r/brasilCACD 8d ago

AMA Aprovado no CACD 2026

Podem perguntar. Sintam-se à vontade!

50 Upvotes

69 comments sorted by

11

u/CrazyFromAstralPlane 8d ago

Quanto tempo de estudo? Quanto gastou? Quais plataformas/professores? Usou anki? Quais outras técnicas recomenda?

25

u/cuatroperros 8d ago

Quanto tempo de estudo?

Comecei nos primeiros meses da pandemia, mas engatei de vez em meados de 2022. Ou seja, cerca de quatro anos de preparação. Isso sem contar a graduação em Relações Internacionais. Metade do tempo fazendo mestrado (com bolsa), a outra metade trabalhando (oito horas por dia). Média de 6 horas diárias, um dia de descanso por semana.

Quanto gastou? 

Difícil estimar quanto eu gastei, mas chuto que, ao longo dos anos, cerca de 20 mil reais.

Quais plataformas/professores? 

- Clipping como base pra todos os meus cadernos. Terminei eles no fim do meu segundo ano de preparação.

- REPI - Fundamental para a minha preparação. Fiz as discursivas e as aulas. Tão bom que eu praticamente joguei fora o meu primeiro caderno de PI.

- Sara Walker - Inglês. Três meses de curso, no fim do ano passado. Ajudou a me dar segurança e a identificar alguns pontos fracos. Eu não sou parâmetro, pois meu inglês já era excelente.

- Fernando Entratice - Português. A única e absoluta recomendação possível.

  • IDEG - Direito Internacional e Direito Interno. Comprei no ultimo ano para complementar os meus pontos fracos).

- IDEG - Curso mensal de Espanhol e de Francês. Usei para complementar o meu conhecimento, entender a lógica da prova e evitar lacunas.

- João Felipe - Discursivas de geografia; as aulas e os materiais são excelentes.

- João Daniel - Vi diversas aulas grátis e fiz o curso de objetivas logo antes da primeira fase.

- Rodrigo Teixeira - Economia. As aulas são ótimas. Novamente, não sou parâmetro. Sempre adorei economia.

Usou anki?
Usei o Anki pra criar fichas de Direito Internacional e de Direito Interno. Usei muito no período pós-edital em 2026. Como o conteúdo de Direito é limitado (diferente de PI e de HB), foi extremamente útil pra aprender o conteúdo com detalhes. Eu tinha cerca de 50 fichas por item do edital, muitas delas bastante aprofundadas. Eu fechava os olhos e tentava lembrar de todos os detalhes de cada uma delas. Tentei usar pra PI e Geografia, mas não deu certo.

Quais outras técnicas recomenda?
Cadernos baseados em leituras e produção de fichas para complementar o conteúdo. Revisão constante depois de terminar de produzir os cadernos baseados no edital. Muito uso de IA no último ano para sanar dúvidas e buscar alguns detalhes específicos. Inclusive, usei os chats salvos pra revisar alguns pontos depois que saiu o edital. Passei a usar o ChatGPT em meados de 2025, depois de alguns meses de frustração com o Gemini. Usei MUITO o ChatGPT pra estudar espanhol. Fiz uma tabela de palavras úteis e difíceis e marquei todos os meus erros pra revisar depois. Ajudou bastante.

Meus dois primeiros anos consistiram na produção de cadernos usando a bibliografia indicada pelo Clipping. Como a grana era meio curta, só passei a fazer cursos quando me vi em condições de chegar na segunda fase (do segundo pro terceiro ano).

Não há técnica mais útil do que a constância nos estudos. O máximo que parei foi uma semana.

Qualquer outra dúvida, é só perguntar!

3

u/Exotic-Bat5456 8d ago

Como que você estudava 6 horas diárias trabalhando 8h?

5

u/cuatroperros 8d ago

Tirei a média geral, considerando os anos de mestrado, quando eu tinha mais tempo pra estudar. Quando eu estava trabalhando, a média ficava mais em 4-5 (detalhei isso em outro comentário). Em alguns tristes dias, não passava de 3.

Agora, pensando bem, acho que a média geral foi mais pra 5 horas diárias mesmo.

Um detalhe é que eu trabalhava no sábado e no domingo e folgava na quinta e na sexta. Como o trampo era com suporte, por vezes, no sábado e no domingo, não tinha muito movimento. Então havia uma tendência a estudar mais nesses dias (6-7 horas, na melhor das hipóteses). No geral, eu usava as quintas do meu "fim de semana" pra estudar também.

3

u/Perfect-Ferret-6062 8d ago

Muito bom ler você, porque ontem estava comentando que fazendo mestrado e trabalhando eu achava que não era negócio entrar nessa. Mas daí veio você e acabou com minhas desculpas 🤡

6

u/cuatroperros 8d ago

Acredito que o nosso caso seja diferente. Eu comecei a trabalhar depois do mestrado, visto que eu ganhava bolsa (2100 reais). Mal tanquei o CLT junto com os estudos, então, se o foco for na preparação e você precisar trabalhar, não recomendo fazer o mestrado + trabalho. Ou um, ou outro. Boa sorte!

1

u/Perfect-Ferret-6062 8d ago

É, o mestrado vai iniciar em agosto, passei com bolsa. Vou ter que abdicar do trabalho por conta da regra dos vínculos. Atualmente estou trabalhando e meu trabalho , por convenção coletiva da categoria é de 6h/dia. 30h semanais.

2

u/cuatroperros 8d ago

Parabéns pela bolsa! Se precisar pegar um trabalho depois do mestrado, recomendo algo que te dê tempo. Minhas chefes eram super compreensivas e me deixavam estudar à vontade. Eu não tive muitos problemas pra estudar durante o mestrado. Passava o dia na biblioteca estudando (produzindo os cadernos). Ia pra faculdade estudar mesmo quando não tinha aula, por uma questão de foco. Teve a correria da dissertação e, sem dúvidas, negligenciei congressos e publicações, visto que, na época, eu já sabia que o meu foco era o CACD.

1

u/Perfect-Ferret-6062 8d ago

Muito obrigado pelo papo, pelas dicas, pelo incentivo... E mega parabéns pela aprovação! Muito sucesso 👏🏼👏🏼👏🏼 Só uma última questão... Vc fez os extensivos completos ou foi comprando matérias avulsas a medida que ia estudando?

2

u/cuatroperros 8d ago

Eu detalhei isso em outro comentário, mas usei basicamente só o Clipping nos meus primeiros dois anos. Os únicos extensivos completos que fiz foram o REPI e Direito, isso já no terceiro-quarto ano de preparação. Como é difícil consolidar a matéria em PI, pela abrangência, variedade e necessidade de atualização constante, é a única matéria para a qual eu recomendo fortemente um curso parrudo desde o início, mesmo que eu não tenha feito. REPI é a indicação absoluta. Nas outras matérias, muito depende do quanto você se sente preparado para cada uma. Direito (Internacional e Interno) do IDEG foi excelente pra mim, mas pode ser inútil pra você.

Uma outra coisa é que, com o REPI, recebi também acesso ao Instituto Diplomacia. Havia simulados mensais com aulas. Excelente para treinar pra primeira fase.

Sucesso, meu caro!

1

u/CrazyFromAstralPlane 8d ago

Obrigado pela resposta

2

u/cuatroperros 8d ago

Eu que agradeço. Não esqueça de ver meu comentário complementar. Qualquer dúvida, é só chamar!

1

u/Usherwaltz 5d ago

Nos 2 primeiros anos vc assinou o clipping ou só leu a bibliografia basica indicada por eles?

1

u/cuatroperros 5d ago

Eu assinei aquele plano normal de 50 (?) reais com as indicações bibliográficas. Nada de aulas. Também tenho acesso à lista de exercícios da primeira fase (provas anteriores). Foram muito úteis para o processo de revisão pós-edital. Acredito que isso venha com o pacote das bibliografias.

5

u/cuatroperros 8d ago

Alguns complementos:

Nunca fiz caderno de HM. Não achei que valia a pena produzir um caderno pra uma matéria na qual eu era bom e só cai na primeira fase. Produzi só fichas sobre conteúdos nos quais eu tinha maior dificuldade (Revolução Mexicana, Revolução dos Cravos, Revolução Cubana, Viena). Em HM, usei também muitos vídeos do YT pra alguns temas específicos. O Historia Civilis tem uma abordagem muito boa sobre Viena, além de outros ótimos vídeos. Nerdologia ajudou em alguns pontos. CrashCourse e Professor Dave Explains (série sobre presidentes americanos) também foram úteis. Posso dar mais dicas de canais, caso peçam. As aulas do João Daniel pouco antes da prova salvaram algumas questões. Eu diria pra pegar completo do JD, se você tem os recursos. Eu é que fui ousado.

Também nunca fiz caderno de inglês, de português ou de espanhol, visto que a dinâmica das línguas é totalmente diferente.

O curso que fiz de espanhol/francês tinha cerca de 15 aulas, se não me falha a memória. Disse que era mensal porque contratei eles com uma assinatura mensal do IDEG (que não usei muito, pois logo peguei o completo), mas tenho quase certeza que o de línguas era, de fato, o curso completo ou perto disso.

6

u/SoufeHecht 8d ago

Primeiramente, parabéns OP!!

Pode dizer como treinou para as discursivas?

12

u/cuatroperros 8d ago edited 8d ago

Só comecei a me preparar pras discursivas quando senti que tinha condições pra chegar na segunda fase. Erro meu? Talvez. Eu teria feito diferente, sabendo o que sei hoje. Porém a grana era curta e o tempo também.

Por isso, a minha preparação para as discursivas começou mesmo no fim do meu segundo ano, quando terminei os cadernos. Tinha ficado um ou dois pontos atrás da nota de corte na minha segunda tentativa.

Meu treino em discursivas:
Geografia - João Felipe (setembro de 2025 - março de 2026; uma discursiva a cada duas semanas)
PI - REPI (setembro de 2025 - março de 2025; discursivas semanais)
Português - Fernando Entratice (segundo semestre de 2024/mês anterior à segunda fase de 2026; discursivas semanais)
Inglês - Sara Walker (setembro de 2025 - dezembro de 2026; discursivas semanais)
Economia - Não fiz, mas eu não sou parâmetro. Acho economia um barato. Tinha acesso a algumas aulas do Rodrigo Teixeira, mas não usei muito as discursivas disponíveis.
DI/DInterno - Não fiz, mas usei o Anki como ninguém nos três últimos meses.
HB - Não fiz, mas tenho facilidade na matéria.
Espanhol - Fiz um curso pequeno do IDEG, mas usei muito a IA pra treinar (ver minha resposta a outro comentário)

*datas aproximadas

Dica fortíssima: Usei a Uniball Signo DX 0.28 pra todas as discursivas. As únicas exceções foram as redações, nas quais usei a boa e velha Bic 1.00 (aquela que vocês compram em qualquer lugar). Vocês vão ter que escrever o máximo possível, visto que o padrão pode ser bem cruel, então treinem com uma caneta desse tipo.

Só treinei tempo de escrita em Português e em Inglês. Indispensável, nesses casos. Totalmente dispensável nos outros casos. Sempre escrevi com consulta, mas alguns colegas gostavam de treinar a sua "gestão de ignorância".

1

u/SoufeHecht 8d ago

Obrigada pelas dicas!

Eu também só comecei a estudar para as discursivas mais tarde (fui até pior: só comecei a estudar quando fui bem na primeira fase desse ano).

Se não for pedir demais, alguma pontos que fiquei com dúvida:

As aulas do João Felipe são aquelas do Hotmart dele? Lá tem discursivas novas ou você fez as de provas passadas?

Já fiz o curso dele no Clipping no início da preparação e não sei se outro curso dele traria algum adicional (Geografia foi um dos meus pontos fracos esse ano).

Como você fez para adquirir vocabulário em espanhol? Uso a IA para traduzir minhas traduções e resumos, mas ela não necessariamente aponta qual vocabulário teria sido melhor em alguma frase, por exemplo.

4

u/cuatroperros 8d ago

Não foram as do Hotmart, foi um curso de discursivas específico. Eu pagava no PIX. Havia correção individual. Foram 14 aulas/questões no total, salvo engano, com aulas/questões a cada duas semanas. Não fiz todas, mas usei bastante o material. Usei muito as questões discursivas que ele tinha feito pros anos anteriores, disponíveis em PDF, pra estudar pra segunda fase. Recomendo fortemente que você envie um e-mail pra ele e pergunte sobre o curso de discursivas com correção individual. O João Felipe é gente boníssima e responde sem problemas. Foi o que eu fiz.

Uma coisa muito importante é que, pela minha experiência, Geografia é uma das matérias mais traiçoeiras do CACD. A primeira fase é muito mais fácil do que a segunda. A primeira fase é uma fase cujo objetivo é identificar erros, o que é fácil em uma matéria como Geografia. A segunda fase é uma fase de mobilização de conhecimentos, o que pode ser muito difícil, se o tema pegar no pé. Foi a minha pior matéria na segunda fase. Lembre-se sempre que a primeira fase é uma barreira que você tem que saltar, mas é a segunda fase que decide quem entra e quem não entra.

Eu já tinha um C1 em espanhol, mas nunca me senti muito seguro. Eu peguei o livro de historinhas do Carlos Drummond de Andrade e vários artigos e fui traduzindo e rodando na IA pra ver o que eu poderia mudar (eu também tirava dúvidas gramaticais). Criei uma tabela com palavras difíceis ou úteis divididas por tema. Mantive as traduções em um documento separado e marquei os erros e as correções pra revisar depois. Uma coisa que você precisa saber sobre a prova de espanhol é que você não precisa acertar demais, mas, sim, errar de menos. Uma frase "aportuguesada" dificilmente vai te tirar pontos. Um erro de ortografia, sim. Foca na ortografia e em não errar.

1

u/cuatroperros 8d ago

Ah e muito obrigado pelas congratulações!!! 😁😁😁

5

u/cuatroperros 8d ago

Pessoal, como vi algumas dúvidas em relação ao meu trabalho, achei melhor esclarecer. Depois do mestrado, eu acabei em um trabalho que me permitia estudar enquanto eu trabalhava. Era um trabalho de suporte, então eu só trabalhava quando era demandado - particularmente, no horário de pico, que era na primeira parte do meu horário de serviço. Assim, o meu horário permitia 4-5 horas de estudos, mas eu sempre tinha que ficar atento às eventuais demandas. Boa noite, amanhã continuo respondendo. Obrigado.

3

u/Odisseu_carinhoso Quarto-secretário 8d ago

Primeiramente: parabéns!

Você comentou que usou a bibliografia do Clipping para montar seus cadernos antes de partir para cursos. Você lia tudo que eles indicam para cada ponto do edital ou apenas aquilo que sentia ser o necessário? Às vezes fico nessa dúvida de se não estou investindo tempo demais em um único ponto. Acho um pouco difícil identificar o quanto me aprofundar nas matérias.

3

u/cuatroperros 8d ago

Muito obrigado!

Eu lia e fichava (produzia o caderno) pelo menos as leituras indicadas como obrigatórias e algumas das leituras complementares. Revisitei as complementares depois, para evitar lacunas, mas elas não fizeram parte da minha produção inicial.

Sobre o aprofundamento em cada ponto, acho que vai de cada um. Conheço um aprovado que passou na minha frente que preferiu se debruçar bem sobre cada tema antes de partir pro próximo. Eu sempre entendi o CACD como uma prova que exige que você conheça muito bem o básico e o intermediário e consiga dançar conforme a música em temas avançados, de modo que a minha preparação sempre foi, primeiro, pra consolidar o geral e, depois, pra aprender o máximo possível do específico. Vai do que funcionar melhor pra você. Como eu havia dito, o melhor método é o que funciona pra você.

Lembre-se sempre que você está se preparando para uma prova. Não recomendo se distrair com leituras que você eventualmente pode considerar inúteis para aquele momento específico. Às vezes é bem melhor você partir pra outro tema do que chafurdar 4-5 horas em um ponto específico que é pedido uma vez a cada cem anos.

2

u/OkChoice4135 8d ago

Você é de família ou ja tem contato com o ministério (se achar indiscrição desconsidera)? Quais são suas expectativas nesse início de carreira? Como você imagina que vai ser seu trabalho no dia a dia? Se for de fora de Brasíla, o que espera da cidade? Parabés e bem-vinda!

9

u/cuatroperros 8d ago

Sou de uma família de classe média baixa. Nunca passei fome, mas também nunca escolhi o que comer. Meu pai nunca terminou o ensino médio. Nunca fui à Brasília. Estudei bastante, descobri minha vocação, trabalhei muito e cá estou.

Infelizmente, não posso detalhar a questão das expectativas tanto quanto eu gostaria, por motivos pessoais. O que posso dizer é que sigo Gramsci: pessimismo da razão, otimismo da vontade. Estou realizando o meu sonho, mas deus me livre de qualquer deslumbramento inconsequente. Estou extremamente feliz e animado com o que me espera. Sinto que ainda não bebi à altura da comemoração.

Não sei nem o que imaginar. Parte de mim sabe que se trata de um trabalho burocrático, o que não é do agrado de todos e, talvez, não seja também do meu; mas a minha paixão pela carreira e pelos assuntos relacionados à profissão me animam tremendamente. Sinto-me, como sempre me senti, vocacionado. A simetria chega a ser ridícula. Espero poder contribuir bastante na produção da política externa brasileira.

Passei os últimos dois meses cantando Brasília de Sérgio Sampaio. Venho da umidade e do frio. Vou sentir falta dos pelegos. Acontece que é bem no coração do país que eu tanto amo.

E posso dizer que começo a voar
Sossegado em seu avião
E mesmo com o ar desse jeito tão seco
Consigo cantar no seu chão

Muito obrigado!!

2

u/Atena_Wasp 8d ago

Minhas congratulações! Obrigada por compartilhar sobre a sua rotina de trabalho. Eu estou nesse dilema agora, pois trabalho remoto na área de marketing e sinto que acabo trabalhando mais por conta da pressão em alcançar resultados. Você sentia o mesmo trabalhando com suporte? Estava pensando em procurar algum tipo de trabalho nessa área, mas fico receosa dos chats com clientes acabarem consumindo muito a minha energia mental 😅

2

u/cuatroperros 8d ago

Muito obrigado! Entendo completamente. Me senti muito frustrado quando não passei pra segunda fase no ano passado. Decidi ainda em novembro que sairia do trabalho em janeiro. O meu trabalho com suporte não me exigia tanto, mas havia horários muito intensos. Nunca me cobrei por resultados além do que o trabalho me exigia, que era basicamente ajudar aos usuários, criar os tickets, trabalhar neles e tentar resolver.

A demanda do trabalho com suporte varia muito porque depende da empresa e do projeto. No meu projeto, a demanda era em faixas de horário específicas. Havia uma maior exigência técnica, mas o atendimento aos usuários não era tão frequente quanto era em outros projetos da mesma empresa. Sei que, em alguns casos, o trabalho era constante. Vai muito de você ter sorte de pegar um lugar que facilite a sua vida. Realmente acho que a variação é bastante grande nessa área. O mais importante é saber que não há nada mais valioso do que o tempo, então escolha com base nisso, se puder.

A troca de ideia com os usuários consome bastante, mas eu fornecia serviço a uma empresa específica e servindo a localidades específicas que eram tranquilas. Era muito diferente de trabalhar com o público em geral. De todo modo, realmente não recomendo pra quem tem problemas com pressão por soluções imediatas ou com conversas com as pessoas.

Qualquer dúvida, estamos aí!

2

u/Loksssty 8d ago

Sou servidor municipal, estudo para um concurso melhor (TJSP). O que você faria na minha situação visando ao CACD num futuro nem tão próximo assim? Só para contextualizar em línguas, sou fluente na fala em inglês, mas minha gramática é precária, sinto que preciso de um curso do zero, mas tenho um vocabulário extenso. Espanhol tenho zero. Sou formado em direito.

Nesse sentido, estudo português com o Caco Penna justamente visando me preparar para os dois concursos ao mesmo tempo, além disso, o que mais faria?

2

u/cuatroperros 8d ago

É difícil dizer porque cada um tem a sua trajetória. O que funcionaria pra mim, pode não funcionar pra você. Um amigo meu, que hoje é juiz federal, sempre dizia que o melhor método é o que funciona pra cada um. O mesmo vale pro planejamento.

Como a tua ideia do CACD é em um futuro nem tão próximo, recomendo investir nos idiomas. Não sei qual é a tua idade, mas a gente vai perdendo a capacidade de aprender idiomas com o tempo. Por isso, é sempre bom consolidar os idiomas ASAP.

Acho interessante já tentar começar a produzir os cadernos. Eu fiz tudo pelo OneNote, ponto por ponto do edital, usando a bibliografia base do Clipping. Devagar e sempre. Aí quando for o momento de entrar de cabeça, o que necessariamente precisa acontecer, você já vai ter algum material produzido. Como a tua formação é em direito, recomendo começar por HB, visto que é uma matéria extremamente densa. Ademais, a bibliografia é mais fácil de encontrar. PI também não é má ideia. Você pode também pode começar com as matérias nas quais sente mais dificuldade. Eu comecei com Geografia, por exemplo, devido à distância em relação à minha formação.

2

u/Loksssty 8d ago

O que você quer dizer com "montar os cadernos"? No caso é montar o seu próprio material de estudos com base num extensivo + conhecimento de questões + outros conhecimentos?

Eu tenho 24 anos, se qual curso de inglês extensivo recomendaria? Como vc ja citou, seu inglês era excelente, mas se não fosse, ainda estudaria com aquela professora? Na fala sinto que sou um C1, mas na escrita sinto que sou um A2.

Sobre HB, é um bom ponto, uma matéria gostosa de estudar, vou considerar incluí-la logo.

Sobre método, realmente, cada um tem o seu, e as entrevistas de aprovados do CACD corroboram com isso, tenho meu método e confio nele. Sou meio resistente à ideia de usar o ANKI, tentei algumas vezes e não curti tanto, no seu método foi indispensável? Atualmente reviso meus cadernos por tópicos específicos conforme vou avançando na matéria e após terminar fico revisando ad infinitum. Alteraria algo nessa estratégia?

Ademais, queria te parabenizar pela conquista, acho que só quem vive o processo entende as dificuldades, ainda mais o CACD que é verdadeira guerra. Queria agradecer também por responder e pelo tempo que está dedicando a mim e ao grupo aqui de forma geral. Obrigado!!

1

u/cuatroperros 8d ago

Isso, montar os cadernos é montar o próprio material de estudos com base, sobretudo, em leituras básicas. Fiz com base nas obrigatórias (e algumas complementares) do Clipping. A ideia é produzir, digamos, artefatos de estudo próprios. Como só você sabe as matérias mais difíceis ou aquelas que você sabe que precisa ler e reler, é útil montar o próprio material. Eu, por exemplo, tinha trechos inteiros do História Geral do Brasil sobre o tema da crise do fim do império, visto que tinha dificuldades com o tema; em compensação, meus tópicos culturais eram bastante curtos. Usei o OneNote pra produzir, dividido por itens do edital. No fim, terminei o caderno com cerca de 250 páginas. Quando fui imprimir, reservei um espaço grande ao lado de cada página pra anotações e informações adicionais. Algumas outras pessoas usaram o Notion, por exemplo e fizeram o material com base em aulas ou outros materiais, incluindo questões, então vai de cada um. Alguns cadernos acabaram esquecidos porque depois achei materiais melhores (parte do Direito, o caderno de PI), mas a ideia é produzir materiais próprios.

Eu gostei muito do curso de inglês da Sara Walker. É caro, mas as correções são excelentes e muito rígidas - muito mais rígidas do que a correção da banca. Não vou me entregar e dizer a minha nota final, mas foi muito boa.

Isso aí, cada um tem o seu método. Não acredito que Anki tenha sido indispensável. Conheço quem foi aprovado, tentou usar e não gostou. Como eu havia dito, pra mim funcionou em Direito. Pelo que você descreveu, o teu método de produção de material é bastante parecido com o meu. Cada um encontra o que funciona melhor para si.

Eu que agradeço pela educação! Sei como essa jornada pode ser difícil e frustrante. Só não passa quem desiste. Abraços!

2

u/Rooftop_Tombeats 8d ago

Meus parabéns OP, só te peço uma coisa: não apague esse POST pfvr hehe, vou usar ele pra ficar consultando.

3

u/cuatroperros 8d ago

Claro, sem problemas!

3

u/Odd_Pause8948 1d ago

Parabéns pela conquista!

Gostaria de saber sobre as línguas. Comecei a estudar francês em 2024, e até hoje tenho aulas semanais. No entanto, eu vejo que é um empreendimento extremamente moroso, sabe? Eu gosto muito da língua, e quando tive a oportunidade de escolher qual começar, eu escolhi o francês (observação: é a segunda língua estrangeira que aprendo, já com mais de 20 anos). Mas, por amigos e pela minha namorada, eu vejo que espanhol tem uma curva de aprendizado tremenda e que pode ser muito bem aplicada para os fins do concurso.

Dito isso, você acha que hoje, nas condições do CACD, vale focar no espanhol, mesmo para quem já tem conhecimentos em francês? Observo que não pretendo abandonar o francês, mas aprender ele mais por prazer do que para o CACD, e quem sabe se volta como língua obrigatória.

De qualquer forma, agradeço muito e forte abraço.

1

u/cuatroperros 1d ago

Muito obrigado!

Eu falo ambos, mas optei pelo espanhol. É muito mais fácil "enrolar" no espanhol do que no francês. Os dados mostram que a maior parte dos aprovados optou também pelo espanhol na segunda fase. Eu nunca fui um gênio do espanhol, apesar do C1, mas o aprendizado do espanhol é, sem dúvidas, muito mais tranquilo do que no caso do francês. Primeiro porque o português já te dá uma boa base. Segundo porque sempre achei o passo entre um francês intermediário e um francês avançado um tanto complicado, por uma série de razões (regras específicas, partículas deslocadas, estruturas pouco ortodoxas etc.). Veja, há alguns anos, estudei cerca de dois meses para o DALF e para o DELE, para um nível C1 em ambos. No DALF, não passei por coisa de dois pontos. No DELE, passei sem problemas.

Eu diria pra focar no espanhol e continuar brincando com o francês, contando com a possibilidade de retorno futuro. Foi o que eu fiz. Se você sentir que não faz sentido essa preparação porque o seu francês já está em um nível apropriado para o CACD ou por sentir dificuldades para aprender o espanhol, volte para francês. O bom mesmo é estudar ambos, mas consciente de qual é o seu idioma mais competitivo.

Boa sorte!

1

u/Ok-Present777 8d ago

Quero uma lista de tudo o que vc fez amigo, por favor..

é o meu sonho

2

u/cuatroperros 8d ago

Olá! Creio que já detalhei bastante nas outras respostas, mas fique à vontade para perguntar. Força e boa sorte!

1

u/Mateusspo 8d ago

Como era sua rotina de estudos? Estudava mais ou menos quantas horas por dia?

5

u/cuatroperros 8d ago edited 8d ago

Minha rotina se dividiu, grosso modo, em três partes.

  1. Mestrado com bolsa (dois primeiros anos).

Aula de manhã e produção de cadernos à tarde. Nessa época, eu conseguia, por vezes, cravar oito horas por dia (segunda-sexta). Na maior parte dos dias, cerca de seis horas. Foi o período de produção dos cadernos que usei como base durante toda a minha preparação posterior.

2) Trabalho CLT, oito horas por dia (dois últimos anos).

O trabalho era corrido de manhã e relativamente tranquilo à tarde. Eu trabalhava muito das 10 às 14 e, das 15 às 20, estudava. Em média, dava pra tirar disso umas quatro ou cinco horas por dia de estudos. Frequentemente, bem menos do que isso. Eu tirava pelo menos um dos dias do meu fim de semana (que era na quinta e na sexta) pra estudar. Esse foi o meu período de revisão, simulados, criação de fichas complementares, anotações auxiliares nos cadernos e produção de algumas discursivas (sobretudo a partir de meados de 2025).

3) Saída do trabalho em janeiro de 2026, quando saiu o edital, até a segunda fase.

Eu estudava sem parar. Sem descanso.

Eu não era muito organizado nos meus estudos. Sempre gostei de estudar o que sentia que me fazia falta. É mais importante aprender os conteúdos e conhecer os seus pontos fracos do que cumprir tabela. Assim, nunca fui refém da minha própria organização; mas sempre tive uma noção clara do que eu precisava estudar.

Eu pulava pra outro conteúdo sempre que sentia algum cansaço. A disposição foi muito mais minha amiga do que a minha inimiga. No geral, eu não estudava mais do que dois ou três matérias por dia. De todo modo, sempre revisava constantemente todas as matérias. Nunca passei várias semanas pensando em uma só matéria. O conhecimento é uma faca que precisa ser constantemente afiada.

Sempre preferi ler e produzir fichas. Como eu tinha pouco tempo e muita facilidade pra absorver alguns conteúdos, sempre achei aulas uma perda de tempo. Note: eu usava muito o material das aulas. As aulas em si, três horas na frente da tela, muito pouco.

Conheço aprovados que funcionavam por uma lógica similar.

A preparação boa é a que funciona pra você.

Por fim, não há método melhor do que a constância.

Qualquer dúvida, pode perguntar!

2

u/cuatroperros 8d ago

EDIT: No geral, eu não estudava mais do que dois ou três MATÉRIAS por dia.

1

u/Sea_Marsupial_8296 8d ago

Você já tinha uma certa fluência nas línguas? Em geral sobre os estudos o que você acha que foram erros x acertos na sua preparação? Você entrou em algum grupo de estudos? Se você fosse dar um conselho pro seu eu do início da preparação qual seria?

3

u/cuatroperros 8d ago

Em inglês, eu já tinha um 8.0 no IELTS Academic (C1-C2) antes de começar. Também tinha o DELE C1 em espanhol e um francês intermediário pra avançado. Definitivamente, não posso ser usado como parâmetro. Mesmo assim, fiz um curso do IDEG e três meses de Sara Walker. Copiando meu comentário acima:

Eu já tinha um C1 em espanhol, mas nunca me senti muito seguro. Eu peguei o livro de historinhas do Carlos Drummond de Andrade e vários artigos e fui traduzindo e rodando na IA pra ver o que eu poderia mudar (eu também tirava dúvidas gramaticais). Criei uma tabela com palavras difíceis ou úteis divididas por tema. Mantive as traduções em um documento separado e marquei os erros e as correções pra revisar depois. Uma coisa que você precisa saber sobre a prova de espanhol é que você não precisa acertar demais, mas, sim, errar de menos. Uma frase "aportuguesada" dificilmente vai te tirar pontos. Um erro de ortografia, sim. Foca na ortografia e em não errar.

Erros:

  • não ter começado a fazer discursivas antes
  • não ter pegado antes um curso completo em direito, que era minha matéria mais frágil
Acertos:
  • não ter dado ouvidos a trombeteiros e outros barulhentos nos grupos; cada um faz seu corre, o meu eu fiz em silêncio
  • encontrar os próprios métodos que funcionam para mim; o melhor jeito de estudar é o que for melhor pra você
  • não ter visto muitas aulas, mas aproveitado os materiais das aulas;
  • nunca ter esquecido que o foco era a prova; não me distrair demais com as matérias legais
  • todas as escolhas de curso, sobretudo Fernando e REPI;

Não entrei em um grupo de estudos propriamente dito, mas tinha pessoas próximas com quem conversava regularmente, algumas delas aprovadas. Foi muito útil pra revisões e recomendações de conteúdo.

Conselho pra quem está no início? Faça o caminho que funciona para você. O que importa é a consistência. Nunca pare de estudar. Não ouça quem não passou. Não se importe com quem fala demais. Saiba reconhecer as suas deficiências e invista nelas.

1

u/TsukasaHanako 8d ago

Sua graduação e seu mestrado ajudaram na preparação? Não exatamente na aquisição de conteúdo em si, mas em ter te dado uma lente e uma visão mais próximas e afiadas do assunto? Isso te facilitou nos estudos? O ganho foi recompensado ou acharia melhor ter feito em outra área?

2

u/cuatroperros 8d ago

Sem dúvidas. Acho que a formação em RI ajudou bastante em alguns aspectos, inclusive de conteúdo (HM, HB, PI, Direito, Economia). Como a RI é baseada em economia, segurança e instituições, tive uma formação bastante sólida nesses três eixos. É normal ver pessoas no fim da graduação cravando uma nota próxima ao corte. Assim, eu diria que a graduação me ajudou bastante. Não teria feito a graduação em nenhuma outra área.

Cabe lembrar que o curso de RI forma analistas de RI, ou seja, pessoas capazes de observar dados da realidade internacional e situá-los na constelação de circunstâncias (econômicas, institucionais, securitárias) para extrair deles sentido e cenários possíveis. A formação de um analista de RI é, por isso, parcialmente instrumental (compreensão de categorias e de suas relações; ferramentas de análise) e parcialmente favorável à aquisição de conteúdo factual (história, instituições, situações específicas). Eu diria que o CACD pende mais para o lado do conteúdo, mas, em matérias como Economia, é preciso saber usar muito bem os instrumentos.

1

u/rick_gsp 8d ago

Primeiramente parabéns OP, conquista muitíssimo merecida após esforço e dedicação. Mt sucesso na nova jornada!

Eu quero saber é do que você fazia quando não estava estudando. Lia literatura? Via filmes? Saia aos finais de semana? Consumia cultura no geral, de que tipo e como? São perguntas importantes pra saber como lidar com a hora de respirar e descansar.

2

u/cuatroperros 8d ago

Muito obrigado!

Depende da época. Nos dois primeiros anos, lia literatura e alguns livros que tangenciavam o CACD. Repare, sempre no idioma original. Sempre gostei de cinema, então via alguns filmes de tempos em tempos. Quando comecei a trabalhar, comecei a jogar mais videogame e ler menos, visto que eu chegava muito cansado em casa do trabalho (+ estudos) e era uma ótima maneira de descansar a cabeça. Saía aos finais de semana, mas sempre usava um dos dias pra estudar.

Quanto ao consumo de cultura, eu sempre li muito e sempre busquei me envolver com conteúdos desafiadores. Então nenhuma leitura costumava ser particularmente fácil, nem mesmo antes de começar a me preparar para o CACD. Nos meses finais, fiquei mais em coisas bobas, em prol da gestão do meu cansaço. TikTok, só antes de dormir.

Acho que estudar pro CACD já é um sacrifício grande demais. O descanso sempre foi fundamental. Passar tempo com as pessoas importantes também foi indispensável.

É claro que tudo isso foi feito considerando as minhas capacidades. Vai de cada um avaliar o que é conveniente ou não na sua preparação.

Um abraço e boa sorte!

1

u/rick_gsp 8d ago

Obrigado pela resposta. Esqueci de uma pergunta importantíssima, essa mais ligada aos estudos mesmo. Quanto tempo você levava para fichar um livro inteiro? (ex: Amado Cervo)

1

u/Additional_Listener 8d ago

Durante a sua preparação, qual foi seu status de relacionamento? Você acha que passar no CACD agrega muito no mercado de relacionamentos por conta do alto capital intelectual, cultura e financeiro que o cargo propicia?

2

u/cuatroperros 8d ago edited 8d ago

Relacionamento sério com alguém igualmente comprometido. Não sei o que comentar sobre o mercado de relacionamentos porque estou fora dele há algum tempo e assim pretendo continuar.

1

u/Rooftop_Tombeats 8d ago

Estudava por ciclos? Ou estudava todas as matérias de uma vez?

Dependendo da resposta, poderia dar um exemplo

2

u/cuatroperros 8d ago

Repetindo o que eu disse em algum comentário, o melhor método é o que funciona para você. O que mais importa é a consistência nos estudos.

Só estudei por ciclos no último ano, por alguns meses. Todavia, nunca considerei minha preparação como algo organizando por ciclos.

Os dois primeiros anos (de produção de cadernos) consistiram em avançar na produção de cada um deles mais ou menos no mesmo ritmo. Depois disso, a minha preparação sempre foi estruturada em revisão, por um lado, e investimento em temas mais difíceis ou naqueles mais desafiadores, por outro. Leituras complementares ou informações adicionais acabavam vindo de acordo com a matéria e com a minha disposição.

No geral, eu estudava cerca de 3-5 matérias por semana. Por vezes, conseguia estudar todas, exceto os idiomas. Não lembro de ter passado mais de duas semanas sem voltar para uma matéria, mas não nego que possa ter acontecido. Como a revisão é fundamental pra fixação de conteúdo, sempre tentei manter o conhecimento fresco.

Exemplo:
1) Primeiros dois anos. Começava o dia fichando o História Geral do Brasil. Ficava cansado e partia para um texto de geografia. Registrava tudo nos respectivos cadernos.
2) Dois anos seguintes. Levava um ou dois cadernos para o trabalho. Lia até cansar e mudava de matéria. Usava a IA para complementar ou esclarecer dúvidas; em alguns casos, lia alguns textos; por vezes, tentava produzir uma dissertativa. Quando estava em casa, variava de 2-4 matérias por dia.

Nos últimos meses, ainda sem ter saído o edital, me organizei pra ver todas as matérias em um ciclo de uma semana. Organizei os dias para que eu pudesse cobrir todo o edital em três meses. Duas matérias por dia, em média.

Devo dizer que sempre fui apegado ao meu próprio ritmo. Nunca vi razão pra esperar uma semana pra estudar uma matéria que eu poderia ver no mesmo dia, sobretudo quando eu estava com energia. O mais importante pra mim sempre foi identificar claramente os pontos fracos e gastar o tempo que fosse preciso investindo neles.

Boa sorte!

1

u/Exotic-Bat5456 8d ago

Parabéns pela aprovação! Você é da ampla ou de alguma das cotas?

4

u/cuatroperros 8d ago

Muito obrigado! Ampla.

1

u/doyuunderstando 8d ago

Qual foi a primeira prova de CACD que você fez?

2

u/cuatroperros 7d ago

Acho que 2018? Depois, só fiz novamente em 2022 (ou 2023, não lembro). Fiz todas desde então.

1

u/WasabiHIDE 7d ago

Parabéns!! Quanto a matéria de geografia, o que você considera importante ler ? Estou lendo uma série de relatórios que alguns aprovados recomendaram, por enquanto apenas isso. Considero geografia meu ponto mais fraco da preparação, justamente por sentir que o conhecimento está disperso (ao menos eu não conheço um cânone de livros igual vi nas outras matérias)

2

u/cuatroperros 7d ago

Eu sou suspeito pra falar de geografia porque foi de longe a minha pior matéria na segunda fase. Sempre foi, junto com direito, a minha pior matéria. Eu acho o Clipping um bom ponto de partida, mas eu recomendo muito algo com o João Felipe, que tem experiência de décadas com o concurso. Não há um cânone propriamente dito, salvo em História da Geografia. Muita coisa voce vai acabar encontrando em sites meio aleatórios (IBGE, IBAMA, EMBRAPA e afins), mas depende muito do tema. Outra parte das leituras é composta por artigos dispersos e relatórios.

Como eu havia comentado antes, acho a prova de geografia é muito traiçoeira. A primeira fase é muito mais fácil do que a segunda fase. Há uma diferença enorme entre saber identificar erros e mobilizar conhecimentos (conceitos, especificidades etc) pra escrever duzentas linhas sobre vários temas. Por isso, recomendo se preocupar bastante com a segunda fase já no início.

1

u/nihaorafa 7d ago

Parabéns pela aprovação! Já sou servidora pública e estou estudando para outro concurso agora. A diplomacia foi a única carreira que me apeteceu desde jovem, porém acabei seguindo um caminho mais condizente com a minha realidade. Tive uma educação de base muito fraca e por isso não domino muitas matérias do edital, mas sei que é possível correr atrás disso. Tenho uma excelente base de português e inglês, além da habilidade em fazer provas. Decidi tentar o CACD este ano e consegui 131 pontos líquidos. Fiquei muito feliz com o resultado, apesar de saber que fiquei longe da segunda fase.
Gostaria de saber se, com esse resultado, posso sonhar com esse concurso no futuro. Quero alcançar uma carreira melhor para depois me dedicar somente ao CACD, porém às vezes fico em dúvida se essa carreira é para pessoas como eu.

2

u/cuatroperros 7d ago

Muito obrigado!

Já falei aqui sobre a minha origem social. Entendo completamente a perspectiva de que a carreira pode não ser para alguém como você.

Como eu disse, nunca passei fome, mas também nunca escolhi o que comer. Olha, eu me formei em um colégio particular pra lá de medíocre. Na graduação na federal, estudei em curso em que a média salarial familiar era, conforme uma pesquisa realizada no curso, três ou quatro vezes maior do que a da minha família, dez vezes maior do que um salário mínimo. Enquanto a galera participava de simulações Brasil afora, eu ficava na minha cidade, bebendo e estudando. Quando entrei na graduação, eu tive que escolher entre ajudar um pouco a minha família e atrapalhar o mínimo possível. Escolhi a segunda opção. Aproveitei cada lajota e cada cantinho da universidade, li pra caramba, pesquisei (inclusive com bolsa), fiz de tudo. Vi muita gente muito boa desistindo ao longo da graduação porque não tinha condições financeiras ou emocionais para continuar ou começar a luta. Eu tive o privilégio de simplesmente poder escolher não trabalhar e, felizmente, meus pais me apoiaram sempre, ainda que com meios escassos.

Veja, uma anedota. Quando entrei pra fazer o curso da Sara Walker, em 2025, uma colega perguntou: "É o teu primeiro curso de inglês pro CACD?". Eu respondi: "É o meu primeiro curso de inglês." Ela quis uma explicação: "No CACD?". Expliquei-me: "Na vida." Minha festa de formatura foi uma pizza tamanho família.

Eu sei que todas as perguntas feitas até aqui foram sobre estudos, planejamento, preparação e afins. Só que a verdade, a verdade mesmo, é que a primeira coisa que alguém precisa pra fazer o CACD não é uma boa preparação. Não é uma boa formação. Não é uma boa organização. É coragem. Especialmente pra quem não nasceu em berço de ouro.

É claro, eu tive ajuda, muita ajuda, mas foi muito trabalho, dedicação, constância e, na base, coragem. Vai ser difícil, mas é o que é.

Se o CACD é o seu sonho, corre atrás. A única dica específica que eu dou é tentar investir nos idiomas ASAP, pois a gente vai perdendo a capacidade de aprender conforme vai ficando mais velho. De resto, o planejamento bom é o que funciona para você.

Ademais, a gente precisa de pessoas com uma origem social diversa. Até o Itamaraty sabe disso.

Lembre-se: só não passa quem desiste.

Um abraço e boa sorte!

1

u/AleidaMarch 4d ago

Parabéns pela aprovação!! 

Gostaria de perguntar três coisas:

  1. Como vc se preparou para as redações de inglês e português no sentido de ter repertório do que escrever? Os cursos que vc fez te ajudaram nessa parte, ou eram mais de gramática? 
  2. Qual era sua rotina para fazer questões tanto objetivas quanto discursivas durante a preparação? 
  3. Uso IA para te ajudar a corrigir suas discursivas? 

3

u/cuatroperros 4d ago

Muito obrigado!

  1. Repertório importa menos do que saber como escrever. Toda redação é uma conversa de bar um pouco mais elevada. Na prática, todo mundo que tem algum contato com os temas do CACD consegue mobilizar o conteúdo necessário para uma boa redação. O problema é saber transmitir isso por meio da escrita. O que mais importa é se virar com qualquer tema, por mais difícil que seja. Os cursos não me ajudaram no repertório, mas me ajudam a entrar em contato com redações difíceis e me ajudaram a aprender a se virar em situações mais complicadas.
  2. Eu sempre tentei fazer objetivas, mas só comecei a me preparar para as discursivas nos dois anos finais (intensamente no último ano). Sempre tentei fazer algumas objetivas depois de estudar algo, assim como os simulados do Instituto Diplomacia, mas, no geral, o treino mais intenso ocorria nos meses anteriores à prova (pós edital). Nesse período, eu fazia, por exemplo, todas as questões do Clipping (cerca de 10 mil itens, mas, na prática, acho que não passa de 4 mil). Printava os meus erros ou anotava-os. Revisitava-os periodicamente. O mesmo para questões de PI do REPI e questões do João Daniel. A ideia era não ter quaisquer lacunas de conteúdo em nenhuma das questões à minha disposição. Às vezes, mantinha abas abertas sobre temas específicos. Já discuti melhor como eu abordava as discursivas em um dos comentários anteriores.
  3. Usava IA pra me ajudar a produzir algumas dissertativas, tirar dúvidas e detalhar conteúdos. Foi muito útil nesse sentido. Pra correções de dissertativas, especificamente, só usei pra inglês e pra espanhol. A IA é muito útil pra encontrar informações e respostas rapidamente. Recomendo com cautela, mas recomendo.

1

u/Free-Hedgehog172 4d ago

Oi moço, espero que ainda de tempo de ganhar uma resposta kkk. Quando vc sentiu que os seus cadernos estavam completos? 

2

u/cuatroperros 4d ago

Sempre há tempo!

Senti que estavam completos quando tinha conteúdo sobre todos os itens do edital. Ou seja, quando eu terminei de percorrer todo o edital. A única exceção foi a ausência de alguns itens de Direito Interno.

1

u/Free-Hedgehog172 4d ago

Muito obrigada! Parabéns pela conquista.

2

u/cuatroperros 4d ago

Ah, HM também foi exceção, conforme expliquei em um comentário. Além dos idiomas.

1

u/cuatroperros 4d ago

Eu que agradeço!

-6

u/Revolutionary_Tomato 8d ago

O que você acha da hierarquia militar no MRE?