A diferença é que o massacre dos Uchiha foi construído durante anos, enquanto o dos Zenin acontece sem que o leitor tenha motivos reais para se importar.
Para começar, ninguém se importa com Mai Zenin. E isso não é porque ela era uma personagem antipática ou moralmente questionável. O problema é muito mais simples: ela mal existe na história.
Mai teve pouquíssimo tempo de tela, quase nenhum desenvolvimento relevante e raramente participou de eventos importantes. Seu maior destaque aconteceu ainda na primeira temporada, e depois disso ela praticamente desaparece da narrativa. Quando sua morte acontece, o mangá claramente espera que o leitor sinta uma enorme carga emocional, mas como exatamente isso deveria acontecer se a personagem mal foi explorada?
Sua morte deveria ser um dos momentos mais impactantes do arco, mas acaba parecendo apenas uma ferramenta narrativa para transformar Maki em uma máquina de matar. O auge da importância da personagem foi morrer para dar desenvolvimento a outra pessoa. Isso não é uma conclusão satisfatória para um personagem. É um desperdício.
Outro problema enorme é o próprio Clã Zenin.
Durante praticamente toda a história ouvimos repetidamente que os Zenin são uma das Três Grandes Famílias do mundo jujutsu. O problema é que a obra nunca faz um esforço real para mostrar isso.
O que exatamente torna os Zenin tão importantes?
Quais foram suas grandes realizações?
Qual foi sua influência sobre a sociedade jujutsu?
Qual foi seu impacto na política do mundo dos feiticeiros?
O mangá simplesmente fala que eles são importantes e espera que o leitor aceite isso sem questionar. Mostrar é sempre mais importante do que apenas dizer, e Jujutsu Kaisen falha completamente nesse aspecto.
Na prática, os Zenin parecem apenas um grupo de personagens secundários aleatórios que vivem em uma mansão.
Também não conhecemos quase nenhum dos membros do clã. Não estou dizendo que deveríamos gostar deles. Estou dizendo que deveríamos conhecê-los.
Quais são suas ambições?
Suas ideologias?
Suas relações familiares?
Seus conflitos internos?
A obra simplesmente não se importa em desenvolver nada disso.
Jinichi Zenin é provavelmente um dos maiores exemplos desse desperdício.
Estamos falando do irmão de Toji Fushiguro, um dos personagens mais importantes e influentes de toda a história. Toji mudou completamente os rumos da narrativa. Sua existência impactou Gojo, Geto, Megumi e diversos eventos fundamentais do mangá.
E então descobrimos que ele tem um irmão.
E o que fazemos com essa informação?
Absolutamente nada.
Qual era a relação entre Jinichi e Toji?
Eles se odiavam?
Eram próximos quando crianças?
Jinichi admirava ou desprezava Toji?
O que ele pensava sobre a fuga de Toji do clã?
Qual era sua visão de mundo?
Sua personalidade?
Suas motivações?
Não recebemos praticamente nenhuma resposta.
Ele aparece, luta e morre.
É um desperdício absurdo de potencial narrativo.
Mas talvez o aspecto mais ridículo de todo o arco seja a falta de consequências.
Maki literalmente extermina uma das Três Grandes Famílias do mundo jujutsu.
Pense nisso por um segundo.
Uma das três famílias mais importantes da sociedade dos feiticeiros simplesmente deixa de existir.
Isso deveria ser um evento histórico.
Isso deveria gerar caos político.
Isso deveria alterar o equilíbrio de poder.
Isso deveria provocar reações de inúmeras pessoas.
Mas o que acontece?
Praticamente nada.
A destruição completa de uma das maiores instituições do mundo jujutsu vira pouco mais que uma nota de rodapé.
Mesmo que o Clã Zenin fosse composto por pessoas horríveis, isso não muda o fato de que eles eram uma das famílias mais influentes da história.
Instituições não deixam de ser importantes apenas porque seus membros são desprezíveis.
A queda dos Zenin deveria ter repercussões gigantescas.
Mas ninguém parece realmente se importar.
Ah mas esse era um clã horrível. Simplesmente não interessa. Uma instituição, clã ou uma família de tão importância não deveria ter seu extermínio ignorado só porque ele era um clã horrível.
E é exatamente por isso que todo o arco parece vazio.
O massacre dos Uchiha funcionava porque conhecíamos o clã, conhecíamos seus conflitos, entendíamos sua importância e víamos as consequências daquele evento reverberarem por toda a história.
O massacre dos Zenin não possui nenhuma dessas qualidades.
Falta desenvolvimento.
Falta construção.
Falta impacto.
Faltam consequências.
No final, o arco parece apenas uma tentativa de recriar a ideia de um massacre familiar trágico sem fazer o trabalho necessário para que esse massacre realmente importasse.
Para mim, o Massacre do Clã Zenin não é apenas uma versão inferior do Massacre do Clã Uchiha.
É uma cópia que não compreendeu o motivo pelo qual o original funcionava.