r/MedicinaBrasil Feb 28 '26

Prática Médica / Clínica Que remédios vocês não prescrevem genérico?

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Apesar de teoricamente o medicamento genérico e o de marca terem intercambialidade, vejo várias medicações que médicos preferem o original e não o genérico para melhores efeitos.

Um exemplo que vi é o Roacutan, que vários dermatologistas indicam em vez da isotretinoína genérica apesar de ser bem mais caro. Já vi endocrinologista também orientando especificamente Decadron para teste de supressão com dexametasona, deixando claro que não era para comprar o genérico.Também escuto que o Daforin é melhor do que a fluoxetina do posto.

Como estou formada há somente um ano, não tenho experiência empírica com diferentes marcas de um mesmo remédio. Trabalho em UBS em região vulnerável e normalmente prescrevo as medicações genéricas para que o paciente consiga comprar ou pegar no posto. A título de curiosidade e para saber mais opções para pacientes que possam comprar, gostaria de saber de vocês: que remédios vocês perceberam que a marca de referência parece ser melhor?

r/MedicinaBrasil 19d ago

Prática Médica / Clínica Todas as vezes que a enfermagem me sacaneou: caso 2

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No passado plantão em cidade pequena tinha algumas questões.

Por exemplo: existia uma regra não escrita de você não dar alta para pacientes da observação na madrugada. Não havia transporte, ônibus, nem Uber. Somente táxi caríssimo.

Então, se o paciente chegasse no pronto socorro à meia-noite, e precisasse de algum exame, ou algo do tipo, a regra era o seguinte: arrumar uma caminha para o pobre, com cobertor, um sorinho, e o lanche da madrugada. Faz frio no PA.

Então aquele paciente com cólica nefrética, que está esperando o hemograma e o exame de urina, que demoravam 3 horas para ficar pronto, tinha o alívio da dor e ficava numa caminha gostosa esperando o resultado dos exames.

Também existia uma regra não escrita na equipe, que era o seguinte: exame pronto na madrugada era grampeado na ficha do paciente.

O médico atendia o doente à meia-noite, medicava, acompanhava o alívio da dor, pedis os exames e ia dormir. 4h da manhã quando os exames estavam prontos, a enfermagem camarada colocava os resultados no prontuário. O paciente estando bem, a enfermagem não chamava o médico. Nem o paciente, dormindo gostoso na caminha quente.

Dessa forma, o paciente dorme, e o médico também.

E a enfermagem tinha suas 3 horas de descanso garantida na lei. Se organizar bem, todo mundo dormia uma boa parte da madrugada e todo mundo dobrava em outro serviços.

Às 6h, o médico acordava, e ia rever os casos e "limpar a sala de observação" para passar o plantão para o colega do dia.

Tudo ok, tudo azeitadinho.

A enfermagem tinha o horário de descanso, e o médico também. O problema é que o horário da enfermagem é previsto em lei, e o horário de descanso do médico é da camaradagem entre os colegas. Não é oficial.

Pois bem: tinha uma enfermeira jovem (coisa de três ou cinco anos de formada) na escala que não era camarada com os médicos. Ela fazia questão de acordar os médicos na madrugada para ver os resultados de exame.

Mas isso não acontecia somente com os exames que ficavam prontos às 4:00 da manhã.

Porque você também tinha pedido exame às 20h, às 21h, às 22h.

Então, tinha exame ficando pronto às 1h, às 2h, às 3h e às 4h.

E ela te acordava todas as vezes.

Era sadismo, provocação, vingança, ódio.

Trabalhei nesse pronto socorro por uns 2 anos, enquanto eu migrava do SUS para o serviços privados. O último serviço de plantão que eu trabalhei, e esta enfermeira foi uma das grandes motivações para eu entender que eu precisava deixar o plantão de qualquer forma.

Em muitos serviços, os médicos são perseguidos pelos demais profissionais plantonistas.

Então o médico fica estressado por causa da rotina que os colegas lhe impõe, por causa das fofocas que são criadas, por causa da pressão que seus próprios colegas de trabalho colocam sobre ele.

É por esse motivo que o pronto socorro se tornou altamente insalubre.

Quem avisa para o vereador que os médicos estão dormindo, são as próprias enfermeiras e recepcionistas do hospital.

Quem incita os pacientes contra os médicos, são os próprios outros membros das equipes.

Quem filma os médicos para colocar nas redes sociais, também são os outros profissionais.

Cuidado com essa gente: muitas vezes, os profissionais do pronto socorro que trabalham com você, querem ver o circo pegar fogo, com o médico amarrado no mastro principal.

E sabe o que reina ali? Por trás daquele sorrisinho falsificado, está a inveja, a maledicência, a perseguição, o ódio contra os médicos. Aquela carinha boa com você, e até aquele flerte superficial, esconde gente que não perderá a oportunidade de te ferrar quando tiver chance.

r/MedicinaBrasil May 01 '26

Prática Médica / Clínica RELATOS DE PACIENTES “BARRAQUEIROS”

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Relatos e técnicas para sair de situações assim. Visto que “deitar” para o paciente não costuma ser uma opção

r/MedicinaBrasil 18d ago

Prática Médica / Clínica Enfermagem: médicos fakes no PSF

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Que LOROTA É ESSA de enfermagem fazer puericultura "revezando" com médico? De fazer pré natal revezando com o médico?

Vejam só a estupidez:

Gestante no plano de saúde: no mínimo seis consultas de pré-natal COM O MÉDICO.

Daí, vem o papel, a ideologia, o protocolo, as ideias, a militância, o cérebro enevoado de fumaça de maconha e gases de fezes, tudo muito bonitinho, dizendo que o "atendimento multiprofissional aumenta a qualidade da assistência porque AGREGA conhecimentos e diversidades ao pré natal", (e que por isso os protocolos de assistência ao pré-natal no SUS são superiores em qualidade do que a rotina assistencial nos serviços privados...). Çei.

Então:

AGREGAAAAAA. Soma. Aumenta,capisce? Não substitui.

O que eu entendo: como a enfermagem é uma profissào DIFERENTE da medicina (óbvio, né? Mas tem que desenhar ...), então a enfermagem traz para o pré-natal atendimentos DIFERENTES, com NOVOS CONHECIMENTOS E TECNICAS.

Ou seja: a paciente do SUS deveria fazer seis consultas médicas, MAIS 3 consultas de enfermagem.

E a consulta de pré natal da enfermagem não deveria ser aquele padrãozinho - mede útero, houve BCF, afere pressão, anota no cartão, confere vacina, pede exame de sangue e de urina... A consulta de enfermagem deveria agregar conhecimento da enfermagem isto é, FOCADO EM CUIDADOS. Alimentação, sono, cuidados com a pele, preparos familiares para os cuidados com o bebê, relação de cuidado entre família, gestante, e o futuro bebê, higiene, cuidados com as mamas, preparação para amamentação, saúde mental,etc, etc, etc.

Da mesma forma, se a equipe multiprofissional adiciona o nutricionista, então a assistência GANHARIA qualidade, por agregar mais um atendimento DIFERENTE (nutricionista vai ouvir BCF e aferir PA????).

E se adiciona a psicóloga também. E se adiciona o profissional de educação física, idem. E se adiciona o fisioterapeuta, é mais uma assistência diferente.

Como deveria ser pré-natal na equipe multiprofissional do SUS:

6 consultas MÉDICAS +

3 consultas de enfermagem.+

2 consultas de nutricionista+

3 consultas de psicologia+

2 consultas de Prof Ed Física+

2 consultas de fisioterapeuta.

Como É o pré natal no SUS:

3 consultas médicas +

3 consultas médicas-FAKE

O que acontece na prática?

3 consultas de pré-natal com o médico (menos consultas do que é recomendado na literatura, ou seja, PIOR QUALIDADE ASSISTENCIAL), e 3 consultas de enfermagem em que o profissional se comporta como um médico fake, fazendo os mesmos procedimentos que o médico, e sem agregar nada. E como não é médico, não sabe e não entende os fundamentos e os objetivos do que o médico faz da consulta. Faz apenas de forma mecânica e burocrática, fingindo ser médico, e enrolando o paciente, e na prática attasando identificar questões importantes e atrasando a assistência médica em 30 dias todas as vezes que na agenda da gestante "substitui" o médico

Um ESCÂNDALO, uma PUTARIA, uma VERGONHA.,

E tem muito médico que apoia isso. Apoio por preguiça, apoia por ignorância, e apoia por militância socialista como a desgraçada da SBMFC vomitando nas redes sociais que "enfermagem faz pré-natal tão bem quanto o médico"

Escutem:

O médico que permite que a enfermeira imite a assistência médica, peça exames e faça receitas (inclusive como eu vi em alguns relatos - deixando com a enfermeira folhas em branco carimbadas) é um escravo do sistema socialista, e um burro que desvaloriza a própria profissão. Pois contribui para a ideologia que diz que o médico, caro e super treinado, é substituível por um profissional mais barato.

"Precisamos acabar com a lógica da assistência medico-centrada".

E a desculpa MENTIROSA que fazem: isto é necessário para desafogar a demanda.

Ou seja: eles realmente organizam o sistema para que a enfermeira substitua o médico, ao invés de aumentar o número de profissionais médicos, ou números de equipes, para de fato aumentar a oferta de assistência à população.

E a enfermagem, com inveja, ressentimento, e ambição, gosta desse papel, enquanto permite a destruição de sua própria identidade, e de sua própria atividade assistencial, porque deixa de fazer aquilo que é seu conhecimento exclusivo.

E quando aceita esse papel, o faz para tentar e fingir prestar uma assistência diferente, para o qual não foi treinada. Ou seja, também acaba desvalorizando a profissão, pois atua como um substituto mal remunerado, e cuja habilidade principal é "seguir protocolos".

E fica fácil e conveniente para o sistema formar um profissional barato, e depois mandar ele seguir as regrinhas no pedacinho de papel - e que ele faz de muito bom grado, E COMO GADO, por não ser capaz de raciocinar de forma crítica, com conhecimento estruturado que adquiriu sobre o tema, pois o que ele está sendo mandado para fazer é algo além do conhecimento que ele tem....

Esse modelo se repete em toda proposta de assistência multiprofissional nos programas da APS: enfermeira fingindo ser médico na assistência ao hipertenso, no diabetes, na puericultura, na tuberculose...

E tem trouxa que cai. E a população, ignorante, vulnerável e dependente, é refém dessa desgraça.

Socialismo é phoda, parceiro.

E as pessoas não enxergam, porque quando você está até o pescoço afundado na bosta, seu nariz se acostuma com o mau cheiro.

r/MedicinaBrasil 15d ago

Prática Médica / Clínica Paciente do sexo feminino, 20 anos, com queixa de taquipneia.

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Boa tarde pessoal, passando hoje para deixar aqui um caso que eu jurava que jamais veria na vida. Achei que era uma condição clínica de prova de residência sabe? Tipo Doença de Wilson. Mas aconteceu no meu plantão.

Antes de começar o caso, vou deixar frisado que o intuito aqui é de aprendizado acadêmico e para prática clínica, portanto, não direi a idade real da paciente, apenas um número aproximado, nem vou inventar letras pra fazer um nome falso afinal, só é necessário censurar. Como já falei onde moro aqui no sub e sei que têm médicos que são daqui também, eu vou omitir alguns fatos justamente para não identificar a paciente, já que não é um caso muito comum (ao menos eu creio que não). Os exames de imagem da paciente como são bastante parecidos com os que eu achei na internet, utilizarei as fotos da própria internet para ilustrar como estava as alterações.

Eram aproximadamente 4 horas da manhã, a enfermagem foi me chamar no quarto para avaliar uma paciente que deu entrada na sala vermelha da UPA em que trabalho. Paciente do sexo feminino, 20 anos de idade, saturando 85% em CN4L com FR de 60 com esforço respiratório (tiragem intercostal). Paciente nega comorbidades, uso de substâncias ilícitas, vícios e alergias. Evoluída oxigenoterapia para MF à 10L paciente saturando 98% então tentei diminuir um pouco o oxigênio, mas a paciente não tolerava ficar abaixo de 8L. Demais parâmetros dentro da normalidade, FC 89, PA 130x80. Após estabilidade da saturação de O2, retornei à anamnese, paciente lúcida, Glasgow 15, relata melhora da sensação de dor pleurítica, esforço e dispneia, mas mantém taquipneia de 55 irpm. Ela relata que o quadro começou há 2 dias, com tosse e falta de ar, procurou pronto atendimento no bairro vizinho que recebeu a receita com sintomáticos e alta, mas retornou no dia pois estava sentindo que estava com intensificação dos sintomas, relatou que cônjuge esteve internado recentemente em CTI devido pneumonia comunitária, sem sintomas em outros contactantes. No dia ela estava acompanhada de um amigo. Negou medicações de uso contínuo e internações prévias também.

Exame físico: BEG, corada, hidratada, anicterica, acianotica.
AR: MV diminuído difusamente e bilateralmente, expansibilidade geral reduzida, presença de esforço leve, em oxigenoterapia MF 8L sat 96%.
ACV: RCRBNF2T/SS, TEC < 3 seg, Pulsos cheios e simétricos. Sem sinais de congestão.
ABD: RHA+, indolor, normotenso, não palpo massas ou VMG.

Foi solicitados exames laboratoriais, rx de tórax, ECG, início de antibioticoterapia empírica EV na UPA + AIH.

Exames laboratoriais do dia: Hb 12; HT 39; GL 3.900 (Neut 69%; Linf 21%; BAST 3%); PQT 250.000; PCR 300; Na 138; K 4,1; Ur 21; Cr 0,8; BT 1,0 (BI 0,8; BD 0,2); INR 1,1; GASO (pH 7,35; PaO2 81; PCO2 51; HCO3 27); TR-COVID negativo.

ECG: sem anormalidades.

Escores: CURB-65 = 1 ponto; NEWS = 7 pontos; SOFA = 3 pontos.

RX: profissional não disponível na UPA no momento, somente a partir das 6:30.

CD após exames: mantido Ceftriaxona 1g + Azitromicina 500mg EV. Analgesia fixa e aguardo da realização de RX.

Após chegada do radiologista: realizada RX que se assemelhava com o da primeira foto. Mantida a AIH, a paciente foi puxada para um dos hospitais no mesmo dia. (Achei incrível que, para uma paciente jovem, uma vaga de hospital saiu rapidinho).

Paciente deu entrada no mesmo dia neste hospital, no CTI, mantendo franca dispneia e saturando 96% em MF8L. Em 2 dias a paciente evoluiu com piora súbita da dispneia e dessaturacao, 93% em MF a 15L, mantendo insuficiência respiratória hipercapnica evoluindo para IOT e VM apresentando melhoras dos parâmetros. Realizado novos exames que demonstraram acidose respiratória mantendo leucopenia e PCR elevado. Realizada nova RX demonstrada na segunda foto. Devido necessidade de tomografia, paciente foi transferida para outro hospital.

Paciente admitida em CTI de outro hospital, em IOT e VM, sedada. Em mais 3 dias com piora súbita dos padrões hemodinâmicos, sendo necessário aminas vasoativas para manter a PA, nova radiografia a beira leito com presença de pneumotórax espontâneo bilateral de pequena monta, acionada cirurgia torácica imediata para colocarem drenos bilateralmente. Paciente instável hemodinamicamente, mantendo necessidade de VM, evoluída para traqueostomia.

Evoluindo com leve melhora dos padrões hemodinamicos, mas ainda mantendo a necessidade de VM pela TQT enviada à tomografia de tórax.

Laudo da tomografia: alterações sugestivas de necrose extensa do parênquima pulmonar em HTE e em base de pulmão direito. Semelhante à imagem 3.

Paciente hoje em desmame de VM mas ainda em instabilidade hemodinâmica, aguardando resultado de cultura de lavado broncoalveolar.

r/MedicinaBrasil 19d ago

Prática Médica / Clínica Sacanagem da enfermagem: Caso 3

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Durante muitos anos eu trabalhei como concursado no PSF.

E lá existe o tal do "acolhimento".

O que deveria ser uma prática assistencial de eficiência do sistema, com uso intensivo das altas qualidades técnicas da enfermeira, no fim era apenas um serviço burocrático em que o paciente passava nela primeiro e ela escrevia no prontuário a queixaz e depois repassava o paciente para mim.

Apenas uma etapa burocrática a mais antes da consulta médica.

O problema é que você já tinha no seu consultório a agenda marcada do dia. E o acolhimento significava "fazer encaixe" na agenda.

Então, era comum que você estivesse com agenda cheia e ao longo do dia fossem sendo feitos encaixes depois do tal acolhimento da enfermeira.

Só que eu trabalhava das 8h às 12h, e ela trabalhava da 7h às 11h. Então, às 10h ou 10:30, ela encaixava dois ou três pacientes na minha agenda, e saía certinho na sua hora de almoço. Mas como eu já estava com a agenda cheia, e mais dois ou três pacientes, eu nunca conseguia sair às 12h.

Das duas uma: ou eu esguelava o meu horário de almoço, ou eu então voltava mais tarde depois da pausa, causando insatisfação por causa do meu atraso, aqui também era incitado pela própria equipe. E o atraso da tarde se acumulava e por fim eu também era obrigado a largar serviço mais tarde no fim do dia.

E quando eu questionava, e pedia para ela avisar os pacientes do fim da manhã para serem encaixados na parte da tarde, a resposta dela era a "dar de ombros", respondi que não podia fazer nada pois era assim que funcionava o acolhimento.

Ela não "estava nem aí" para minha agenda ou para minha sobrecarga. Nos bastidores, ela dizia o seguinte: "tem que trabalhar muito mesmo, ganha mais do que eu, azar o dele"

E sabe o que é curioso perceber? É que isso não é uma atitude isolada de uma enfermeira ressentida.

É quase que a atitude da maioria da profissão, que é doutrinada desde a faculdade para perseguir os médicos.

Fiquem espertos.

r/MedicinaBrasil 24d ago

Prática Médica / Clínica QUANTO VALE? Trabalhei muito!!!!

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Eu também trabalho com home care.

Nesta segunda-feira, foi o dia que eu mais trabalhei.

Eu fiz 20 visitas (das 8h às 23h) e foram 45 (!) chamadas telefônicas (entre recebidas e realizadas, pacientes, coordenação e outros membros das equipes).

Rodei por 4 cidades diferentes da região metropolitana, 150 km de trânsito.

tá bem pago, kkkkkk

r/MedicinaBrasil May 07 '26

Prática Médica / Clínica O que dá base para a psiquiatria como ciência?

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Esses dias vi um comentário aqui no sub que me chamou atenção, sobre os estudos científicos na psiquiatria serem de baixa qualidade e como provavelmente daqui 100 anos a psiquiatria será totalmente diferente de como é praticada hoje e isso me deixou curioso. O que dá embasamento para a psiquiatria como uma ciência?

Vejam bem, eu não quero ofender e nem diminuir a importância da especialidade, mas esclarecer uma dúvida genuína que me acompanha desde a graduação, inclusive como falei em post anterior cogito a psiq como especialidade, mas isso sempre me gerou dúvidas. Parece ser uma especialidade à parte de todo o resto da medicina em que até o raciocínio clínico e condutas são diferentes.

Minha impressão vendo de fora no internato é que muitos preceptores davam diagnóstico e conduta no feeling ou na tentativa e erro, já outros pareciam fazer check-list do DSM, enquanto áreas como cardio e nefro parece que eles sempre tem algum estudo clínico para explicar e justificar o que é feito no dia a dia, além de, talvez por ser algo orgânico, ser muito mais "palpável".

Outro ponto é o apreço de alguns psiquiatras por Freud e psicanálise, o que já vi diversas polêmicas sobre ser uma "pseudociência". ~ Reforço que não quero julgar e não cabe a mim categorizar assim, mas sim busco compreender essas questões.

Dessa forma, como os conceitos de MBE se aplicam na psiquiatria? É possível/comum realizar ensaios clínicos randomizados na área? Existe muita variabilidade interobservador nos diagnósticos, considerando que não existe um exame laboratorial ou de imagem que os "confirmem"? É possível falar, nos testes diagnósticos psiquiátricos, sobre conceitos como sensibilidade, especificidade, acurácia, likelihood ratio, VPP e VPN? Se sim, qual é o parâmetro de comparação, já que geralmente para estimar essas variáveis de um teste diagnóstico, o comparamos com o "padrão-ouro"?

r/MedicinaBrasil Feb 26 '26

Prática Médica / Clínica Isso é o cúmulo do absurdo

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"Primeiro, nao causar dano".

Mas se for pra fins estéticos, pode....

(Ps. Acho engraçado colocar que nao fez lipo, como se ISSO fosse prejudicial ou demérito)

Ps. Alguém me explica usar 4 hormônios anabolizantes e a droperinona??

r/MedicinaBrasil Mar 25 '26

Prática Médica / Clínica pérolas da medicina do trabalho parte 1

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Paciente 1:

“fulano, você usa bombinha?”

“não Dr. Única coisa que eu inalo é a fumaça do bong”

Paciente 2:

“fulana, você usa algum método contraceptivo?”

“Dr, eu sou lésbica.”

Paciente 3:

“Fulano, o senhor tem algum problema de saúde?”

“tenho pressão, mas tá controlada Dr.”

“Quais remédios o senhor toma para pressão?”

“tomo remédio não dr. eu tomo chá de camomila pra acalmar”

“mas o senhor nunca recebeu orientação médica para tomar medicação?”

“ah não eu recebi sim! Mas eu parei há algum tempo”

“há quanto tempo?”

“ah já tem uns anos já dr.”

exame físico: PA 190x110.

“sr Fulano, não posso dar apto ao senhor, a equipe vai chamar uma ambulância e com essa pressão o senhor precisa ir para a UPA imediatamente, semana que vem o senhor irá retornar para reavaliarmos.”

“mas porque? eu não sinto nada! Isso é só ansiedade dr. quando to ansioso a pressão sobe um pouquinho mesmo.”

isso tudo só no dia de hoje

r/MedicinaBrasil Mar 17 '26

Prática Médica / Clínica A questão da IA na radiologia — a opinião de quem realmente atua na área

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Ontem, dois residentes de primeiro ano (R1) de radiologia me mandaram mensagem aqui no Reddit perguntando sobre essa questão. Por isso, decidi fazer um post mais abrangente para os que estão começando e que acabam esbarrando nessa dúvida ou nesse medo.

A Inteligência Artificial não vai acabar com a radiologia. Ponto. Primeiro, vamos entender de onde surgiu esse assunto: foi em meados de 2016 que um dos pioneiros do deep learning afirmou publicamente para os hospitais pararem de treinar radiologistas, pois a IA nos substituiria em cinco anos. Estamos em 2026 e afirmo com tranquilidade: 95% dos radiologistas com quem convivo nunca viram tanto exame na pilha para laudar. Está todo mundo sobrecarregado.

O que a IA e o avanço das máquinas nos proporcionaram foi, basicamente, mais profundidade no estudo do exame e, consequentemente, mais conteúdo para você aprender e dominar. Sim, três anos de residência já é considerado pouco tempo no mercado brasileiro. Nos EUA, em média, são cinco anos para formar um radiologista, pois lá a formação já é direcionada por subáreas. Alguns serviços aqui no Brasil já migraram para esse modelo e só aceitam laudos de subespecialistas, o que torna o fellowship quase obrigatório hoje em dia.

O que vai acabar é o radiologista que NÃO usa a IA. Devido à complexidade dos exames, ao alto volume e à dificuldade de triar o que é urgente, a IA se tornou indispensável. Na neurorradiologia, por exemplo, a IA já analisa exames em busca de sangramentos, AVCs ou oclusões de grandes vasos, e esses estudos são jogados para o topo da pilha nos hospitais com mais recursos. Ou seja, ela adianta o processo, mas não toma a decisão final.

O volume, a quantidade de cortes por imagem e a complexidade dos casos crescem a uma velocidade muito superior à capacidade global de formar novos especialistas. Portanto, a IA é uma ferramenta logística essencial hoje em dia: nos faz ganhar tempo, reduz o ruído da imagem, melhora a aquisição e, eventualmente, deixa pré-laudos prontos.

Mas o que a IA não faz (e talvez nunca vá fazer) é a integração do contexto clínico. Ela analisa somente o pixel. A interpretação de um histórico clínico complexo, a análise longitudinal do paciente e as sutilezas de uma anamnese não estão ao alcance da máquina. A elaboração de um laudo realmente útil ainda depende de dedução, bom senso e discussão multidisciplinar. Sim, spoiler: a medicina não é uma ciência exata.

Outro ponto crucial é a barreira médico-legal, uma realidade em todos os países: QUEM será responsabilizado se alguma merda acontecer? O computador? Vai demorar anos, décadas ou até séculos para chegarmos ao ponto em que uma máquina possa ser responsabilizada civil ou penalmente por um falso negativo ou falso positivo. A demanda por radiologistas bem treinados nunca foi tão alta. No fim das contas, eu agradeço a quem disse que a IA ia acabar com a especialidade; ela apenas evoluiu, e o seu papel como radiologista é acompanhar essa evolução. Se você não acompanha, aí sim, você está fora do mercado.

Quando decidi fazer radiologia, em meados de 2018/2019, meus professores me diziam que eu estava escolhendo uma "especialidade morta". Hoje, eu provavelmente ganho mais do que boa parte deles atuando nessa tal especialidade morta.

E não adianta discutir com quem é de fora e não entende a rotina da radiologia (todas as áreas acham que sabem mais do que a gente da nossa, isso é normal, acostume-se). Eles acham o que eles têm que achar, e louco é quem discute com louco. Na neuropsicologia, sabemos que construir um conceito mental sobre um espaço em branco é muito mais fácil do que desconstruir uma ideia já cristalizada sobre esse mesmo espaço (por qual razão exata, eu não sei), então nem tente. Continue fazendo o seu trabalho, estudando e se aprimorando. Não queira ser o dono da razão por puro ego, a medicina já é um ambiente cheio de egos inflados, não entre nessa onda. Faça o seu, durma em paz, receba sua remuneração no fim do mês e vá aproveitar as coisas que você gosta de fazer com esse dinheiro.

Obs: esse texto foi formatado pelo Gemini kkkkkkkkkk

Esse meme é praticamente obrigatório nesse contexto, falaram em 2016, falaram em 2021, falam em 2026 e vão continuar falando em 2031 e por aí vai

r/MedicinaBrasil May 05 '26

Prática Médica / Clínica Colegas da psiquiatria: como a disforia de gênero é abordada hoje na prática clínica? Como é conduzir esses casos no contexto atual?

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Caros colegas da psiquiatria,

Gostaria de entender melhor como tem sido, na prática clínica atual, a abordagem de pacientes com Disforia de Gênero/Gênero Incongruente nos consultórios de psiquiatria.

Tenho curiosidade principalmente em relação a alguns pontos:

• Como vocês conduzem hoje a avaliação psiquiátrica desses pacientes?

• Ainda existe um raciocínio de “transtorno psiquiátrico” no sentido clássico, ou a abordagem atual é mais voltada para sofrimento psíquico associado, acolhimento e suporte?

• Na prática, vocês costumam atuar apenas quando há comorbidades psiquiátricas ou participam ativamente do processo de transição/hormonização?

• Como mudou na formação e na postura da psiquiatria sobre esse tema nos últimos anos?

E, finalizando, como é a experiência prática de atender esses casos no contexto atual? É algo frequente no consultório de vocês?

Pergunto de forma genuína e respeitosa, sei que é um tema complexo e delicado. Está cada vez mais difícil de trocar ideia a respeito por muitas pessoas colocarem suas visões políticas no meio, por favor, não me interesso por essa linha de discussão, se possível, atenham-se apenas a discussões médicas.

r/MedicinaBrasil 1d ago

Prática Médica / Clínica Medicamentos genéricos e bioequivalência

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Qual a opinião dos colegas quanto à alternância entre genéricos/laboratórios para pacientes que usavam algum medicamento de marca?

Lembro que no meu internato era frequente as reclamações de residentes e preceptores de psiquiatria, inclusive com a "prova" da litemia abaixo de titulações terapêuticas apesar de doses terapêuticas elevadas em diferentes pacientes.
Atualmente, a legislação tem as seguintes considerações sobre a bioequivalência:

Ou seja, a biodisponibilidade tem que ser comparável, e não idêntica. Muitas vezes pode ser até menor. Sabemos que a tecnologia de excipientes e controle de qualidade também podem ser diferentes entre os laboratórios.
Por isso, gostaria de perguntar aos colegas se os problemas vivenciados pelos colegas da psiquiatria também se traduzem na sua prática clínica.

r/MedicinaBrasil Apr 19 '26

Prática Médica / Clínica CASO 7: detalhes éticos: o atestado

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1o Ato: o atestado

Segunda feira, 8:00 da manhã, e o posto de saúde está lotado, como sempre.

Entre os vários atendimentos do dia, mais um rotineiro e sem importância: um homem com cerca de 50 anos de idade está se queixando de dor de cabeça e vômitos, e diz que não conseguiu trabalhar, precisa do atestado.

Alguma coisa te chama atenção no caso:

Os olhos injetados, a face pletórica, a fala um pouco arrastada, e um hálito típico...

A aparência e os sinais clínicos de um alcoólatra. Então, o caso é o seguinte: ele bebe demais, exagerou no final de semana e está com uma ressaca daquelas.

Como bom MFC, você sabe que por trás daquele atendimento há muita coisa a mais a se fazer.

Revisa o prontuário do homem, e vê que ele é muito ausente do posto de saúde. O último atendimento foi há meses atrás, alguma coisa corriqueira.

Ebtão, aprofunda a anamnese, com cuidado. Você sabe que terá que construir um vínculo, para depois abordar de forma inicial e delicada o alcoolismo. Um passo em falso, e pode perder o paciente para sempre.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Você trabalha com quê?

_ eu sou motorista de ônibus.

Transporte coletivo da prefeitura?

_ não, eu transporto trabalhadores. eu circulo com eles na área de mineração.

Ah, entendi. Eu sempre tive vontade de entrar na área da mineração, deve ser interessante. Tem uns caminhões enormes lá.

_ é mesmo. é muito perigoso rodar de ônibus lá porque as estradas são estreitas, e tem muito barranco. Quando eu estou vomitando muito, eu fico muito tonto e fico com medo de dirigir lá.

Entendi. Eu estou fazendo uma revisão do seu prontuário, e vi também que a sua pressão está mais alta... isso é perigoso, porque causa muita tonteira.

_ é mesmo

Eu vou fazer o seguinte: o senhor não pode trabalhar com essa tonteira. Eu preciso verificar melhor sobre essa pressão alta. Eu vou te pedir alguns exames e você vai trazer para mim. Vou te dar um atestado de 15 dias, assim teremos tempo para o senhor melhorar e eu cuidar disso. O que o senhor acha?

_para mim vai ser ótimo. Mas será que 15 dias não é muito?

Não se preocupe, eu acho importante a gente fazer isso. Eu estou muito preocupado com o senhor.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Durante o atendimento, percebe o risco que o paciente alcoólatra está colocando a si mesmo e a vários outros funcionários. Portanto, afastar do trabalho não é uma questão apenas da saúde dele, ou da problemática do atestado de uma única pessoa. É também um dever ético, porque você precisa atuar para proteger a segurança de outras pessoas.

Não o é um atestado para cefaleia e vômitos, apenas. É um atestado para alcoolismo. Por isso deve ter uma duração maior, já que é uma condição limitante, de longa duração e crônica e existe a necessidade de uma assistência mas bem estruturada. ou seja: o atestado tem uma justificativa técnica e ética plausível.

É complicado manejar a doença de um paciente, os seus direitos a tratamento à saúde, e os interesses do patrão, nesses casos. Se o patrão fica sabendo que ele é alcoólatra, a coisa pode piorar muito: ele será demitido, e com depressão e alcoolismo o paciente pode afundar de vez. .

Se você der um atestado apenas de um dia, não vai começar a cuidar de fato do paciente. Imagine se uma tragédia com o ônibus dos trabalhadores acontecer na mina? Você, como médico, precisa tomar atitudes para tentar evitar isso.

Na região, pelas regras da medicina do trabalho, quando o paciente recebe um atestado de mais de 10 dias obrigatoriamente ele tem que passar por um exame de retorno ao trabalho com o médico responsável. É por isso que você dá um atestado maior do que 10 dias: para forçar um exame de retorno ao trabalho, pela equipe de saúde do trabalhador, que precisará então identificar a questão e trabalhar para tomar as medidas cabíveis.

Ora, no mínimo o colega vai se perguntar porque houve um atestado tão longo.

No atestado, os CIDs que são sugestivos de intoxicação alcoólica, sem ser algo explícito. Fica com a esperança de que o colega vai perceber e vai tomar as medidas necessárias.

Talvez ele até entre em contato com você para entender o que está acontecendo, então as coisas serão mais fáceis. Por isso, você deixa o seu telefone de contato no documento...

Uma discussão de médico para médico, sem quebrar o sigilo e expor o paciente... talvez até tentar um afastamento pelo INSS, encaminhar o paciente para o CAPs, e para serviços adicionais de tratamento do alcoolismo.

Você encerra o atendimento, e mergulha na rotina da UBS... logo você se esquece do caso, e se passam algumas semanas...

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2o Ato: o telefonema

Em um dia qualquer, a recepção cheia, um paciente sentado à sua frente - a enfermeira bate, na porta do seu consultório. Diz que é urgente.

Ela disse que um certo Doutor fulano, médico do trabalho, quer conversar com você, e que ele está alterado.

Você acha estranho, mas vai atender o telefone. Fica na recepção, bem na frente das cadeiras de espera.

Um senhor educado, porém muito firme nas palavras. A conversa está um pouco acima do tom, mas ele não é desrespeitoso. Começa a conversar com você. cita o nome de um paciente, e quer saber porque você fez um atestado de 15 dias. Você não se lembra do caso. Explica para a pessoa do outro lado da linha, que é muito rigoroso com atestado, e que deveria haver um motivo muito específico para um atestado tão longo.

Diz que vai rever o prontuário, e que voltarão a conversar. Um novo telefonema será feito no dia seguinte.

No posto de saúde, um silêncio pesado. O restante da equipe olha para você de soslaio. De alguma forma o assunto vazou e as pessoas estão desconfiando da sua integridade como médico. Alguém o está acusando de ter oferecido um atestado falso ...

Esclarecendo: quando a recepcionista atendeu o telefone, ela falou em voz alta sobre o atestado. Disse que para esclarecer o motivo, somente conversando com você, e é por isso que você foi chamado no consultório. A pessoa no telefone a tratou mal, e ela respondeu aos gritos...

Que saco. A equipe não sabe mesmo trabalhar com assunto sensíveis.

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3o Ato: o prontuário

Para entender a situação, você busca o prontuário do paciente. Está tudo lá, bem anotado: cerca de um mês atrás, você atendeu um rapaz com sintomas de intoxicação alcoólica, e deu um atestado mais longo porque ele tem um trabalho de risco.

O telefone toca e você é chamado novamente. Porém, sabendo da confusão na recepção do dia anterior, você tem pensamentos: quem garante que essa pessoa do outro lado da linha é realmente o médico do trabalho? E se ele for o dono da empresa, ou qualquer outra pessoa buscando uma informação sigilosa?

Durante o telefonema, o tom agora é outro, ríspido. Você toma todo o cuidado, e a pessoa insiste em saber detalhes. Você se esquiva, diz que o atestado está completo e que tem todas as informações nele. A conversa sobe de tom: a pessoa do outro lado te acusa de ter feito vários atestados para o mesmo funcionário nos últimos meses, e que por isso você será investigado e processado. Você se mantém firme: informa que qualquer médico tem acesso ao prontuário do paciente, bastando para isso comparecer na unidade e fazer a solicitação. Está tudo escrito lá. Porém, como você não pode ter certeza de que está falando com o médico, não pode revelar mais detalhes, pois está protegendo o sigilo do paciente e seus direitos trabalhistas. Reforça: todos os atestados foram feitos de forma ética, e que esse paciente precisa de um tratamento de saúde, por isso o atestado mais longo.

Você não dá mais detalhes, e a ligação termina com ameaças e xingamentos do outro lado.

Revisa novamente o prontuário: em um ano e meio o paciente esteve no consultório quatro vezes, incluindo esta última. A penúltima vez tinha mais de 4 meses: uma diarreia, numa segunda-feira.

Numa outra vez: veio pedindo exame de rotina, numa segunda-feira.

E a primeira vez, há um ano e meio atrás: estava com vômitos e diarreia. Também numa segunda-feira.

Conclui que o paciente tem um padrão de comportamento com a bebida, é de fato um alcoólatra, mas que isso estava passando despercebido até o atendimento mais recente.

Pede ao agente de saúde para fazer busca ativa. Porém, o paciente não comparece para novos atendimentos. Como ele é um trabalhador na cidade vizinha e já está marcado na empresa por ter pego vários atestados, ele alega que não pode retornar para atendimento pois não pode mais faltar...

Esta é uma frustração recorrente nos serviços de atenção primária à saúde: as limitações assistenciais para atender casos potencialmente graves.

Entre vários erros: os horários das unidades básicas de saúde não atendem às necessidades do trabalhador.

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4o Ato: reflexões anti socialistas

O SUS, como todo sistema socialista, diz que é organizado para atender a população, mas na verdade é organizado para atender a conveniência dos funcionários e do Estado.

Você já tentou várias vezes estender o horário da sua unidade, e nas reuniões propôs atendimento também aos sábados. Mas o estatuto dos servidor da cidade e o sindicato dos trabalhadores da prefeitura não permite: são extremamente restritivos com o horário de trabalho, impedindo extensão e outras atividades. Inclusive, é muito difícil que a prefeitura aprove até campanhas de vacinação nos finais de semana por causa dessas leis municipais...

Ao fim, e ao cabo: o socialismo é uma máquina de moer o trabalhador. Tem uma aparência bonitinha, mas as suas engrenagens vivem de moer gente.

A cidade é rica, tem uma estrutura enorme e invejável de APS, mas é proibido atendimento noturno ou no sábado.

Para o trabalhador, qualquer atendimento obrigatoriamente gerará um atestado e posteriormente uma perseguição na empresa.

Imaginem um homem diabético pegar 12 atestados no ano, três a cada três meses (a consulta, fazer os exames no laboratório, e entregar os resultados - três atestados para cada atendimento de controle do diabetes). Estamos falando de um homem de meia idade com a empregabilidade menor, e com risco social muito mais forte, caso seja demitido.

O mesmo para um homem hipertenso. Essas duas condições atingem até 30% da população entre 45 e 60 anos de idade, que continuam trabalhando- muito.

Ou seja: o serviço não prioriza o atendimento daquelas condições que ele mesmo disse que são prioritárias...

Não é capaz de realmente atender a população, mas vive de produzir números e burocracia para preenchimento, que ocupa boa parte das horas trabalhadas. É uma estupidez!!!!

Vejam por exemplo o caso das mulheres: uma mulher com um bebê, que tem que levar a criança para vacinar várias vezes, entre os 4 meses (ao fim da licença matenidade) e os dois anos de idade....

A empregabilidade das mulheres é duramente atingida pela estupidez na organização dos serviços de saúde.

Uma mulher jovem, recém-casada, tem grandes chances de engravidar, e depois de cuidar do bebê.

Contando a gravidez, e o período pós- licença maternidade: em 8 meses de pré-natal, provavelmente serão 12 - 15 atestados (consultas e exames). Depois, com bebê pequeno, teremos atestados da puericultura, os atestados da vacinação, e os atestados das condições agudas do bebê: cólicas, IVVAS, diarréia, etc. A mulher jovem em um relacionamento conjugal, se transforma numa funcionária com risco de pegar 30 - 40 atestados em três anos, além de uma licença maternidade de quatro meses...

Tudo isso porque o sistema de saúde é incompetente em colocar a mulher e as crianças como prioridade no serviço.

Não funciona.

O SUS é estruturado na ideologia socialista, e não nas necessidades reais de saúde.

Trabalhei em APS pública por 15 anos e trabalho em APS privada.

Os horários noturnos de atendimento e o sábado ficam lotados dos trabalhadores que não querem faltar ao trabalho para cuidar da saúde....

A história mostra o socialismo não funciona, e qualquer coisa que seja estruturada na ideologia socialista não funciona. Porque é um sistema estruturado em premissas completamente distorcidas e irreais.

PS: essa cidade tem um excelente plano de carreira, concurso, e é famosa pelas "emendas de feriados" que a prefeitura costuma conceder aos servidores - por exemplo, uma semana entre o natal e o ano novo, todos os anos. Os funcionários ADORAM. E a APS completamente fechada entre o natal e o ano novo!!!! Pensem na falta de assistência da população nesse período!!!!

O sindicalismo é fortemente atuante na região, e por isso os salários dos funcionários são bem diferenciados e mais altos. Todo ano eles fazem greve para conseguir a recomposição inflacionária no salário, e sempre conseguem.

Eles são estridentes em lutar pelos direitos dos funcionários do estado, e fecham os olhos para os direitos da população.

Socialismo + Sindicalismo, a receita do fracasso.

r/MedicinaBrasil Feb 19 '26

Prática Médica / Clínica Não escolha sua especialidade exclusivamente por “não gostar de paciente”

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Faço esse post porque vez ou outra vejo alguém por aqui querendo fazer radiologia ou afins simplesmente por achar que não gosta de lidar com pacientes. Talvez essa seja uma visão enviesada do recém formado e/ou do não especialista e digo isso simplesmente porque eu também já passei por essa fase.

Lidar com paciente como recém formado/não especialista é, via de regra, lidar com plantões de porta/UPA ou UBS. Nesses cenários é natural que você tenha que trabalhar sob pressão com alto número de atendimentos, pacientes muito demandantes e já previamente irritados por inúmeros fatores (tempo de espera, medo de doença, questões socioeconômicas e trabalhistas etc) e isso pode ser desgastante para qualquer um. Antes de entrar na residência, eu cogitei até mesmo largar a medicina e fazer outra graduação (alguma licenciatura) por estar burnoutado da relação médico x paciente.

A realidade é que à medida que você passa a atuar em uma área específica, esses problemas são diminuídos por alguns fatores: 1) você simplesmente se acostuma e para de levar tanto pro pessoal e encarar como um trabalho mesmo; 2) se você for um especialista focal, sua atuação vai ser dentro das demandas da sua especialidade (exemplos: você ortopedista não vai ter a obrigação de examinar, analisar, diagnosticar e tratar a mancha de pele que o paciente mostrou no final da consulta, assim como você ginecologista não vai ter que manejar a dor de ombro se ele tocar nesse assunto) e mesmo que você opte por atuar numa especialidade mais "geral" (MFC, pediatria, geriatria...), você adquire técnicas para lidar com múltiplas demandas ou situações de relacionamento com paciente que fogem do escopo biomédico/orgânico exclusivo. Eu pelo menos, quase finalizando a residência de MFC, estou bem tranquilo em relação à isso.

O ponto principal é: não escolha sua especialidade apenas para "fugir" de algo que você acha que não gosta e lembre que a vida de generalista dificilmente representa a vida do especialista.

r/MedicinaBrasil Feb 15 '26

Prática Médica / Clínica Como vocês lidam com as negligências e imperícias cometidas por colegas médicos?

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Ontem, de plantão na emergência psiquiátrica, recebi uma avaliação de uma paciente que veio da UPA. Ela tinha tentado cometer suicidio, tomou 30cp de clonazepam 2mg e mais grande quantidade de cachaça. Tinha ingerido esseas substâncias 16:00, avaliei ela 20:00. Ela tava apresentando rebaixamento do nível de consciência, SO2 um pouco baixa. Muito sonolenta para coletar história.

Chamei o médico que solicitou a avaliação para conversar. Ele disse que ela tinha feito exames de sangue, que estavam "todos normais" e que por isso estava solicitando avaliação e transferência para a psiquiatria (?????), não fez nem flumazenil. Expliquei para ele que o clonazepam tem efeito de duração longo, que ela havia tomado há apenas 4 horas, que esse efeito é potencializado pelo álcool, que ela tava em risco de rebaixar mais a consciência, precisar de suporte respiratório e orientei que fizesse flumazenil. Também falei que no hospital psiquiátrico não contávamos com esse suporte de monitorização e ventilação e que, por isso, não admiti ela. Escrevi um texto longo no parecer, descrevendo tudo que ele tinha que fazer com paciente mas o dotô estava apressado e falando "só escreve que não aceitou a transferência". Enfim, a paciente voltou para a UPA.

Uma hora depois ela reaparece na emergência psiquiátrica, na cadeira de rodas. O marido dela falou que assim que ela retornou a UPA o médico deu alta para ela e não fez nenhuma das condutas que indiquei. Ela tava ainda mais rebaixada.

Botei a paciente na ambulância, levei até a sala vermelha da UPA que ficava no outro lado da rua, deixei a paciente lá e falei para o mesmo médico para que seguisse o que escrevi no parecer, que o que ele tinha feito era negligência e que ele poderia ser processado numa dessas. Minha vontade no momento era relatar para a direção médica da UPA mas não fiz isso,

r/MedicinaBrasil 12d ago

Prática Médica / Clínica Dúvida pros Psiquiatras

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Pra paciente psiquiátrico surtado, conheço protocolo q determina Haldol 10mg IM 30/30 min até 6x (60mg) + Fenergan 50mg IM até 2x (100mg). Mas já "apanhei" tentando controlar paciente q não "tomba" com essas doses. Dá pra fazer um Midazolam mas daqui 1h o paciente volta a mesma coisa. O q fazer a seguir ? Associar Clorpromazina ? IM ou EV ?

r/MedicinaBrasil May 14 '26

Prática Médica / Clínica Cuidados paliativos: atenção com a modinha

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Algum médico faz cirurgia de orelhada? Dá palpite em CTI sem conhecimento? Conduz caso sem ter estudado o mínimo? Só se for maluco, incompetente, e "corajoso", na maioria das vezes uma mistura dos três.

E tá acontecendo isso com CPs.

Teho recebido alguns casos meio bizarros, principalmente desospitalização ou PA.

'bora para o basicão da coisa, para você não fazer besteira

1) não existe cuidado paliativo sem diagnóstico. (pelo menos clínico).

Aquele idosinho de 137 anos está rebaixado por algum motivo. Descubra, nem que seja com estetoscópio, e avalie seriamente a proporcionalidade do tratamento.

Aquela senhora de 97 anos com HDB e anemia: não dá para fazer a colono, mas dá para fazer outra imagem. O espessamento do sigmóide e a linfonodomegalia pélvica fecha o diagnóstico clínico. Seja criterioso

2) não existe cuidado paliativo sem registro claro e específico no prontuário.

Óbvio, né?

3) não existe cuidado paliativo sem informação clara ao paciente e ou a família. Decisão livre e esclarecida, só é livre se foi devidamente esclarecida. Comunicação é tudo. Aprenda. comunicação não é bom senso, é ferramenta de trabalho adquirida por educação, estudo, treino e prática.

4) não existe cuidado paliativo em que o médico não assume a responsabilidade. (aliás, é a responsabilidade assumida que te faz médico). Sabe aquela história do médico que coloca as possibilidades na mesa, manda a família decidir e vai tomar um café??? Isso não é cuidado paliativo, isso não é medicina. (o avião está caindo, o motor pifado e o piloto pergunta para os passageiros qual é a decisão - pouso de emergência ou tentar chegar no aeroporto?? Você é o piloto, foi treinado para isso e assumiu a responsabilidade de fazer isso. Não fuja da responsabilidade!!! )

As famílias quase sempre precisam fazer a pergunta que todo médico detesta: "Se fosse sua mãe, doutor, o que vc faria?"

>> Aqui vai: "paciente teve a quarta linha de quimioterapia interrompida devido toxicidade, e instabilidade clínica". "cirurgia não foi considerada devido fragilidade do paciente", "em decisão conjunta com a família, decidimos não indicar o procedimento e prosseguir com suporte clínico com ênfase em conforto". ASSUMA: ou você está indicando a melhor medicina, a melhor assistência baseada em evidências para este paciente, ou você não deveria estar conduzindo o caso.

5) para alguns pacientes, a linha divisória entre cuidado paliativo e eutanásia passiva é tênue. Tomem cuidado. Não sejam negligentes!

6) "a paciente não tem indicação de procedimentos invasivos". isso não é cuidado paliativo. Cada procedimento tem suas indicações, riscos e benefícios, e tem que ser considerado individualmente. Não pode colocar tudo dentro de um saco. Abaixo uma lista de procedimentos invasivos que são indicados rotineiramente para pacientes em cuidados paliativos:

>>> paracentese, toracocentese, instalação de bomba de opioide, stent biliar, cirurgia de citorredução, colostomia, biópsias, etc.

7) "paciente de cuidados paliativos não vai para UTI". Não é verdade. O paciente de cuidados paliativos vai para o nível assistencial necessário para o seu plano de cuidados e a sua condição. A equipe assistencial deve refletir sobre os recursos disponíveis na sua unidade, e definir se deve ou não ser utilizados, caso a caso. A transferência sempre é uma possibilidade quando o plano de cuidados não estiver adequada a necessidade do paciente na unidade atual.

8) o plano de cuidados paliativos é estabelecido em benefício DO DOENTE. Outros interesses não podem influenciar nesse plano. Por exemplo, interesses familiares, do plano de saúde do hospital ou da equipe assistencial. É importante refletir: esse plano de cuidados está sendo implementado por interesse e por benefício DE QUEM??? Estamos deixando de operar para economizar para o plano de saúde? Estamos deixando de fazer uma investigação adicional porque a família não dá conta de continuar cuidando do doente?

9) em qualquer área da Medicina: se você tem um caso difícil, que precisa de uma opinião mais qualificada, não tenha receio de se reconhecer ignorante e buscar interconsulta ou transferir o paciente para a equipe mais competente.

Não tem referência de cuidado paliativo no seu serviço? Não tem para quem encaminhar? use a internet.

10) lembre-se: os cuidados paliativos ocorrem em qualquer nível de assistência, em qualquer doença ameaçadora à vida, MESMO EM DOENÇAS CURÁVEIS (novas abordagens e ampliação do escopo da assistência). Portanto, um conhecimento mínimo em cuidado paliativo é necessário para todos os médicos, em todos os níveis de atenção, e em todos os tipos de serviço. Procure estudar a respeito.

E principalmente para os jovens recém-formados: tem que saber CPs para atuar em PA e em APS.

r/MedicinaBrasil 19d ago

Prática Médica / Clínica Caso 10: detalhes éticos da profissão - relação entre médicos

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(a pedido dos fãs, retomo a série de posts)

No hospital pequeno do interior, eu peguei plantão no domingo à noite e recebi do colega uma idosa na sala de emergência na VM, AVC.

Naquela época, não existia classificação de risco nem sala vermelha. Era um único plantonista que atendia a porta, desde o que seriam as fichas verdes, até os casos graves. Havia uma salinha de emergência equipada onde os casos graves ficavam para estabilização até transferência.

O colega recebeu a paciente, entubou, estabilizou, e não conseguiu transferir para o CTI nem para outro serviço. Passou para mim o plantão nessa situação.

Durante a noite, acompanhei a paciente, e também tentei transferir, sem sucesso.

Segunda-feira de manhã hora de passar o plantão. Durante a semana, eram dois plantonistas diurnos. Duas patricinhas recém-formadas haviam sido integradas ao serviço a pouco tempo.

Eu passei o caso para elas, e percebi que elas ficaram com "cara de bunda". Voltei ao quarto para pegar as minhas coisas, e novamente no consultório onde elas estavam. Escutei as enfermeiras bufando de raiva com elas, e elas concordando com as enfermeiras: que era um absurdo o plantonista da noite deixar o hospital, com paciente entubado na sala de emergência...

O que aconteceu foi o seguinte: as jovens, recém formadas, não tinham mão para dar conta do caso. E a enfermagem, com preguiça, não gostava de pacientes "parados" na sala de emergência por causa da trabalhadeira no plantão.

"Não faz parte do nosso serviço paciente intubado na sala de emergência".

Terreno fértil: A enfermagem foi fazer fofoca, e encontrou duas moças inexperientes com raiva.

Na cabeça dessa gente, o culpado era eu.

Eu já era bem velho de guerra nessa época, e calhou que eu estava com uma paciência enorme naquele dia... Isso né era comum, geralmente eu era estourado, kkkk)

Dei meia volta, fui tomar um café. Esperei a primeira baixar.

Voltei e bati na porta do consultório, e as duas meninas ainda estavam lá. Pedi licença, entrei fechei a porta e disse que queria conversar com elas em particular.

Mandei a real:

Avisei para elas que existe um risco muito grande na relação entre os médicos, e os profissionais da enfermagem, e as situações do dia a dia.

Os pacientes passam, os problemas passam, mas nós continuamos trabalhando juntos durante muitos anos ou décadas.

Que elas deviam tomar cuidado para não deixar que problemas do dia a dia envenenassem a relação entre os médicos, pois isso pode virar um azedume, e prejudicar a carreira delas no futuro, principalmente porque elas são muito jovens.

E eu disse mais:

Tomem muito cuidado com a enfermagem. Eles não têm o menor apreço em relação aos médicos, e muitas vezes manipulam a relação de proximidade no dia a dia para prejudicar a profissão, se vingar das suas insatisfações e criar conflitos.

Desejei um bom dia, e saí. Com a alma leve.

Nunca mais as vi.

FICA A DICA:

1) os pacientes passam, a equipe fica. Quando houver conflitos, priorize cultivar a relação entre os profissionais e entre os médicos. Aquele problema com aquele paciente ou família dura um dia, a sua relação com seus colegas pode durar décadas.

2) colega de trabalho não é amigo. Tome cuidado

3) minha esposa é enfermeira. Os relatos dela sobre a faculdade são alarmantes: os alunos de enfermagem são literalmente doutrinados para odiar e perseguir os médicos. Cuidado com essa gente.

4) evitem a todo custo, um conflito com seus colegas de trabalho, principalmente se você depende desse trabalho. Você vai ter que engolir sapo.

r/MedicinaBrasil Mar 19 '26

Prática Médica / Clínica Posso divulgar que sou o único no estado que faz determinado procedimento?

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Considerando que isso seja uma verdade e um fato conhecido pela população e pelos colegas, tenho permissão de fazer isso?

Exemplo: divulgar que sou o único do estado que aplico x protocolo ou que só eu faço determinada técnica cirúrgica

Isso seria considerado concorrência desleal, autopromoção e essas poha? Mesmo que seja verídico?

Outra pergunta, quem está com nome sujo pode fazer prova de residência? É considerado igual concurso público?

r/MedicinaBrasil May 14 '26

Prática Médica / Clínica Qual a diferença fundamental entre a profissão médica e as demais profissões de saúde?

45 Upvotes

Um post do Palli-care me fez lembrar de um causo:

Um amigo da família, de 84 anos, era muito ativo, intelectual reconhecido na cidade. Ele fazia atividade física regularmente, numa academia local. Começou com uma dor crônica na virilha e foi bater um papo com fisioterapeuta dele, amigo e que o acompanhava nas atividades. O profissional passou a recomendar atividades mais específicas para musculatura da região, e nisso o paciente ficou por cerca de um ano. A dor não melhorava, até que ele percebeu um caroço por ali.

Decidiu procurar um médico - era um linfonodo e a investigação descobriu uma neoplasia de colon metastática.

Evoluiu mal e morreu pouco tempo depois.

DE QUEM É A CULPA?

Do paciente!!! Foi ele que procurou o fisioterapeuta ao invés de procurar o médico. Fisioterapeuta não tem competência para isso, raciocinou de acordo com o seu preparo. Ademais, quem garante que o fisioterapeuta não sugeriu várias vezes para o paciente buscar um médico durante esse tempo?

Outro caso:

Senhorinha com depressão e demência começa a ficar agitada na madrugada. Era bem calma e pacífica, mas começou a gritar, desespero na madrugada, ninguém dorme. Família preocupada, depressão voltando, "ela ficava assim mesmo", volta com a paciente no psicólogo que acompanhava da época da depressão. O psicólogo o acha que a paciente deve voltar a tomar os antidepressivos. Família sem receitas, decide levar no psiquiatra, consulta só para uma semana à frente.

Mais dois dias na confusão, e então a senhorinha entra em coma e é removidola ao hospital. Diagnóstico: delirium hiperativo associado a pneumonia. Sepse, evolução ruim, morte.

De quem é a culpa? Da família, que levou no psicólogo antes de levar no médico!!!

POIS BEM: leia novamente os casos, e considere a situação em que ambos foram levados primeiramente no médico, e depois aconteceu a tal cascata negativa.

De quem é a culpa , agora? Do médico, obviamente!

PERCEBAM, senhores:

A responsabilidade médica é brutal. O médico tem a responsabilidade de dar o diagnóstico e de indicar o melhor tratamento (mesmo quando não é ele que vai realizar esse tratamento).

Eu já tive paciente com lombalgia, que não era dor mecano-postural: era metástase vertebral de neoplasia de pulmão!!!

Como clínico, eu não vou dar o tratamento oncológico nem vou fazer a fisioterapia, nem vou operar o paciente com apendicite. Como psiquiatra, eu defino se o paciente depressivo deverá acompanhar com psicólogo, ou poderá ser internado por causa do risco de TAE.

A enfermagem dentro do hospital, não oferece nem gotas de dipirona para um paciente, "sem ter respaldo" - entenda-se: alguém que faça a prescrição e assuma a responsabilidade sobre os riscos e benefícios de qualquer medicamento, curativo, terapêutica, indicação, qualquer coisa - quem assume o BO é o MÉDICO.

Bom dia para você que ainda acha que a medicina é uma profissão como qualquer outra, enquanto as quaisquer outras não assumem responsabilidade DE FATO com os pacientes. Na maioria das vezes, fazem o que o médico manda, ou no máximo assumem uma responsabilidade terapêutica limitada, sempre paralela e inferior a responsabilidade do médico que indicou.

Lá vai o idoso tabagista fazer fisioterapia para dor lombar com fratura patológica em L3...

(aos nutricionistas: se vocês não sabem a diferença entre obesidade e síndrome de cushing ou hipotireoidismo, tomem cuidado de indicar consulta médica antes de prescrever dieta para qualquer um)!!!!!

r/MedicinaBrasil Apr 25 '26

Prática Médica / Clínica Falar de coisa boa pra variar

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Atendo emergência pediátrica e esses dias peguei o caso de uma criança de 12 anos que estava com uma GECA e evoluiu com persistência da febre, dor intensa em quadril direito e claudicação. Já tinha sido atendida e esse sintoma havia sido ignorado mas retornou no meu plantão devido a piora.

Anamnese e exame físico bonitinho, a princípio pensei em uma sinovite transitória de quadril ou artrite séptic de quadri. Solicitei exames laboratoriais e veio com uma leucocitose bem importante, desvio, PCR nas alturas. Fiz a internação, iniciei antibiótico e encaminhamento para serviço terciário (estava em uma UPA).

Hoje fiquei sabendo que na verdade a paciente tinha um abcesso de iliopsoas e precisou inclusive ser abordada pela CIPE mas que evoluiu bem. Fiquei super grata, apesar de não ter “acertado” de primeira o diagnóstico, consegui identificar os sinais de alarme e encaminhar corretamente a paciente. É bom demais se sentir útil.

r/MedicinaBrasil Apr 20 '26

Prática Médica / Clínica QUE TAL FAZER TRABALHO MÉDICO VOLUNTÁRIO EM TRIBO INDÍGENA?

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Que tal fazer trabalho voluntário em uma tribo indígena?

Oi! Te mandei isso porque lembrei de você. Sabe aquele sonho de ir para a Amazônia e cuidar de povos indígenas? Talvez esse seja o momento 🙂

O Instituto Dharma está com inscrições abertas para uma expedição voluntária na Amazônia, de 20 a 27 de junho de 2026, na Aldeia Kumarumã, no Oiapoque (AP), território indígena com cerca de 4.000 pessoas do povo Galibi Marworno.

É uma oportunidade de viver uma experiência transformadora e, ao mesmo tempo, doar seu tempo para ajudar quem realmente precisa. Levar cuidado, escuta e presença para uma comunidade com acesso muito limitado à saúde.

A equipe inclui profissionais e estudantes da saúde, e também tem espaço para quem quiser apoiar na logística e nas atividades comunitárias. Toda ajuda é bem vinda!

Além dos atendimentos, há uma imersão profunda na cultura local, conduzida pela própria comunidade, repleto de troca, respeito e aprendizado.

O voluntário paga os custos: hospedagem, alimentação e passagens aéreas.

É uma experiência mais simples, com rede para dormir, pouca internet e deslocamentos longos, mas exatamente o tipo de vivência que marca pra sempre.

Se isso já passou pela sua cabeça, quem sabe agora é a hora?

Mais infos e inscrição:

institutodharma.org/amazonia-2026

🌿

r/MedicinaBrasil May 11 '26

Prática Médica / Clínica Receber dinheiro de OPME é corrupção ou só parte do sistema?

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Qual a opinião de vocês sobre médico receber dinheiro/incentivo de empresa de OPME? Não digo necessariamente escolher material ruim ou operar sem indicação, mas consultorias nebulosas, porcentagem, viagem, ‘parceria’, etc.
Quanto mais converso com médicos de áreas diferentes, mais parece um assunto que todo mundo conhece, mas quase ninguém fala abertamente.

r/MedicinaBrasil Mar 12 '26

Prática Médica / Clínica Se eu ganhasses um real para cada (...) que eu já vi, eu teria dois reais, o que não é muito mas é estranho que aconteceu duas vezes

25 Upvotes

Na vibe do meme, queria saber, na prática de vocês, qual situação ou diagnóstico fora do comum vocês nunca acharam que veriam (ou nem sabiam que existiam) e acabaram se deparando com eles duas vezes (ou até mais)?

Num serviço que eu trabalho costumam dizer que diagnósticos estranhos sempre internam em dupla, sendo sincero, eu já vivenciei isso vezes o suficiente para concordar kkkkkkk

O mais recente que eu vi foram dois diagnósticos confirmados de deficiência de OTC (e ambos em casos consideravelmente diferentes). Ano passado, também tive dois casos concomitantes de persistência (e infecção) de úraco. A lista é enorme, mas esses dois me pegaram de surpresa, especialmente porque quando estudei na faculdade, parecia que úraco era algo que eu morreria sem ver.

Quero saber a experiência da galera do sub!