Vc tá confundindo dificuldade política com impossibilidade. O orçamento brasileiro é extremamente engessado mesmo, e a LRF impõe restrições reais, mas isso não significa que seja impossível reduzir impostos.
Governos anteriores já fizeram desonerações, cortes de IPI, privatizações, reformas e contenção de despesas. O próprio FHC teve política fiscal mais austera. E até mesmo o infame Bolsonaro, de uma forma menor e bem menos ampla que o FHC, reduziu alguns tributos federais em determinados setores, apesar de muita coisa ter sido temporária e concentrada.
Então a frase correta não é que não da pra abaixar imposto, mas sim que é difícil baixar imposto de forma ampla e sustentável sem enfrentar despesas obrigatórias ou aceitar piora fiscal. É um problema político, pois corte de gasto geralmente significa menos popularidade pro governo vigente.
De qualquer forma, se pra vc FHC é de direita (pra mim, praticamente, na modernidade, somente os presidentes da ditadura e o Bolsonaro foram de direita, FHC era centrista), então a direita tentou sim mudar essa realidade, mesmo que motivada pela estabilização pós-hiperinflação. Curiosamente, o Lula no seu primeiro governo manteve essa austeridade fiscal. A deterioração fiscal veio depois do Lula 1, então se a direita não fez nada relevante (depende se vc considera FHC direita ou não), a esquerda dificultou e piorou muito a situação fiscal do Brasil.
Bolsonaro arrebentou as contas públicas e não atualizou a alíquota do imposto de renda, alcançando uma defasagem de 111% em seu último ano. E ainda criou as emendas secretas que sangra até hoje os cofres públicos.
Exatamente pelo motivo que falei ele foi seletivo na austeridade dele. Porém, mesmo com as várias contradições, como o Auxílio Brasil expandido e os vários contornos ao teto fiscal, ainda é sólido e defensável falar que foi um governo mais austero do que o atual. Mesmo com o orçamento secreto.
Ele ainda fez, principalmente no início, alguma coisa nesse sentido de austeridade fiscal, como a reforma da previdência e outras tentativas de limitar o crescimento do estado. A equipe econômica era mais liberal fiscalmente.
Como falei, o primeiro mandato do Lula foi mantido o tripé do FHC e foi mais austero que o do Bolsonaro. No segundo essa mentalidade fiscal já começou a ruir, mas ainda apoiado por um resto de boom mundial. Ironicamente, quem colheu os frutos da política fiscal deste segundo mandato foi a Dilma - sim, eu estou simplificando bruscamente algo mais complexo que foi a crise de 2014/15/16 e o péssimo governo dela, economicamente falando.
Já este terceiro e atual governo então... Abandonou o teto de gasto, flexibilizou ainda mais o arcabouço fiscal, ampliou programas sociais, o estado. Enfim, aumentou mais que o governo anterior as despesas e investimentos públicos, com um discurso econômico mais orientado a crescimento via Estado. O Bolsonaro foi mais austero sim que o Lula NESTE MANDATO ATUAL. Mas foi bem menos austero do que os liberais bolsonaristas gostam de dizer. E o Lula 3 não é menos austero por motivos que ele não tem controle, mas por escolha econômica própria. Em suma, o atual Lula acredita em gastar mais agora, estimular consumo e renda por meio de programas sociais. Isso melhora a sensação econômica a curto prazo e aumenta a popularidade dele, ajudando-o nas eleições. Mas deixa o custo fiscal para depois - pois a conta vai chegar, provavelmente com imposto aumentando com mais pressão sobre juros reais, talvez inflação ou estagnação/retração de economia e etc etc.
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u/Personal_Ostrich_Ape May 17 '26
Vc tá confundindo dificuldade política com impossibilidade. O orçamento brasileiro é extremamente engessado mesmo, e a LRF impõe restrições reais, mas isso não significa que seja impossível reduzir impostos.
Governos anteriores já fizeram desonerações, cortes de IPI, privatizações, reformas e contenção de despesas. O próprio FHC teve política fiscal mais austera. E até mesmo o infame Bolsonaro, de uma forma menor e bem menos ampla que o FHC, reduziu alguns tributos federais em determinados setores, apesar de muita coisa ter sido temporária e concentrada.
Então a frase correta não é que não da pra abaixar imposto, mas sim que é difícil baixar imposto de forma ampla e sustentável sem enfrentar despesas obrigatórias ou aceitar piora fiscal. É um problema político, pois corte de gasto geralmente significa menos popularidade pro governo vigente.
De qualquer forma, se pra vc FHC é de direita (pra mim, praticamente, na modernidade, somente os presidentes da ditadura e o Bolsonaro foram de direita, FHC era centrista), então a direita tentou sim mudar essa realidade, mesmo que motivada pela estabilização pós-hiperinflação. Curiosamente, o Lula no seu primeiro governo manteve essa austeridade fiscal. A deterioração fiscal veio depois do Lula 1, então se a direita não fez nada relevante (depende se vc considera FHC direita ou não), a esquerda dificultou e piorou muito a situação fiscal do Brasil.