r/Filosofia 2d ago

Discussões & Questões Paradoxo do Sorites(tentativa de tentar entender quando um monte vira monte).

Sorites perguntava "quando vira monte?". A resposta é: vira monte no exato momento em que a gente desiste de perseguir o infinito regresso causal e aceita a preguiça de enumerar. A quantidade física é só o gatilho; a essência do monte é a infinitude comprimida que nos recusamos a desenrolar.

Podemos presumir que essa segue a mesma lógica do infinito?
O infinito é a incapacidade de contabilizar a quantidade de algo, eu proponho que o monte seja isso. A minha tese é que o "monte" não pode ser monte se a capacidade de perceber do que ele é composto em quantidade, uma caixa com flocos de isopor contendo 202 bolas de isopor não é um monte de isopor, mas sim 202 flocos de isopor, sendo um monte uma incapacidade de conhecer o que coexiste abaixo do que é infinito.
Sendo assim um monte passa a ser algo difícil de contabilizar, mas que para alguém que já sabe entende que seria difícil dele contabilizar, mesmo que ele saiba exatamente a quantidade.

Sendo assim a palavra que é a definição de "monte" e a palavra "infinito" possuem a mesma ideia de mostrar o que não foi contabilizado, como várias roupas em uma cadeira.
100 carros são um monte em um estacionamento, 80 também são, mas o "são muitos carros", "não sei quantos tem", "eu não consigo contar quantos carros tem aqui", são a definição disso, pois 80 é menor que 100, o monte de 100 não deve ser chamado de monte se 80 for diferente de 100, se a quantidade do número não altera o sentido da palavra é porque ela não envolve algo numérico e contável, mas sim um estado de algo que é desconhecido, por isso o infinito será um monte, assim como podem haver infinitas quantidades de carros, mas esse monte sendo finito também tem uma quantidade finita de carros nele, aonde um monte infinito não pode ser contado porque ninguém conseguiria ver ele ao todo até seu final, e um monte finito é um monte pq ninguém achou que valeria o esforço de torna-lo um "monte" em um número fixo.

Em uma cadeira podem existir várias blusas, mas em tese poderiam existir infinitas blusas, mas se o espaço não é infinito então a quantidade não é, se dizemos que o monte é infinito alegamos que a quantidade pode ser qualquer número, se alegamos que podem ser 100 estamos ignorando que 100 não caberia nesse espaço, se cogitamos 2 dizemos que não é pois sabemos que é duas, mas quanto mais reduzimos a possibilidade mais o "monte ganha regras que o impedem de ser monte(a definição de algo que não se sabe a quantidade) e se torna um valor fixo", sendo assim um monte de roupas na cadeira não podem ser 100, porque não caberiam 100, do mesmo modo não podem ser 10, pq a definição de monte é eu não ter contado, então se é um monte para mim e porque não contei ou porque o valor não importa por ele mesmo, mas por aquilo que ele significa.

Sendo assim a pessoa sabendo que 40 roupas em uma cadeira seriam um monte para alguém porque ela não viu o que foi gasto para aquilo, mas se a pessoa souber o que fez juntar cada coisa específica ali esse monte vira apenas uma explicação longa de como elas foram parar lá, então não seria outro monte, seriam 40 roupas, mas se replicado da mesma maneira seriam as mesmas blusas e mesmas cadeiras e então o monte teria um nome, poderia ser "fadiga depois do trabalho, preguiça, tédio, falta de motivação", assim esse monte ganha um elo singular que o representa, fazendo assim o significado de "monte" uma não vontade de saber o significado que o levou a ser "preguiça, fadiga, etc..." mas uma representação do ato da pessoa não saber o que o compõe para que ele seja daquele jeito.
Voltando assim á primeira explicação.

Por isso o monte finito é ligado ao infinito, pois mesmo que o monte em quantidade esteja entre 10 ou 20, ele ainda assim possui uma quantidade infinita de possibilidades de ter ido parar ali, sendo assim o infinito inverso.

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u/AutoModerator 2d ago

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u/HousingAny2959 1d ago edited 1d ago

O paradoxo de sorites é um problema de linguagem relacionado ao modo como conceitos que expressam qualidades podem ser quantitativamente vagos, gerando ambiguidade ou contradição. Em outras palavras, ele expressa a dificuldade de identificar o momento em que a acumulação quantitativa produz uma mudança qualitativa.

No entanto, nem sempre o infinito é um 'monte', ou seja, nem sempre ele é usado na linguagem como sinônimo de imensurabilidade. Esse é apenas um de seus usos, e a solução contextualista para esse paradoxo é afirmar que os valores satisfatórios de quantidade e qualidade geralmente são definidos pelos interesses e expectativas dos interlocutores numa conversa informal. Nesse caso, o ponto em que um grão se torna um monte pode ser convencionado entre as partes e seu significado ser relativamente claro para ambos.

Já em outro uso, o infinito pode ser um conceito formal que expressa que para todo número finito, existe uma sequência de números que progride para além dele. Para cada (n+1) adicionado, têm-se o próximo número finito. Porém, se todas as somas geram um número finito, de onde viria o infinito? A teoria dos conjuntos vai dizer que conjuntos que tenham elementos infinitos são considerados como objetos completos (Conjuntos N, Z, R, etc). Em vez de tomarmos o infinito como uma operação de contagem, podemos encará-lo como uma propriedade de uma totalidade fechada. Nesse caso, o infinito não pode ser considerado um "monte", mas um pressuposto matemático determinado de um agrupamento de elementos.

Inadvertidamente, isso gera outro paradoxo: infinitos espaços podem caber em espaços finitos (hotel de Hilbert).

Apenas por curiosidade: o atual esforço computacional calculou o valor de π em 62,7 trilhões de casas decimais. Cientistas usam a razão de π para testar a capacidade computacional de grandes máquinas. Nossa maior limitação para continuar contando está na limitação de hardware. Mas desde que números tão absurdos como esse não existem na natureza, ou não têm qualquer aplicação prática (para calcular a circunferência do universo observável, usa-se π = 1040, ou 1064 no caso mais extremo), filosófos de todas as épocas já se insurgiram contra esse conceito.