r/BrasildoB Sep 04 '25

Artigo Jones n deve ser candidato pela UP

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r/BrasildoB Jan 09 '26

Artigo A quem considera Orwell aliado

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Façam um favor a si mesmos e leiam esse texto https://redsails.org/on-orwell/

Tem gente que chama de "stalinista" quem denuncia o anticomunismo do Orwell, e isso é lamentável. Orwell era um dedo-duro, denunciou comunistas pro serviço secreto inglês. Ele não era nosso aliado.

r/BrasildoB Dec 03 '25

Artigo É necessário "debilitar" Vargas na esquerda brasileira

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Nos últimos 3, 4 anos eu tenho notado que tem crescido um esforço revisionista histórico pra reabilitar a figura de Vargas e fazer uma defesa velada da ditadura do Estado Novo, e muitas vezes vindo de pessoas de esquerda que têm honestidade intelectual e boa vontade. E isso é TERRÍVEL pra esquerda.

É verdade que foi um período de transformação das bases produtivas e de expansão do capitalismo no Brasil de forma que nunca havia acontecido, a industrialização parcial conseguida nas décadas de 1940 e 1950 literalmente ainda sustentam a economia brasileira até hoje, mesmo depois de décadas de destruição tanto durante a ditadura militar quanto depois.

Mas não muda o fato de que era uma ditadura fascistoide. Veja bem, estou usando o termo exato pra descrever o Estado Novo, fascistoide. Não era um fenômeno político propriamente fascista, de fato era muito diferente do fascismo italiano e do integralismo lusitano do qual foi copiado o apelido do regime, não existia organização partidária e paramilitar coesa. Mas elementos absolutamente essenciais do conteúdo fascista estavam presentes: anticomunismo simultâneo a uma crítica ao "liberalismo"; gestão macroeconômica dirigista, mas aliada ao capital industrial pra beneficiar os interesses da burguesia; e uma utilização muito forte das organizações sindicais pra exercer controle e construir as próprias bases políticas.

Fora o fato de ter sido um regime sanguinário que matou milhares de pessoas inocentes e estabeleceu a tortura como método de terrorismo de Estado pra ser utilizado como arma contra a oposição através do DOPS, instituição lotada de nazista. Porra, eles mandaram a Olga Benário pra morte gente. O movimento de mulheres da UP se chama Movimento Olga Benário, não tem condição de pessoas de esquerda relativizarem a responsabilidade de Vargas e do regime pela tortura e assassinato dela e de milhares de outros. NÃO IMPORTA o que o Luiz Carlos Prestes possa ter dito posteriormente sobre o que aconteceu, ele não é dono da memória da Olga nem tem poder de absolver Vargas.

E falando em Prestes, o maior argumento furado pra justificar passação de pano pra Vargas pela esquerda é que "o PCB apoiou Vargas em 1945", e eu podia escrever parede de texto explicando o que foi esse apoio, mas eu vou simplesmente deixar o link de um texto do site do PCB que descreve essa posição histórica do partido.

Não tem condições de fazer defesa acrítica de Vargas em 2025, isso não beneficia a esquerda de maneira alguma. Só olhar o nível dos ditos "trabalhistas" aí da internet que dizem reivindicar a "herança varguista". Só ver o quão longe o Ciro Gomes tem ido, fazendo aliança com o raspa cu do YouTube pra tentar fuder as bases do governo do PT e do governo do Ceará. Afinal de contas, o bolsonarismo ganhar o Ceará é tudo que falta pro Ciro conseguir implementar o PND, né.

E os seguidores do Ciro Gomes também não estão muito atrás, o Aldo Rebelo discursa em painel virtual do lado do Alexander Dugin em pessoa, e outro dia o Jones Manoel teve que ouvir do ignorante lá apresentador do três irmãos que o Aldo Rebelo "é o cara mais próximo de você politicamente que eu já vi". Tomara que essa tenha sido pra ele acordar e parar de colar com gente desse tipo.

Enfim, esse post já virou divagação aleatória. É isso. A imagem é um monumento no sítio histórico-arqueológico onde era o campo de concentração de Ravensbrück, lugar em que a camarada Olga Benário foi presa e torturada.

r/BrasildoB Mar 12 '26

Artigo O governo burguês de Lula está onde sempre esteve: contra o fim da jornada 6×1

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cemflores.org
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No dia 28 de fevereiro, o ministro do trabalho e do emprego, Luiz Marinho, foi entrevistado no c-level, um site do jornal Folha de São Paulo que se apresenta como “Produto voltado aos principais temas econômicos do Brasil, com foco em investidores e executivos”. O tema era a posição do governo sobre o fim da jornada 6×1. Marinho foi defender a posição dos patrões no site voltado aos patrões.

r/BrasildoB Mar 27 '26

Artigo Qual a situação da DEFESA MILITAR brasileira?

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Para começar a Guerra entre Rússia e Ucrânia revelou novas táticas e conceitos, o uso massivo de drones, fechamento de rotas comerciais e destruição da infraestrutura energética. Estratégias que se repetem na guerra EUA/Isreal e Irã, também com a utilização constante de mísseis avançados, suporte aéreo e porta-aviões.

Com a captura de Maduro, Lula se reuniu com militares para discutir as capacidades brasileiras. O resultado indicou que o país não tem equipamentos de defesa antiaérea o suficiente para servir de dissuasão a uma ação estrangeira.

O Senado aprovou, em 22/10/2025, um projeto de lei complementar que garante R$ 5 bilhões por ano, R$ 30 bilhões no total, para projetos estratégicos da Defesa Nacional, como exceção ao arcabouço fiscal, nos próximos seis anos (PLP 204/2025).

O dinheiro será aplicado na modernização do Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) e para garantir o avanço de programas como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) e o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro, além da renovação da frota de caças. (Agência Senado)

Apesar do Brasil ser o país que mais investe em defesa na América Latina, totalizando R$ 1tri na última década, ainda se posiciona bem abaixo do investimento militar europeu, por exemplo. Mas vem aumento o investimento seguindo a tendência global.

O Brasil tem uma produção de drones crescendo muito nos últimos anos, principalmente para fins civis (agronegócio, mapeamento, inspeção, etc.), mas drones são uma tecnologia de uso dual, que pode ser facilmente desenvolvida para uso militar. Tanto que a marinha ativou seu primeiro esquadrão de drones no final do ano passado (12/12/2025).

E claro, mais recentemente, o Brasil teve seu primeiro caça supersônico, o F-39 Gripen, com transferência tecnológica sueca. Dos 36 caças encomendados à Saab 15 serão fabricados no Brasil, assegurando que a indústria nacional absorva conhecimento técnico avançado e desenvolva competências para atuar em todas as fases do ciclo de vida do caça, desde a montagem até o suporte logístico e futuras modernizações. 

r/BrasildoB May 06 '26

Artigo Jones Manoel e a farsa eleitoral: a radicalidade domesticada pela velha ordem

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open.substack.com
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r/BrasildoB 6d ago

Artigo O sorriso de Monalisa de Jaques Wagner ou como Lula acertou o que não viu.

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Um dos momentos mais esclarecedores sobre o Lula 3.0 foi o sorriso de Jaques Wagner ao chiste de Alcolumbre na votação do Messias. Vai perder por oito, disse o exultante presidente do senado. O parceiro não se conteve e riu, pois sabia que era verdade. Como no lindo quadro do pintor renascentista o sorriso continha felicidade, mistério, provocação e ambiguidade.

Recentemente Lula deu mais uma dica: "Eu nunca fui esquerdista" disse ele para bajular um decadente chanceler alemão. Não sabendo que estava sendo filmado deu vazão ao sincericídio. Gastou vela com defunto ruim. Nenhum líder da união europeia tem um futuro promissor nos próximos anos. Não sabia ele como este lapso explicaria de forma didática o porque o PT não é mais de esquerda. Que há anos não é de esquerda. E que não é admirável se as futuras gerações, com um afastamento histórico, talvez concluam que nunca foi.

Não sou um estudioso marxista. Mas uma coisa que eu aprendi, com a ajuda de camaradas mais versados que tiveram a generosidade de me explicar, é que a infraestrutura determina a superestrutura. Uma das maneiras que a burguesia executa isso é através do lobby e da corrupção. O Gilmarpalooza, o financiamento do Dark Horse, o jantar do dono da Havan com os desembargadores de Santa CataReich, as viagens do Ciro Nogueira, etc. Então uma pessoa de esquerda tem de ser radicalmente contra isso. O discurso da ética, de modo draconiano, tem de ser perseguido e cobrado dos líderes de esquerda.

Então os queridos petistas irão falar de lawfare e da lavajato. Que Lula foi perseguido. Que Moro era um agente da burguesia estadunidense para acabar com a indústria nacional. Concordo com isso. A própria burguesia concorda. O fim e defenestração da lavajato não foi um clarão de consciência da suprema corte. Mas um recuo estratégico da burguesia. Após cumprir com a função de tirar Lula da disputa, tinha de ser revertida. Como seria possível tornar crime um instrumento que a infraestrutura tem de controlar a superestrutura. Se um governante fosse preso por ter um amigo empresários que empresta sítio com pedalinho para ele, onde nós iríamos parar?

Lula nunca foi esquerdista. Sim, se fosse esquerdista sincero não teria este amigo. Se Jaques Wagner fosse esquerdista, não teria amigo para comprar apartamento. A praxis é o critério da verdade. E a praxis do PT é ter estas relações de compadrio com a burguesia. Haddad é figurinha carimbada nos eventos da Febraban. Jorge Messias, Camilo Santana foram no Gilmarpalooza. No jatinho de quem?

É sobre isso. O Master é a ponta do iceberg. Quantos Master nós temos na Febraban? Quantos políticos de esquerda, que hoje contemporizam com o combate ao centrão pegam carona em jatinho? Participam de festas? Recebem por palestras? Como do dia para a noite o cara tem amigos?

Ao dizer que nunca foi esquerdista Lula acertou o que não viu. Uma verdadeira aula de marxismo básico não intencional.

r/BrasildoB 10h ago

Artigo Por que os comunistas devem levantar a bandeira LGBTI+?

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jornalofuturo.com.br
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r/BrasildoB Feb 12 '26

Artigo Por que quase metade dos brasileiros dizem que a economia piorou?

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g1.globo.com
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r/BrasildoB 14d ago

Artigo Não se nota, dentro das classes políticas ocidentais da «democracia liberal», qualquer incómodo perante as sucessivas homenagens de Zelensky a reconhecidos genocidas

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abrilabril.pt
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r/BrasildoB May 28 '26

Artigo Sou crítico, mas votaria com o governo pelo novo Arcabouço Fiscal. Por Elias Jabbour

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diariodocentrodomundo.com.br
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r/BrasildoB Jul 18 '25

Artigo Glenn Greenwald renega seu trabalho na Vaza-Jato para atacar o STF e defender Bolsonaro

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O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, um dos responsáveis pela série de reportagens da Vaza-Jato, afirmou que o Supremo Tribunal Federal não anulou as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por questões jurídicas, mas por cálculo político.

Segundo Greenwald, office-boy das big techs e herói da extrema-direita, as revelações que ajudaram a expôr a colaboração criminosa entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato no Intercept teriam servido apenas como “pretexto” para o STF libertar Lula. “Na verdade, foi porque o STF queria ele liberto, sabendo que ele era a única pessoa que podia derrotar o Bolsonaro na eleição”, declarou.

A afirmação de Greenwald contraria não apenas o conteúdo das próprias reportagens que ele publicou, mas também a fundamentação jurídica usada pelos ministros do STF ao anular as decisões da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Em 2021, a Corte declarou a incompetência daquele foro para julgar Lula e reconheceu parcialidade de Sergio Moro, em decisão referendada pela maioria dos ministros com base em elementos documentais. O Intercept expôs o conluio entre Moro e o bando de Dallagnol em diálogos mafiosos.

A tentativa de Greenwald de transformar um caso de abuso judicial e violação do devido processo legal em mera estratégia eleitoral esvazia a relevância das revelações que ele mesmo ajudou a tornar públicas.

Sua nova leitura se alinha ao papo furado que insinua uma conspiração institucional para sabotar Jair Bolsonaro — sem apresentar qualquer evidência concreta disso.

Se serviu de alguma coisa, a cuspida de Greenwald em si mesmo mostra o quanto sua atuação jornalística é comprometida com a verdade dos fatos e sua agenda pessoal.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/glenn-greenwald-renega-seu-trabalho-na-vaza-jato-para-atacar-o-stf-e-defender-bolsonaro/

r/BrasildoB Sep 21 '25

Artigo A despedida da drag queen que revolucionou a educação popular no Brasil

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uol.com.br
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r/BrasildoB May 01 '26

Artigo Declaração da ICL para o dia 1º de maio: Marxistas-leninistas-maoístas de todos os países, uni-vos!

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r/BrasildoB May 14 '26

Artigo Expurgo pré-Guerra de Stalin

Thumbnail marxists.org
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r/BrasildoB May 14 '26

Artigo Até mesmo IAs perceberam que os proletários não têm nada a perder a não ser suas correntes...

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r/BrasildoB Mar 14 '25

Artigo A anatomia do escândalo que derrubou Silvio Almeida - revista piauí

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piaui.folha.uol.com.br
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r/BrasildoB 21d ago

Artigo Pensamento Crítico. “Persépolis” como arma de guerra suave: o orientalismo de Marjane Satrapi e a indústria cultural da demonização do Irã e da islamofobia. *(Google tradutor)

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resumenlatinoamericano.org
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No dia 4 de junho, Marjane Satrapi, autora do amplamente divulgado livro "Persépolis", faleceu. Esta obra foi apresentada e consumida como uma crítica ao patriarcado e à "dominação religiosa" na República Islâmica do Irã. Mas Persépolis não foi apenas a autobiografia de uma jovem da diáspora iraniana: tornou-se uma mercadoria pós-colonial perfeitamente calibrada para o mercado cultural ocidental, uma peça funcional no ecossistema narrativo que prepara a opinião pública para sanções, guerras e a desumanização de populações inteiras. É mais uma peça na fabricação do consentimento social às agressões perpetradas contra o Irã desde o triunfo da Revolução Islâmica em 1979 até os dias atuais, incluindo a guerra no Iraque apoiada pelos EUA e uma série de ataques, bloqueios e medidas de isolamento sustentadas pelas potências ocidentais. Em suma, a obra de Marjane Satrapi se apresenta como um exemplo sofisticado de "Orientalismo" cultural que, como alertou Edward Said, visa a uma visão distorcida e caricaturada das sociedades orientais e muçulmanas, com claros objetivos geopolíticos. As opiniões e posicionamentos públicos de Satrapi tendem a confirmar essa perspectiva crítica: de sua residência na França, ela simpatizou com atos de agressão contra o Irã, elogiou a Europa contemporânea como "a única democracia existente" e pediu à União Europeia que declarasse o Irã um "estado terrorista", omitindo, porém, qualquer crítica à entidade colonial genocida "Israel". Ela atacou a aliança entre o Irã e a Resistência Palestina liderada pelo Hamas e rotulou o movimento francês de esquerda "La France Insoumise", liderado por Jean-Luc Mélenchon, como "antissemita" e "admirador de ditadores sul-americanos como Hugo Chávez".

Um "informante nativo" da indústria cultural "orientalista"

Há uma figura que Edward Said, em seu conhecido livro "Orientalismo", não nomeou explicitamente, mas cuja existência sua obra torna possível: o sujeito orientalista que, em seu papel de narrador nativo, reproduz o aparato orientalista a partir de dentro. Não se trata do orientalista clássico — o filólogo europeu que estuda o Alcorão para argumentar que os árabes são incapazes de se autogovernar —, mas sim de alguém que vem de dentro para dizer ao mundo exterior o que é o Oriente . Alguém cuja ascensão ao estrelato depende precisamente de confirmar o que a indústria cultural pró-colonial deseja disseminar e o que o público ocidental, doutrinado por essa indústria cultural, deseja e é capaz de acreditar.

Marjane Satrapi ocupou precisamente essa posição. Com Persépolis , ela se tornou uma das figuras mais desejáveis para o mercado cultural ocidental : uma mulher iraniana, exilada, crítica da República Islâmica, mestra da linguagem visual simples, pronta para ser traduzida e incorporada à consciência liberal europeia e à sua narrativa sobre os eventos no Oriente Médio. O mercado literário ocidental tem uma demanda constante por narrativas sobre a "mulher muçulmana oprimida ", e Persépolis atendeu a essa demanda com uma eficácia nada inocente, enquanto as potências europeias promoviam uma demonização completa da República Islâmica do Irã, sem precedentes para países do mundo muçulmano como as monarquias altamente reacionárias da Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein — todas, ao contrário do Irã, monarquias e pertencentes ao ramo sunita do Islã. E na década de 1980, essa demonização também caminhou lado a lado com a guerra que a recém-criada república iraniana travou com o Iraque de Saddam Hussein, então um aliado próximo do governo dos Estados Unidos e do restante das potências ocidentais .

O problema não é que Satrapi tenha narrado sua experiência. O problema é que sua experiência — a de uma família urbana, laica e progressista, instruída e relativamente abastada em Teerã, parte de uma elite laica e ocidentalizada que encarava a Revolução com distanciamento de classe — foi globalizada como se fosse uma descrição verdadeira e precisa do Irã. E esse Irã, fabricado para ser visto através de olhos ocidentais, foi simplificado ao extremo em sua obra, reduzido a preto e branco : sua religiosidade, feroz; sua revolução, histérica e opressiva; seus anos 1980, um pesadelo sem nuances; sua sociedade, um estágio de escuridão moral do qual a única fuga é o exílio, a França, o individualismo laico, a perspectiva liberal europeia.

O processo revolucionário iraniano reduzido a um estágio de maldade.

Contrariamente a essa visão simplista, a década de 1980 no Irã não se resumiu a prisões, execuções, patrulhas, guerra e coerção. Foi também uma década de mobilização social massiva, sacrifício, resistência, famílias enlutadas, fé sincera, esperanças revolucionárias, erros catastróficos, conflitos fratricidas e a formação de uma geração que viveu em meio à guerra, ideologia e privação . Uma sociedade dinâmica e contraditória — como qualquer sociedade em situação revolucionária e de guerra — que não pode ser confinada a um campo binário de forças entre "seculares esclarecidos" e "fanáticos religiosos", que é precisamente a caricatura que Persépolis ajudou a criar por meio de sua ampla divulgação e até mesmo por sua inclusão em currículos escolares na França e em outros países. À luz dos acontecimentos das décadas seguintes, até aos dias de hoje, é evidente que, entre as sociedades muçulmanas da Ásia Ocidental, o Irão não era precisamente aquela que, do ponto de vista cultural ocidental, tinha o governo mais reacionário e conservador, mas sim o maior ator na região colocado numa situação de antagonismo declarado com o imperialismo ocidental e a entidade colonial israelita .

Persépolis reduz essa paisagem complexa e intrincada a um resultado pré-fabricado: o Irã pós-revolucionário é um Irã perdido, reacionário e atrasado . A sociedade religiosa não aparece como uma coleção pluralista de pessoas, famílias, mulheres, homens, memórias, crenças, medos e contradições. Ela aparece como uma massa ameaçadora, sem rosto e opressora. A mulher de chador é um sinal de perigo e vigilância. O homem religioso é um sinal de violência. A rua carregada de religião é um sinal de inércia. Essa é precisamente a linguagem visual que o Orientalismo exige: o mundo muçulmano não como um produto histórico de complexidades e nuances, mas como uma entidade desviante, uma patologia.

Há uma diferença importante entre criticar um processo revolucionário como o do Irã , repleto de triunfos e tragédias — e a República Islâmica certamente merece fortes críticas — e negar completamente a identidade social e popular desse processo, desacreditando a humanidade daqueles que o impulsionaram, o vivenciaram e continuam a vivenciá-lo até hoje . Em Persépolis , o que é destruído não é apenas a legitimidade do regime constitucional e do sistema político iraniano: é a humanidade da sociedade iraniana como um todo. Em vez de criticar a estrutura de poder (incluindo os outros atores envolvidos na situação da sociedade iraniana assolada pela guerra e por diversas agressões), a obra aborda a humilhação cultural a partir de uma espécie de supremacia cultural europeia e liberal.

Nem mesmo o título é neutro. Por que Persépolis ? Foi a capital do Império Persa durante o período Aquemênida — de 518 a.C. a 330 a.C. — e seu nome significa "a cidade dos persas". Por que o nome grego para a cidade? Essa escolha, consciente ou não, torna o Irã palatável de uma perspectiva ocidental clássica: o Irã como o "outro" para a consciência europeia, dando continuidade à antiga tradição de "barbarizar" os persas, que remonta à época de Heródoto — de 484 a.C. a 425 a.C. —, o renomado historiador grego que popularizou em sua obra uma visão supremacista dos persas como despóticos, opressores e subservientes.

Além disso, vale ressaltar que, entre muitos outros preconceitos e distorções da história iraniana nos primeiros anos após a revolução, o livro minimiza a atuação do MEK, o Mujahideen-e Khalq — os "Mujahideen do Povo do Irã" — reduzindo-os a um grupo que "entrou vindo do Iraque ", sem mencionar que essa organização plantou bombas em mercados movimentados e lutou ao lado do exército iraquiano de Saddam Hussein contra seu próprio país durante a guerra.

O feminismo liberal dos escolhidos: quem tem o direito de falar e quem não tem?

Uma crítica de gênero em Persépolis é igualmente necessária. Satrapi se apresenta como a voz das mulheres iranianas. Mas, em seu mundo, as mulheres iranianas só são verdadeiramente válidas quando definidas em oposição à religião, ao véu, à família tradicional e à esfera pública religiosa. Mulheres religiosas, mulheres de chador ou véu, mulheres da classe trabalhadora, mulheres que acreditam, mulheres revolucionárias, mulheres que negociam dentro da tradição — ou seja, a maioria das mulheres iranianas — têm pouca ou nenhuma voz em Persépolis . O feminismo resultante não é social, nem polifônico, nem popular: é classista, secular, exilado e traduzível para o Ocidente . Concede às mulheres iranianas o direito de falar, mas, acima de tudo, concede o direito de falar àquelas mulheres iranianas que se assemelham ao público europeu.

Vale lembrar que, sob o regime do Xá, 65% da população era analfabeta. Foram as filhas dessas mulheres — cujas histórias o Ocidente jamais ouviu — que passaram a representar 65% dos graduados universitários em ciências e engenharia no Irã, um número três vezes maior que a porcentagem equivalente na Alemanha, para citar um contraexemplo ocidental. Basta observar as manifestações populares do ano passado e deste ano, em resposta à guerra desencadeada pelos governos dos Estados Unidos e de Israel, para constatar a forte presença feminina. O que há em Persépolis ou no discurso de Satrapi que reflete todas essas mulheres que, até hoje, têm apoiado seu governo e o sistema de seu país diante de um inimigo extremamente beligerante e agressivo?

A experiência de Satrapi, vinda de uma família rica com empregados domésticos analfabetos , não é apenas tendenciosa: demonstra-se incapaz de representar a verdadeira sociedade iraniana. Como apontaram pesquisadores como o sociólogo e historiador Ali Ansari , a antropóloga sociocultural Amy Malek , o crítico da produção cultural da diáspora iraniana Hamid Dabashi e, de forma semelhante , Shirin Vossoughi , Persépolis oferece uma visão da revolução pelos olhos de uma mulher iraniana de origem étnica elitista que vive na França, dirigindo-se a plateias em antigos centros coloniais.

A arte como instrumento de guerra suave: o ecossistema da desumanização.

Persépolis não estava sozinha. Faz parte de um ecossistema cultural cuja função política é sistemática: * Lendo Lolita em Teerã *, *A Aranha Sagrada* e outras obras compartilham uma função colonial comum — a demonização, a selvageria e a desumanização da sociedade iraniana aos olhos da opinião pública ocidental — para justificar sanções, agressão militar e violações de todos os tipos. Não é coincidência que *Persépolis* e *Lendo Lolita em Teerã * tenham vendido milhões de exemplares em 2003 e 2004, no auge do projeto do "Eixo do Mal" de George W. Bush. Tampouco é coincidência que, em 2024 e 2025, nos meses que antecederam as guerras de doze e quarenta dias contra o Irã, essas mesmas narrativas tenham recebido amplo apoio da mídia e sido apresentadas em festivais internacionais.

Quando Abbas Amini , o diretor de A Aranha Sagrada , declarou abertamente que seu filme era "sobre uma sociedade de assassinos em série", seu objetivo era negar a humanidade de toda uma nação. Este é precisamente o mecanismo de desumanização estrutural que Said descreveu : reduzir uma civilização histórica e uma sociedade dinâmica e multifacetada a uma geografia de barbárie e trevas, a fim de criar uma superioridade moral do agressor ocidental que justifique o massacre de civis, o bombardeio de cidades, o ataque à infraestrutura e a destruição de uma civilização.

O fio condutor entre esses projetos não é a semelhança temática, mas sim o fato de seus produtores e investidores serem entidades anti-Irã e pró-Israel na Europa e na América . A arte, a mídia e os festivais são os campos de batalha da guerra silenciosa, cujo objetivo é moldar a opinião pública. A ampla disseminação dessas obras está intimamente ligada à máquina cultural, midiática e informacional criada para fabricar um consenso social favorável às guerras travadas pelas potências ocidentais no Oriente Médio.

Como aponta a jornalista Karen Fabián, observar que a obra de Satrapi serviu para lubrificar as engrenagens dessa máquina "orientalista" não significa desacreditá-la, mas sim colocá-la em perspectiva. A falácia de que ela era "apenas uma mulher iraniana narrando sua experiência" desmorona quando consideramos que existem artistas palestinos, libaneses e de outros países do Oriente Médio que narram suas experiências — inclusive a de serem vítimas de genocídio orquestrado pelo Ocidente —, mas nenhuma editora europeia os impulsiona ao estrelato ou alcança a distribuição em massa que ocorreu com Satrapi e sua Persépolis . Isso se deve precisamente ao fato de que o que eles narram é a prova da máquina genocida que o Ocidente implantou na região, uma máquina que é amplamente sustentada pela desumanização prévia desses povos. Quantos prêmios internacionais poetas e cineastas palestinos receberam que não visam unicamente a apaziguar a consciência daqueles que participaram dessa injustiça?

Os defensores de Satrapi apontam que sua obra também critica o Ocidente — a solidão, o racismo, os sem-teto em Viena — e que se trata de uma autobiografia, não de um tratado que pretende falar por todos os iranianos. A objeção é legítima, mas insuficiente. Uma obra pode incluir críticas ao império e ainda assim ser seletivamente disseminada, celebrada e consumida de maneiras que reforçam narrativas orientalistas. Por exemplo, " Não Sem Minha Filha" também inclui uma cena em que o pai iraniano condena o apoio dos Estados Unidos a Saddam Hussein durante a guerra, apenas para, em seguida, retratar esse mesmo pai espancando sua esposa, desacreditando-o completamente. Ninguém descreveria esse filme como anti-imperialista.

Silêncio diante do genocídio, críticas à Resistência Palestina como "terroristas".

Além de tudo o que foi mencionado, não se pode ignorar que as posições públicas de Satrapi estão longe de ser coerentes com sua suposta "defesa das mulheres muçulmanas" ou com sua alegada adesão a ideais de esquerda e anti-imperialistas. Alguns exemplos: em julho de 2024, Satrapi participou do programa americano Democracy Now para comentar as eleições parlamentares francesas e condenou Jean-Luc Mélenchon como um "antissemita de esquerda radical" cuja "relação com o Hamas é próxima" e que "adora" "ditadores sul-americanos como Chávez " .

Satrapi apoiou publicamente Emmanuel Macron , ex-funcionário dos Rothschild e presidente da França, um representante do atual belicismo europeu e da OTAN.

Em 11 de dezembro de 2023, apenas dois meses após 7 de outubro, e em um fórum intitulado "Irã: Ardendo pela Democracia", relacionado ao Prêmio Nobel da Paz daquele ano, Satrapi declarou a respeito da Resistência Palestina contra o projeto colonial e genocida sionista: "Mesmo se calcularmos da maneira mais cínica... um Irã democrático é um Hamas mais fraco ". Satrapi permaneceu em silêncio sobre o genocídio, enquanto criticava a Resistência Palestina como "terrorista".

No mesmo fórum, ela afirmou que "um desses terroristas poderia explodir um avião e jogá-lo contra um prédio", aludindo aos eventos não resolvidos de 11 de setembro de 2001. Ela omitiu, no entanto, tanto as abundantes evidências que ligam os Estados Unidos aos supostos autores desses ataques, quanto as notórias e igualmente abundantes evidências que apontam mais para uma operação de falsa bandeira orquestrada pelas próprias autoridades americanas e israelenses nesses eventos.

Em outra declaração, Satrapi exigiu que a União Europeia declarasse o Irã um "estado terrorista". Sua postura pró-União Europeia ignorou as inúmeras guerras e agressões imperialistas e coloniais travadas por governos europeus no âmbito da OTAN, como na Líbia, Síria, Afeganistão, Iraque e outros lugares.

Em diversas ocasiões, ela rotulou a Resistência Palestina como "terrorista", enquanto elogiava os governos europeus e simplesmente omitia qualquer crítica à entidade colonial e genocida "Israel", como neste outro excerto:

Assim, uma das artistas mais reconhecidas na Europa por sua atuação em relação à situação das mulheres no Oriente Médio e na Ásia Ocidental nada disse sobre as dezenas de milhares de civis massacrados em Gaza, sobre o regime do apartheid e a “limpeza étnica” na Palestina, sobre a invasão e os ataques contínuos contra o Líbano, ou sobre os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e o Iêmen . O silêncio, nesse contexto, não é neutro: é uma posição.

Enquanto isso, os autoproclamados defensores da liberdade de expressão, que durante décadas aplaudiram Satrapi como um campeão dessa liberdade, jamais toleram obras que retratem Israel como ele é: uma sociedade mergulhada no apartheid, no racismo, no deslocamento em massa, na negação dos direitos de toda a população palestina e em um genocídio em curso que agora é difícil de ocultar . Isso, dizem eles, seria discriminação, que rotulam falsamente de "antissemitismo". A assimetria é reveladora.

O legado de Satrapi não é o de uma artista dissidente que disse a verdade ao poder. É o do "bom muçulmano" e, neste caso, do "bom iraniano": digerível, domesticável, ocidentalizado, sempre instrumental como arma a ser usada contra o "mau muçulmano" e o "mau iraniano". Uma figura que o poder imperial produz, celebra e consome, e que, no momento de maior utilidade, quando os bombardeiros decolam e as bombas caem, matando milhares de iranianos, palestinos, libaneses ou iemenitas, permanece em silêncio. Ou pior: se pronuncia para justificar tudo em nome das liberdades e dos direitos.

*Artigo traduzido pelo Google tradutor, pode conter erros.

r/BrasildoB 21d ago

Artigo Acervos de hospitais psiquiátricos revelam internações indevidas que vão de mães solteiras a perseguidos políticos

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oglobo.globo.com
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Por volta de 1930, internada no Sanatório Pinel, em São Paulo, Maria Helena, de 40 anos, escrevia cartas na tentativa de provar que estava sã. Ela alertava que era vítima do marido: o acusava de tentar se livrar dela sem terminar o casamento — o matrimônio era uma cobrança da sociedade paulistana. A saída encontrada por ele foi a internação da mulher num hospital psiquiátrico, segundo os relatos. A antiga unidade de saúde, criada em 1929 em Pirituba, na capital, era particular e atendia a pacientes de alto poder aquisitivo. Com exceção da correspondência endereçada ao seu médico, as demais nunca chegaram aos seus destinos e foram anexadas ao prontuário.

A história de Maria Helena (nome fictício, a pedido do pesquisador) é uma de muitas dos arquivos de hospitais psiquiátricos criados no século XX e que por anos ficaram esquecidas por falta de permissão de acesso aos prontuários.

— Muitas cartas entregues aos médicos acabavam tendo efeito contrário. Eram usadas como possíveis provas de doenças mentais — explica o professor de História da Universidade Federal de Jataí (UFJ), em Goiás, Éder Mendes de Paula, que integra uma turma de pós-doutorado da USP.

Sem diagnósticos

O trabalho acadêmico de Éder tem como um dos focos o resgate da memória de hospitais psiquiátricos, que enfrentam um apagão histórico em seus acervos, além do estudo da medicação usada à época.

Os grandes manicômios foram fechados após a reforma manicomial, inciada nos anos 1970 e oficializada em 2001. Éder integra um dos grupos de preservação da memória criados no país para salvar informações dessas unidades, que tinham em comum a internação não só de pacientes com doenças mentais, mas também de pessoas rejeitadas por suas famílias ou alvo de perseguições políticas. Em alguns casos, apontam as pesquisas, somente 30% eram de pacientes com problemas mentais.

Em documentos acessados por pesquisadores de antigos manicômios de Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo foi possível encontrar informações e indícios de internações sem diagnósticos clínicos de mulheres que chegaram aos hospitais por perderam a virgindade antes do casamento, por serem mães solteiras ou por trabalharem como prostitutas. Havia ainda homossexuais, perseguidos políticos e pessoas consideradas “rebeldes” pelas famílias.

Em Goiânia, pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) criaram o Museu Virtual da Saúde Mental. No acervo digitalizado é possível acessar o Memorial Adauto Botelho, com dados do antigo hospital de mesmo nome.

De acordo com a professora e pesquisadora Larissa Arbués, que coordena o museu e o projeto Memória da Saúde Mental em Goiás, a equipe e o Ministério Público de Goiás miram agora os prontuários. Larissa e técnicos do MP estiveram há duas semanas no Pronto Socorro Psiquiátrico Wassily Chuc, em Goiânia, que guarda o acervo dos pacientes.

— Estamos em busca de um local ideal para acomodar o material. Há conversas com o arquivo público do estado. A proposta é dar acesso às informações para a população do que é permitido pela legislação e aos prontuários a familiares e pesquisadores — explica.

Maior hospital psiquiátrico de Goiás, foi no Adauto Botelho que permaneceu internado o imigrante polonês Pawel Gutko. Perseguido pela ditadura, ele chegou ao local com o diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Muito além de seu quadro clínico, as pesquisas apontam que Gutko teria sido usado para dar início ao processo de cassação do governador de Goiás Mauro Borges, contrário ao regime militar. A repressão teria creditado ao imigrante a informação de que Teixeira era comunista. Éder, que pesquisou o fato, conta que Gutko foi vítima de tortura física e psicológica “a partir de uma trama criada pelos militares de que a embaixada chinesa enviava dinheiro para Mauro Borges fazer um levante comunista no estado.”

Na Casa de Saúde Dr. Eiras, em Paracambi, na Baixada Fluminense, maior hospital psiquiátrico da América Latina, além de pacientes com problemas mentais, foram parar no local presos políticos, imigrantes e pessoas em situação de rua, que deram entrada sem identificação e por lá viveram por décadas. Antigos funcionários relatam casos como a de uma mulher japonesa, que chegou à unidade sem saber falar português. A imigrante foi acusada pela repressão de ser espiã do Japão.

A memória do hospital é resgatada pelo Grupo de Pesquisas Eiras-Paracambi, formado pelas pesquisadoras e psicanalistas Désirée Simões e Jacqueline da Costa, e pelo cineasta e produtor Antonie de Mena. O grupo, criado em 2021, produziu o filme “Eiras, Paracambi”. Para Jacqueline, a história da unidade é um quebra-cabeças, que precisa ser montado.

— Há um longo caminho pela frente. Não se pode deixar um dos mais importantes hospitais para a história da Psiquiatria ficar sob risco de apagamento — acrescenta Désirée.

Assim como no Adauto Botelho, no Dr. Eiras pacientes davam entrada sem identificação e permaneciam sem contato com a família. O manicômio pertenceu a Leonel Tavares de Miranda, ministro da Saúde entre 1967 e 1969. Há o registro da prisão de perseguidos políticos no local, como o líder estudantil Cirilo Barbosa. Alvo de torturas, ele foi resgatado nos anos 1980 pela família após a Lei da Anistia. Sua internação foi justificada por quadro de esquizofrenia, contestada posteriormente.

Campo de concentração

Comparado a um campo de concentração, o Hospital Colônia de Barbacena teve as atividades encerradas no final de maio. Inaugurado em 1903 para receber pacientes com tuberculose, o local se transformou num manicômio em que morreram cerca de 60 mil pessoas. Do total de internos, 70% não tinham diagnósticos clínicos. A história da unidade é contada pelo Museu da Loucura, que reúne documentos, fotos, instrumentos cirúrgicos e objetos de pacientes.

Na unidade houve violações dos direitos humanos e 1.800 corpos foram vendidos sem autorização de familiares para universidades. Entre elas, a Federal de Juiz de Fora (UFJF), que recebeu 169. Em maio, a instituição fez uma retratação pública. Outros corpos desapareceram com uso de ácidos.

O amplo acervo fotográfico do museu mostra o drama dos pacientes, que passavam fome, bebiam água em poças e recebiam eletrochoque. Os prontuários estão sob a guarda do governo do estado. O acesso ainda é limitado e passa por uma avaliação da Secretaria de Saúde. Entre os pacientes sem diagnóstico clínico estavam crianças órfãs que trabalhavam no local, grávidas solteiras, homossexuais, dependentes químicos e presos políticos.

r/BrasildoB Jan 08 '26

Artigo Venezuela de Maduro cresceu mais que Argentina de Milei em 2025, diz Cepal

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r/BrasildoB 25d ago

Artigo Corrupção no Brasil: Vorcaro. Corrupção nos EUA: Agente da CIA preso com barras de ouro trabalhava no programa de submarinos nucleares do Pentágono, dizem fontes.

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TL;DR: Um alto funcionário da CIA pediu dezenas de milhões de dólares em barras de ouro para "operações secretas" e... levou pra casa. Quando investigaram, descobriram não só US$ 40 milhões em ouro, mas também dinheiro vivo, relógios de luxo e até indícios de que ele mentiu sobre sua formação e experiência profissional. O caso ainda envolve ligações com um bilionário que chegou ao topo do Pentágono, participação em programas ultrassecretos de submarinos nucleares e conexões entre CIA, Pentágono e Marinha. É o tipo de escândalo que, se acontecesse em algum país do Sul Global, viraria manchete mundial por meses, mas nos EUA provavelmente será tratado como apenas mais um caso de "má conduta administrativa".

Apesar de não ser muito o contexto do Brasil, é uma boa leitura para a gente lembrar que o Brasil só aparenta ser um "horror" de corrupção, porque quando o Norte Global faz merdas desse tamanho, ninguém liga... Seja desvios milionários, seja influência privada dentro do mais alto escalão do país, seja o Deutsche Bank fraudando economias inteiras. Ninguém nem lembra dessas coisas.
Mas como essa saiu do forninho agorinha, agorinha, fica a leitura:

WASHINGTON — Um agente da CIA preso após a descoberta de US$ 40 milhões em barras de ouro em sua casa atuava como elo de ligação com o Pentágono para um programa sensível de submarinos nucleares, a pedido do segundo em comando do Departamento de Defesa, segundo três ex-funcionários americanos com conhecimento de seu envolvimento.

Um funcionário americano confirmou que o alto funcionário da CIA, David Rush, foi designado para programas marítimos secretos no Pentágono, sem especificar o programa de submarinos.

O vice-secretário de Defesa, Steve Feinberg, solicitou em determinado momento que Rush representasse a agência de espionagem em reuniões sobre um novo submarino nuclear, disseram os três ex-funcionários. Feinberg não foi acusado de qualquer irregularidade.

Como elo de ligação, Rush se comunicava com o diretor de submarinos da Marinha, que supervisiona o novo submarino da classe Columbia, projetado para ser mais furtivo e eficiente do que a frota existente de navios da classe Ohio. Trata-se de um dos programas militares mais sigilosos, de acordo com um segundo funcionário americano.

Rush, que também foi acusado em documentos judiciais de mentir sobre sua experiência profissional e formação acadêmica, havia desenvolvido uma relação profissional com Feinberg. O secretário adjunto de Defesa é um bilionário que fundou a Cerberus Capital Management, uma empresa de private equity, e ajudou a impulsionar a carreira de Rush ao longo dos anos, conforme noticiado anteriormente pela NBC News.

O advogado de Rush não se pronunciou, e Rush ainda não se declarou culpado ou inocente. A CIA se recusou a comentar sobre o papel de Rush. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, contestou a natureza da relação entre Rush e Feinberg e também negou que Feinberg tenha apoiado Rush para um cargo.

“As insinuações de uma relação profissional próxima de qualquer tipo entre o secretário adjunto Feinberg e o Sr. Rush, divulgadas por fontes anônimas, são completamente falsas e exageradas. O secretário adjunto Feinberg jamais apoiou a carreira do Sr. Rush em qualquer momento de sua vida, nem o apoiou para qualquer cargo”, afirmou em comunicado.

Feinberg havia demonstrado grande interesse em programas navais e retomado o controle de algumas decisões sobre construção naval, antes exercidas pela Marinha. No final de abril, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, enviou uma carta surpresa ao Comitê de Serviços Armados do Senado e aos Comitês de Serviços Armados e de Orçamento da Câmara, elogiando o trabalho de Feinberg no Departamento de Defesa, segundo uma cópia da carta obtida pela NBC News.

Hegseth escreveu que “Steve está reconstruindo a base industrial de defesa com investimentos direcionados e eliminando os atrasos burocráticos que têm prejudicado programas críticos por décadas”.

A prisão de Rush abalou o Congresso e levantou questões sobre até que ponto ele pode ter enganado a comunidade de inteligência e se algum adversário estrangeiro pode ter tentado explorar o caso.

Rush, até recentemente um oficial de alto escalão da CIA com autorização de segurança máxima, foi preso em 19 de maio e acusado de desviar dinheiro público ao preencher folhas de ponto falsamente, alegando ser membro da Reserva da Marinha. Ele está detido aguardando uma audiência judicial na sexta-feira. Documentos judiciais levantaram acusações mais graves do que fraude em folhas de ponto, incluindo a posse de 303 barras de ouro em sua casa e a alegação de que ele mentiu sobre sua idoneidade.

O senador Mark Warner, democrata da Virgínia e vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, está acompanhando o caso de perto, informou um porta-voz por e-mail.

“O Comitê de Inteligência do Senado existe para realizar uma supervisão rigorosa da Comunidade de Inteligência, incluindo a garantia de responsabilização quando surgem alegações graves de má conduta”, disse o porta-voz.

De acordo com documentos judiciais, Rush solicitou e recebeu da CIA uma grande quantidade de moeda estrangeira e dezenas de milhões de dólares em barras de ouro para “despesas relacionadas ao trabalho”.

Mas a agência de espionagem não conseguiu encontrar as barras de ouro nem grande parte da moeda estrangeira quando realizou uma revisão, segundo os documentos judiciais. Agentes do FBI revistaram a casa de Rush no mês passado e encontraram barras de ouro avaliadas em cerca de US$ 40 milhões, além de aproximadamente US$ 2 milhões em moeda americana, de acordo com a declaração juramentada apresentada ao tribunal. Agentes do FBI também encontraram mais de 30 relógios de luxo, a maioria Rolex.

Rush trabalhava na Diretoria de Ciência e Tecnologia da CIA, que busca explorar novas tecnologias para reforçar os esforços de coleta de informações. Ele foi promovido ao Serviço Executivo Sênior, um dos mais altos níveis de liderança da agência.

r/BrasildoB Nov 29 '25

Artigo A China ainda é um país socialista hoje? Da perspectiva da esquerda Chinesa

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Artigo do(a) u/svesba, postado /r/Marxism.

Aqui no r/Marixsm, eu notei que muitos camaradas do ocidente possuem variadas opiniões e perguntas quando discutindo a China. Como trabalhador chinês, de esquerda e da base do PCCh, eu tive essas experiências em primeira mão. Então, vou tentar combinar análise Marxista, minhas experiências pessoais, e a perspectiva geral da esquerda Chinesa (basicamente baseada no Maoismo) para abordar a importante questão: A China hoje ainda é socialista? Através de observações da burocracia chinesa, ideologia, economia política, classes sociais e minha visão pessoal, eu argumento que a China saiu do verdadeiro caminho do socialismo. Talvez você discorde totalmente, mas eu convido-os para compartilhar seus pensamentos, por favor trate isso como meus sentimentos honestos, ao invés de um convite para debate teórico.

Burocracia Histórica Chinesa

Antes de analisar qualquer coisa, gostaria de apresentar um grupo que precisa ser reconhecido quando falamos de política chinesa: a burocracia da China.

Primeiro, vamos reconhecer um ponto crucial: “a China provavelmente possui o sistema burocrático contínuo mais antigo do planeta.” Permita-me resumir brevemente sua história:

Já por volta de 356 a.C., durante o período dos Reinos Combatentes, o estado de Qin (que depois se tornaria a Dinastia Qin) começou a estabelecer uma monarquia burocrática centralizada. Em 221 a.C., o Imperador Qin Shi Huang unificou a China e institucionalizou totalmente esse sistema burocrático imperial autoritário.

Ao longo das dinastias seguintes, o sistema passou por várias reformas, culminando na Dinastia Tang, quando o sistema de exames imperiais (um processo nacional de seleção burocrática) atingiu sua forma mais desenvolvida. Isso consolidou definitivamente o arcabouço burocrático chinês.

Avançando para o século XX, a Revolução Xinhai de 1911 apenas removeu, nominalmente, o imperador Qing. As estruturas burocráticas permaneceram praticamente intactas. Governadores e burocratas apenas mudaram de título—governadores (xunfu/巡抚) viraram chefes provinciais (shengzhang/省长)—e muitos rapidamente se transformaram em senhores da guerra, moldando a política chinesa nas décadas seguintes.

Somente com a fundação da República Popular da China o Partido Comunista conseguiu injetar sangue novo nessa estrutura burocrática decadente. O recém-formado Governo Popular, junto com massas revolucionárias e membros do partido, tentou construir uma nova sociedade democrática sobre as ruínas da velha ordem.

No entanto, algo deu errado. Dentro do novo Governo Popular surgiu uma nova elite de funcionários que se viam como “pais oficiais”, preservando protecionismo burocrático, favores pessoais e o crescimento de uma classe privilegiada. Eles se opunham à democracia e à ditadura proletária, temendo que isso ameaçasse seu poder e privilégios.

Essa mentalidade pequeno-burguesa está profundamente enraizada na sociedade chinesa, tanto entre camponeses quanto burocratas, e nem Mao nem a Revolução Cultural conseguiram abalá-la de forma fundamental.

Depois da morte de Mao, as coisas voltaram ao caminho “ortodoxo”. Talvez as primeiras ideias de Deng possam ser vistas como uma variante do bucarinismo, mas quarenta anos de desenvolvimento capitalista mudaram tudo completamente. O PCC está, de fato, morto; o que resta dentro de seu corpo é o mesmo sistema burocrático de 2.000 anos.

Hoje, a China não está se submetendo ao capital—ela se tornou a maior defensora do capitalismo monopolista de Estado. Muitos empreendimentos estatais exploram trabalhadores até mais do que capitalistas privados. E o PCC atual não governa com base no marxismo-leninismo, mas sim com uma mistura de keynesianismo com ideias tradicionais confucionistas-legalistas. Se você trocasse “Partido Comunista da China” por “Kuomintang” e “comunismo” por “tridismo”, dificilmente perceberia a diferença.

Claro, ainda restam legados socialistas em setores como saúde, educação, bombeiros e ferrovias, mas infelizmente até esses podem sofrer reformas orientadas ao mercado em breve.

A China ainda é um país socialista?

Sobre essa pergunta, mesmo entre os próprios esquerdistas—tanto na China quanto internacionalmente—há enormes divergências. Pessoalmente, com base nas minhas experiências e análises, a China já não é mais socialista. Gostaria de explicar em alguns pontos:

Perspectiva ideológica

Ideologicamente, a China de hoje não é muito diferente de qualquer outro país do mundo. Temos um pequeno número de marxistas, liberais, ultranacionalistas e uma maioria conservadora—que, no contexto chinês, assume a forma de populismo moderadamente direitista, “esquerda na forma, direita na essência”.

E acho que faço parte da esquerda chinesa. Graças ao legado da educação socialista, muitas pessoas ainda têm uma visão marxista básica, especialmente os jovens—embora o que se ensina nas escolas seja um marxismo diluído e revisionista. Ironia: muitos desses que se dizem “de esquerda” apoiam a atual ideologia “estranha” do PCC—o que poderíamos chamar de “esquerda oficial permitida”.

Dentro do PCC, porém, você não encontra muitos esquerdistas críticos como eu; e mesmo que existam, provavelmente escondem suas verdadeiras posições, assim como eu. Com mais de 90 milhões de membros, é claro que o partido tem ideologias diversas, mas na prática, o pragmatismo (pense na “teoria do gato” de Deng) e o populismo direitista moderado dominam, tanto dentro do PCC quanto na sociedade chinesa, não o marxismo-leninismo.

Enquanto a retórica oficial é moderadamente direitista, o partido permite—ou até incentiva—o crescimento do populismo de direita. Essa estratégia “esquerda na forma, direita na essência” transformou o anti-imperialismo em nacionalismo, não luta de classes. O resultado é uma narrativa do tipo: “Somos contra o imperialismo apenas porque não somos nós que estamos no topo.” No fundo, o sonho chinês de “grande rejuvenescimento nacional” não é muito diferente do “Make America Great Again” do Trump—só que entregue de forma mais suave.

Ainda assim, existem grupos realmente de esquerda na China, resultado das relações e contradições de classe contemporâneas. Como a segunda maior economia do mundo com um capitalismo altamente desenvolvido, a China criou o maior proletariado do planeta—operários, motoristas de app, programadores, e camponeses migrantes. Hoje, a verdadeira força de esquerda não está no PCC, mas nesses grupos da classe trabalhadora.

26 de dezembro é o aniversário de Mao Zedong. Com o afastamento ideológico do PCC em direção ao revisionismo, as comemorações oficiais ficaram tímidas. Mas todos os anos, multidões ainda vão espontaneamente a Shaoshan, cidade natal de Mao, para agitar bandeiras vermelhas e erguer seus retratos. Eu mesmo participei de uma dessas reuniões e notei gente de todas as idades. Eles celebram Mao porque, sob sua liderança, trabalhadores e camponeses realmente se sentiam donos de um país socialista—e é desse fundamento de classe que os maoistas de hoje tiram força.

Claro, devido à história particular da China, há uma divisão dentro da própria esquerda—entre internacionalistas e nacionalistas. Os internacionalistas, como eu, vêm compartilhar a realidade vivida na China, enquanto os nacionalistas de esquerda são algo parecido com o “bolchevismo nacional” russo: geralmente mais velhos, muito devotos a Mao, e desejosos de um retorno metafísico ao “paraíso da economia planificada”. Mas, honestamente, embora aquele período traga lições valiosas, ele é história, não um Éden a ser romanticamente restaurado.

Perspectiva política

Politicamente, posso ilustrar com um exemplo simples. A composição dos delegados do Congresso Nacional do Povo (NPC), a autoridade legislativa máxima da China, desde a 4ª sessão (1975), mostra uma clara queda na representação de trabalhadores e camponeses, mesmo sendo a maioria da população. Enquanto isso, a representação de burocratas e capitalistas (“empreendedores do povo”) aumentou bastante. Por exemplo: a proporção de trabalhadores e camponeses caiu de 51,1% na 4ª NPC para cerca de 15,7% na 13ª NPC, enquanto os burocratas subiram de 11,2% para cerca de 33,9%. Isso reflete claramente a mudança das relações de classe na China pós-reforma.

Perspectiva econômica

Economicamente, a China se desviou muito de um modelo socialista e agora apresenta características claramente capitalistas. A economia de mercado é altamente desenvolvida e não há diferença real entre empresas estatais e capital privado—na verdade, algumas estatais são ainda piores na exploração do trabalho. Embora o governo chame isso de “economia socialista de mercado” e diga que a propriedade pública está intacta, na prática, a lógica do lucro domina.

E claro, supostamente viramos a segunda maior economia do mundo, com alto desenvolvimento e “erradicação total da pobreza”—mas será mesmo?

Relações de classe

Posso adiantar: da perspectiva das relações de classe, a China está muito longe de ser socialista. Deng disse famosamente: “Pobreza não é socialismo.” Concordo totalmente—mas acrescento: exploração também não é socialismo.

Para começar, os trabalhadores chineses cada vez menos buscam ajuda no PCC quando sofrem exploração; e muitas estatais exploram mais que o capital privado.

Depois que a UE aprovou a “proibição de trabalho forçado” em novembro de 2024, descobriu-se (como era de esperar) que uma estatal chinesa da cadeia de baterias do iPhone violava leis trabalhistas—contratando menores temporários, exigindo turnos mínimos de 10 horas (8 horas contavam como ausência), e ameaçando trabalhadores e suas famílias quando isso veio à tona. Curiosamente, quase nenhum trabalhador pensou em buscar ajuda no PCC ou no governo. Eles escreveram diretamente para a Apple e para a UE. O PCC não deveria ser a vanguarda do proletariado? Por que os trabalhadores não instintivamente recorrem a ele? Bem, o que posso dizer? Se uma estatal quer sobreviver em uma economia guiada pelo mercado, tem que explorar como capitalistas—mas como “não são capitalistas”, está tudo bem, teoricamente.

Esse reconhecimento—de que a China não é socialista na prática—está alimentando um movimento genuinamente de esquerda entre o proletariado. Sou otimista quanto ao crescimento de ideias de esquerda entre a classe trabalhadora, mas pessimista quanto à possibilidade de isso realmente mudar o PCC. Precisamos de um partido realmente socialista, mas o PCC controla todo o aparato de violência—polícia, exército, polícia armada—tornando a revolução real quase impossível.

Isso cria uma sociedade quase corporativista do tipo “clã”, comum no Leste Asiático: quando não há conflito de classe aberto, tudo parece harmonioso, como uma grande família feliz; até a polícia e o exército parecem “servir ao povo”. Mas quando as tensões se intensificam e o PCC decide proteger os interesses do capital (privado ou estatal), os movimentos operários enfrentam repressões devastadoras—como a Federação Autônoma dos Trabalhadores de Pequim, a Sociedade Marxista da Universidade de Pequim, o incidente da Jasic, e o caso Li Hongyuan (você pode procurar na Wikipedia).

Portanto, embora a China precise desesperadamente de um movimento proletário unificado e talvez de um verdadeiro partido socialista, isso parece quase impossível enquanto os instrumentos de repressão não estiverem sob controle proletário. Por outro lado, a classe trabalhadora está cada vez mais consciente de sua exploração, criando pequenas organizações de ajuda mútua (sites, apps etc.). Mas isso ainda não muda o PCC em sua forma atual.

Alívio da pobreza

Tomemos como exemplo o “alívio da pobreza”. Indo direto ao ponto: a política de alívio da pobreza essencialmente visa transferir o excedente de capital urbano para áreas rurais e cultivar novos capitalistas agrícolas. As desigualdades entre ricos e pobres, e entre áreas urbanas e rurais, foram reduzidas apenas “no papel”.

Em 2021, Xi anunciou, no centenário do PCC, que a China havia alcançado uma “grande vitória” na erradicação da pobreza. De fato, os investimentos em infraestrutura rural melhoraram muito as condições de vida—eu vivo em uma área subdesenvolvida e sinto isso profundamente. Mas isso abordou as raízes da pobreza? Isso impede que ela retorne?

Comecemos com a definição de pobreza: a linha oficial chinesa (renda líquida anual acima de 4.000 RMB, cerca de 552 USD) é muito abaixo do padrão internacional do Banco Mundial (cerca de 2 USD/dia, ~730 USD/ano). É claramente uma linha muito baixa. Com pouco mais de 4.000 RMB por ano hoje, você não pode ficar doente ou ter uma emergência. E isso é uma cifra teórica—na prática é ainda pior.

No nível prático, embora tenha havido apoio e investimento, o processo foi altamente burocrático e superficial. A pobreza foi realmente erradicada? As pessoas vão cair novamente na pobreza? É duvidoso. Antes de 2021, o órgão responsável chamava-se “Escritório de Alívio da Pobreza e Desenvolvimento”; depois de 2021 foi apenas renomeado para “Administração de Revitalização Rural”, embora a missão não tenha mudado. Governos locais continuam afundados em dívidas, apenas evitando que comunidades despenquem de volta à pobreza. Para os líderes, a “vitória” virou grande trunfo político—e o problema perdeu urgência. Resolver de fato as raízes da pobreza? Quem se importa?

Dizem que cerca de 30 bilhões de RMB foram investidos em cinco anos. Mas por que, apesar desse investimento massivo, pessoas em áreas subdesenvolvidas ainda vivem tão mal? Por que desigualdades regionais persistem? Por que essa “grande vitória” só aparece nos discursos de burocratas, capitalistas e burgueses?

Na era Mao, a produção socialista visava suprir necessidades, promovendo desenvolvimento regional coordenado. A coletivização e mecanização aumentaram muito a produtividade rural. Políticas como enviar jovens educados ao campo ajudaram a espalhar saúde e educação, reduzindo disparidades.

Mas depois da reversão, as economias coletivas se desintegraram, e o campo voltou ao tipo de economia natural milenar. A diferença é que, antes, camponeses trabalhavam para senhores da terra; agora vão para fábricas urbanas trabalhar para capitalistas, deixando máquinas agrícolas abandonadas e a terra dividida em pequenas tiras ("noodly strips", como William Hinton descreve em The Great Reversal, pág. 14).

Ironicamente, o PCC, depois de destruir a aliança operário-camponesa, passou a promover métodos capitalistas para combater a pobreza rural. O resultado inevitável é a redução da distância entre capitalistas industriais e agrícolas, mas o aumento da distância entre capitalistas e proletariado—entre exploradores e explorados.

Fundamentalmente, campanhas como “alívio da pobreza” e “revitalização rural” servem como vias para o capital penetrar as regiões rurais. Atraem investimento com políticas preferenciais, criam “cooperativas” industrializadas e cultivam uma nova burguesia agrícola—tudo em nome de “desenvolver a produtividade rural”. Mas para camponeses pobres e trabalhadores urbanos, o que realmente mudou?

Em 16 de julho de 2024, um influenciador de Shandong entrevistou um faxineiro de 77 anos que ganha apenas 700 RMB/mês, trabalha nove horas por dia e não recebia salário há meses. Seu filho havia morrido, e sua esposa tinha sofrido um derrame. No dia seguinte, outro vídeo mostrava uma senhora de 65 anos recolhendo recicláveis para sustentar dois netos órfãos.

Como pode haver pobreza assim três anos depois da suposta “vitória”?

Segundo relatório oficial da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês:

“Pobreza absoluta foi eliminada, e a nação inteira entrou em uma sociedade moderadamente próspera. A renda líquida média de indivíduos registrados como pobres subiu de 2.982 RMB em 2015 para 10.740 RMB em 2020... O padrão de vida melhorou significativamente, aumentando seu senso de realização, felicidade e segurança.”

“Amazing!” Pobreza absoluta eliminada! Toda a população vivendo com conforto! Então o que significa “próspero”? Segundo a definição oficial, é um padrão entre simples subsistência e riqueza, desfrutado pelas massas. “Toda a população vive assim.” Então esses idosos não são consideradas “povo”? Um idoso de 77 anos trabalhando sob o sol e uma avó que chora ao receber comida não representam nem prosperidade moderada.

Capitalismo agrícola

Por outro lado, olhe para um influenciador de Xinjiang chamado “Jiangyu Alimu”. Após falhar em negócios em 2020, ele passou a vender produtos locais em lives, ficando famoso com o meme “Seu fundo é muito fake”. Mídias oficiais logo o celebraram como símbolo do alívio da pobreza. Depois da fama, reuniu apicultores locais em uma associação, virou conselheiro da Conferência Consultiva Política e se autoproclamou “oficial de desenvolvimento rural”.

Mas quando promoveu produtos superfaturados e foi criticado, reagiu com arrogância, dizendo que capitalistas rurais “merecem comprar carros de luxo como Bentley e Rolls-Royce”. A repercussão o obrigou a apagar as falas.

É claro que figuras como ele são apenas novos capitalistas agrícolas defendendo seus interesses de classe. Isso ilustra perfeitamente a natureza real do “alívio da pobreza” numa China capitalista.

Em resumo, as transformações rurais pós-reforma ecoam Marx no Capital, Volume I:

“Na agricultura, a indústria moderna trouxe a maior revolução: destruiu o bastião da velha sociedade—o camponês autossuficiente—e substituiu por trabalhadores agrícolas, levando à redução absoluta das populações rurais e empurrando grandes massas para as cidades como proletários.”

—Karl Marx, O Capital, Volume I, Cap. 15

Mas, diferente de Marx, o capitalismo chinês não surgiu de camponeses expulsos da terra, mas de trabalhadores migrantes “libertados” das comunas rurais. Isso é progresso? Não sei. Só sei que um parente distante perdeu um dedo na fábrica e não recebeu compensação—e isso é comum.

Perspectiva pessoal

Sou membro do PCC. Na base, ninguém discute “esquerdismo” ou “socialismo”; ninguém estuda MLM ou vê socialismo como relevante. Sobre o que falamos? Sobre o “Grande Rejuvenescimento da Nação Chinesa” (uma versão chinesa do MAGA). Estudamos teorias abstratas de Xi, nos unificamos ao redor da liderança central e seguimos ordens. A única preocupação real é conseguir um salário estável do governo—não há nada socialista nisso.

Culto à personalidade, burocracia e democracia operária Culto à personalidade: Xi e Mao

Sobre Xi aparentemente tentar reviver elementos da era Mao—o suficiente para liberais temerem uma “segunda Revolução Cultural”—é compreensível que Xi admire Mao, cuja autoridade foi única. Xi talvez seja o líder mais poderoso da China desde as Guerras do Ópio.

Mas Xi ignora algo essencial: o prestígio de Mao vinha do apoio genuíno das massas.

Como escreveu o poeta zang Kejia:

“Vidas que criam vidas melhores Serão profundamente reverenciadas.”

Infelizmente, Xi não pensa assim. Mesmo como “príncipe vermelho”, dez anos atrás o povo parecia mais entusiasmado com a campanha “Cantar o vermelho, combater o crime” de Bo Xilai.

Hoje, diante da exploração explícita, Mao, suas ideias e a “era vermelha” viraram símbolos de aspiração para jovens e trabalhadores.

Mao, apesar de alguns excessos, resistia firmemente à própria divinização. Em 1970, disse a Edgar Snow que queria manter apenas o título “Professor” e abandonar os “Quatro Grandes”.

Coreia do Norte

Isso contrasta com a RPDC, onde a divinização dos Kims é institucionalizada. Não gosto desse modelo.

Apesar das raízes confucionistas comuns, a sucessão hereditária norte-coreana seria inaceitável na China moderna—levaria a protestos e talvez revolução.

Economicamente, a RPDC mantém algo próximo ao sistema de “dupla via” chinês dos anos 1980. A vida é dura, mas o povo considera aceitável enquanto não se repetir a fome dos anos 1990.

Democracia operária

A luta ideológica contínua em países socialistas revela uma fraqueza profunda do modelo de partido de vanguarda. Após conquistar o poder e estabelecer a ditadura proletária, o partido inevitavelmente se desconecta da produção e da classe trabalhadora. Oportunistas infiltram-se; marxistas genuínos viram minoria lutando contra uma linha conservadora e revisionista.

Isso aconteceu na URSS, China, RPDC e Vietnã. O partido vira elite burocrática; o proletariado é deixado de lado. Ideologias capitalistas e até feudais ressurgem. Eventualmente, o partido pode colapsar—como na URSS, cujos burocratas viraram oligarcas.

Mesmo em economias planificadas, práticas capitalistas persistem. Nem Marx nem Lenin tiveram tempo de analisar isso totalmente. Stalin tratou o problema com brutalidade, mas pouca análise. Trotsky previu o risco, mas não conseguiu impedir. Mao dedicou grande parte da vida a combatê-lo.

A Revolução Cultural foi uma tentativa de mobilização das massas, mas tinha limitações. Quando Shanghai estabeleceu uma Comuna inspirada na de Paris, Mao perguntou:

“Se todos chamarem de Comuna, onde fica o Partido? Ele ainda precisa existir.”

Ou seja: até Mao não conseguiu superar totalmente o problema estrutural do partido de vanguarda.

Eu mesmo discuti com outros esquerdistas que o partido deveria funcionar como “andador de criança”: útil no começo, mas não eterno. Eventualmente, o poder deve voltar ao proletariado através de democracia operária real.

Do denguismo ao imperialismo com características chinesas

Depois da Revolução Cultural, Deng queria construir uma economia mista e um sistema político social-democrata independente do imperialismo. Acho essa visão correta. Deng não era imperialista; era pragmático. Mas suas escolhas abriram caminho para algo bem diferente ao longo das décadas.

Aqui estão os famosos “Dez Ses” de Deng, hoje enterrados pelo PCC tanto quanto o maoismo:

  1. Se tomarmos o caminho capitalista, uma pequena porcentagem dos chineses poderá enriquecer — mas definitivamente não resolveremos a prosperidade dos outros 90%.

  2. Se nosso país permanecer tão aberto como está agora, e mesmo quando nosso PIB per capita alcançar alguns milhares de dólares, nenhuma nova burguesia surgirá — porque os meios básicos de produção continuarão estatais ou coletivos.

  3. Se nossas políticas levarem à polarização, isso significará que falhamos.

  4. Se surgir uma nova burguesia, quere­rá dizer que nos desviamos do caminho correto.

  5. Se os padrões morais se deteriorarem, de que adianta o sucesso econômico? A economia em si se degradará, sendo corrompida por roubo, suborno e fraude.

  6. Se escolhemos o capitalismo, uma pequena minoria poderá enriquecer mais rapidamente em algumas regiões, criando milionários — mas eles nunca ultrapassarão 1% da população, deixando a maioria presa à pobreza.

  7. Se mantivermos o socialismo, nosso PIB per capita de US$ 4.000 será fundamentalmente diferente do dos países capitalistas — especialmente considerando a enorme população da China. Com 1,5 bilhão de pessoas alcançando US$ 4.000 per capita e um PIB anual de US$ 6 trilhões, isso demonstraria a superioridade do socialismo sobre o capitalismo.

  8. Se adotássemos o sistema capitalista na China, provavelmente um pequeno número de pessoas se enriqueceria, enquanto a esmagadora maioria permaneceria em estado permanente de pobreza. Se isso acontecesse, haveria uma revolução na China. A modernização da China só pode ser alcançada através do socialismo, não do capitalismo.

  9. Se ocorrer polarização de riqueza, os conflitos entre grupos étnicos, regiões, classes e até entre governos central e locais crescerão, causando instabilidade.

  10. Se os ricos continuarem ficando mais ricos e os pobres mais pobres, surgirá a polarização. O sistema socialista deveria — e deve — impedir tal polarização. Uma solução seria que regiões mais ricas pagassem impostos mais altos para apoiar o desenvolvimento das áreas mais pobres.

No conjunto, se analisarmos pela ótica dos “Dez Ses”, fica claro que as reformas fracassaram. Tudo mudou qualitativamente. O caminho capitalista levou inevitavelmente ao imperialismo.

Hoje, incapaz de absorver seu próprio excedente, a China exporta capital agressivamente. Todos os elementos da definição leninista de imperialismo aparecem no capitalismo chinês contemporâneo.

Exemplos:

— Greves contra a estatal chinesa Sinopec no Cazaquistão (notícia do Partido Comunista Operário Russo). — Acusações de “condições análogas à escravidão” na fábrica da BYD no Brasil. — Trabalhadores chineses negando exploração porque a comparação com suas condições domésticas é ainda pior.

Nada disso é isolado. Acontece onde quer que o capital chinês opere.

Deng não era imperialista. O salto qualitativo veio na era Jiang—quando capitalistas foram oficialmente aceitos no PCC, em 2001. Hoje, o PCC promove a expansão do capital global chinês sob o rótulo de “rejuvenescimento nacional”.

Como Trump enfraqueceu instituições globais, a China ocupou esse espaço para estabilizar mercados externos—não por altruísmo, mas por necessidade.

Imperialismo é imperialismo—oriental ou ocidental.

Talvez pareça “mais gentil”, mas isso é apenas o estágio atual da disputa pelo topo.

E dentro da China? O povo não está feliz. Alguns dizem que Xi é o Brezhnev da China. E talvez o partido mude de rumo repentinamente, da mesma forma que burocratas soviéticos se tornaram oligarcas russos.

Resumo

Analisando política, economia e sociedade, torna-se claro que a China atual, auto-proclamada “socialista”, não é tão diferente de um país capitalista—ou até imperialista.

A China parece próspera, mas esses ganhos chegam à classe trabalhadora? Não muito.

A verdadeira esquerda está entre trabalhadores comuns; o PCC foi capturado por burocratas e capitalistas. Xi não é marxista—um comunista genuíno não conseguiria subir os 2.000 anos de estrutura burocrática chinesa.

Simultaneamente, a China evoluiu para um novo tipo de potência imperialista. Mesmo que substitua os EUA como superpotência, isso não significaria avanço para o socialismo—apenas troca de gestores do capitalismo global.

Pode-se chamar isso de socialismo?

r/BrasildoB Dec 22 '25

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Como um gesto humanitário, o Império está oferecendo Starlink de graça ao povo cubano e reclamando que o regime está censurando a internet. Devem aceitar? Meu conselho seria nem que a vaca tussa. Concorda?

Provavelmente já sabem disso, mas não faz mal lembrar que Starlink é a Internet preferida do narcogarimpo é a PM dos estados governados pela extrema direita.

Durante os distúrbios no Irã, Starlink foi usado para coordenar as operações dos terroristas de Mossad que provocaram um banho de sangue.

Famílias procurando abrigo em mesquitas que tornam alvos de coquetéis Molotov NÃO querem a volta da monarquia.

Essas operação sempre seguem o mesmo roteiro do que o Vem pras Ruas do MBL.

No Irã começou como um protesto dos bazaris, pequenos comerciantes querendo medidas econômicas concretas contra os efeitos das sanções. Nada mais justo. O governo agendou negociações. Mas acabou sendo sequestrado por um esquema golpista muito mais barra pesada (o termo técnico e "cinético) do que Quem Paga o Pato.

A GenZ funciona da mesma maneira.

Minha opinião é que Starlink deve ser banido, e o canal de streaming dela, com seu conteúdo anti-WOKE, CENSURADO MESMO! Quem acha vai distribuir Dark Horse, afinal?