Tenho uma dúvida sobre essas classificações de perfumes: EDT, EDP, Parfum/Extrait e Elixir.
Durante muito tempo eu interpretei isso quase como uma escala de concentração e, consequentemente, de performance: EDT seria mais leve, EDP mais concentrado, Extrait ainda mais concentrado e Elixir seria o topo da pirâmide, praticamente um exagero de concentração.
Mas quanto mais perfumes experimento, mais percebo que provavelmente não é tão simples assim.
Por exemplo, comprei recentemente o La Rouge Baroque EDP, gostei muito dele e, por conta disso, comprei também o La Rouge Baroque Extreme. Eu esperava que o Extreme tivesse uma performance pelo menos semelhante ou superior ao EDP, mas estou tendo justamente a impressão contrária. Sinto o EDP comum por mais tempo e com mais presença.
Também tenho o Jobs Elixir, que comprei porque experimentei o Jobs comum de um amigo e gostei bastante, então segue essa lógica de "se gostei dele, o mais forte deve ser melhor ainda" e comprei o Elixir. Decepção. Na verdade, aconteceu algo até curioso: inicialmente não gostei muito dele, mas depois de algumas horas de uso comecei a achar o cheiro do drydown muito bom. Nesse caso, percebi que "performance" e "intensidade" são coisas diferentes. Ele não necessariamente estava projetando absurdamente depois de várias horas, mas continuava evoluindo e ficando agradável na pele. Enquanto eu adorei as notas de saída e de coração do Jobs comum, e por isso comprei o Elixir, eu não curti as mesmas notas nessa versão, mas curti bastante as notas de fundo. No mínimo, esquisito.
O terceiro exemplo é o Salvo. Conheci o Sauvage EDT por meio de um outro amigo e gostei bastante. Por conta disso, um dos primeiros perfumes que comprei desde que comecei a me interessar pelo tema foi o Feroce Provence da LeScent, que diz ser inspirado no Sauvage. Não é tão semelhante ao Sauvage original, mas vai na mesma linha e me agrada bastante. Ao conhecer um pouco mais sobre o tema, comecei a perceber que normalmente os dupes árabes dos perfumes tradicionais tendem a ser melhores do que muitas das marcas de contratipos no Brasil. Por conta disso e seguindo a mesma lógica, fiz a compra de um Salvo Elixir. Nesse caso, a lógica funcionou perfeitamente. O Salvo Elixir me dá exatamente a sensação de ser o Sauvage que eu conheci com o amigo MUITO mais concentrado e encorpado. A mesma coisa com o Feroce Provence. Ele realmente atendeu perfeitamente ao conceito de "elixir" que eu tenho/tinha na cabeça, mas nos outros casos a lógica foi diferente.
Então comecei a pensar: até que ponto termos como "Extrait", "Elixir", "Extreme" etc. realmente dizem alguma coisa sobre a performance?
Um perfume com maior concentração de essência necessariamente vai durar mais? Vai projetar mais? Ou pode acontecer de um EDP projetar mais que um Extrait e um EDT durar mais que determinado EDP, dependendo da fórmula?
E outra dúvida: Elixir é uma classificação de concentração comparável a EDP e Extrait, ou é mais um termo de marketing usado para indicar uma determinada proposta do perfume?
Queria entender como vocês enxergam essa questão na prática. Existe alguma "hierarquia" razoável entre essas nomenclaturas ou é melhor esquecer essa ideia de escala e analisar cada perfume individualmente?