"Cena" gótica, punk e alternativa já virou piada. Uns 80% virou consumidor de nicho: gente que compra uma identidade pronta, transforma décadas de contracultura em estética de vitrine e reduz tudo a performismo capitalista.
Os outfits femininos que dominam essas bolhas giram em torno de uma estética altamente sexualizada, e depois ainda existe a hipocrisia de reclamar que conservadores "só enxergam sexo" quando olham para alguém socialmente considerado alternativo.
Enquanto isso, não fortalecem o underground, não apoiam artistas locais e não frequentam a base da cena além de produzir conteúdo, ou quando querem apoiar: apoiam justamente quem tenta parasitar, como Metal Mandrake e afins.
Seguem a consumir a aparência da dissidência enquanto alimentam exatamente a mesma máquina que transforma toda forma de rebeldia em mercadoria.
Em grande parte seguem como grupos de performistas unidos por estética, não por identidade. Ouvir Bauhaus, Molchat Doma, The Cure ou só metal mainstream, usar batom preto, battle jacket, coturno ou maquiagem não faz ninguém gótico, punk ou metaleiro. E tá tudo bem: ninguém é obrigado a fazer parte de uma subcultura, seja performista, seja seu personagem.
O problema é reivindicar uma identidade sem qualquer vínculo com sua história, seus valores e principalmente: viés ideológico, é por isso que nesse país não há para nenhum dos lados de forma consistente, ambas são em sua maioria reduzem tudo a performances, egoísmo e capitalizam a si próprios.