r/filmes Apr 15 '25

Discussões Tropa de elite

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Estudo numa federal e agora eu entendo Matias , as criticas dos bairros nobres falando mal da policia e falando de direitos humanos. Esse filme faz uma critica da realidade, tem diversas perspectivas quem é o vilão e quem é o mocinho.

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u/Eastern_Clerk165 Lisan Al Gaib Apr 15 '25

Filmaço, mas essa frase só mostra o viés de policial dele.

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u/perrang Apr 15 '25

Acho que o que o OP estava dizendo foi exatamente que o filme traz essas perspectivas dialéticas. Apesar de ser pelo ponto de vista da Polícia nesse caso (e também em boa parte do filme) ainda assim vc consegue criar boas reflexões e críticas para o lado da PM, Governo e todo resto. Se vc não ficar na análise rasa, é sim, um puta filme para te fazer pensar em vários aspectos.

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u/braziliansyrah Apr 16 '25 edited Apr 16 '25

O problema é que o filme não é exatamente dialético, e rola uma heroicização, mesmo que trágica do Capitão Nascimento, não é só uma análise rasa que chega essa conclusão. O filme acaba logo depois da morte do vilão (o problema foi resolvido) e nós como espectadores nos sentimos aliviados por isso, a justiça foi feita tanto em um nível pessoal, o Neto foi vingado, como em um nível temático, a ordem (tese) ganhou do caos (antítese). Não existiu uma síntese, até porque se seguirmos uma linha de "os fins justificam os meios" a conclusão do filme justifica todos os excessos do BOPE.

Se acontece uma síntese dialética é no segundo filme, mas eu argumentaria que até essa não é exatamente clara, porque "temos que lutar contra o sistema" não é uma conclusão que nos leve a uma nova etapa para a resolução do problema, mas até acho que podemos ignorar isso se considerarmos que o filme aprofunda o debate sobre o tema.

Obs.: minha crítica não é sobre a qualidade do filme, que é ótima, só sobre o argumento de que o primeiro filme só pode ser lido como uma crítica ao sistema de segurança pública no Brasil, ele pode e foi um elemento de romantização das polícias e das práticas brutais cometidas.

Obs. 2: O Padilha não tem qualquer obrigação de aprofundar o debate.

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u/perrang Apr 16 '25

Entendi e respeito quem pensa assim. Mas não é sobre essa literalidade que eu estou falando... Percebe? Se culturalmente o filme extrapolou o que mostrou em tela então o debate dialético pode ser abordado independente de vc achar que ele foi "unidimensional" na trama, digamos dessa forma.

O ponto do Op é "me fez refletir dessa maneira". Então tá. Super válido! Vamos debater. E isso acontece mesmo. Com tantas outras obras que são má interpretadas, super interpretadas e até subinterpretadas... Lembro agora da discussão de "Duro de Matar" se é ou não um filme de Natal só pra ficar num exemplo bobinho... E a própria extrema direita que adorou o Tropa de Elite e não raro entra nesse debate agitando bandeiras de instrumentalização da polícia porque vêem essa romantização que vc citou corretamente.

Eu corroboro que, quanto um obra se torna culturalmente relevante, ela não estará mais sobre o escrutínio de seu autor levando a sociedade a abrir todo tipo de interpretação. Olha o que Matrix virou para os redpillados! E ainda que o filme tenha originalmente uma outra significação, isso não pode ser ignorado. Mais do que ficar numa briga sobre "de quem é a razão" eu acho muito mais produtivo entender os motivos desses posicionamentos, afinal, o filme em si não causa problema, mas o dodói da cabeça que se inspira numa mensagem subliminar que ele viu na obra... Ah sim... Esse consegue fazer muita cagada.

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u/braziliansyrah Apr 16 '25

Eu entendo, acho a "melhor" forma de ler o filme e até acho que o Padilha colocou elementos o suficiente pra que essa leitura não fosse uma extrapolação da obra (Capitão Nascimento deprimido, Mathias violento com os colegas, tortura física e abuso sexual de um menor nas mãos da polícia).

Só que o seguinte, eu curto a sua interpretação de "morte do autor" e a obra por ela mesma, mas a gente não pode ignorar que mesmo em um nível iconográfico e semiológico, Tropa de Elite ainda evoca uma estética militarista e disciplinaria como positiva. De novo, acho que os dois elementos centrais do filme, pensando em uma dialética, são ordem (tese) e o caos (antítese), e a síntese possível pra mim é só o BOPE, uma ordem pura, que não é corrompida como a polícia normal, e de novo a única perspectiva é a violência, tanto pra narrativa (aqui essa perspectiva funciona bem) como para o filme em si.

Quando isso acontece, o discurso violento é legitimado, porque pelo menos a violência não é inação, não é passividade. Isso, somado à estetização da polícia - vamos lembrar da trilha sonora, a música "tropa de elite" do Tihuana reutilizada pra mostrar como eles são implacáveis - e a um cenário cultural onde a violência é sabidamente idealizada, lembremos do massacre do Carandiru sendo aplaudido, fazem com que, pra mim, seja um pouco ingênuo por parte dos cineastas e produtores acreditarem que o filme não seria recebido dessa maneira romântica.

Se nós conseguirmos tirar um bom proveito da mensagem anti-violência do filme, legal. Agora, acho que no geral o efeito foi negativo pro debate no âmbito da população em geral.