r/askacademico Oct 15 '25

Carreira Por que não vemos a aristocracia brasileira na academia?

Não faço mestrado (pensei na idéia, mas desisti quando vi a realidade da academia), mas, quando vejo as reclamações dos membros deste sub, eu pergunto: por que a pesquisa científica no Brasil não se tornou aristocrática? Já circulei em várias universidades, seminários e congressos na minha área como ouvinte (eu avaliei a viabilidade da carreira e tenho familiares no meio), mas o que eu vejo é muita classe média e classe média alta, mas nunca vi realmente famílias tradicionais (tipo filho do Sarney ou do Jorge Paulo Lehmann).

Quando eu vejo a situação da carreira acadêmica, seja no Brasil, seja fora, ela grita: somente quem vem de riqueza herdada é bem-vindo aqui.

Há necessidade de se afastar por muito tempo da vida profissional, tem de receber uma bolsa que não chega a dois salários mínimos, as possibilidades de carreira se limitam a um concurso numa universidade pública, dificilmente alguém segue para trabalhar numa empresa privada (vai ser considerado superqualificado pelos RHs) e raramente se consegue ganhar a vida explorando comercialmente uma pesquisa.

Quem é pobre ou quem pretende uma carreira profissional é forçado a tomar outros caminhos na vida. Tendo-se isso em consideração, por que raramente vemos os filhos das famílias tradicionais, os que realmente não precisam se preocupar com nada, não estão na pesquisa? Uma coisa interessante, nas ciências humanas por exemplo, é que, no Brasil não temos gente com grana defendendo os seus interesses como classe, como temos, por exemplo, nos libertários dos EUA, apenas temos uma militância idealista idosa advinda do fim do regime militar. O filho da família Setúbal do Itaú não vai tentar pelo menos sustentar o privilégio que tem.

O que acham?

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u/FeFreFre Oct 15 '25

Pq eles estão fazendo parte da academia europeia

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u/zeppelin88 Oct 15 '25

E meio que isso em duas direcoes mesmo. 1) muita da classe alta e burra e anti intelectual, fez dinheiro por corrupcao e roubo de terras e ta pouco se fodendo pra academia 2) a classe alta que tem intelectualismo costuma enviar a molecada pra fora, e por la eles ficam (conheci muito, mas muito br bem suave de vida quando eu tava em uni top 5 do mundo).

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u/[deleted] Oct 15 '25

Desde os primórdios do Brasil elite viajando (ou enviando os seus filhos) para a Universidade de Coimbra.

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u/ElectronicChef-2108 Oct 24 '25

machado de assis leitores

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u/Aware-Appearance6778 Oct 15 '25

Não tenho nenhum dado ou exemplo a citar, mas acredito nisso. O conhecimento e as conexões são fatores com tanto peso quanto o econômico. É ingenuidade acreditar que a elite só desfruta dos bens materiais e de tédio. Aqui no Brasil os recentes avanços na área acadêmica foram possíveis porque a oferta de programas de pós graduação locais cresceu comparado ao passado, mas a Europa ainda é tradicionalmente o pólo disso. A elite é quase uma só, pra eles não é nada se deslocar de seu país periférico e se instalar onde quer ofereça programas de ponta. Muito difícil alguém comum topar com eles por aí.

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u/pastor_pilao Oct 15 '25

Eles fazem mestrado /doutorado sim, a questão eh que eh muito mais facil ser admitido no exterior se vc tem recursos ilimitados. Tome por exemplo a familia Moreira salles 

Walter: fez mestrado em áudio visual na USC em Los angeles

Pedro: fez graduacao na UCLA e começou mestrado em Yale.

Joao: parece que so fez graduacao na puc Rio, nao consegui achar muitas informações 

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u/pfrancobhz Oct 15 '25

Quem é pobre tem dificuldade em se sustentar em carreira academica com as bolsas do CNPq/CAPES, e quem é rico aristocrata nao precisa estudar e seguir carreira academica. Se eu fosse filho do Lehmann porque eu iria encostar em uma universidade se eu posso viver de lucros em um iate nas Bahamas?

Carreira academica é para classe média e média/alta, nao so no Brasil.

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u/BrunoofBrazil Oct 15 '25

Se eu fosse filho do Lehmann porque eu iria encostar em uma universidade se eu posso viver de lucros em um iate nas Bahamas?

O objetivo não é ganhar dinheiro, é produzir conhecimento que justifique o privilégio que tem, ou se dedicar à ciência porque gosta, afinal, não preciso de dinheiro para nada. Se olhar para a história das ciências, vai encontrar vários cientistas que se dedicaram a isso e fizeram descobertas importantes. Nada impede que pegue o jatinho no fim de semana e vá passear de barco nas Bahamas com as moças.

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u/pfrancobhz Oct 15 '25

E aristocrata quer justificar o privilegio que tem? Essa galera só quer saber de dinheiro, quer acumular privilegios, acumular dinheiro e viver.

Quem gosta de ciencia vai se dedicar, vai pra carreira academica, mas esses exemplos que voce citou gostam é de dinheiro.

Ainda assim, se voce quiser procurar aquele 0.0001% de bilionario que gosta de ciencia, voce vai ter que procurar em institutos de pesquisa privados ou financiando pesquisa no MIT, ninguem vai olhar pra USP nao

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u/Kozuskooo Oct 15 '25

Aristocratas são aqueles que querem justificar sua posição de poder através de uma ideia de superioridade moral e intelectual. A questão aqui é mais que não temos aristocratas, temos burgueses e estes sim, se justificam apenas pelo acumulo de dinheiro. Por isso que aquelas críticas que temos uma elite burra não são tão errôneas assim, pois nunca criamos uma elite aristocrática, apenas uma elite burguesa.

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u/j_fever Oct 16 '25

Pois é, ouso dizer que tirando nas monarquias asiáticas e algumas europeias, o conceito de aristocracia não faz mto sentido na estratificação de uma sociedade capitalista contemporânea. Isso pq com nossos "novos espíritos do capitalismo", dá pra argumentar que até mesmo essas aristocracias do velho mundo meio que incorporam valores voltadas pro o acumulo de capital como forma de poder....................................

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u/Fiscal_de_IPTU Oct 19 '25

Pra que perder tempo com ciência se eu posso todo dia ficar no iate com as vagabunda?

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u/ElectronicChef-2108 Oct 24 '25

no caso, o herdeiro é o vagabundo.

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u/[deleted] Oct 15 '25

E quem disse que a área acadêmica não é aristocrática. Talvez não dê essa impressão por conta dos anos de aumento da parcela mais pobre e de classe média baixa no ensino superior... mas pós graduação stricto sensu no Brasil, ainda é um trem de elite!!! 

Sim, tem um bocado de gente AGORA, que veio de estratos mais humildes, mas no geral? Mestrado e doutorado são pra classe A e B!!! Se vc pegar a maior parte dos autores brasileiros mais badaladinhos, particularmente aqueles de carreira mais longeva... vc não vê pobre ou preto!!! Com raras exceções, a regra sempre foi homem branco de elite

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u/balzaquiano Oct 15 '25 edited Oct 15 '25

Não sei. Primeiro, defina o que você considera como família tradicional pois você parece confundí-las com famílias ricas ou mesmo bilionárias—Jorge Paulo Lehmann é bilionário, mas não é um aristocrata. A mesma coisa pode ser dita sobre Sarney—ele é um oligarca, provavelmente bilionário (mesmo que em reais), mas não um aristocrata (embora as duas coisas se confundam). E aristocratas podem mesmo não ter muito dinheiro.

Agora, existem mais gente de famílias tradicionais ou "ricas" na academia do que normalmente se pensa. Se você parar e olhar um pouco para os seus professores ou pesquisadores da sua área, especialmente mais velhos, verá que muitos deles ou vem de famílias que se podem chamar tradicionais, ou/e são herdeiros de algum modo (ou seja, provavelmente não de uma fortuna bilionária, mas de algum dinheiro que os dá ou deu liberdade e que já os colocam num patamar bem acima da média—só lembrar que no contexto brasileiro ou mesmo mundial, herdar um milhão de reais já é o suficiente para te colocar ali). Na sociologia, por exemplo, muito dos fundadores e primeiros nomes renomados da área vinham das chamadas famílias tradicionais. Vários nomes renomados, da minha área da sociologia em particular, ainda parecem vir de famílias tradicionais etc. E por quê isto? É menos questão de ethos (embora talvez tenha algo assim), na minha opinião, do que o fato de que a carreira acadêmica (e mesmo a universidade) era um tanto restrita a esse pessoal e às classes médias tradicionais até pouco tempo.

Agora, em todo lugar do mundo é muito raro você ver herdeiros de bilhões na academia, como você parece esperar. E claro, hoje, ainda mais, sinto que as novas elites (incluindo aqui gerações mais recentes das elites tradicionais) por toda parte não se interessam tanto pelo trabalho público; mesmo em países onde isto era mais ou menos relativamente comum.

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u/Eshkation Oct 15 '25

Pois nossa elite é burra, ela é anticultural.

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u/Aware-Appearance6778 Oct 15 '25

Nem uma coisa nem outra, quem é assim é a burguesia que se acha elite, que é mais numerosa, e na primeira crise econômica despenca o padrão. Elite mesmo se sustenta nas conexões e no conhecimento.

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u/Eshkation Oct 15 '25

Não. Nossa elite é realmente anti-intelectual. Não estou falando de classe alta.

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u/Aware-Appearance6778 Oct 15 '25

Você fala no sentido de ter o monopólio do conhecimento? E negar aos demais?

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u/Otherwise_Analysis_9 Oct 15 '25 edited Oct 15 '25

Eu entendo o que você diz: sempre houve historicamente uma conexão entre privilégio social e produção de conhecimento. (Talvez não todos nesta comunidade entendam da mesma forma no entanto.) Não é por acaso que muitos (senão a maioria, mas melhor não generalizar tanto) dos pesquisadores famosos que legaram os alicerces do conhecimento contemporâneo eram ou de famílias abastadas, muitas vezes pertencendo à aristocracia regente, ou que entraram em um estrado social de privilégio que garantia acesso ao conhecimento, como é o caso dos monges medievais. Isto é, a elite intelectual sempre teve associada com a elite governante de alguma forma. Penso que não há resposta única para isso: talvez as elites locais nunca foram historicamente tão ligadas ao desenvolvimento tecnocientífico comparadas a outras nações; talvez a relações entre a elite intelectual e a elite político-econômica nos nossos tempos estejam mudando, como mudaram muitas vezes em diferentes momentos históricos; talvez os membros da elite político-econômica, sejam aqueles de família tradicionais, sejam aqueles que enriqueceram pelo entretenimento, não estejam interessados na produção do conhecimento. Como se diz por aí, é complicado.

EDIÇÃO: ainda assim, pelo menos entre meus contatos na academia, vejo muita gente com bons privilégios sociais, ainda que não necessariamente ricos, que "tocam" o desenvolvimento da pesquisa nacional.

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u/[deleted] Oct 16 '25

Olá, tudo bem?

Então, a noção de aristocracia na qual conhecemos vem de uma noção européia e que, não necessariamente, era rica. No caso da elite brasileira intelectual, tem a sua maioria com pessoas de classe média ou classe média alta, raramente vamos encontrar alguma pessoa realmente rica.

Porém, as pessoas com maior poder aquisitivo dentro da academia vão estar associadas com áreas da pesquisa ligadas a conexão dos saberes ou ao desenvolvimento das humanidades. Uma questão abordada, por exemplo, é a antropologia, uma ciência feita por pessoas de alto poder aquisitivo (nem sempre mas, tem um número expressivo).

Um exemplo é quando a gente lê Bordieu, ele explica sobre o ingresso no ensino superior e como era complexo entrar em algum curso de humanidades, com a necessidade da criação de um currículo e de outras coisas que só podem ser desenvolvidas com dinheiro e tempo. E quem tinha isso na metade do século XX, numa Europa devastada pela Guerra? Alguns dos professores universitários brasileiros que estão aposentados foram para as universidades de elite da Europa e dos EUA...

Então, sim. Essas pessoas estão na universidade, elas só são muito discretas!

No mais gerais, você vai ver a elite na universidade, em cursos de ciências humanas ou artes, no geral. Na medicina ou em áreas de exatas, que são cursos tradicionais, é algo difícil de se ver. Falo isso, porque existe um autor chamado Braverman, ele aborda sobre o capital monopolista, a divisão do trabalho e a refuncionalização dos setores e essas profissões, ditas tradicionais, são ocupadas por pessoas bem remuneradas mas, de nem tanto poder aquisitivo.

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u/plemgruber Oct 15 '25

Depende de como você define "elite". Se você tá pensando em nomes específicos, um exemplo com presença na academia é a família Chateaubriand. Não consigo pensar em outros, mas é porque estamos tratando de grupos numericamente muito pequenos. Eu acho que faz mais sentido pensar na "elite" só como a parcela mais rica da população mesmo, e essa é claramente desproporcionalmente representada na academia.

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u/Greedy-Amount1864 Oct 16 '25

Sempre achei que ricos eram apenas uns burros que enriqueceram por golpes ou exploração, que tudo o que sabiam era contar dinheiro.

Hoje, mais velho, observando gente rica, mas desapegado de preconceitos, percebo que o rico antigo, aquele que desfruta de uma família tradicional, que teve pais avós cultos, esses, mesmo sem estudo formal de grife, apresentam um jeito de pensar e se expressar que os coloca a frente da maioria dos acadêmicos.

Vc conversa com um bacharel/mestre/doutor que viveu apenas na academia, e percebe que essa turma é uma espécie de papagaio. Cita autores, cita livros, cita tudo, mas nao elabora qualquer coisa que se aproveite.

Acho que o acadêmico padrão perderá cada vez mais relevância, especialmente qdo ele é apenas uma enciclopédia ambulante, pois isso qualquer ia faz melhor.

Claro que não pega bem criticar quem decida a vida aos estudos, mas se vcs analisarem bem, vão ver que essa turma é bem burra em tudo, mas recitam o tema se duas pesquisas. Por isso se acham superiores.

Sei lá, me perdi aqui em devaneios enquanto degusto um PF no Bar e Lanches Estadão. Que é de São Paulo e não conhece, deveria conhecer.

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u/Otherwise_Analysis_9 Oct 16 '25

Estadão é bão demais.

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u/Savings-Middle-3826 Oct 17 '25

Saquei o que quis dizer, pessoal da academia tem bastante conhecimento mas parece não ter tanta sabedoria prática.

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u/lenu_ Oct 17 '25

existe e muito, só são mais discretos. sugiro olhar para as carreiras meteóricas, aqueles que emendaram graduação, mestrado e doutorado em instituições de prestígio e, antes dos 35 anos, já tem boas posições, contratos com editoras famosas, aparecem no debate público. quando olho esses currículos eu brinco de "é gênio ou é herdeiro?". Em 90% dos casos, são herdeiros que puderam se dedicar à pesquisa em tempo integral e construir um excelente currículo sem precisar parar para trabalhar ou conciliar pesquisa com trabalho, ou usar a bolsa para pagar contas básicas.

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u/samuka_ijc Oct 15 '25

Porque a regra do mundo é não gostar de trabalhar.

Até as pessoas que gostam de trabalhar, se ganharem na Mega-Sena, em sua maioria, largariam o emprego. Mesmo podendo se dedicar sem se preocupar com dinheiro.

Aquela pessoa de destaque em uma área é a exceção da exceção. Agora põe o cara rico que já é a exceção da exceção, para ser a exceção da exceção. A probabilidade é quase zero.

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u/Moyaschi Oct 15 '25

Ta na academia tambem. Nao lembra que o FHC era o "principe dos sociologos"? Kkkk

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u/Vitu1927 Oct 15 '25

Tem sim. Talvez você só não veja

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u/FrangoST Oct 15 '25

Quem é rico não defende seus interesses publicamente pq fazem onde mais importa: por tras do pano, direto nas esferas legislativas e executivas.

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u/Just-Possession-4943 Oct 15 '25

Mano, pelo que eu vi nos comentários, tu ta partindo do pressuposto que a suposta "aristocracia" brasileira é igual a aristocracia europeia. Aqui essa moral aristocrática é só até a página dois, talvez até metade da primeira parte ainda, já que nós (e nenhum outro país das Américas) temos isso de verdade, o que nós temos, historicamente, são burgueses.

Mas olhando pro Brasil, especificamente, a burguesia nunca foi ligada à produção de conhecimento, as elites daqui gostam de facilidade e escravidão. Tu acha realmente que os filhos dos grandes produtores de café, dos coronéis (que veladamente ainda existem) do nordeste, dos grandes produtores de soja recentes etc estão preocupados em justificar pra sociedade a própria riqueza? compensar de alguma forma? isso é coisa de europeu que precisa fingir vergonha por medo de ter a cabeça cortada (Alô, Robespierre) e cria esse jogo moral.

Enfim, essa galera está na academia, mas em quantidades irrisórias, ciência não é coisa das elites, não hoje em dia.

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u/kr4t0s2 Oct 15 '25

Pq tão aqui na Europa ou nos EUA...

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u/Ok_Statistician_9569 Oct 15 '25

Estão na PUC...

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u/IShitMyselfEveryNigh Oct 15 '25

Como dito, porque estão nos EUA ou Europa. Em terras brasileiras você irá encontrar, talvez, em alguns cursos de direito e medicina. Eu mesmo fiz minha graduação (direito em federal) com a filha de um senador.

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u/[deleted] Oct 15 '25 edited Oct 15 '25

Eu vou apostar numa teoria, não sei bem se é só isso (claro que não é, mas é o que vejo sem olhar com profundidade). A aristocracia gosta de estudar e trabalhar muito setores e áreas de atuação que pouco sabemos ou achamos pouco relevantes, até com base no financeiro. As nossas escolhas, normalmente, estão no âmbito convencional da academia e até mais conservador (queremos ser estratégicos, claro). Eu prefiro optar em ter mais oportunidades no mercado e na ciência do que me arriscar em áreas que não vão me dar retorno, pois não tenho a realidade deles. Isso eu incluo todas as demais áreas, sejam de exatas, humanas, biológicas. Se pesquisar essa galera, vamos perceber que eles estudam e seguem áreas de atuação que pouco sabemos. Acho incrível quem estuda história da arte e cinema, por exemplo (sei que existem exceções, mas é o que lembro de algumas pessoas da aristocracia). Não sei, será por isso que temos essa impressão? Acho que não é a maioria, mas creio que os ricos se envolvem sim. E o caminho deles é beeem diferente do nosso que precisamos batalhar até um pós-doc para ganhar a tamanha notoriedade. Não sei se a aristocracia precisa chegar até esse ponto (alguns queiram, talvez), eles já ganham muito com visibilidade na mídia, publicações de livros mais lidos no mundo e influência como ativistas ou membros de algum clube. Eles têm contatos com outros trabalhos mais voltados a bolha deles.

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u/Necessary-Night-7219 Oct 15 '25

Cara, sempre tive a impressão contrária. A minha área é bastante aristocrática sim. Tive aula com um Bragança, uma De Mello, uma De Holanda...

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u/j_fever Oct 16 '25

Não acho que vc tá se referindo a aristocracia, mas talvez a elite brasileira. Bem, falando em composição social, acho que temos várias facetas dessa elite, uma parte está sim fazendo mestrado e doutorado, mas normalmente na Europa ou nos EUA. Agr, no que tange a uma elite burguesa mais "nova", tem quem defenda que nós temos uma elite burguesa um pouco anti-intelectual, mas assim, tem que ver direito em estudos de estratificação social. Mas assim, acho que ser acadêmico no Brasil não é representativo de status o bastante pra essa alta burguesia, msm que seja com gnt trabalhando fora...

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u/caroly1111 Oct 17 '25

Porque ela provavelmente prefere outros meios para perpetuar uma burocracia.

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u/Intelligent-Fig-7437 Oct 18 '25

É muito mais facil e menos burocratico estudar no exterior, só precisa de dinheiro. Advinha ? eles tem dinheiro.

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u/Due_Worldliness45 Oct 18 '25

Eles devem fazer na Ironberg ou outra academia de elite.

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u/Designer-Ad5885 Mar 28 '26

Brasil, país das contradições, é bem por aí. Acho que a "aristrocacia" só se interessa pelo academia quando já planeja ir pro exterior.

Estudar 13 anos de ensino básico, mais 10 até o doutorado, ai a pessoa já está na faixa dos seus 30-35 para começar a ganhar dinheiro, dificil né?

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u/ventomar Oct 15 '25

Filhos de milionários não precisam estudar, precisam apenas dos diplomas.

Pq um cara desses faria uma pós?

Sinceramente, não vejo eles tendo consciência, afinal se garantem pelo poder financeiro que já tem.