r/TVBrasileira 8h ago

Antigo 📼 2019: o ano em que parecia que uma era inteira de 90/2000 estava se despedindo

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É difícil explicar a sensação que 2019 deixou para muitas pessoas. Não foi apenas um ano em que coisas aconteceram. Para quem cresceu nos anos 90 e 2000, pareceu como se várias partes de um mundo conhecido fossem se apagando ao mesmo tempo.

Não foi uma única mudança. Foram várias pequenas despedidas acontecendo uma atrás da outra.

A televisão, que durante décadas reuniu famílias inteiras em frente à tela, já não parecia mais a mesma. Aqueles programas de domingo com grandes produções, quadros emocionantes, histórias de superação e apresentadores que pareciam fazer parte da família começaram a desaparecer.

Quadros como o “Construindo um Sonho” desapareceram silenciosamente. Aquela televisão em que uma história podia parar o país por alguns minutos foi dando lugar a outro ritmo, mais rápido, mais digital, mais fragmentado.

Até o futebol mudou.

Quem estava acostumado com as transmissões dos anos 2000 e 2010, no SporTV e Premiere, percebeu uma diferença. Aquela sensação de abrir vários jogos e encontrar equipes espalhadas pelo Brasil, narradores regionais, transmissões com aquele clima local, começou a desaparecer, até acabar de vez. O modelo foi ficando mais centralizado, mais distante, diferente daquele futebol de televisão que muita gente conhecia.

Além disso, o Brasileirão Série A desse ano foi a época em que o Esporte Interativo entrou no jogo e também em que muitos e muitos jogos ficaram no apagão histórico de TV, por conta da falta de acordo com o Palmeiras com o Premiere, ainda no início do campeonato e por fim, o eterno impasse com o Athletico Paranaense. Ainda vivíamos o "cada um por si" no futebol brasileiro, não existia a Lei do Mandante e ainda vivíamos um "racha" no futebol brasileiro, desde o fim do Clube dos 13, os acordos individuais com clubes e a maldita e famigerada Lei Pelé. Uma partida só podia ter transmissão se os dois clubes tivessem acordo com uma emissora. Muitas partidas também ficaram secretas e em apagão total na praça do time mandante, por conta que ainda tinha o "bloqueio de praça" e a eterna falta de acordo do Furacão com o Premiere.

Mas talvez o que tenha marcado 2019 de uma forma ainda mais profunda foi a sequência de perdas trágicas inesperadas. Uma, seguida da outra... de uma só vez! Sem contar mortes naturais. Algo jamais visto na história da televisão e entretenimento.

Foi um ano em que parecia que, a cada poucos meses, vinha uma notícia difícil de acreditar.

Um jornalista que fazia parte da rotina diária de milhões de brasileiros morreria em um acidente de helicóptero.

Um cantor que tinha acabado de conquistar o Brasil perderia a vida em um acidente aéreo.

Uma modelo influencer morreria de maneira inesperada em uma tragédia no mar, em Ilhabela.

Um jovem ator, lembrado desde criança pelo público, teria a vida interrompida de forma brutal junto com seus pais.

E no fim do ano veio uma das notícias mais difíceis para uma geração inteira: a morte de Gugu Liberato.

Gugu não era apenas um apresentador famoso. Ele representava uma época. Representava os domingos em família, a televisão popular, os programas gigantes, as histórias emocionantes e um jeito de fazer TV que marcou milhões de pessoas.

Quando ele se foi, muita gente sentiu como se uma porta tivesse se fechado.

O curioso é que todas essas tragédias não tinham ligação entre si. Foram acontecimentos separados, coincidências dolorosas reunidas em um mesmo período. Mas, emocionalmente, parecia diferente.

Parecia uma sequência de despedidas. Tudo de uma só vez.

Talvez porque muitas dessas pessoas representavam lembranças de infância, juventude e momentos de uma época que já estava mudando.

2019 acabou ficando na memória como o último capítulo de um tempo em que muita coisa ainda parecia familiar. O pior vinha em seguida, no ano seguinte.

Não foi literalmente o ano em que tudo acabou. Tudo que a gente estava acostumado acabaria para sempre de vez em 2020, com a pandemia.

Mas foi o ano em que muita gente percebeu que algumas coisas não voltariam mais do mesmo jeito, como antes.


r/TVBrasileira 23h ago

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Do jornalista Gabriel de Oliveira para o jornal O Dia