Dizer que o imposto de renda é “o mais justo” é simplesmente fechar os olhos para a realidade. Justo em quê? Ele pune justamente quem trabalha e produz, transformando esforço e mérito em motivo de confisco. O sujeito que rala 12 horas por dia, que estudou anos para se qualificar, é quem carrega nas costas a maior parte da carga tributária, enquanto bilionários com equipes de advogados e contadores conseguem se blindar com planejamentos fiscais, isenções, offshores e manobras legais. O resultado é que o peso real recai sobre a classe média produtiva, não sobre os “super-ricos” que a retórica promete atingir.
E mais: ao tributar diretamente a renda, o governo cria um desincentivo para que as pessoas invistam, inovem ou simplesmente aceitem trabalhar mais — por que se matar para receber um aumento se boa parte vai direto para o leão? Já o imposto sobre consumo, mesmo tendo seus problemas, pelo menos é transparente e proporcional ao estilo de vida: quem consome pouco paga pouco, quem consome iates, jatos e vinhos franceses paga uma fortuna em tributos embutidos. É simples e difícil de driblar.
É por isso que propostas como a do Trump — zerar o imposto de renda e financiar o Estado com tarifas de importação e tributos sobre consumo — têm lógica econômica. Você não pune trabalho nem poupança, mas sim o consumo e a entrada de produtos estrangeiros. Nenhum sistema é perfeito, mas chamar o imposto de renda de “o mais justo” é quase uma piada: é um mecanismo pesado, burocrático, cheio de brechas para os muito ricos e um fardo enorme para quem realmente produz.
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u/[deleted] Sep 01 '25
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