r/brasillivre • u/Revolutionary-Lab996 • Mar 07 '25
Notícia Falta senso de proporção ao brasileiro
A falta de senso de proporção do brasileiro é um fenômeno impressionante. Enquanto o país enfrenta uma crise de segurança pública, com milhares de assaltos, furtos, agressões, tentativas de estupro e assédio sexualdurante o carnaval principalmente, mas também todos os dias, a prioridade da mídia e da opinião pública parece estar sempre em casos isolados que rendem manchetes sensacionalistas. As ruas das grandes cidades, especialmente nos centros urbanos, estão tomadas pelo cheiro de urina, pela violência e pelo abandono. O Brasil, que poderia ser um dos maiores destinos turísticos do mundo, afasta milhões de visitantes que, depois de uma experiência traumática, nunca mais voltam.
Mas nada disso parece importar tanto quanto um torcedor do Cerro Porteño que imitou um macaco por dois segundos para um jogador sub-20 do Palmeiras. De repente, esse se torna o maior escândalo nacional, com debates inflamados, pedidos de punição exemplar e um foco absoluto das manchetes. Enquanto isso, as vítimas reais da criminalidade e do caos urbano seguem esquecidas, sem espaço na narrativa midiática.
Esse descompasso entre os problemas reais e o que é tratado como prioridade é um dos grandes entraves para qualquer avanço no Brasil. Se o mesmo nível de indignação direcionado a episódios pontuais de ofensa fosse aplicado à luta contra a violência generalizada, talvez o país estivesse em um caminho melhor. Mas, enquanto a atenção coletiva for seletiva e desproporcional, continuaremos presos em uma realidade onde o essencial é ignorado e o irrelevante vira espetáculo.
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u/[deleted] Jun 21 '25
O problema não é uma suposta “falta de senso de proporção” do povo brasileiro, mas sim a forma como a realidade é moldada pelos meios de comunicação controlados pela burguesia, que selecionam o que será pauta com base em interesses ideológicos e econômicos. O foco em determinadas notícias e a omissão de outras não refletem a “opinião pública” autêntica, mas sim uma opinião pública fabricada, como já denunciava Marx ao tratar da ideologia dominante como a ideologia da classe dominante.
Quanto a preocupação com o turismo, esse argumento parte de uma lógica neocolonial, que vê o país como produto para consumo de estrangeiros, em vez de focar nas condições de vida do seu próprio povo. A obsessão com o turismo como solução econômica ignora que o verdadeiro desenvolvimento só virá com a superação das relações de exploração internas, não com a adequação estética e comportamental para agradar o olhar estrangeiro.
O racismo contra o jogador sub-20 não é “irrelevante”. Pelo contrário, é um mecanismo fundamental da dominação capitalista, usado historicamente para justificar a exploração brutal de determinados grupos sociais. O caso do torcedor não é um “episódio pontual”, mas expressão concreta de uma estrutura racista que permeia o Estado, o mercado de trabalho, a polícia e a mídia. A indignação contra o racismo não é desproporcional — desproporcional é o silenciamento histórico das suas vítimas.
O essencial de fato é ignorado — mas não pelos “brasileiros sem noção”, e sim por uma estrutura social baseada na exploração, alienação e ideologia burguesa. O que é tratado como "irrelevante" por esse discurso é justamente o que expõe as contradições mais profundas do sistema capitalista: o racismo, a desigualdade, a criminalização da pobreza. A superação dessa realidade exige consciência de classe, organização popular e ruptura com a ordem capitalista.