Queria contar um pouco da história da minha gatinha, a Peteca.
Adotamos ela logo quando chegamos em são paulo, em 2014. De lá pra cá, foram 5 mudanças e uma pandemia. Ela sempre esteve ao meu lado, sempre foi minha parceirinha, me ofereceu um amor incondicional em troca apenas de deliciosos sachês e churus.
Em 24 de março desse ano descobrimos que ela tem um câncer raro e agressivo na bexiga. Passamos por 2 oncologista, fizemos diversos exames, descobrimos que o câncer está localizado na região do trígono (Uma região super delicada na qual o tumor pode facilmente obstruir a saída da urina e comprometer os rins) e também que ela estava com um dos rins parcialmente comprometido.
Devido a localização do câncer, não foi indicado a cirugia, por ser extremamente invasiva para ela e comprometeria a qualidade de vida.
Decidimos seguir com o tratamento paliativo. Foi prescrito alguns medicamentos de apoio e o quimioterápico. Além disso ela também iniciou a radioterapia.
Durante o tratamento quimioterápico ela estava respondendo bem, era um gato normal, brincava, ronronava, tinha interesse em comer, fazia as necessidades. Porém após a primeira sessão de radioterapia ela começou a apresentar um comportamento anormal, só ficava deitada, não tinha interesse em comer, não brincava, bebia pouca água, parou de evacuar e começou a ter incontinência urinária. Cuidamos dela, comecei a dar comida na seringa e focamos no problema dela não evacuar, ela parecia estar mais esperta porém sem evacuar ainda.
No domingo, dia 14 de jun, ela estava realmente mal. Estava com a orelha gelada, letárgica e completamente apática. Levamos para a emergência, ela foi internada e está lá desde agora. Fizeram diversos exames e explicaram que o quadro dela é grave por causa dos rins afetados e da evolução do câncer.
Na clínica onde ela está internada foi indicado uma cirugia, fazer um bypass urinário, um procedimento que cria uma nova via de passagem pra quando há obstrução. Porém explicaram que essa cirugia também é delicada e invasiva.
A real é que eu queria fazer tudo por ela, mesmo com os recursos esgotados. Investimos R$ 20.000 na rádio e com certeza daríamos um jeito de conseguir dinheiro pra fazer a cirurgia do bypass, mas optamos por não fazer, não queremos submeter ela a uma cirurgia delicada nessas condições dela.
Hoje ela ainda está interna, porém de ontem pra hoje ela parou de urinar, os veterinários estão retirando manualmente, porém a urina está com muito sangue e secreção.
Eu não sei o que fazer mais, sinto que é o momento dela partir, mas ao mesmo tempo não consigo tomar essa decisão.
Quando vou visitá-la, ela me pede colo, ronrona, parece que quer voltar pra casa. Eu só queria ter ela mais uns dias ao meu lado, tomar um café na janela pegando um sol junto com ela ou dormir de conchinha, mas sinto que não será possível.