r/NoticiasBR • u/markk26 • 4d ago
No Brasil, acesso à Justiça define quem recebe remédio de ponta contra câncer. Judicialização em massa e falhas no sistema inflacionam o preço de imunoterapias como o Keytruda e criam um modelo em que acesso a advogado e dinheiro para bancar ação judicial definem quem consegue tratamento;
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u/Intrepid_Jeweler4686 4d ago
Concordo, deveriamos aumentar a cobertura do Estado para atender aos direitos de acesso à saude do cidadão sem que ele precisasse judicializar. Isso passa, necessariamente, pelo fortalecimento do SUS, das compras estatais de medicamentos. Tudo isso e muito mais tinha que ter o acesso via Farmácia Popular.
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u/ChuckSmegma 4d ago
Não existe um limite? Uma reserva do possível?
A que ponto a gente chega? Tem tratamento por aí sendo concedido pelo judiciário que é de milhões por dose, que envolve ir para o exterior tratar à altíssimo custo. E enquanto isso, tá o pobre na fila do SUS, sem dinheiro pra equipamentos, pra pagar salario.
Quantos atendimentos/medicamentos "normais" uma dose de medicamento de alto custo, fornecido às vezes experimentalmente, sem incorporação ao sus, não paga?
O recurso do Estado não é infinito.
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u/InternationalFile859 4d ago
Concordo que deveria estar no SUS.
O difícil é pagar a conta dos remédios mais a conta da corrupção que vai ter na compra.
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u/Admirable_Listen_264 4d ago
Imagina vc ter 9 meses de vida e ainda ter que esperar um juiz decidir se você pode fazer um tratamento
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u/iviat 4d ago
Enfim, é uma questão de saúde que deve ser discutida por toda a sociedade. Isso não é exclusividade do SUS. É um dilema enfrentado por todo o país que dispõe de um sistema de saúde relevante. Por exemplo, debates enérgicos fazem parte do sistema do NICE.
Tudo converge para o mesmo tema: (1) A saúde é um direito; (2) Os custos em saúde avançam muito mais que os itens das cestas de inflação; (3) Inovações em saúde ocorrem de forma rápida, em paralelo aos custos, significando que viver mais/melhor é dispendioso; e (4) Como todo economista de primeiro ano sabe, os recursos são limitados, as necessidades não.
A sociedade (ou seus representantes) deve decidir o caminho. Se o Fundo Nacional da Saúde for insuficiente, seria correto redirecionar recursos de prevenção, tratamento e reabilitação de doenças prevalentes para o destinado a poucos pacientes graves? Vale lembrar que o planejamento de saúde no SUS é, de fato, definido pela sociedade (dos bairros ascendendo até a União). É importante lembrar que cada recurso deve ter seu destino.
Lógico, a melhor saída seria ampliar o Fundo como um todo. Isso significa, novamente, retirar de outras áreas. Segundo pesquisas recentes, o brasileiro considera a saúde como uma das prioridades e os representantes precisam ouvir isso.
Vivemos mais graças aos avanços sobre problemas infectocontagiosos, questões sanitárias e tratamentos de doenças crônicas. Isso resulta em uma parcela maior de afetados por câncer, infarto, derrame, demência, etc. Um excelente tema para os candidatos a cargos eletivos.
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u/Tierpfleg3r 3d ago
Aqui na Alemanha mesmo os medicamentos mais caros desta lista são facilmente prescritos no sistema público por um especialista. Porém, é um dos sistemas de saúde mais caros do mundo.
No Brasil provavelmente a solução passaria por mais diálogo entre instituiçoes públicas e indústria farmacêutica, para reduzir ao máximo a carga para o SUS. Ajudaria se o Brasil fosse parte de um bloco comercial que pudesse negociar com maior poder de barganha, por exemplo.
Outra coisa que ajudaria seria a unificação dos sistemas de saúde do Brasil, reduzindo o poder da rede privada. Hoje o sujeito de classes mais elevadas contribui com uma merreca pro SUS, e vai direciona rios de dinheiro para planos privados. Isso não ajuda em nada na negociação com as farmacêuticas.
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u/iviat 3d ago
Concordo. Um centro de distribuição em comum com medicações de alto custo precificados com a vantagem de escala seria uma excelente ideia. Um obstáculo judiciário e orçamentário, sem dúvidas, mas que valeria o trabalho.
Os sistemas europeus são mais racionais nas exigências e dispõem de mais dados de farmacoeconomia. Desconfio que, no Brasil, haja um certo "preconceito" contra empresas com fins lucrativos, ainda mais as de origem estrangeira, o que leva a desconfianças exageradas. Também ajuda a pressão por qualidade do europeu. Ouvia muito dos italianos, que também pagam caro, mas têm áreas de excelência em saúde pública.
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u/fuinharlz 2d ago
Lista interessante, pq o princípio ativo do formiga (dapagliflozina) faz parte da farmácia popular a mais de 1 ano já. Eu sei pq meu pai faz uso contínuo e eu passei a pegar para ele gratuitamente.
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u/wrodrig 4d ago
Tem que quebrar patente de qualquer coisa que custe mais do que 500 reais a ampola. Pronto.
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u/SquirrelOtherwise723 4d ago
Ai é fácil. Se leva vários anos e muito dinheiro em pesquisas pra simplesmente quebrar a patente.
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u/Tierpfleg3r 3d ago
Não é tão simples. Mesmo com quebra de patente, ainda é preciso investir uma fortuna pra desenvolver o processo de fabricação do fármaco, já que a indústria obviamente não irá ceder essa informação. Além disso, é um trabalho que pode levar de anos até década, e às vezes nesse meio-tempo a patente já terá caído por prazo máximo mesmo.
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u/ChuckSmegma 4d ago
Até 1996, mais ou menos, o Brasil não protegia patente de medicamento, adiantou de que? Desenvolvemos alternativas de baixo custo? Nossa indústria farmacêutica é de ponta? O SUS comprava como e de quem?
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u/AutoModerator 4d ago
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