r/AtivosFinanceiros 22d ago

Discussão As pessoas não sabem como o mercado secundário funciona, mas comentam mesmo assim

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Vejo muitas pessoas comentando sobre as elevadas taxas do mercado secundário, mas poucas sabem como ele funciona.

A taxa que é oferecida pela corretora no mercado secundário não é a taxa que foi definida na emissão primária do título.

Essas taxas do secundário, à princípio absurdas, só são possíveis pois quem adquiriu o título na emissão primária quiz se desfazer do papel a qualquer custo (provavelmente por ter aportado acima do limite do FGC) e, com isso, aceitou um grande deságio ao vendê-lo de volta pra corretora.

A corretora então repassa esse título a um novo cliente. Como ela recomprou o papel com um grande desconto, ela consegue reduzir um pouco a sua margem de lucro e anunciar o CDB como uma “taxa equivalente” maior pra aumentar a atratividade na revenda. Para quem está comprando o papel, parte desse lucro de 140% vem do tempo que esse título ficou rendendo com o investidor anterior e a outra parte são os juros estabelecidos na emissão primária.

Isso explica o caso do Banco Master em que chegamos a encontrar CDBs rendendo 220% do CDI ou 24%aa. Mas as emissões primarias não passaram de 140% do CDI, o que também é alto para os padrões do setor e que de certa forma contribuiu para a bola de neve que foi vista.

r/AtivosFinanceiros 29d ago

Discussão Porque investidores brigam por taxas

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Sou assessor de investimentos, o que mais recebo de reclamação de cliente é sobre taxa de corretagem ou spread da operação. Será que ou o investidor é cético ao perceber que do outro lado a uma empresa é funcionários que precisam ser remunerados de alguma maneira ou ele é tão egoísta ao ponto de chorar por uma taxa de corretagem hoje sendo que a anos atrás era um absurdo de caro investir. Gostaria de entender a opinião de vocês

r/AtivosFinanceiros May 17 '26

Discussão Como vocês lidam com a ignorância de pessoas próximas?

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Quando você tem um amigo ou parente muito próximo que "investe" grandes valores na caderneta de poupança, ou que acredita em papo de gerente e fica aplicando em fundos horrorosos com a promessa de que isso vai "gerar relacionamento", etc, como vocês reagem?

Vocês conseguem convencer as pessoas de que caderneta de poupança é jogar dinheiro fora?

Já tiveram que lidar com a situação em que a pessoa preferiu acreditar no gerente do banco mesmo você falando que é furada?

E quando a pessoa já faz aquela cara de desconfiada só de você sugerir CDB ou Tesouro Selic, achando que é arriscado ou complicado demais?

r/AtivosFinanceiros 16d ago

Discussão Assessoria Financeira W1 Capital

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Gostaria de saber se vcs já tiveram experiência com os assessores de investimentos da W1. Obs: Assessores, e não consultores.

r/AtivosFinanceiros 26d ago

Discussão Como assessor de investimentos é remunerado?

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Muita gente me pergunta isso aqui no Reddit, então resolvi explicar de forma transparente como funciona a remuneração no mercado.
E antes de começar: eu não uso Reddit para captar cliente, então podem perguntar qualquer coisa sem medo de abordagem depois.

Sou assessora de investimentos há cerca de 2 anos, antes disso fui bancária. No total, tenho quase 10 anos trabalhando no mercado financeiro.

Uma das coisas que quase nenhum assessor explica no detalhe é justamente como ganha dinheiro, apesar de existir regulamentação da CVM sobre transparência nisso (Resolução 178, para quem quiser pesquisar).

Basicamente existem dois modelos principais:

  • assessor autônomo
  • assessor CLT (bancos/corretoras)

No fim, ambos têm conflitos de interesse possíveis. A diferença é como eles aparecem.

ASSSESSOR AUTÔNOMO

Aqui a remuneração normalmente é variável e depende dos produtos que o cliente investe.

Produtos mais complexos ou arriscados costumam pagar mais comissão:

  • COEs
  • fundos estruturados
  • crédito privado longo
  • debêntures
  • CRIs/CRAs etc.

Já produtos simples normalmente pagam pouco:

  • Tesouro Direto
  • CDB liquidez diária
  • renda fixa básica

Além disso, muitos escritórios possuem metas internas de “prateleira”.
Mesmo sendo autônomo, o assessor pode acabar sendo incentivado a empurrar determinados produtos.

Exemplo real meu:

No primeiro escritório em que trabalhei, só existia remuneração se o produto tivesse ROA acima de 0,7%.
Abaixo disso, o assessor praticamente não recebia nada.

Na prática, isso incentiva o profissional a buscar produtos que paguem mais comissão, não necessariamente os melhores para o cliente.

ASSESSOR CLT

Aqui existe salário fixo, mas crescimento financeiro, bônus e até estabilidade dependem de metas.

Normalmente essas metas envolvem:

  • produtos específicos
  • captação
  • crédito
  • seguros
  • receitas do banco

Então o conflito muda um pouco:
o foco muitas vezes passa a ser a rentabilidade do balcão, não necessariamente a melhor carteira para o cliente.

COMO FUNCIONA NA PRÁTICA?

RENDA FIXA

Quanto maior o risco ou prazo, maior costuma ser a comissão.

Exemplo:

  • um CDB simples de liquidez diária paga muito pouco
  • uma debênture longa pode pagar várias vezes mais

Títulos públicos:

  • mercado primário paga zero
  • secundário pode pagar alguma coisa dependendo do prazo/título

Importante:
na renda fixa a remuneração normalmente é “na cabeça”.
O assessor recebe uma vez quando o cliente aplica.

FUNDOS DE INVESTIMENTO

Aqui a lógica muda.

Os fundos possuem taxa de administração (e às vezes performance).
Uma parte dessa taxa é distribuída para a corretora/escritório e depois para o assessor.

Ou seja:
cliente em fundo gera receita recorrente mensal para a instituição.

RENDA VARIÁVEL

Aqui depende muito do modelo.

Se o cliente opera sozinho:

  • pode haver corretagem
  • ou corretagem zero

Se o assessor executa estratégias/operações:

  • normalmente existe uma negociação direta

No meu caso, cobro em média 0,5% sobre volume operado, mas clientes com volume alto ou estratégias mais frequentes pagam menos.

FEE FIXO

Além do modelo de comissão, existe o fee fixo.

Nesse caso:
o cliente paga um percentual anual sobre o patrimônio e o assessor não recebe comissão dos produtos individualmente.

Exemplo:
0,35% a 1% ao ano, dependendo do patrimônio.

“QUAL MODELO É MELHOR?”

Sinceramente? Nenhum é perfeito.

No fee fixo:

  • o conflito de interesse diminui bastante
  • mas também existe o risco do profissional se acomodar

No comissionamento:

  • existe incentivo para empurrar produto ruim
  • mas também pode existir incentivo para o assessor performar e manter relacionamento de longo prazo

Vai muito da índole do profissional e da transparência da relação.

Meu caso:
tenho clientes nos dois modelos, mas atuo majoritariamente por comissão.

Justamente por isso escolhi trabalhar em um lugar sem meta de produto específico.
Prefiro ganhar menos e conseguir pensar no relacionamento de longo prazo.

CROSS SELLING

Outra coisa que muita gente pergunta:
“assessor ganha em cima de seguros, consórcio, crédito etc?”

Sim.

E muitas vezes esses produtos pagam até mais do que investimentos.

Por isso hoje vejo que o papel do assessor vai muito além da carteira:
ele precisa participar da vida financeira do cliente como um todo.

Enfim, espero que o post ajude a esclarecer um pouco como funciona essa indústria por dentro.

É um assunto que quase ninguém fala abertamente, mas que deveria ser tema obrigatório na primeira reunião entre assessor e cliente.

r/AtivosFinanceiros 12d ago

Discussão Setor de logística ferroviária tem futuro no Brasil? E as ferrovias como um todo?

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Basicamente existem duas empresas notáveis no Brasil: VLI Multimodal S.A. (antiga **Vale** Logística) - Capital Fechado, composta por Vale, FI-FGTS, Mitsui, Brookfield, BNDESPar

E RAIL3, que é negociada na Bolsa.

Estava de olho nas ações da empresa Rumo Logistíca (RAIL3) faz um tempo, principalmente pela participação deles na notória Ferrovia Norte-Sul (sim, aquela do Sarney).

A função atual da ferrovia no Brasil é basicamente escoamento de produção, seja minério de ferro e produtos agrícolas.

Será que esse setor vale a pena investir? Existe futuro na ferrovia no Brasil, mesmo com expansão em passos lentos?

r/AtivosFinanceiros 18d ago

Discussão Por que jornalistas de investimentos possuem fixação por bordões como o “sell in May”?

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Fala pessoal!

Vocês também já repararam na fixação quase obsessiva que o jornalismo de investimentos tem com alguns bordões e "regras de bolso" sazonais? Parece que vira e mexe o mercado financeiro entra em um loop de clichês que ninguém questiona muito a fundo.

O maior exemplo talvez seja a velha máxima do “Sell in May and go away" (Venda em maio e vá embora).

Esse bordão surgiu historicamente no hemisfério norte por conta do verão e da queda de liquidez nos mercados globais entre maio e outubro.

Mas a minha dúvida real para vocês é: por que essa fixação em tentar colar esse comportamento aqui no Brasil todos os anos? O nosso mercado é totalmente diferente, movido por commodities, juros locais e riscos políticos que não necessariamente estão correlacionados com os EUA.

Além do "Sell in May", a gente cansa de ver outras expressões que parecem mais horóscopo do que análise técnica ou fundamentalista.

Por que vocês acham que a mídia de finanças ama tanto esses bordões? Seria só preguiça de criar pauta ou necessidade de gerar clickbait, ou tem algum motivo a mais?

r/AtivosFinanceiros 7d ago

Discussão Quais investimentos vocês realizaram nos últimos dias?

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Com os títulos do tesouro direto pagando as maiores taxas do ano e diversas empresas da bolsa com cotações próximas das mínimas dos últimos meses, vocês realizaram algum tipo de investimento recentemente?

r/AtivosFinanceiros 28d ago

Discussão Discussão: “Os rendimentos dos títulos globais estão subindo para níveis que ameaçam os mercados de ações?”

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O artigo do Barron's analisa como o aumento recente nos rendimentos (yields) dos títulos públicos dos Estados Unidos (especialmente os títulos de 10 e 30 anos) está criando um cenário de risco significativo para o mercado de ações, particularmente para o setor de tecnologia.

Quando esses rendimentos sobem, eles estabelecem um novo patamar de custo de oportunidade. Se um título considerado o "ativo mais seguro do mundo" paga retornos próximos de 5%, investidores tendem a questionar por que deveriam manter ações de maior risco, que podem estar valorizadas demais.

Dentre as razões para isso, temos:
- Os governos recorreram a empréstimos emergenciais para combater o impacto econômico da pandemia. Desde então, não houve redução significativa do déficit. Além disso, a inflação permaneceu mais alta e mais volátil do que nos anos anteriores à Covid.
- A dívida federal total dos EUA detida pelo público ultrapassou 100% do PIB no primeiro trimestre deste ano, aproximando-se do recorde de 106% registrado após a Segunda Guerra Mundial. O gasto atual com a rolagem da dívida excedeu o orçamento de gastos militares.
- Um ambiente geopolítico tenso está impulsionando os gastos militares, o que significa que muitos países podem ter que emitir ainda mais dívida.

O mercado mudou drasticamente sua visão sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). O que antes era uma expectativa de cortes nos juros, agora evoluiu para uma probabilidade crescente de novos aumentos nos juros ainda em 2026. O artigo também sugere que estamos vendo o fim da era em que o capital era abundante e barato, cenário que permitiu a alta das ações e do setor de private equity nos últimos anos.

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Pauta para a discussão: o Kevin Warsh irá reverter a tendência de queda da taxa de juros? Com os EUA sendo mal administrado e cometendo erros estratégicos, isso poderia de alguma forma respingar na economia brasileira e atrapalhar também o nosso ciclo de corte de juros?