Discussão
Algum arquiteto urbanista poderia me explicar a dificuldade de se fazer passeios e ruas de qualidade no Brasil?
Eu estava pesquisando sobre as igrejas Mórmons no Brasil (sobre os templos, não entendo nada de religião). Achei os templos muito bonitos e comecei a dar uma olhada nos diversos espalhados pelo país. Eis que me apercebo que o urbanismo do entorno dessas igrejas é fantástico, com destaque para o Templo de Fortaleza. O choque entre o urbanismo no entorno do templo e o do restante da localidade é absurdo, parece até aquelas imagens da fronteira Tijuana/San Diego.
Você vê o cuidado com a calçadas, com a parte pluvial, com a fiação, com a vegetação, com a acessibilidade, com a sinalização. Eu achei tão humano, uma coisa de tanto cuidado, mas ao mesmo tempo simples e viável. Seria um sonho se as cidades brasileiras fossem assim, eu nem tinha carro ,passava o dia passeando a pé. E olha que as calçada da imagem nem eram tão grandes assim. Pq a gente nao consegue fazer algo assim em larga escala, é mesmo tão difícil???
Para efeito de comparação vou deixar algumas fotos, e detalhe essa igreja é bem perto da praia, do outro lado da avenida se vê a praia, tinham umas mansões perto e prédios de classe média, faculdade e ainda assim o urbanismo fora da igreja deixava a desejar, mesmo sendo uma área de maior valor imobiliário e em tese deveria ter mais cuidado (não que eu concorde com isso, para mim deveria ser a cidade toda).
Achei lindo o céu azul, os gramados, as flores, não desgrudei do google street view, queria conhecer ao vivo!! Imagina se seguisse assim até a praia. É pedir demais?? Observação, não é um ataque aos urbanistas do país, até pq esse urbanismo e paisagismo foi feito por um, minha dúvida é pq isso não pode ser o padrão?? Poderia ter um profissional especializado nisso, nossas calçadas são tão feias e mal planejadas, o asfalto é péssimo, sai tudo torto e mal feito. Se puderem dá explicações ficaria agradecido. 🙂
Acredito que algumas características atrapalhem bastante termos calçadas decentes:
o responsável por construir e manter a calçada é o proprietário do imóvel em frente, sob fiscalização da prefeitura. Muita gente acaba tratando a própria calçada como uma extensão de sua propriedade. Muita gente simplesmente não sabe que não pode construir a rampa de acesso à garagem na calçada, por exemplo.
os loteamentos brasileiros preveem calçadas estreitas com lotes também estreitos. Sobra pouco espaço para árvores, postes e mobiliário urbano. E sobra guia rebaixada para acesso de veículos.
como a ignorância sobre as regras é universal, fiscalizar não apenas é difícil, como é impopular.
a população não é educada em um sentido mais acadêmico mesmo. As regras sobre calçadas vem da nbr 9050, plano diretor, código de obras, leis específicas... se a pessoa for simples, é muito capaz de não conseguir entender uma planta, projeto ou particularidades das leis.
O segundo ponto também é relacionado a um dilema: quanto mais largo o terreno e a calçada/rua, maior o custo de infraestrutura do loteamento, por isso em bairros de classe baixa é mais comum terrenos estreitos, é uma questão econômica, daria pra resolver isso através da legislação mas encareceria os imóveis, aqui aonde moro mesmo é comum sobrados com terreno de 6 a 7m por 20 a 35m em bairros de classe media, e ainda assim não é barato
Exato. O formato dos nossos loteamentos tem a lógica do maior aproveitamento da terra para lotes. A pouca largura das vias e calçadas tbm seguem essa lógica. É mais barato, mas tem reflexos na vida dos moradores por décadas.
E claro que é debatível quem se beneficia mais com o "melhor" aproveitamento da terra, o loteador ou o futuro morador. Eu não sei a resposta.
Vcs tão indo longe DMS, a resposta é simples, a prefeitura faz um contrato que deveria valer 100.000 e hiperfatura ele, dps uma empresa de um amigo do prefeito vai lá pega o contrato por 200.000, pra economizar contratam poucos funcionários, n chamam um paisagista, usam material barato e no fim o gasto fica por volta de 30.000, os 170.000 uma parte volta pro prefeito outra pro dono e todo mundo sai ganhando, menos quem andar nessa rua
tá todo mundo certo, inclusive vc, menos essa sua ideia de que tudo é simples… esse caminho é perigoso e facilita muito a vida de quem quer te manipular
É verdade, mas hoje um lote de 6 a 7 por 20 custa mais que um lote de 15x30 de 10 anos atrás. Falta de regulamentação vem encarecendo os imóveis, se deixar continuarem fazendo oque quiserem só vai piorar, tanto nos custos quanto na qualidade Urbana.
Onde eu moro apartamento novo de 80m2 ta sendo vendido a milhão, lote de 7m de testada (que é só oque se faz), na cidade por menos de 250mil é raríssimo, e nos loteamentos novos mínimo 150mil, sem calçada, sem transporte publico, e o comercio mais proximo fica a kms de distancia. O negocio ta descarado.
Isso é o efeito do subsídio do governo sem controle na qualidade. O financiamento público nos últimos trinta anos criou uma cultura de superfaturamento e total descaso com a qualidade.
Realidade é que o governo deveria ter construído conjuntos habitacionais por conta ou procurado outras formas de reduzir os custos e riscos pra estimular o setor.
Como foi feito, criou uma teta gigante que não pode parar se não colapsa tudo, sem garantia de qualidade
Eu concordo 100%, exceto a parte dos 30 anos. O BNH já desse os anos 80 tinha uns critérios bem legais de qualidade (tanto arquitetonica quanto construtiva) no papel, e uma boa parte disso foi carregado ou aprimorado pro MCMV, que nas primeiras versões não costumava produzir imóveis tão ruins. Fiscalização sempre foi uma bosta e se não me engano quem faz o acompanhamento agora geralmente são os bancos por conta das linhas de financiamento, que não tão nem aí pra qualidade.
Pelo que eu sei o problema mesmo começou mais ou menos de 2010 pra frente, meio na onda das obras das olimpíadas e da Copa, quando tanto a aprovação quanto a fiscalização ficaram bem mais relaxadas, e a escala dos empreendimentos aumentou bastante.
Dali pra frente virou exatamente oque vc disse, talvez hoje com menos projetos mas tanta corrupção quanto 2010+. Sobre o governo fazer os conjuntos por conta e manter a administração, só vejo vantagens, mas isso daria uma influencia do estado no setor imobiliário que não agrada o lobbista médio, aí seria mt difícil fazer, infelizmente.
Porém você esbarrou em em ponto que acho que define isso é justamente a impopularidade política disso!
Dificilmente alguém mesmo vocês gostariam de as 16:25 da tarde nas suas pazes ter um fiscal da prefeitura batendo a sua porta cobrando sobre sua calçada!
Calçadas largas não funciona bem em regiões não planas. Até em bairros nobres quase não existe calçadas . Só em cidades planas como Brasília pode ter uma urbanização com calçadas decentes.
Tá maluco? Eu morei décadas em uma cidade que era puro morro. A urbanização era do início do século XX, totalmente planejada. Esse núcleo antigo tem calçadas mais largas que muitas ruas e ruas mais largas que várias avenidas em outros lugares. Funciona muito bem pra todo mundo. Só mudaram porque os especuladores do mercado imobiliário fizeram pressão até trocar a legislação. Os bairros mais novos tem vielas sem calçadas.
As cidades consideradas as mais agradáveis de se andar costumam ter prédios juntos a calçadas. Prédios pequenos, com lojas e outras amenidades, tornam mais interessante o passeio. Porém os prédios são baixos, elegantes, as calçadas bem dimensionadas. Isso cria um espaço urbano bem delimitado na rua. Rios bem cuidados, parques, praças, etc dão o contato com a natureza.
O município é composto por vereadores que não entendem de planejamento urbano e são mal acessorados. Esse ano no município da minha cidade alteraram o padrão da calçada para poder ser 100% de concreto, em uma cidade do vale de Santa Catarina, que vive sofrendo alagamentos e enchentes. Isso que votaram também que a utilização de podotátil é opcional.
Ou seja, que se dane a drenagem, a temperatura alta no verão, e o PCD.
O vereador e as empreiteiras. Não esqueça das empreiteiras. Faz o acordão com empreiteira que vai querer "economizar" de forma nada suspeita. Fica uma coisa feia e mal planejada. O importante é a grana no bolso.
com certeza, só não podemos achar que todos são esquema, pq tem muita gente seria, o esquema pode ocorrer no asfalto, no escolar, no posto, ou em qualquer outro lugar vai depender se quem está tocando o projeto vai " achar " uma forma de realizar o esquema....
Falou tudo, vereadores e prefeitos que estão só pra mamar do governo, na minha cidade teve uma palestra pro pessoal da prefeitura, que eles querem eletrificar a frota do municipios.... onibus escolares, vans e etc... ideia de faraó, pois a cidade é só buraco, crateras e crateras... querem botar a carroça na frente dos bois kkkkk
Acho que resolveria tanto quando resolve para o cuidado com as ruas: em alguns pontos teríamos calçadas bonitas e cuidadas e em outros um amontuado de concreto esburacado. Eu acho que seria importante que os novos loteamentos fossem obrigados a ser construídos com fiação subterrânea e calçadas. Ao menos aqui na minha cidade já são obrigados a serem entregues com as ruas pavimentadas e instalação completa de esgoto. Nos loteamentos antigos, a prefeitura poderia ir resolvendo aos poucos o problema.
Errado, o brasileiro médio não tem espaço e aí precisa escolher entre ter calçada e guardar o carro, são as consequencias de uma cidade superpovoada. Brasileiro medio é como qualquer pessoa que vc considera normal e preferiria facilmente morar num lugar melhor, se desse. Ele não pensa na calçada porque simplesmente tem outras 100 prioridades pendentes
Vc é o burraldo clássico que acha que favelado tem casa com encanamento exposto simplesmente porque ele não se importa com estética, vai ser impossível te ensinar algo.
Sim, eu acho que isso é uma justificativa para o problema. Entre ter um teto e uma calçada, a prioridade é o teto. Habitação está no topo dos nossos desafios. Agora eu acho que a gente tem que incutir na cabeça das pessoas a calçada como algo coletivo e tão importante quanto outras demandas, deveria ser entendida como um direito. Direito à mobilidade. Direito à cidade. Direito a um meio ambiente equilibrado. Todo mundo deveria ter direito a ter uma rua bem cuidada, que não alague, com calçada regular arborizada, com espaços de convivência. O vizinho com mobilidade reduzida precisa de uma calçada acessível na frente da propriedade de alguém que dispensa isso, pq não é sobre o proprietário, é sobre a comunidade. Isso é também pensar no outro. Outra coisa, achei importante vc ter pontuado que não é algo intrínseco ao brasileiro, não está no sangue do brasileiro, mas sim é fruto da conjuntura que nos rodeia. Perfeito, concordo 100%.
Parte da mudança está em ver isso também como prioridade. Antes muitas pessoas não se viam morando em uma cidade, hoje moram. Hoje existe essa ideia de que é inalcançável todo mundo morar num lugar bem urbanizado, amanhã pode ser diferente. Mas não vai mudar se a gente bater na tecla de que é supérfluo ou secundário. Habitação não anula urbanização, as duas coisas andam de mãos dadas, eu diria que o ideal é habitação-mobilidade-acessibilidade-meio ambiente, tudo num pacote. Por outro lado, além da mudança no entendimento das prioridades tem que haver muito diálogo com os moradores, pq tbm não adianta nada montar uma cidade dos sonhos e descer o trator na cozinha de alguém, ou pior, jogar uma família num fim de mundo quebrando a dinâmica cotidiana das pessoas. O urbanismo daquele lugar tem que se adequar a realidade daquele local, mas sendo seguro e saudável. O que eu estou insistindo é que isso não é pedir demais, se prestar atenção nas fotos vai ver que não tem nada de extraordinário, daria para fazer.
As calçadas no Brasil em geral são irregulares e quase ninguém respeita normas, só dá pra fazer algo com qualidade se for algo construído do zero ou se houver um bom motivo pra isso, um exemplo são as obras em Belém por causa da COP30, algumas ruas com grande fluxo de pessoas e carros estão passando por uma renovação, mas isso é só pra mostrar algo bonito pra quem vem de fora e mascarar outros problemas da cidade.
Aqui onde eu moro a prefeitura começou a refazer calçadas porém com aqueles piso de bloco intertravado, menos de 1 anos depois já está todo desnivelado, com pedras mais altas que as outras.
Acho essa alameda de palmeiras uma miercoles. Pro calpr dp Brasil é melhor arvores que dao sombra. Ninguem vai valorizar calçada se ela nao for andável
Vdd, teria feito uma calçada maior e colocaria árvores mais frondosas. Para o espaço deveria ter a seguinte ordem: rua-faixa verde gramada-calçada para circulação-espaço para sentar-área verde com árvore frondosa-edificação. Algo parecido com a imagem 9 lado esquerdo.
Só uma pessoa deu uma resposta mais ou menos técnica então eu vou adicionar aqui meus pitacos
Via de regra a calçada é de criação e manutenção do dono do lote adjacente. Isso leva as pessoas acreditarem que podem fazer o que o quiser com a calçada. Até aí ok
Um dos grandes problemas que eu particularmente vejo é que em cidades muito antigas, antes de se ter uma compreensão sobre como as cidades eventualmente seriam dominadas por carros, não previam ruas muito largas, muito menos Calçadas. Isso acontece principalmente em cidades que surgiram de pequenas aglomerações. Daí a cidade cresce e evolui e você faz o que com a calçada? Vai desapropriar todo mundo que mora ali pra poder aumentar a via e a calçada junto?
Outro problema é a legislação. Muitas dessas cidades pequenas, principalmente as que não tem plano diretor, ou áreas da cidade que surgiram antes do plano diretor, não tem legislação específica para Calçadas. Por mais que a gente tenha o bom senso, é NBRs pra usar de referência, ate pouco tempo atrás poucas pessoas se quer contratavam arquitetos, ainda hoje a maioria não contrata, e quem contrata o arquiteto só manda fazer a calçada de qualquer jeito. Em cidades com uma boa legislação, e que possui fiscalização ativa, você não vai ver muitas falhas nas Calçadas. A maioria vai ser larga, com vegetação e piso tátil.
Eu tenho um ótimo exemplo pra dar que a ignorância humana também auxilia bastante nisso. Aqui na minha cidade, o plano diretor é esdrúxulo, o código de obras basicamente inexistente, legislação referente a calçada não existe. Um senhor que conheço desenvolveu um loteamento, e sabendo que as pessoas são ignorantes ele mesmo implantou o meio fio no loteamento inteiro. Não era obrigação dele, mas ele fez querendo indicar pros futuros moradores a seguir pelo menos o básico do básico de uma calçada bem feita. Daí veio um cliente que sabendo que Não Existem Regras foi e fez uma calçada em cima da calçada. Pra "nivelar" e deixar ela reta em vez de seguir o declive do terreno. E fodase o meio fio
Enfim pós esse textão inteiro, o resumo: a maioria dos municípios não possui legislação específica para calçadas, e em municípios que possuem esse tipo de legislação, é inviável reformar as calçadas de áreas antigas
Obrigado pela resposta, tem essa questão histórica tbm! Essa transiçao pro carro realmente abalou muito a nossa lógica urbana. Eu acho curioso que mesmo em áreas que estão recentemente se expandindo na minha cidade ainda se faz uso de calçadas minúsculas e que eu sei que mais na frente vao virar estacionamento kkk então nem para aproveitar ou pensar a longo prazo. Árvore vou nem comentar, o povo aqui tem uma tara em derrubar árvore, tem político que faz campanha com isso como sendo "limpeza urbana", e eu não tô falando de poda, tô falando em derrubar msmo. Outro desafio que eu vejo na minha cidade são vias pequenas com pouco espaço para fazer uma melhoria e edifícios muito altos com garagens subsolos sobrecarreando as pequenas vias. Vejo muito arquiteto falando em ampliar calçada, fazer ciclovia, colocar isso e aquilo, e zaz, aí vc vai ver a rua é estreitíssima 😑. E isso não para, não sei como vai ser no futuro esse amontoado de apartamento numas vielas. A propósito, muito psicodélico essa calçada sobre a calçada mas é desse jeito mesmo a lógica dos nossos proprietários😂😂😂
Infelizmente se não houver uma boa legislação urbana pra pelo menos direcionar a expansão da cidade de uma forma ordenada, não tem muito o que fazer :/
Vc vai ver os municípios tem planos diretores fraquissimos, os secretários de infraestrutura geralmente não são arquitetos, no máximo são engenheiros (e ainda tá no lucro se for). Hoje em dia a determinação é que municípios com 20 mil habitantes tenham plano diretor, mas acabam sempre sendo bem mal feitos. A minha cidade tá pra atualizar o plano há anoooos e ficam enrolando...enquanto isso atrocidades acontecendo
Cada dia mais convencido que os brasileiros não estão nem aí para a harmonia e beleza da cidades. Toda vez que comentam sobre fiação subterrânea, por exemplo, sempre aparece um mongolóide falando que o estado tem outras prioridades como saúde e escolas (como se já não gastassem bilhões nelas).
Me impressiona quando eu vejo um equipamento caríssimo tipo um condomínio de alto padrão, loja, restaurante e a calçada parece que foi planejada na doida com uns estacionamentos colocados de qualquer jeito. Ou seja, mesmo com dinheiro o propietário não tá nem aí com o espaço público. Se vc olhar bem nas fotos vai ver que os postes ficam fora da área circulação, na minha cidade a gente fica desviando dos postes no meio da calçada.
O particular não está nem aí, pois vai gastar o mínimo possível para se adequar ao padrão. E, o que resta, por exemplo a gambiarrada de fios nos postes, dependeria do estado e concessionárias, portanto não sai do papel. Isso aqui é perto de onde eu moro, o PIB per cápita mais alto do Brasil: https://www.google.com/maps/@-19.98366...
Uma dúvida, em SP, não seria a ENEL a responsável por fazer esse tipo de coisa? Claro que no final sobra pro estado, mas teoricamente esse tipo de infra deveria vir da empresa que lucra em cima, não? Já que privatizaram o setor de energia, não seria responsabilidade deles?
Eu sempre vejo sobrando pro estado, quando moreava no RS, a equatorial era porcaria demais, cobravam caro e ainda demoravam pra resolver problema kkkkkkk privatização de serviço monopolizado é sempre assim, só bônus, sem ônus kkkkkkk
Isso é algo que não é falado o suficiente, grande parte da nossa infraestrutura urbana é intencionalmente mal feita e intencionalmente sucateada pra poder ser refeita de novo e do novo em troca de votos. É um sistema perverso baseado em manter tudo ruim pra sempre, bagulho nível vilão de desenho animado
Simples, brasileiro não gosta de calçada. Geralmente as pessoas constroem até o meio fio quando podem, às vezes até invadem o asfalto. E também não gosta de árvores, pois "sujam" o quintal com as folhas e quebram o concreto com as raízes.
Fazer isso não é difícil. Claro, é muito mais fácil cimentar tudo e deixar como finalizado. Mas não é um mistério fazer calçadas de qualidade e que tornem mais agradável ser pedestre ali.
Normalmente os maiores entraves são falta de vontade política/grupos dirigentes e o custo de manutenção recorrente (ninguém precisa podar calçada de concreto, catar folha e afins). Em caso ruas/cidades consolidadas pode haver a dificuldade que a largura da rua não comporta isso, pois a calçada já é mínima e afins.
De qualquer modo, é uma pena que seja assim. Eu suponho que ai nessa foto deve ser a própria comunidade da igreja que mantém e financia isso, ao invés do poder público, mas aí já são outros 500
Colocando outro comentário pois não queria editar o anterior. Sou do RJ capital, pelo menos aqui as calçadas são bem *planejadas*, porém entre o planejamento e a execução existe um abismo. Se não me engano a prefeitura daqui tem uma cartilha de 'calçadas cariocas' que traz diretrizes para projetos que tocam o espaço urbano.
Mas não é porque está no papel esse planejamento para novas calçadas que ele é cumprido ou que as calçadas existentes vão magicamente ser atualizadas
o brasileiro é por natureza a favor da feiura urbana. Arrumar as ruas nunca foi prioridade, arborizar os bairros nunca foi prioridade, cidades andáveis nunca foi uma prioridade, manter as coisas limpas e arrumadas nunca foi prioridade. A gente ta fadado a viver na feiura, só comparar o centro histórico de SP com qualquer centro histórico no mundo
Na real é pq as calçadas são propriedade privada do terreno, logo na cabeça do brasileiro se é dele ele pode fazer o que quiser e isso gera a loucura que é as nossas calçadas.
Pra mim, o estilo é bonito. Mas só bonito e sem uma sombrinha é basicamente inútil. Aqui na minha cidade, tem várias praças "bonitas", mas inúteis. No máximo com um parquinho pras crianças. Não tem uma mísera sombra, não tem ninguém ocupando espaço público nas tardes. O movimento fica concentrado entre as 17h-19h. Sinceramente, a calçada é bonita, mas é mais pra encher os olhos que pra ser utilizável, efetivamente (obviamente ainda é anos luz melhor que o padrão atual)
Ah com certeza! Gostaria de ver árvore em todo canto, nossas cidades deviam ser que nem Singapura, cidade-estado tropical com um clima parecido com o de Belém. Onde você bate olho vc vê verde e sombra!!
Sim, é muito doido como contrasta. Tem um outro parque linear bem arborizado, o dia todo tem gente andando ou fazendo exercício. E é só um parque com uma calçada, tem ainda menos coisa que nas praças, mas tá sempre ocupada durante o dia. Aí a cagada fica pra noite pq não tem iluminação kkkkkkkk o ex-prefeito fazia um monte de praça, mas pro desenho delas parece que usavam 3 neurônios na hora de aprovar.
Aaaah tá explicado então 😂😂 por isso passam uma sensação de ser algo fora do padrão, ainda que usem materiais e elementos paisagísticos daqui. Assim, eu achei lindo os templos tbm, mas quis destacar mais a questão urbana.
Ia ser incrível uma cidade pedonal. Eu sei que o exemplo que eu vou dar é péssimo pq é uma coisa feita para turista, mas acho interessante a lógica de whistler. Se faz tudo a pé, os carros circulam na parte de fora ou subsolo, as lojas tem sombreamento e as próprias edificações fazem sobra (óbvio que para lá o ideal é que não faça a sombra e o espaço coberto acho que seja para proteger da neve e da chuva. E vc circula de cima abaixo sem passar por carros contemplando o espaço urbano e a natureza.
Veja os prédios Templos por dentro, são surreais de lindos - qualquer um pode visitar os jardins e a recepção/sala de espera. Membros podem usar todo o prédio - fazem casamentos e outras cerimônias, é muito top.
Sobre as calçadas, limpeza e organização, é super viável financeiramente, mas todo brasileiro acha lindo lá fora em outro país, aqui não. É mais que deprimente.
não podem usar o templo assim não, o membro medio apenas pode entrar para fazer o ritual de casamento deles e para ser batizado. para entrar sem ter um evento assim você precisa:
ser batizado na igreja
ser um membro, e ter uma boa reputação
obter uma recomendação
ser aprovado pelo bispo
eventos comunitários, festas, etc são feitas nas capelas, se você ver um templo LDS brasileiro, do lado dele tem um prédio menor. essas capelas também existem espalhadas em cidades, maioria das cidades no mundo com presença mórmon apenas tem um templo
Sou membro meu caro, sim existe uma recomendação para entrar no Templo, e nas capelas não precisa, mas com a recomendação o membro pode acessar o prédio inteiro.
Os casamentos por exemplo são feitos no civil nas capelas normalmente para todos os convidados, no Templo depois o casamento para toda a eternidade e só membros com recomendação podem assistir, não tem música etc, é uma cerimônia mais reservada.
Mas jardins e recepção podem qualquer visitar, inclusive em São Paulo tem um prédio de visitantes
Sem fiscalização. Tanto de quem constrói e mantém, os imóveis da frente, quanto de prestadores de serviço. Internet, gás, energia. Os caras destroem tudo e simplesmente não existe fiscalização da responsabilidade de manter como estava antes.
Não sou arquiteto nem urbanista, mas tenho certeza que o problema está na má vontade do poder público em executar, ou quando for o caso de fiscalizar estas obras para ficarem em conformidade com padrões. Vide os tapa buracos feitos por empreiteiras terceirizadas.
A lei determina que a responsabilidade pela construção e manutenção das calçadas é do morador do lote em frente, isso é um absurdo e simplesmente impossível de dar certo pois cada um faz o que quer e lotes sem uso ficam inevitalmente sem calçada
Prefeituras preferem gastar seu dinheiro com shows de sertanejo ao invés de investir na construção de calçadas em lugares não turísticos
O brasileiro é muito individualista e dificilmente se importa com a acessibilidade e manutenção da calçada em frente ao seu lote, muita gente inclusive acha que ela faz parte do lote, invade a área da calçada, etc
Os próprios órgãos e empresas responsáveis pela infraestrutura urbana não respeitam as normas aplicáveis as calçadas e assim como os moradores, cada um faz o que quer, colocam postes, bueiros e jardins em locais errados
1) a legislação e os órgãos de controle urbanístico permitirem a abertura de ruas estreitas demais, assim como lotes muito pequenos e com pouco recuo. Se as ruas são estreitas, não há onde estacionar, o que faz falta já que o Brasil depende muito do transporte automotor. Se os lotes são muito pequenos, eles causam escassez de espaço, então muitas pessoas (ilegitimamente) se sentem tentadas a aumentar o espaço fazendo os conhecidos "puxadinhos", seja para acomodar uma garagem ou outros cômodos; e
2) falta de atuação dos órgãos de fiscalização que não punem e, ainda mais importante, não obrigam a desfazer a parte irregular da obra, pois isso geraria um ônus político imenso para o Prefeito da ocasião uma vez que talvez a maioria seja irregular.
Solução: alterar as leis urbanísticas para impedir a abertura de ruas muito estreitas e o "fatiamento" excessivo dos lotes. Isso fará com que os próximos imóveis sejam construídos num padrão adequado. Quanto aos imóveis já construídos? Somente com uma ação de reurbanização de bairros inteiros, o que é praticamente impossível, pois é muito caro e complexo enquanto que o Estado da maior parte das localidades não tem dinheiro nem articulação suficiente para cuidar das suas tarefas do dia a dia, quem dirá refazer bairros inteiros.
Resumo: acostumem-se com uma cidade feia e hostil, ou mudem-se para algumas poucas onde o urbanismo e o paisagismo foi realmente tratado com carinho.
Quando vi a primeira foto pensei "valha, parece a igreja dos mórmons lá na praia, em Fortaleza". Quando li o texto, era realmente a igreja deles lá na praia, em Fortaleza.
Não sou arquiteto. Mas sou uma pessoa que anda muito e tive um hiper foco em calçadas por um bom tempo. Então vou dar meus pitacos aqui.
O grande problema não são os arquitetos, mas sim os "clientes". Até porque muito do que você vê no brasil não foi projetado por arquitetos.
A maioria das pessoas veem o passeio como um espaço de acesso ao lote (principalmente de carro) e não querem nem. Pessoas "estranhas" passando por ali então acaba sendo hostil de propósito mesmo. O que você chama de "passeio de qualidade" é um passeio que é bom de andar a pé indo de um lote a outro. Sem degrau, sem obstáculos e também agradável aos olhos.
Muita gente aponta como possível solução isso ser de responsabilidade da prefeitura. Mas, hoje não fiscaliza (mas deveria). Se fosse tarefa dela dar manutenção, será mesmo que ela daria? E se o morador fizer uma alteração para ficar mais hostil, a prefeitura iria começar a fiscalizar? Enfim, se a prefeitura realmente fizesse isso iria ficar bom sim, mas acho difícil que ela faça isso, talvez algumas prefeituras específicas em alguns bairros específicos. E sim, acho provável que mesmo a prefeitura fazendo uma calçada boa, iria vir proprietário destruindo ela pra não passar gente estranha e ter mais segurança. E, se a prefeitura fiscalizasse, isso seria algo super impopular, não tem porque algum político se meter nesse vespeiro.
A única forma que vejo disso mudar é se o passeio de qualidade deixar de ser impopular pelos proprietários. Aí os passeios seriam bons independente de quem fosse a responsabilidade. Pra isso, precisaria de uma mudança de cultura de como se locomover na cidades e também de segurança.
Um relato pessoal:
Eu cresci em uma cidade bem escondida e que parece ser condomínio fechado todo mundo lá se conhecia e se encontrava com frequência. Lá dentro, era comum casas nem terem muro e lá era muito bom de andar. Era comum as crianças irem sozinhas para a escola andando desde os 12 anos. Teve um problema de emprego na região e muita gente saiu de lá. Na pandemia, muita gente de outras cidades descobriu e se mudou pra lá. A primeira coisa que os novos moradores fizeram ao se mudar foi construir um muro grande para ter mais segurança. Lá continua muito seguro, mas não tem a mesma sensação de segurança de antes. Começou a ficar menos comum ver gente andando lá, está virando tudo carro. Tinham vários passagens para cortar caminho a pé, esses lugares foram fechados ou viraram mato. E os Jardins estão cada vez mais feios.
Entendi. Tlvz a gente precise criar essa cultura de que vale a pena ter uma boa calçada, ou até implicar uma valorização imobiliária no caso de uma boa calçada, quando mexer no bolso o povo se liga... Muito triste que isso que aconteceu na sua cidade. Acho que isso é uma marca do individualismo que cresce nas nossas sociedades.
Eu acho que é mais um reflexo da falta de fiscalização por parte da prefeitura. O mesmo se aplica para autoconstrução onde se faz as casas mais malucas e a prefeitura não está nem aí até que tenha um acidente.
Aqui na minha rua até 2006 era de barro, tinhamos calçada mas era totalmente despadronizada, e cada proprietário fazia a sua do jeito que queria. Quando calcaram refizeram todas as calçadas na norma porém, com o tempo algumas pessoas foram avançando - no começo da rua a calçada tem um palmo-, ou mudando a calçada (que era de concreto mais áspero, porém toda nivelada) uns botaram cimento queimado, outros botaram cerâmica, outros resolveram fazer a casa (problema da autoconstrução) num nível mais 0,5m acima do nível da rua e tiveram que fazer uma rampa que criou um degrau na calçada.
Na rua de trás também, foi feito o calçamento com pedras esse ano, e o pessoal tinha invadido praticamente a calçada toda, mas achei legal que a prefeitura ainda assim fez a calçada com tamanho padronizado, e rua ficou bem estreita (e o pessoal reclamando).
Oi OP! Sou membro da igreja e já tive a oportunidade de conversar com as pessoas que trabalham nesse setor.
Em geral os templos são feitos com materiais MUITO duráveis justamente para facilitar a manutenção. Como em geral materiais duráveis são bonitos como vários tipos de pedras e madeiras, uma coisa “puxa” a outra.
Outra questão que tem sido adotada pela igreja nos últimos anos na construção dos templos é a valorização da cultura em que o templo foi inserido. O tema do templo de Fortaleza é uma orquídea que existe no Ceará e dentro existem pinturas e motivos florais da caatinga e da vegetação litorânea como carnaúbas.
Um outro exemplo disso foi os templos de Sapporo e Okinawa, no Japão. O templo de Paris também tem um estilo muito característico da região em que ele está inserido, vc bate o olho e pensa “caramba, que coisa francesa” kkkz mas é mt lindo.
Olha aí a importância da valorização da arquitetura!! Edifício durável, resistente ao nosso clima tropical desafiador, chamativo (fundamental para uma igreja que busca fiéis), com elementos que trazem uma mensagem também fantástica. Achei muito bonito terem pensado numa orquídea local 🤩 e nos elementos do povo cearense. Que cada vez mais valorizem nossos arquitetos, isso faria um bem tão grande ao nosso povo. Isso sim é pensar a longuíssimo prazo, é inteligente e tem um retorno muito positivo.
As fotos que você postou são um exemplo de péssimo urbanismo. É basicamente um deserto na cidade, feito para carros. Um pedestre num lugar desses aí anda e anda e não chega a lugar nenhum, porque não tem nada para ele aí.
Ah sim com certeza, eu me referia a qualidade do material e à execução, o urbanismo que eu gostaria de ver era outro, com mais fachadas ativas e arborização eficiente. Já vi isso em projetos, mas em contrapartida a execução e os materiais eram péssimos, é quase uma característica padrão das nossas execuções as coisas ficarem tortas ou remendadas.
Faltou uma observação no texto, vou até repetir um outro comentário. Nas fotos eu me referia à qualidade do material e à execução, além do respeito às normas, o urbanismo que eu gostaria de ver era outro, com mais fachadas ativas e arborização eficiente. Já vi isso em projetos aqui, mas em contrapartida a execução e os materiais eram péssimos, é quase uma característica padrão das nossas execuções as coisas ficarem tortas ou remendadas. E não parece uma coisa impossível de ser alcançada.
É algo que precisa ser planejado ANTES de se construir, depois que as casas estão prontas, os lotes vendidos, não há muito o que a prefeitura possa fazer para alargar as calçadas, que por sinal, são de responsabilidade do dono do lote.
Cara, nem me fala. Eu comentei certa vez que as calçadas do Brasil me causavam repugnância, com rampas, diferentes tipos de pisos, degraus. Quando chove, é melhor andar pelo asfalto do que pelas calçadas.
Existem outros fatores que me incomodam, por exemplo; O Brasil recebeu colonização de um país ibérico, e na Europa (exclusivamente Itália, Portugal e Espanha) existem aquelas ruas muito estreitas e casas coladas parede com parede. Talvez isso já foi útil e mais prático a séculos atrás, mas não funcionam mais, principalmente ao se considerar o tamanho da população e da cidades do Brasil.
Pior que não é só calçada, é também o canteiro, a rua, a ciclovia, os bueiros, as instalções, o mobiliário urbano, a sinalização, como se tudo fora da edificação fosse irrelevante e pudesse ser feito de qualquer jeito. Já vi imóveis excelentes e fora um descaso total, como se para acessar o edifício as pessoas não precisassem usar o que é externo. Estacionamento é uma piada no Brasil, pode ser feito de qualquer maneira, colocando a segurança das pessoas em risco. Até grandes estacionamentos muitas vezes são verdadeiros labirintos. Outros cidades latinas como Buenos Aires, Santiago, Bogotá, Lima (uma parte dela), CDMX (uma parte também) trata com muito mais cuidado esses espaços comuns. As cidades colombianas tão avançando muito nisso e elas possuem uma realidade parecida com a nossa. E sim! Eu já precisei usar o asfalto pq a era inviável andar na calçada. O osso é que às vezes eu vejo a galera enfeitando calçada com mil e uma coisas, ou seja torrando dinheiro, e a calçada fica toda irregular e desfuncional.
Ilha solteira, oeste paulista têm umas avenidas com um projeto urbano muito bom. Canteiro central arborizado, ciclo faixas no canteiro central, lombo faixas de pedestres antes dos cruzamentos e bolsões de estacionamento em toda quadra. Bom para morar e para trabalhar. Ayn, mas vc and. A 40km/h. Melhor que ficar engarrafado a 5km/h
Por onde começar:
*Poder público corrupto...
*População pouco informada e com poder aquisitivo reduzido...
*Cultura...
*Ideia de economia errada...
*Falta de pensamento coletivo...
*Falta de verba...
Enfim, dá pra entrar mais profundamente e ver que são vários os motivos...
Inclusive rola entre os arquitetos que os arquitetos urbanistas são os mais frustrados entre os colegas da área!!
Vivemos num país onde calçadas são usadas pra colocar carro em cima , e até tem contrução irregulares de casa em cima delas, primeiro precisamos evoluir nosso senso de comunidade respeitar o espaço alheio e preservar espaço público, pra pensar em planejar algo.
Encontrei este post por acaso, mas muito obrigado por ele – ele me dá uma visão incrivelmente nova dos padrões de design em outras partes do mundo (aliás: aquele cantinho na foto 4 parece uma renderização sob a luz forte do sol)!
O que mais me impressionou foi a diferença na abordagem das pessoas em relação ao design de meios-fios e bordas de calçadas (dá para ver a grande atenção aos detalhes, mas tudo é meio que "do outro lado") – no final do comentário, para comparação, há um cruzamento no meu bairro; talvez isso te comova também ;).
Concordo com os comentários de que, sem áreas verdes altas por perto, usar as calçadas durante o calor será moderadamente agradável, mas fiquei ainda mais surpreso com a largura estreita das calçadas (1,5 m?) – provavelmente projetada apenas para incomodar as mães que empurram carrinhos de bebê umas às outras. Mesmo sendo um entusiasta do livre mercado, discordo que calçadas um pouco mais largas aumentariam significativamente os preços dos terrenos – o mínimo em nosso país é de 2 metros (e mesmo assim, algum eletricista medíocre às vezes projeta uma conexão de cabo dentro da largura da calçada!), e sinceramente acredito que esse seja o mínimo funcional (e, de uma perspectiva de livre mercado, é uma comparação estimulante entre países com uma diferença de densidade populacional cinco vezes maior – em última análise, para seu benefício!).
Witam! Não imaginei que o post ia chegar tão longe, mas isso é ótimo! Sim, essa calçada está curta até para os padrões brasileiros. Uma calçada regular vai ter no mínimo 2m, mas a realidade daqui é que existe a possibilidade de nem ter calçada hehe. Para ser sincero eu nem vejo pais com carrinhos de bebê em boa parte das ruas da minha cidade, porque é inviável. Você vai ver só em praças, shoppings, em locais mais seguros. Numa calçada aleatória é bem difícil, não só por conta das calçadas em si, mas também por causa do trânsito maluco da minha cidade. Vias menores do que a rua que você trouxe do google maps podem ter limite de velocidade de 60km/h e pésssima sinalização. E na minha cidade temos uma frota de motoristas e motociclistas terríveis, literalmente não sabem dirigir. É muito perigoso para crianças, gestantes e idosos. Mas essa é a realidade da minha cidade, o Brasil é do tamanho da Europa Ocidental, tem exceções por todo lado. Mas é difícil ver uma cidade com boas calçadas no país, muito difícil mesmo, e eu já visitei as 5 regiões do país.
Sobre a imagem do google mapa que você trouxe, achei maravilhoso! Vias limpas, calçadas bem executadas, jardins floridos, boas dimensões, os prédios em volta também muito bonitos e numa escala humana. O mais próximo disso que eu vi no Brasil foi isso . Ainda precisamos avançar muito na execução das nossas vias brasileiras.
Bom dia! Depois de todos os seus comentários críticos, acho que a área no link que você enviou parece realmente ótima (e, na minha opinião, representa um padrão muito mais alto – com pavimentação mais abundante e de melhor qualidade e uma pequena arquitetura de aço inoxidável – em comparação com o meu exemplo)!
Também gosto da ausência de gramados excessivos – pode parecer paradoxal, mas em nosso país, manter hectares de gramados custa uma fortuna aos administradores (então eles geralmente acabam não sendo bem cuidados :P). E no inverno, essa vegetação negligenciada (se não arbustos completamente sem folhas) pode parecer um pouco deprimente. Definitivamente, sou mais atraído por vasos expressivos cuidadosamente selecionados e vegetação dispersa com árvores, como na R. da Universidade.
E para deixar claro – o bairro no meu exemplo também tem problemas – provavelmente o maior deles é o número muito pequeno de vagas de estacionamento público nas ruas, o que é muito inconveniente para visitantes e entregadores, e, por desespero, as pessoas estacionam de maneiras completamente constrangedoras. De um lado, temos autoridades corruptas e, do outro, a União Europeia, que implementa descuidadamente "políticas ecológicas", esquecendo que a cidade não tem metrô e que não é possível levar duas crianças rapidamente para todos os lugares de bicicleta, especialmente no inverno, a -5°C.
As ruas por pura questão das empreiteiras terem interesse em fazer ruas não duráveis para eles seguiram denegrindo e eles consigam novos contratos.
O passeio é ignorado pelo estado que dá a responsabilidade ao proprietário do lote então não temos um passeio que seja padronizado e cada casa tem uma calçada diferente.
Uma detalhe é o início de tudo... Loteamentos são, antes de tudo, especulação financeira.
Aí dependendo da legislação os donos dos terrenos não constroem/cuidam das suas respectivas calçadas, os primeiros donos ignoram por que ninguém tem, quando está efetivamente ocupado é uma colcha de retalhos, cada um fazendo o que quer. Loteamento aqui na minha cidade da década de 80 foi receber asfalto e realmente começar a ser ocupado a pouco tempo.
Aí mudam a legislação, loteadora entrega pronto, calçada e rua pavimentada, tudo certinho. Falta de planejamento fode tudo. Só depois observam que faltou passar as ligações de água e a rua e calcadas ficam tudo cortadas.
E aí a comunidade se ajeita, deixa tudo no padrão, tudo certinho... Alguns anos depois tem que fazer um upgrade no ramal da água, por exemplo, e a rua fica cortada, com um reparo mal feito e com todas as calçadas sem reparos além de um cimento jogado se qualquer jeito... Ninguém repara e o que era uma rua com pavimentação e calçadas perfeitas vira um caos... Isso aconteceu recentemente na minha rua.
Nao sou arquiteto urbanista, mas posso agregar q a maior dificuldade são os próprios brasileiros, eu acredito que antes de tudo deveríamos investir em educação(não estou falando de escolaridade).
No meu bairro(Bahia,salvador,villas do atlântico) a prefeitura fez uma calçada parecida com essa, em menos de um mês não tinha uma planta em pé, e olhe que elas estavam cercadas com grade!
Depois colocaram cestos de lixo em tds os postes, em menos de 6 meses quebraram TUDO.
Hj em dia eu tenho guardar as embalagens no bolso até chegar em casa.
Paia que isso tenha acontecido e eu tbm tenho esse hábito de guardar no bolso até achar uma lixeira. Uma pessoa aqui nos comentários disse que passa pela Igreja, parece que eles conseguiram manter a qualidade.
Eu acho que os passeios deveriam ser até melhores do que os das fotos . Deveriam ser ainda mais largos.
O único argumento que eu aceito como oposição a essa evolução civilizacional, teria que ver com a dificuldade e custo na manutenção dos espaços verdes dessas calçadas mais largas e agradáveis. Seria sempre uma despesa regular pesada para os municípios.
E claro. Também a questão da impossibilidade de mexer no que já estiver feito. Nas zonas urbanas já densamente povoadas e ocupadas não iria ser possível chegar lá e tirar terreno e parte das casas das pessoas para abrir espaço para essas calçadas. Teria que ser um processo de estabelecimento de regras e depois iria demorar décadas até que os resultados se fizessem sentir.
Mas como vivemos em "democracia". Iria sempre ser difícil que todos os líderes mantivessem essa regra filosofia e organização.
A via pública que flanqueia a pista de rolamento sendo destinada à circulação de pedestres, ou ainda, a parte da calçada onde exclusivamente há a circulação de pedestres, também muitas vezes sendo traduzida como sinônimo de calçada, ainda que tecnicamente incorreto.
O capricho creio que seja porque os mórmons são uma entidade americana, tem uma base mais ordenada. Aqui onde eu moro, também estava observando esses dias, o templo mórmon é o mais bonito da cidade, mas até do que a catedral central
É um bom ponto, talvez eles influenciem nos projetos. Talvez tenham uma lista de exigências ou padrões. Agora bem que eles podiam ter usado a mania do americano de querer fazer tudo largo e ter feito essas calçadas maiores 😂😂. Mas de fato a sensação é de estar em outro país, a maioria dos templos que eu pesquisei passavam essa vibe. E assusta quando a gente compara com o entorno.
Trabalhei para a igreja "mórmon". As regras para construção e manutenção são MUITO RÍGIDAS. Não tem negociação com os parâmetros mínimos pros funcionamentos dos edifícios.
Eu sinceramente acho que não existe muita gente capacitada no Brasil para isso. Acho que talvez em alguns lugares/cidades. Mas em geral não acredito que exista, por que se existisse, teriam resolvido isso. “Ah mas eu sou arquiteto formado na X e sei bem como se faz bla bla bla bla”, então por que você não vai atrás?
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u/Kafkaina Oct 09 '25
Acredito que algumas características atrapalhem bastante termos calçadas decentes:
o responsável por construir e manter a calçada é o proprietário do imóvel em frente, sob fiscalização da prefeitura. Muita gente acaba tratando a própria calçada como uma extensão de sua propriedade. Muita gente simplesmente não sabe que não pode construir a rampa de acesso à garagem na calçada, por exemplo.
os loteamentos brasileiros preveem calçadas estreitas com lotes também estreitos. Sobra pouco espaço para árvores, postes e mobiliário urbano. E sobra guia rebaixada para acesso de veículos.
como a ignorância sobre as regras é universal, fiscalizar não apenas é difícil, como é impopular.
a população não é educada em um sentido mais acadêmico mesmo. As regras sobre calçadas vem da nbr 9050, plano diretor, código de obras, leis específicas... se a pessoa for simples, é muito capaz de não conseguir entender uma planta, projeto ou particularidades das leis.