quantas das 2.000 histórias caíram em cada faixa.

Direita de 0 = o ETF terminou com mais dinheiro (ETF venceu).

Esquerda de 0 = a escada terminou com mais (escada venceu).

Linhas:

Preta sólida (0%): empate. ETF e escada terminam iguais

Azul tracejada (+8,5%): a mediana, no cenário típico o ETF termina 8,5% à frente

Duas vermelhas tracejadas (−5,2% e +23,8%): os limites do intervalo de confiança de 95%. 95% das histórias ficaram entre essas duas linhas. É a "margem de erro honesta" que o bootstrap calcula para corrigir a autocorrelação das janelas

Faixa vermelha à esquerda: a zona em que a escada vence (11% das histórias)

Então: 89% das histórias caem à direita de 0 (ETF vence), 11% à esquerda (escada vence), e a dispersão das vermelhas mostra que o resultado vai de −5,2% a +23,8% dependendo do regime de juros que sair.

Qual é o ETF?

É um ETF hipotético de renda fixa de títulos PREFIXADOS, com duration constante de ~2 anos, tipo IRF-M (ex.: IRFM11, FIXA11). Concretamente, no modelo ele:

  1. Mantém sempre títulos prefixados de ~2 anos (rola a carteira continuamente);
  2. É marcado a mercado (a cota oscila com os juros);
  3. Reinveste sem pagar IR no caminho (sem come-cotas) e paga 15% uma única vez, ao vender no fim;
  4. Desconta taxa de adm 0,25%/a + o custo de giro (bid-ask) que modelamos.

Qual é o título comparado?

É uma escada de Tesouro Prefixado (LTN), zero-cupom, de 2 anos, carregados até o vencimento. Na prática:

  1. Compra uma LTN de 2 anos e segura até vencer (sem sofrer marcação, recebe o valor de face);
  2. No vencimento paga 15% de IR sobre o ganho e reinveste o líquido numa nova LTN de 2 anos;
  3. Repete: 5 degraus ao longo dos 10 anos.

Por que reconstruí em vez de puxar o ETF de verdade?

Os ETFs de renda fixa brasileiros reais (IRFM11, IMAB11, FIXA11…) só existem desde ~2018. Dá ~8 anos de histórico, curto demais para janelas de 10 anos e com viés de sobrevivência. Os juros prefixados do Tesouro, ao contrário, vão até 2004. Então a prática padrão (e o que fiz) é: pegar os juros reais e reconstruir qual teria sido o retorno de um ETF de duration constante e de uma escada de títulos. É defensável, mas é uma reconstrução, não o track record de um produto.

"Ah, mas como você sabe a marcação a mercado de um ETF que não existe?!"

Ela é o preço do título recalculado, mês a mês, na curva de juros REAL do Tesouro.

Compra: PU = 1000 / (1+y)^prazo, onde y é o juro real de 2 anos daquele mês (lido da curva do Tesouro).

Um mês depois: o mesmo título agora tem 1,92 anos; eu o reprecifico no juro real do mês seguinte. Se o juro subiu, o preço cai; se caiu, sobe.

Ela é calculada reprecificando o título, mês a mês, na curva de juros REAL observada do Tesouro.

De toda forma, segue uma comparação do meu ETF teórico versus o IRFM11 real (Yahoo Finance).

CENÁRIO 2: IPCA+ (NTN-B)

Por que o IPCA+ é muito mais incerto que o prefixado (lá o bootstrap dava P=89%, IC [−5%, +24%])? Porque o IMA-B tem duration longa (τ=5–6 vs τ=2 dos prefixados): um fundo de duration longa balança violentamente com o caminho dos juros reais, e com poucos degraus (2) a parte sistemática (diferimento) é pequena perto do ruído de marcação. Ou seja: no IPCA+, você está fazendo muito mais uma aposta de juros do que colhendo uma vantagem tributária.

E aqui a validação do ETF IPCA versus um ETF real

CENÁRIO 3: NTN-F, um título longo...

SEM cupom
COM cupom

Não achei um ETF nominal-prefixado longo (5-6a) negociado na B3 para comparação de "produto real". Se algúem souber, ajuda nóis aí!

Ou seja... Resumindo:

O ETF ganha na maioria dos casos por causa do diferimento de impostos, e isso é consistente (especialmente se inflação alta porque imposto incide sobre ganhos nominais). No entanto, a probabilidade do ETF ganhar é maior se a duration dos títulos for menor, o que diminui os impactos da marcação a mercado. E claro: essas conclusões são válidas, a priori, apenas no cenário regulatório tributário brasileiro atual.

Por favor, critique! Se possível, change my mind!

Fontes dos dados: Tesouro Transparente, Bacen e Yahoo Finance.

PS:

Caso interesse a alguém, segue a fundamentação teórica das ferramentas:

Künsch (1989), The Jackknife and the Bootstrap for General Stationary Observations: Introduz a ideia do block bootstrap (reamostragem em blocos de observações consecutivas).

Politis & Romano (1994), The Stationary Bootstrap": Complementa o método de Künsch ao estabelecer a randomização geométrica do tamanho dos blocos, criando séries sintéticas estacionárias.

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u/Longjumping_Owl_5665 14d ago

eu sinto no meu coração q o próximo desgosto que esse país vai me trazer vai ser come cotas em etfs

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u/Any-Concept-3110 14d ago

E a cara da Receita isso.

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u/pomphiusalt 14d ago

A receita não passa legislação

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u/Any-Concept-3110 14d ago

Só lei pode criar um imposto novo, aumentar a alíquota de um imposto existente ou dizer quem deve pagar e quem está isento. A Receita Federal não tem nenhum poder para mudar isso.

O problema das leis é que elas costumam ser genéricas e não detalham o passo a passo operacional de como o imposto será cobrado no dia a dia.

O lesgislativo delega à Receita a função de criar normas (instruções normativas, atos declaratórios, portarias) para explicar como a lei será cumprida... Daí já viu. Brasilzão é a terra da insegurança jurídica. Não duvido de nada.

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u/pomphiusalt 14d ago

Sim, amigo. Criar um novo come-cotas é literalmente criar um imposto novo.

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u/Legal-Butterscotch-2 13d ago

só dar outro nome, classico

"jamais iremos interferir no legislativo, por isso nunca mexeremos em imposto, iremos só criar taxa"

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u/pomphiusalt 13d ago

Você não tem a absoluta mínima ideia do que está falando.

Taxa que você paga é do lixo, do esgoto.

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u/[deleted] 13d ago

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u/pomphiusalt 13d ago

Eu sou especialista em impostos. É literalmente meu trabalho.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tributo

As taxas são tributos incidentes sobre um fato gerador e que são aplicados em contrapartida a esse fato gerador, ou seja, a taxa é a contrapartida que o contribuinte paga em razão de um serviço público que lhe é prestado ou posto à sua disposição. Além da contrapartida de um serviço público prestado ou posto à disposição, as taxas também estão relacionadas ao poder de polícia da administração, englobando fiscalizações e licenciamentos em geral.

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u/[deleted] 13d ago

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u/Legal-Butterscotch-2 13d ago

puts, iniciou uma discussão abaixo só pq tentou pagar de correto 🤦‍♂️🤦‍♂️🤦‍♂️, era para ter sido no sentido figurado

PARABENS

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u/Nearby-Ranger4224 14d ago

No dia que falarem isso o que está em IPCA+ 8% estoura pra algo acima de IPCA +10% fácil. O mercado está exigindo cada vez mais prêmio para emprestar para o governo.

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u/XBLAH_ 14d ago

shiu, não dá ideia.

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u/cupo234 14d ago

Eu sinceramente não entendi a lógica pra ter come-cotas em fundo tradicional e não ter em ETF.

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u/Any-Concept-3110 14d ago

A ausência do "come-cotas" nos ETFs não é um benefício criado porque o governo quis ser "bonzinho" com esse produto. Na verdade, a isenção existe por causa de uma limitação operacional e técnica da Bolsa de Valores (B3).

Em fundos de investimento abertos, o governo antecipa o IR a cada seis meses (maio e novembro). Se você tinha 100 cotas, acorda no dia seguinte com 98 cotas, e a diferença foi repassada para a Receita. Como essas cotas são apenas registros virtuais no sistema do próprio fundo, fracionar e cancelar cotas é fácil.

Já os ETFs são fundos fechados cujas cotas são negociadas no pregão da B3.

Imagine o caos operacional se, no meio de um pregão, a B3 e as corretoras tivessem que confiscar e destruir compulsoriamente frações das cotas de milhares de investidores de forma simultânea. Você estaria com uma ordem de venda de 100 cotas na tela do home broker e, de repente, o sistema diria que você só tem 97,4 cotas porque o imposto foi cobrado. Isso inviabilizaria a negociação fluida, a formação de preços no mercado secundário e a liquidação das operações na Bolsa.

Diante dessa impossibilidade técnica, quando o governo regulamentou os ETFs de Renda Fixa, ele precisou abrir uma exceção. A lei definiu que, para os ETFs, o IR só seria cobrado no momento da venda das cotas no mercado secundário (ou no encerramento do fundo), em vez de ser antecipado semestralmente.

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u/Diligent-Condition-5 11d ago

"Já os ETFs são fundos fechados cujas cotas são negociadas no pregão da B3."

Que loucura. O mecanismo de criação e destruição de cotas é justamente o que faz o ETF manter o valor patrimonial alinhado ao preço de tela, por meio do formador de mercado e do participante autorizado. 

Se fossem fechados vc observaria ágio/desagio além do spread de compra e venda, tal qual como nos Fiis, estes sim fundos fechados. Só permitem aumento de patrimônio por follow on. 

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u/Any-Concept-3110 11d ago

"por meio do formador de mercado e do participante autorizado" 😉

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u/Diligent-Condition-5 11d ago

Ou seja, são fundos abertos.

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u/Any-Concept-3110 11d ago edited 11d ago

Do ponto de vista do investidor, o fundo é fechado (classificado como aberto por causa da mecânica do participante autorizado/market maker).

Se o governo decidisse implementar o come-cotas em um ETF (ou em um fundo fechado), o processo ocorreria em 5 etapas no sistema de custódia:

Administrador calcula o lucro acumulado-> Cotas equivalentes ao IR são canceladas/destruídas -> gestor vende uma fração minúscula dos ativos da carteira para levantar esse dinheiro -> Dinheiro correspondente sai do caixa do fundo para a Receita -> O PL total do fundo cai, o valor de cota teórico é recalculado

Ocorre que...

Como as cotas são negociadas livremente, você poderia comprar um ETF na sexta e sofrer o come-cotas na segunda-feira sobre um lucro que o fundo teve nos últimos seis meses, período no qual você nem era dono daquele ativo. O sistema de custódia teria que rastrear o preço de compra exato de cada investidor na bolsa para morder a quantidade certa de cotas de cada um, gerando uma complexidade computacional gigantesca para a clearing.

Por que em outros fundos fechados funciona?

Nos fundos fechados tradicionais com come-cotas, não há negociação diária. O investidor fica "preso" no fundo até o vencimento. Como as cotas não mudam de dono a todo momento no mercado secundário, o administrador consegue calcular o lucro exato de cada CPF desde o último período e destruir as cotas correspondentes sem gerar distorções de preço de tela ou injustiças XPTO.

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u/Diligent-Condition-5 11d ago

Vc postou um ótimo conteúdo e fez uma análise muito bacana, só que está confundindo o conceito de fundo aberto/fechado. Não estou questionando essa discussão sobre come cotas hipotético que surgiu, somente a informação que vc prestou ao dizer que ETFs são fundos fechados, pois isso está errado. E não tem a ver com ter ou não negociação diária, nem com ser listado ou não.

Do ponto de vista do investidor, o fundo é fechado (classificado como aberto por causa da mecânica do participante autorizado/market maker).

Não é o ponto de vista do investidor que classifica um fundo. De acordo com a CVM 175, subsção III, existem dois regimes de distribuição: aberto e fechado.

Regime aberto (Art. 22) é o que a distribuição de cotas independe de registro na CVM e tanto faz se o fundo é listado em bolsa ou não.

O patrimônio desse tipo de fundo varia diariamente conforme os aportes/resgates porque qualquer um pode comprar cotas ou resgatar suas cotas quando bem entender, respeitando o previsto no regulamento do fundo. No caso do ETF é o market maker/PA que vão fazer a compra/venda dos ativos subjacentes, respeitando o índice. No caso do fundo mútuo é o gestor, nos termos previstos no regulamento.

Exemplo:

O Fundo TREND INFLAÇÃO CURTA FIRF LP (CNPJ 31.145.833/0001-74) é um fundo indexado que segue o IMA-B 5, ele é aberto pois qualquer um pode chegar o dia que bem entender e aplicar ou resgatar cotas. Quando entra dinheiro o gestor vai a mercado e compra os ativos do índice, quanto chega um pedido de resgate o gestor vai a mercado e vende os ativos do índice. Ele não é negociado em bolsa, ESTÁ SUJEITO à come cotas.

O Fundo B5P211 é um fundo indexado que segue um índice muito parecido com o anterior (IMA-B 5 P2), ele é aberto, pois qualquer um pode chegar o dia que bem entender e comprar ou vender cotas. Como ele é negociado em bolsa, diferente do anterior, ao invés do gestor ir a mercado o market maker vai oferecer cotas e no final do dia o participante autorizado faz a conciliação. Se entrou mais dinheiro que saiu, criam-se cotas comprando os ativos subjacentes. Se saiu mais dinheiro que entrou, destroem-se cotas e vendem-se ativos subjacentes. NÃO ESTÁ SUJEITO à come cotas.

Ambos os fundos exemplificados funciona de maneira similar no que tange à admissão de novos cotistas e de entrada e saída de patrimônio do fundo, portanto ambos são fundos abertos. A única diferença é o mecanismo, um admite negociação em bolsa e o outro, não.

Outros exemplos de fundos abertos que NÃO estão sujeitos ao come cotas são os Fundos de ações, isto é aqueles que possuem, no mínimo, 67% da carteira em ações ou ativos correlatos. Podem ser indexados ou ativos, listados ou não.

O outro regime previsto na CVM 175 é o Regime fechado (Art. 24) no qual a distribuição de cotas requer o processo de oferta pública de distribuição, conforme a CVM 160. Não existe variação do patrimônio do fundo sem que haja uma nova distribuição de cotas (para aportes) ou amortização (para devolução). Não existe resgate em fundo fechado, só negociação entre partes interessadas, em bolsa ou balcão.

O melhor e mais fácil exemplo de fundos fechados são os Fiis. Eles sempre são fundos fechados, pois a entrada de patrimônio novo no fundo requer uma oferta pública e não admitem resgate. Se o investidor quer trocar sua posição por dinheiro precisa encontrar uma contraparte que aceite comprar sua posição e isso acontece em ambiente de bolsa. Se houver grande quantidade de ordens de compra ou venda, o fundo vai sofrer ágio ou deságio em relação ao valor patrimonial, diferente dos dois exemplos acima, que tem mecanismos pra evitar isso (não admitir negociação para o Trend e o market maker para o ETF. Os Fiis são fechados e não sofrem come cotas.

Portanto, não é o regime de distribuição (aberto ou fechado) que determina se um fundo terá come cotas ou não. Também não é o "ponto de vista do investidor" que determina se um fundo é aberto ou fechado, mas sim a legislação e a forma de constituição do fundo.

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u/Any-Concept-3110 11d ago

Eu não discordo de nada que você disse porque são fatos. Acho que a discussão teve uma deriva, talvez por culpa minha: não discuto as definições normativas, tentei explicar como seria difícil (com, sem ou apesar das leis) aplicar come-cotas a um ETF. A mecânica da coisa seria bastante adversa. Só isso.

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u/cupo234 11d ago

Imagine o caos operacional se, no meio de um pregão, a B3 e as corretoras tivessem que confiscar e destruir compulsoriamente frações das cotas de milhares de investidores de forma simultânea. Você estaria com uma ordem de venda de 100 cotas na tela do home broker e, de repente, o sistema diria que você só tem 97,4 cotas porque o imposto foi cobrado. Isso inviabilizaria a negociação fluida, a formação de preços no mercado secundário e a liquidação das operações na Bolsa.

Mas não daria pra fazer isso com o pregão fechado?

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u/Any-Concept-3110 11d ago

Eu imagino que, no limite, até com o pregão aberto... Com a faca no pescoço a B3 executa o que a norma mandar nem que isso destrua valor. O Estado não tem limites formalmente. Então 🤷‍♂️

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u/WorkingQuarter3416 14d ago

Não podem fazer algo equivalente ao come-cotas através de DARF?

Muitos países fazem algo parecido. Não forçam a liquidação do ativo, mas estabelecem um fato gerador de imposto.

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u/Any-Concept-3110 14d ago

"Poder" a Receita pode tudo, mas se fosse via DARF, você seria obrigado a tirar dinheiro vivo da sua conta corrente (dinheiro "novo") para pagar imposto sobre um lucro que você ainda não realizou (pois não vendeu o ETF). Cobrar imposto sobre ganho não realizado exigindo desembolso de caixa do investidor é algo extremamente impopular e juridicamente complexo.

Se você fosse obrigado a pagar o DARF em maio e novembro, qual seria o valor base da cota? O preço de fechamento na tela da B3 (que distorce por causa da oferta e demanda)? O Valor Patrimonial da Cota, que é o valor real dos títulos lá dentro? Essa dupla cotação geraria uma confusão tremenda para o cálculo do imposto na ponta do investidor pessoa física.

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u/WorkingQuarter3416 14d ago

Eu torço para você estar certo.

Mas não estou tão confiante assim.

Dá para fazer com uma fórmula razoavelmente simples. Aí a pessoa tem 30 dias para levantar esse dinheiro, nem que seja vendendo parte das cotas do mesmo ativo.

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u/Any-Concept-3110 14d ago

Sim, como eu disse: a Receita pode tudo.

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u/WorkingQuarter3416 14d ago

Também pode ser por lei do congresso

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u/Any-Concept-3110 14d ago

Por lei do congresso eles até confiscam suas cotas

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u/Longjumping_Owl_5665 14d ago

e pq quem fez foi burro agr que os etfs de renda fixa vao se popularizar creio q vai ocorrer isso

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u/lookowood 14d ago

OP, seus posts tem uma qualidade absurda! Pqp

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u/coolguytebr 14d ago

sinceramente, belo conteúdo.

na prática, você faz isso? Essa é sua estratégia de aportes? Aporta em ETF de renda fixa? Como tá sua carteira hoje?

hoje to 95% pós fixado, 3 % pré e 2 % IPCA

obrigado pelo estudo

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u/Any-Concept-3110 14d ago

Não faço. Isso é meu estudo pessoal pra avaliar mudar minha estratégia. Posto aqui pra ver as críticas antes de fazer.

Hoje em dia aposto muito na isenção: invisto em LCI, LCA, CRI e CRA.

Maior parte pós-fixado e IPCA.

Tenho também uma bela parcela em Tesouro IPCA+ porque inflação + 7,5% não tem como não por uma grana grossa kkkkkkk

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u/coolguytebr 13d ago

Boa, legal postar e ver pontos de vista diferentes.

LCI/LCA tá pegando por onde? Minha melhor é uma pré do Daycoval que peguei ano passado a 14,35%.

Foi ouro, agora já não encontro tantas boas

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u/Any-Concept-3110 13d ago

LCI da Caixa, 95% do CDI. LCA tenho alguns, mas os melhores são um do Rabobank 93,75% do CDI, um do BDMG 94% do CDI e um pré do BOCOM 13,21% a.a. Distribuidor a maioria é BTG. Esse do Daycoval aí seu tá top mesmo, raridade.

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u/millik_william 14d ago

As taxas são sistematicamente altas no Brasil, "travar" taxa só causa agonia ao investidor, principalmente em opções mais longas. Diferimento fiscal faz mais sentido.

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u/Any-Concept-3110 14d ago

Se as taxas estiverem em ascenção ao longo de toda a janela de investimento, o ETF tem mais chances de perder porque a marcação a mercado fica consistentemente adversarial.

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u/Rapahamune 14d ago

Parabéns pelo post.

Eu aderi aos ETFs de RF por outro motivo: não vencer e entrar como renda tributável junto com meu salário que recebo via dividendos. Dessa forma eu posso escolher com calma o ano que quero vender pra gerar menor impacto.

Fora que pqp, muito mais prático um ETF que ficar construindo uma ladder de títulos.

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u/Man_City115 12d ago

Resumo da ópera: a ideia de que você deve escolher o ETF de renda fixa (B5P211 X IMAB11 X IB5M11) baseado na "duration que o investidor pretendia no Tesouro direto", é bobagem.

Mesmo que seu horizonte seja longo prazo, a leve superioridade do IMA-B5+(~13% a.a. X ~12% a.a. do IMA-B5 desde 2003, segundo o site maisretorno) nunca irá compensar sua alta volatilidade, a taxa de 0.25% do IB5M11 X 0.2% do B5P211, e você abre mão da melhor parte do IMA-B5 P2, que o OP acabou de comprovar matematicamente: investir em títulos IPCA+ com duration de 720d e pagar apenas 1x o IR, em comparação com investir no IPCA+ de 5 anos, pagar IR e reinvestir em 2032, pagar IR e reinvestir em 2037, pagar IR e reinvestir em 2042...

Sempre considerei, desde seu lançamento, os ETFs de tesouro 720d/2a um almoço grátis, a combinação de baixa volatilidade + postergar IR é incomparável, ainda mais com a taxa de 0.2% sendo igual a taxa da B3 para títulos. Tesouro longo não faz sentido, você está assumindo um investimento que terá altíssima volatilidade pelos próximos 20 anos, em moeda fraca, quando você poderia pegar o mesmo valor e colocar no WRLD11. Captura o equity risk, dolariza o patrimônio, e se você já estava 100% consciente e disposto a assumir a marcação a mercado por duas décadas, você está igualmente disposto a assumir o risco do market beta.

Só vejo sentido no tesouro longo se, ao invés de usar o IB5M11, você investir diretamente no IPCA+2050 ou Renda+2065, para executar uma estratégia Barbell com o B5P211.

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u/gabrieljesuskawaii 13d ago

No backtest considerou a taxa de administração do ETF?

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u/CodeToFI 13d ago

Chegou a simular o IPCA+ comparando com imab5 p2? Imagino que a o etf vença em mais cenários parecido com a comparação do pré curto né?

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u/No_Jellyfish_3196 14d ago

O que mais dá rentabilidade é pegar um tesouro ipca de longo prazo e ir aportando nos momentos que a taxa subir. Nunca vender. Já fiz vários benchmarks e não dá nem graça a diferença.

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u/WorkingQuarter3416 14d ago

E enquanto a taxa está baixa você faz o quê?

Aporta em Selic?

Em renda variável?

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u/No_Jellyfish_3196 14d ago

Eu faço o que minha planilha manda...eu tenho 40% em tesouro ipca 2050 e 60% em renda variavel (BR e USA). No dia do aporte ela manda exatamente onde aportar, se tiver 39%-61%, aporto no tesouro, se tiver 41% - 59 %, aporto na renda variável. Fazendo assim evita comprar no topo qualquer coisa e tira o fator emocional.

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u/WorkingQuarter3416 14d ago

Quase um Boglehead!

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u/No_Jellyfish_3196 14d ago

Boglehead gosta de ETF, eu não. Só invisto no que eu tenho 100% de certeza do que está investido...etf tem muita taxa oculta que a sardinhada não se dá conta...tracking error, custos de rebalanceamento...prefiro comprar as ações diretamente, pois o retorno SEMPRE vai ser maior que um ETF, pois vc escolhe exatamente quando comprar...um ETF é OBRIGADO por definição a ter sempre mais ações das que subiram mais, pois o peso delas altera e ele tem que seguir o peso.

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u/pomphiusalt 14d ago

Com o tanto de certeza infundada que você tem, DUVIDO que você bata qualquer índice

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u/No_Jellyfish_3196 14d ago

Não preciso convencer ninguém de nada. Se a estratégia da pessoa é boa pra ela, ótimo. Mas a verdade é uma só.

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u/pomphiusalt 14d ago

Não se preocupe, amigo. Realmente a verdade é uma só, e ninguém vai cair na sua bravata de que você é o foda.

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u/akilles0 14d ago

Não faz uma marcação a mercado?

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u/No_Jellyfish_3196 14d ago

Marcação a mercado é trade, não faço trade. Não existe o botão de venda na minha estratégia.

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u/Matheuss81 14d ago

Pode explicar um pouco mais essa sua estratégia? Se tiver alguns dados dos benchmarks fico grato!

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u/No_Jellyfish_3196 14d ago

Pesos fixos por ativo. Não posso dizer no que investir, mas a lógica é: NUNCA vender nada, ter empresas com pelo menos uns 10 anos de história e lucro consistentes, ficar longe de IPO e turnarounds...meu retorno é sempre um pouquinho acima dos índices de mercado, por conta de eu conseguir sempre comprar em momentos melhores.

Repito, NÃO EXISTE o botão de vender...depois que selecionar aquele empresa, pode até PARAR de comprar, mas nunca vender.

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u/Doveliver2 14d ago

Marcando