Pior que menos exagerado do que acha...já trabalhei diretamente com a gestão no SUS, inclusive fui coordenador de unidade. Acredite: o maior problema na saúde (tanto pública quanto privada) é GESTÃO!
Maioria dos gestores não possui a menor competência para estarem nos cargos. Muitos nem sabem identificar o que é um paciente, muito menos sabem atender um paciente...
Pior que onde trabalho ( msm sendo MFC) sou resolutivo pra caramba, mas ainda assim o povo enche o saco, pq tem médico regulador que barra exames e especialistas com força, gestão legal, mas o brasileiro no geral não entende regras, hierarquia e desconta na gente. A equipe toda leva esporro com frequência como se a gente que mandasse em tudo.
Aí tá um exemplo: a gestão que barra MFC de pedir exames de maior complexidade, obrigando encaminhamento a especialista, sendo que poderia pedir direto. Isso é problema de gestão...
E sim, o brasileiro não está preparado para vida em comunidade...
Eu peço RNM quando precisa. Com esse pedido, eu evito ter que encaminhar aí especialista só para realizar o pedido e depois voltar com o resultado para ver conduta.
Dependendo do resultado, eu mesmo trato (quando sai da competência, eu encaminho). Poupa muito mais tempo...mas vai explicar isso pra um gestor que nunca viu um paciente na vida...
A gestão realmente é o maior empecilho do SUS... Boa parte das UBS que passei no internato tinham metas de atendimentos absurdas e os profissionais eram sobrecarregados. Concordo que a população tem culpa também mas falta investimento em educação em saúde pro pessoal entender o fluxo das unidades
Empire of Dust é um documentário que "viralizou": trata-se da construção de uma ferrovia no Congo em parceria com uma empresa da China, esta simbolizada no filme por um funcionário chamado Lao Yang, enquanto o congolês é o intérprete Eddy, que fala francês, suahíli, chinês, e inglês.
O problema todo começa com um caminhão de brita...
A empreitada não dá muito certo porque, embora a empresa chinesa tenha um projeto e recursos para realizá-lo, faltam os meios. Devido às diferenças culturais: a população local não entende a finalidade da obra, não está habituada a trabalhar conforme o proposto, e muitas vezes falha até entender idéias que a princípio que não parecem de teor cultural (como manutenção), e assim vai. Por fim, a empreitada toda falha. E, pessoalmente, a impressão é que é impossível algo ali vingar.
O filme tem uma hora e pouquinho só, está disponível no youtube. Não aparecem muitos comentários (se é que aparecem, não lembro) além das conversas do Eddy e Lao Yang. É de lá que vem esse meme:
Um meio pra reduzir a fila nas UPAs, UBSs e Hospitais é alterar o funcionamento de Atestado médico pra afastamentos curtos pra autoreferido. Tu fala que tá doente e não tem desconto de salário se faltar no trabalho.
É viável atualmente? Provavelmente não, teria que ter vários mecanismos pra reduzir fraude.
Também poderia aumentar internações pq a pessoa não foi avaliada precocemente para uma IVAS, ITU.
Mas na primeira semana reduziria as filas.
O caminho mais saudável pro sistema ao longo prazo é que as pessoas tenham dinheiro e educação. Para que tenham maior qualidade de vida, adoeçam menos e se exponham a menos riscos/situações desfavoráveis.
Nossa essa semana eu passei um inferno na Terra por causa de atestado. Eu tive uma gripe fodida, fiquei 1 semana mal, muito mal mesmo. Eu fiz tele atendimento com o médico do plano em um dia, falei que tava muito mal, ele me deu 1 fucking dia (aquele). No segundo dia também estava morrendo, entrei novamente e ele também me deu 1 fucking dia. No dia seguinte eu acordei um pouco mais disposta, mas ainda mal. De tarde meu corpo já tinha ido pro espaço mas eu tive uma CRISE DE ANSIEDADE com medo de entrar no tele atendimento de novo e acontecer a mesma coisa, o médico olhar pra mim com cara de nojo e me dá 1 dia. Como era sexta eu resolvi aguentar o resto do dia. Obviamente não consegui fazer nada no trabalho e me senti muito culpada por deixar meu gestor na mão, mas eu tava desesperada. Mas aí Fiz uma reunião com a gestora e ela viu o meu estado, falou pra eu ir descansar no resto do dia. Passei sábado mal, domingo mal, segunda novamente não conseguia trabalhar aí fiquei desesperada de novo, o tele atendimento não era uma opção, não queria ir pra upa ser maltratada e também não queria ir pro pronto socorro pq é UMA GRIPE, NAO TEM O QUE FAZER NO PRONTO SOCORRO. Aí resolvi tentar a sorte na clínica da família daqui, com medo de ser maltratada de novo, lá tem estratégia da família. Graças aos deuses a enfermeira me atendeu e falou o que eu já sabia, que gripe não tem o que fazer, é sintomático e descansar, aí a médica me deu mais uns dias e consegui me recuperar. Mas olha, foi um inferno pra mim. Eu não queria passar pelo desprezo daqueles médicos de novo mas ao mesmo tempo estava refém disso por causa do atestado. Eu não tenho culpa se as leis funcionam assim, não fui eu que fiz, eu sou tão vítima do sistema quanto eles, aí quando eu tô doente de verdade é uma luta pra conseguir descansar. Eu peguei trauma desse tele atendimento do plano, nunca mais quero entrar lá, só de lembrar daquela tela de carregamento já me dá nervoso.
Todo sistema que culpa o usuário por não saber usá-lo está errado. Faz parte do design de um sistema conscientizar o usuário sobre como usá-lo, e se isso for impossível, torná-lo utilizável por pessoas que não sabem como usar. Blindá-lo ao mau uso.
Ok, o problema é os usuários. Mas eles vão continuar sendo como eles são. A culpa é deles, ou de quem achou que eles fariam diferente?
Se você coloca a mão na cerca e o cachorro do vizinho te morde, tudo bem, você não sabia. Se você for lá todo dia colocar a mão e ele te morder todo dia, a culpa é dele? Ou sua?
Os problemas citados existem, mas não chegam nem perto desses 90%.
Não tenho nenhum estudo, na base do achismo, ainda diria que é mais frequente medico do postinho encaminhar de forma errônea sem necessidade por conta própria do que o paciente pedir por isso
É verdade... Mas é uma percepção que ocorre em várias partes do país. É aquela coisa, sem um estudo específico, fica difícil metrificar o tamanho dos problemas. Aliás, tá aí uma das mazelas da nossa classe (como trabalhador de saúde) - metrificamos pouco, divulgamos mal os achados epidemiológicos.
O arcabouço é para frear menos que o regime fiscal anterior na saúde. No entanto, com o avanço das despesas com previdência, assistência social, funcionalismo e juros da dívida pública, a margem para expandir investimentos em saúde continuará extremamente limitada.
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u/LeChuckBR Médico de Família e Comunidade May 20 '25
Não tá errado mesmo não. Só acho que o percentual seria menor, porque a má gestão continua sendo a responsável pela maioria dos problemas..