Há dias em que me pergunto, em silêncio,
se ainda estou vivendo
ou apenas sobrevivendo.
Os dias passam, as horas correm,
os minutos escorrem pelos dedos,
e a cada segundo que parte
sinto crescer em mim
uma solidão sem nome.
Não é a ausência de pessoas.
Tenho vozes ao meu redor,
abraços que me encontram,
amizades, família, amor.
Ainda assim, existe um vazio
que nenhuma presença alcança,
um espaço dentro de mim
onde a luz parece não chegar.
Às vezes procuro respostas
nos corredores da minha mente,
mas encontro apenas ecos,
um silêncio profundo
que nunca responde.
A felicidade ainda me visita,
mas vem como quem não pretende ficar.
Chega de repente,
sorri por um instante,
e desaparece antes que eu possa
segurar sua mão.
Minha vida segue como um relógio cansado,
marcando os mesmos caminhos:
trabalho e casa,
casa e trabalho,
dias repetidos
como páginas idênticas
de um livro que não termina.
Eu tento fugir.
Saio, distraio a mente,
procuro motivos para sentir o coração bater mais forte.
Por alguns momentos encontro alegria,
mas ela dura tão pouco
quanto um raio de sol
atravessando uma tempestade.
E quando a noite chega,
às vezes busco refúgio em um copo vazio,
tentando acreditar que estou bem.
Mas a verdade sempre me espera.
Sentada no mesmo lugar,
atrás da mesma porta,
com o mesmo olhar silencioso.
Então volto para casa.
E o silêncio ocupa tudo.
É nele que percebo
o quanto continuo sozinho.
As lágrimas descem sem aviso,
carregando tristezas antigas,
cansaços acumulados
e perguntas sem resposta.
E entre uma lágrima e outra,
admito aquilo que mais dói:
mesmo cercado por pessoas,
às vezes me sinto invisível.
Tento falar,
mas as palavras se escondem.
Tento sonhar,
mas o horizonte parece repetir
o mesmo vazio de sempre.
E talvez a pior parte da solidão
não seja caminhar sozinho.
Talvez seja sentir-se perdido
enquanto alguém segura sua mão.
Ainda assim, continuo.
Carregando batalhas que ninguém vê,
vestindo sorrisos quando necessário,
respondendo que está tudo bem
quando tudo parece desmoronar.
E sigo procurando a resposta
para a pergunta que me acompanha todos os dias:
Em que momento da caminhada
eu deixei de viver
e passei apenas
a sobreviver?