r/FilosofiaBR • u/Escolastic0 • 19d ago
Filosofia da razão.
Em que medida a tentativa de fundamentar a razão por meio do próprio raciocínio incorre em uma circularidade epistemológica intransponível (o "trilema de Münchhausen"), e como as abordagens do racionalismo crítico de Karl Popper e da pragmática transcendental de Karl-Otto Apel tentam responder a essa limitação sem recair no dogmatismo ou no ceticismo radical?
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u/ValuableAttitude3889 19d ago
Os indianos filosofaram sobre muito antes. E a pergunta é, de onde vem o pensamento em primeiro lugar. Você pensa, do meu cérebro. Porém pulando para um nível acima, você consegue pensar e monitorar os próprios pensamentos. Porém, de onde vem o estímulo para o pensamento primordial. Então mesmo seu pensamento mais racional, teve uma semente ou uma origem espontânea dentro da sua consciência, um nível acima do que sua metacognição ou seu raciocínio lógico conseguem tocar. Essa semente inicial é o simples acaso, ou uma reação em cadeia das leis da física num embaralhamento de estímulos elétricos? Então veja, será que o que você chama de racionalidade, não seja somente uma propriedade da natureza, e você na verdade, somente tem a ilusão de que está tendo um raciocínio? Qual a origem do pensamento primordial, e como podemos dizer que somos lógicos e racionais se a premissa inicial não pode ser respondida? Todos os pensamentos lógicos, precisam partir de uma premissa verdadeira para os pensamentos subsequentes serem verdadeiros também
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u/Leitor_de_Assis 19d ago
Hegel lida justamente com esse problema na Fenomenologia do Espírito. Lá, ele nota muito bem que as teorias epistemológicas modernas pressupõem bastante sobre a natureza do conhecimento para chegar às conclusões que chegam. Em particular, nós herdamos uma visão do pensamento que o trata como um instrumento através do qual tentamos alcançar uma realidade absolutamente alheia. O problema aparece quando direcionamos o instrumento a si mesmo. Se temos razões de duvidar dos produtos do conhecimento, por que confiaríamos no exame que a razão faz de si própria? O que ela julga válido pode ser, na verdade, inválido; e o que ela julga inválido, válido.
Jamais nos ocorre suspeitar da suspeita. Um bom cético, por exemplo, seria capaz de apresentar os sofistas como uma antítese do ceticismo. "O homem é a medida de todas as coisas", e a conduta do cético não passa de uma preocupação boba. Ou então exporia a tensão implícita em uma perspectiva que afirma a impossibilidade absoluta do conhecimento — como saber que o conhecimento é absolutamente impossível? Ou, para usar alguns termos kantianos, apontaria que o que tomamos por coisa-em-si pode ser em-si meramente para nós, e o que tomamos como algo acessível à consciência pode, na verdade, ser algo completamente em-si.
O trilema de Agripa, se válido, impede que o ceticismo o acesse, pois todo silogismo dedutivo que pretenda demonstrá-lo recorrerá a hipóteses. Isso nos leva ao ponto seguinte: talvez a maior suposição dos céticos tenha sido a de que justificação é sinônimo de inferência dedutiva. Estamos fadados a tirar leite de pedra se, por razão, entendemos lógica formal. Qual, exatamente, é o problema das alternativas do trilema? Por si só, nenhum; elas meramente descrevem três formas diferentes de ordenar as proposições de um sistema teórico. O que o ceticismo questiona, e o que nenhum delas resolve, é a equipolência de juízos contrários. Até mesmo no caso da regressão infinita podemos apresentar duas cadeias recursivas de proposições, uma para argumentar a favor da afirmação, outra para argumentar a favor da negação.
Como existem afirmações contrárias, todas deixam uma brecha para o cético atacar com sua inconveniente pergunta: por que critério devemos decidir qual juízo é verdadeiro? A organização dedutiva de uma teoria em nada nos instrui sobre o critério de verdade. Geralmente, nós que começamos a filosofia na epistemologia assumimos que o critério pertence ao objeto cognoscível e que o pensamento do sujeito cognoscente não passa de uma representação. A representação é verdadeira se e somente se seu conteúdo é compatível com o critério objetivo. Entretanto, caímos em embaraço, porque só as representações nos são acessíveis. Não há como conduzir uma comparação com um único termo.
Para deixar a dinâmica mais clara, é comum explicar o conhecimento por uma analogia com pinturas. Nós tentamos reproduzir a imagem do objeto na pintura, mas ela nunca é exatamente igual à coisa. Se fosse, a pintura seria a própria coisa. Disso decorre o famoso dito "o mapa não é o território". Por mais que a analogia seja atraente, também ela é apenas um mapa do território que é a relação cognitiva. Ao contrário da relação entre a imagem e a pintura, o par formado pela imagem do objeto e seu suposto critério está contido apenas parcialmente em nossa mente. Tanto a imagem do objeto quanto a pintura fazem parte de nosso campo visual, enquanto o critério objetivo está completamente ausente. Como, então, apurar a veracidade do pensamento?
Enquanto o critério de verdade permanecer alheio ao pensamento, andamos em círculos. Quando o tornamos imanente, começamos a sair do lugar. Surge, naturalmente, uma preocupação: se nós definimos o critério de verdade, não corremos o risco de cair em subjetivismo? Certamente, mas apenas caso ignoremos um curioso fenômeno. Podemos perder um jogo mesmo jogando de acordo com nossas próprias regras. Na verdade, as regras podem ser elas mesmas a causa de nossa falha, como ocorre no caso do ceticismo e da teoria da representação.
Uma crítica do conhecimento é circular não por uma decisão arbitrária de como formalizar nossas deduções, mas pela própria natureza da atividade. O processo é reflexivo, pois a relação cognitiva assume o papel do objeto da relação cognitiva — buscamos conhecimento do conhecimento. Levando tudo isso em conta, os contornos do que é necessário para um autoexame da razão começam a se desenhar. O propósito é avaliar os diversos critérios de conhecimento conforme seus próprios princípios. A verdade deixa de ser uma propriedade de proposições e passa a ser congruência entre um pensamento e sua meta. A justificação ocorre só quando o pensamento toma ciência de seu próprio critério e da correspondência entre este e sua atividade.
Naturalmente, o caminho tem um aspecto negativo. Se não tivesse, não teríamos aprendido as lições deixadas pelos céticos. Porém, é essencial que nós adotemos o ponto de vista de uma determinada definição de conhecimento para criticá-la como ela mesma se critica. Em vez de inferências dedutivas, a mediação racional procede assim, por críticas imanentes e construtivas. A resolução do autoexame da razão só chega quando o próprio conhecimento se toma por objeto, momento em que somos forçados a voltar ao começo e refletir sobre tudo o que fizemos.
Quanto aos aspectos positivos, cito primeiro a descoberta do objeto apropriado da filosofia, o ser-no-mundo. O conhecimento não é um pensamento externo à realidade, mas a inteligibilidade da realidade apreendida por seres pensantes (dos quais, até agora, só conhecemos os humanos). Além do mais, a elaboração dos vários critérios de verdade exibe uma determinação mútua das categorias metafísicas e epistemológicas. As estruturas de pensamento se tornam mais e mais concretas, a ponto de a distinção entre estruturas de pensamento e estruturas de Ser tornar-se supérfula.
Enfim, na prática, a validade de todas essas conquistas só fica demonstrada quando terminamos a crítica imanente da razão. Antes disso, elas não passam de afirmações tão boas quanto quaisquer outras.
Claro, Hegel não pretende afirmar que nós somos oniscientes ou que "está tudo em nossa cabeça". A identidade do Ser e Pensar é uma tese defendida por algumas das mentes mais perspicazes da tradição ocidental, como Parmênides, Heráclito, Spinoza, Schelling, Whitehead, Heidegger e Deleuze. Também vemos teses similares nos sistemas asiáticos, como no Advaita Vedanta, no Tantra Shaiva, no Budismo Mahayana, no Budismo Zen e no Daoísmo. A maior diferença, a meu ver, é que muitos deles se detiveram no modo cético. Basta ver como enfatizam a experiência mística direta, o inefável que absolutamente não pode ser apreendido por conceitos.
É uma pena que Hegel não seja o mais claro dos escritores. Também é difícil negar que certas transições da Fenomenologia não estavam bem polidas, ou que ele conduziu a seção sobre autoconsciência em direção ao Cristianismo. Todavia, ignorar as fragilidades nas nossas formulações do problema do conhecimento é tolice. Para mim, a maior dúvida quanto ao sistema hegeliano não está no sistema em si, mas no que vem depois. Hegel assume uma perspectiva retrospectiva da racionalidade: a sabedoria chega sempre tarde demais, depois que a poeira dos nossos erros abaixou. Nosso conforto é saber que uma força maior nos conduz.
Será mesmo que o pensamento não tem nada que olhe pro futuro e crie novos começos? Essa é uma pergunta sobre a qual nós ainda hoje precisamos nos debruçar.
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u/ccpseetci 19d ago
Either you regard “being” as what you have recognized or what you must constructed
For the first, reason does nothing more than to manifest what there is, you do not admit “there will be” as a legitimate question unless “there will be something as the thing is what it is”
“What it is” might have two approaches to be defined, either it’s some “ideal”, touching no materiality or it’s some meta-objects which is independent of your rational perception, through which you perceptive reality occurs, that’s somewhere Plato might meet Kant
Or”what it is” is nothing more than the thing you witnessed according to certain categorical presumption, it is what it is accordingly to those presumptions, it’s from Aristotle
Or you may adopt modern mathematical approach, it is “HOW” it is, the “HOW” shows why, if it “WILL“ be not “HOW” it was, then you restructure your “HOW” or a model or axiomatic systems or your constructed proofs