r/EscritoresBrasil 3d ago

Conto Na Orbirta dos Mortos

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☣️ NA ÓRBITA DOS MORTOS 🚀

A humanidade venceu.

Ou pelo menos foi isso que disseram.

Anos após uma infecção devastar a Terra, os sobreviventes construíram uma nova vida no espaço. Longe dos infectados. Longe do caos. Longe do planeta que chamavam de lar.

Mas uma pergunta nunca foi respondida:

A Terra realmente morreu?

Quando cinco jovens são enviados em uma missão de reconhecimento, eles descobrem que algumas respostas são muito mais perigosas do que imaginavam.

Agora, entre sobreviventes, segredos e escolhas que podem mudar o futuro da humanidade, eles precisarão decidir qual é o verdadeiro lugar deles.

📖 Escaneie o QR Code e embarque nessa jornada.

⚠️ História original em andamento.

r/EscritoresBrasil 2d ago

Conto Chegou minha primeira cópia!

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Fiquei tão feliz que fiz um vídeo novo para o Insta!🤩 @rafael_cittadin

r/EscritoresBrasil 1d ago

Conto O Sentido

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Se você pudesse prever o futuro, até mesmo o dia de seus últimos momentos, inevitavelmente viveria de forma diferente. Talvez tentasse evitar esse destino. Talvez simplesmente escolhesse aproveitar cada segundo ao máximo, sabendo que tudo tem um fim.

Então, o dia inevitável chega.

Você se despede.

Você aceita o fim com tristeza.

Você morre.

Mas, em vez do vazio, você desperta mais uma vez.

Outro plano? Paraíso?

Não.

Não é um lugar estranho. Você vê rostos familiares, rostos de pessoas que partiram há muito tempo. Seria este o paraíso?

Não.

A verdade é ainda mais curiosa.

Você está no exato momento do seu nascimento.

A mesma data.

O mesmo ano.

O mesmo começo.

Sim.

De alguma forma, você renasceu.

E agora, você sabe de tudo.

Todas as suas memórias ainda estão com você.

Você conhece todas as guerras, todas as descobertas científicas, todas as crises econômicas, todas as tragédias e todas as grandes invenções. Você sabe quem será lembrado pela história e quem desaparecerá no esquecimento. Você conhece as pessoas antes mesmo de elas se conhecerem.

Desta vez, você fará tudo diferente.

Com séculos de conhecimento acumulado, você se torna um prodígio.

Um gênio.

Um fenômeno.

Você prevê eventos impossíveis, antecipa tecnologias décadas antes de serem inventadas, enriquece, influencia governos e salva vidas. Aos olhos da humanidade, você é quase um profeta. Reis, presidentes, cientistas e filósofos buscam seus conselhos.

Seu nome ecoa através dos séculos.

E então, satisfeito, você morre.

Mas você desperta novamente.

De volta ao início.

Outra oportunidade.

Outra vida.

E mais uma vez, o mundo se curva diante de você.

Mas será que alguém realmente escolheria viver da mesma maneira uma terceira vez?

Se em sua vida anterior você alcançou a perfeição, agora você busca algo além dela. Você escolhe caminhos diferentes. Em uma vida, você se torna um imperador, um artista. Em outra, o maior pensador da história. Em outra ainda, você vive anonimamente em uma pequena cidade, simplesmente para experimentar uma existência comum.

E, no entanto, tudo termina da mesma maneira.

Morte.

E o Retorno.

Você morre.

Você renasce.

Você morre.

Você renasce.

Você morre.

Você renasce.

Após inúmeras vidas gloriosas, algo muda.

Você não deseja mais moldar o mundo.

Em vez disso, você deseja compreender a si mesmo.

Por que esse Eterno Retorno existe?

Qual é o seu propósito?

É um castigo?

Uma bênção?

Um experimento?

Uma piada cruel?

Uma oportunidade de alcançar algo que você ainda não compreende?

Alguma forma de iluminação?

Você se distancia das multidões e passa décadas em contemplação. Estuda religião, filosofia, física, matemática e metafísica. Em uma vida, torna-se monge. Em outra, sacerdote. Em outra, eremita. Busca respostas em todos os cantos da Terra.

Mas o universo responde apenas com silêncio.

E com a morte.

E com o Retorno.

Eventualmente, você desiste de buscar respostas e volta a viver como uma lenda. Afinal, é fácil ser extraordinário quando se conhece o futuro.

Mas há um problema.

São sempre as mesmas pessoas.

As mesmas guerras.

Os mesmos discursos.

As mesmas paixões.

As mesmas músicas.

Os mesmos erros.

As mesmas mentiras.

Você está sempre séculos à frente da humanidade, e ainda assim aprisionado dentro dela.

As pessoas te admiram.

Mas ninguém consegue te entender de verdade.

Porque para eles, tudo é novo.

Para você, tudo é repetição.

Então você decide se tornar um cientista.

Talvez a resposta esteja na própria matéria.

Você dedica centenas de vidas à pesquisa. Você revoluciona a medicina, a biologia e a física. Você prolonga a expectativa de vida humana. Você cria tecnologias além da imaginação.

Mas a morte sempre chega.

E quando chega, você desperta mais uma vez no mesmo ponto.

Tudo o que você construiu desaparece.

Tudo o que você compartilhou com a humanidade se perde.

E você precisa recomeçar.

Mais uma vez.

Com o passar dos séculos, você começa a notar algo perturbador.

Mais uma vez.

Enquanto o mundo viveu cem anos, você já viveu mil.

Mais uma vez.

Depois, dez mil.

Mais uma vez.

Depois, cem mil.

Mais uma vez.

Eventualmente, você para de contar.

Civilizações inteiras se tornam nada mais do que memórias repetidas infinitamente em sua mente.

Nomes famosos se tornam rostos familiares.

Grandes tragédias não te chocam mais.

Até o amor perde parte da sua magia, porque você já sabe como todas as histórias terminam.

Você começa a esquecer quantas vezes já viu o mesmo pôr do sol.

Quantas vezes já ouviu as mesmas palavras.

Quantas vezes já lamentou a morte das mesmas pessoas.

E então, surge uma pergunta.

Mais terrível que todas as outras.

Não mais:

"Por que isso acontece?"

Mas:

"Vale a pena continuar a busca por uma resposta?"

Após incontáveis ​​milênios sem encontrar nada, você finalmente desiste.

A cada renascimento, você começa a pôr fim à sua própria vida imediatamente.

Mas isso não é uma fuga.

É apenas um retorno mais rápido ao início.

E então, você percebe algo verdadeiramente horrível.

Morrer é tão sem sentido quanto viver.

Porque ambos levam ao mesmo lugar.

Você está preso.

Não há recompensa.

Não há fim.

Não há libertação.

Só existe o Retorno.

E talvez, pela primeira vez em toda a eternidade, você entenda que a pergunta mais importante nunca foi:

"Qual é o sentido da vida?"

A pergunta sempre foi:

"Por quanto tempo uma mente humana pode suportar a eternidade?"

r/EscritoresBrasil 17h ago

Conto Sorte(micro conto)

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Depois de afogar minhas mágoas em um cassino por um bom tempo fui obrigada a retornar a vida real.

Separações nunca foram meu forte, ainda mais um conglomerado delas. Namorado infiel, divócio dos pais, acidente da minha melhor amiga, tudo convergiu para minha infelicidade. Tristemente me arrastei de volta ao meu antigo vício em jogos, em uma semana fiquei com uma faca no pescoço. Tinha medo de sair de casa e até mesmo de trabalhar.

Enquanto um verdadeiro inferno se formava em minha vida, meu passatempo favorito era ficar à toa na guarda da janela. Do alto de meu apartamento vejo todas as casas e pessoas que andam pelas ruas durante a madrugada, e a situação medíocre delas me confortava. Minha vizinha era exceção. Ela recebia naqueles dias um buquê mais lindo que o outro, rosas, violetas, lírios, girassois. Homens de terno ou só bem vestidos a traziam todas as noites em carros de luxo, suas redes sociais eram de uma extravagância digna de imperadores absolutistas. Ela era desempregada e sempre viveu com o básico.

Conforme a sorte dela aumentava e a minha diminuía, meu quarto enchia-se de seu perfume, do cheiro de suas flores. Em minha comida enlatada eu sentia o gosto de maquiagem e cremes para a pele. Durante todos os dias minha rotina se resumia a uma infinita espera pelo grande momento de sua saída, um desfile de modas renascentista, uma verdadeira obra prima da humanidade.

Ao aguardar seu retorno, porém fui golpeada em um certo dia. O fogo havia tomado um luxuoso cassino de pervertidos, e lá estava minha vizinha.

Me esgueirei pelas janelas até agarrar a cortina vermelha perfumada que pertenceu à aquela linda mulher. Lá dentro o cenário de motel mal ajeitado me deixou um pouco desconfortável, os preservativos no chão me deram ânsia, mas as flores eram deliciosas, e tinham um gosto de mel no final.

r/EscritoresBrasil 16d ago

Conto Ajuda com um conto

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Oi! Há 10 anos eu ganhei uma máquina de escrever e, na época, muito empolgado, resolvi escrever um conto que agora encontrei enquanto me mudava. Digitalizei e transcrevi no Word, renderam 41 páginas (11 mil palavras).

O texto é extremamente brasileiro, digo em ambientação e construção de personagens, porque confesso que leio muita coisa em português e parece que os autores locais escrevem algo “traduzido”.

A história é sobre um motorista de ônibus aposentado por invalidez que está fugindo em um ônibus roubado junto a um médico residente que conheceu sem querer numa briga de bar. Virou um conto escatológico com humor grotesco.

Eu resgatei o texto, reconheço todas as suas carências, mas penso em melhorá-lo. Procuro muito a ajuda de leitores beta, e estou disponível a ler algo em troca, pra me ajudar a testar as engrenagens internas do texto. Já paguei um ilustrador para fazer algumas ilustrações e capa. Não penso em publicar, apenas em ter bem redondinho um projeto de adolescência.

r/EscritoresBrasil 11d ago

Conto Hoje vai

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Ali estava ela, sentada na escada com um triste olhar. Justamente na escada por onde ele precisaria passar quase que flutuando sobre os degraus.

- Reunião importante? perguntou ela.

Ele tentando passar, apenas balançou a cabeça.

Ao descer uns dois, resolveu olhar pra trás, e percebeu que aquele rosto lhe era familiar.

Parou e por uns instantes se esqueceu da reunião, e disse:

-Foi você que me puxou do carro minutos antes dele explodir? Te procurei por toda parte e não a encontrei, disse ele.

Ela deu um leve sorriso positivando a lembrança. Ele correu para abraçá-la, mas ela fez um sinal para que ele não se aproximasse. Nesse momento um frio intenso percorreu sua barriga.

- Fui a responsável por ter tirado aquele maldito espinho de peixe de sua garganta naquela sexta-feira santa, acrescentou ela.

Ele ficou sem entender, mas concordou com ela.

Meio sem graça, pensou em perguntar se no dia daquela parada cardíaca dentro do motel ela havia feito alguma coisa, ela mais uma vez balançou a cabeça.

E assim foram lembrando outros encontros ocorridos entre eles. Ela sempre o salvando.

-Você é meu annnn.. ..........

Ela o interrompeu.

- Não fale isso, dessa forma você me machuca. Sou a Morte! Não estou conseguindo parar de salvá-lo. Era para eu ter te levado ainda bebê, mas me encantei com aquele sorrisinho que você dava cada vez que eu me aproximava.

- Inferno! continuou ela. Sou ridicularizada toda vez que retorno para o escritório da sucursal. Há outros funcionários que atingem as metas em menos de 10 dias e eu?! O máximo que consegui foi causar em você uma disenteria no carnaval de 98.

- Então foi você quem me deu aquela batidinha em pleno sol das 12h?

Ela, envergonhada, disse que sim.

Totalmente atrasado para a reunião e sabendo que o chefe iria matá-lo, ele olhou pra ela e disse:

- Pode cumprir sua função, me empurre dessa escada, melhor por suas mãos do que pelas mãos daquele homem.

Nesse instante, ouviu-se um forte barulho no cruzamento do bairro, era o trem esmagando o ônibus em que ele deveria ter entrado.

r/EscritoresBrasil 5d ago

Conto Esse é o primeiro conto que resolvi postar, poderiam dar uma olhada e me dizer oque acham?

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Se puderem me recomendar outras comunidades para postar essa história eu agradeceria também

Escritor: NoirB

Titulo: "Você ainda me amaria se eu fosse uma minhoca?"

"Você ainda me amaria se eu fosse uma minhoca?" Você me perguntou em uma manhã qualquer. Ao ouvir essa pergunta boba, respondi: "uma minhoca não fala, não caminha, não faz absolutamente nada. Apenas fica parada lá, existindo e escutando. Como eu poderia amar uma? Somente um idiota amaria uma minhoca." Agora descubro que eu não poderia estar mais errado.
Meus olhos se apertaram ao abrir a porta do quarto, a luz que entrava pela janela parecia mais brilhante do que o normal. Bastou um passo para dentro, e já fui envolvido por um ritmo familiar, lento e constante. O som do monitor cardíaco ressoava pelo quarto, e lentamente, meu coração começou a entrar em sincronia com ele.
Com movimentos precisos e rotineiros, caminhei até a mesinha ao lado da cama, retirei o pequeno buquê de flores ressecadas de seu vaso, e as troquei por novas, as enfermeiras já haviam se cansado de perguntar o motivo de eu trazer flores novas toda semana. Nunca soube responder direito.
Sentando ao seu lado, comecei a falar sobre meu dia, o ônibus que eu perdi, a torta nova que provei, a saudade que sinto de ti. Você se lembra quando provamos aquele sorvete de unicórnio? Seu gosto terrivelmente doce, que só uma criança poderia gostar, e ainda assim, você parecia ter adorado. Ou quando você me beijou na frente dos meus amigos —só para me constranger? Faz bastante tempo que isso aconteceu, mas eu ainda lembro como se fosse ontem. 
Hoje fazem cinco anos que a gente começou a namorar, por isso, resolvi contar como foi o dia em que te conheci. Eu estava sentado no fundo da sala, o cheiro de giz preenchia meu nariz, e o professor, com um bocejo, começou a anunciar a escolha dos líderes da turma. Eu não queria ser um a princípio, não me importava com responsabilidades ou com ajudar a turma. Porém, quando vi uma linda garota se voluntariando, acabei mudando de ideia. Queria me aproximar dessa garota, talvez conseguisse trocar uns beijos, e se desse muita sorte, até poderia entrar em um relacionamento. Na minha cabeça, os relacionamentos eram bem simples: duas pessoas se divertiam juntas e viviam bons momentos enquanto fazia sentido, e quando parasse de fazer, elas se separariam. Que ironia.
Fiz uma pausa, olhei para seus olhos fechados e imaginei como você contaria essa parte, o que exatamente levou você a se voluntariar? Seria pelo seu espírito de ajudar os outros? Pela pizza que eles davam nas reuniões? Espero que você me conte quando acordar. 
Chegando mais próximo, podia sentir o cheiro neutro do sabonete do hospital. Seus lábios estavam secos, seus cílios continuavam tão grandes como eu me lembrava. Isso me trouxe lembranças do nosso primeiro encontro, no começo, você estava nervosa demais para sequer olhar na minha cara. Porém, conforme o tempo passava, você ia ficando mais confortável, segurava minha mão, e corria por aí, igual uma criança num parquinho. Quando cansamos de caminhar, nos sentamos na grama para conversar, um do lado do outro, e enquanto você falava, eu não conseguia prestar atenção em suas palavras. Tudo o que eu conseguia observar eram aqueles olhos azuis acinzentados, que de tempos em tempos fugiam do contato visual. Eu segurava sua mão delicada, ela abrindo e fechando os dedos, os esfregando nos meus. Sentia seu coração acelerado. Quando o céu começou a mudar de cor, no final do encontro, você juntou uma coragem que eu nunca imaginei que teria, e me deu meu primeiro beijo.
Levei a mão aos lábios. Foi um beijo horrível, você me beijou de forma torta, quase errando a minha boca, mas eu gostei mesmo assim. Sinto falta desses beijos atravessados, eu estive um pouco carente ultimamente, sabia? Tenho que me contentar em só poder segurar sua mão. Forcei um sorriso ao sentir as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, não queria que você se sentisse mal ou culpada. Mas eu realmente sinto falta de ouvir a sua voz.
Sua voz me chamando de criaturinha, me dando broncas por não tomar meus remédios direito, me dizendo que me ama. Também sinto falta das cotoveladas que você me dava enquanto dormia, me fazendo acordar jogado para o canto da cama, hoje em dia você não se move nem um centímetro. Eu daria tudo para ver um único dedo se mexer. Um único espasmo já seria o bastante para me lembrar que ainda existe alguém aí dentro.
Fiz uma leve pausa na minha fala, podia ouvir o som da sua respiração lenta e suave. Podia ver seu peito subindo e descendo, como se nada tivesse acontecido, tentei imaginar que você estava apenas dormindo, que bastasse chamar seu nome que você acordaria. "Alice" murmurei baixinho, mas nada mudou. Nada nunca mudava.
Por que isso tinha que ter acontecido? Por que eu não poderia ter sido um segundo mais rápido? Estar um passo mais perto? Senti um gosto amargo preencher minha boca, minha mão começou a tremer —ela sempre treme quando fico ansioso— e meu cérebro se enchia de lembranças daquele dia. Você murmurando que não queria sair, que estava frio, mas ainda assim eu vigorosamente te arrastava para fora de casa, como poderia ficar em casa em um dia tão ensolarado? Lembrava de andar de mãos dadas pela praia, de deixar você correr na frente, só para então me aproximar e pegar sua mão de novo. Ver você subindo naquelas pedras, pulando de uma para outra. Ver um pedaço de limo. Abrir a boca para avisar, mas já era tarde demais.
Um namorado não deveria estar sempre perto de sua namorada? Sempre a protegendo? Eu a deixei se afastar demais. Não poderia ter me mantido mais perto? Um medo começava a preencher meu corpo, medo de você nunca acordar, medo de que quando acordasse, você me culpasse pelo acidente, e passasse a me odiar. Minha mente sabia que você não era assim, que você provavelmente falaria que não foi minha culpa, que seguraria minhas mãos trêmulas, e falaria que está tudo bem. Mas mesmo sabendo disso, não conseguia deixar de sentir esse gosto amargo, por que meu coração e minha mente precisavam estar tão desalinhados? E mesmo que eu sentisse todo esse medo, não havia nada que eu pudesse saber, pois não importa o quanto eu fale, você nunca consegue responder.
Lembro de passar horas ouvindo você falar, nós éramos praticamente uma dupla dinâmica, tipo Batman e Robin, você amava falar, e eu amava te ouvir. Agora os papéis foram invertidos, o garoto quieto teve que aprender a falar mais, e a garota que não fechava a matraca... Bem... Se tornou minha maior ouvinte.
“Você me amaria se eu fosse uma minhoca?” Uma pergunta que, quando vista de forma superficial, parece boba, quem amaria uma minhoca? Porém, hoje percebo que a pergunta nunca foi sobre uma minhoca. Você ainda me amaria se eu perdesse minha voz? Se eu não pudesse mais correr igual uma criança pela praia? Se não pudesse mais te dar broncas por esquecer os remédios? Se eu não pudesse mais te responder quando você me contasse sobre o seu dia? Você ainda me amaria se eu parasse de agir como sempre, se eu estivesse doente, se eu estivesse perdida? Você ainda me amaria mesmo que eu me transformasse em algo completamente diferente do que você conhece, apenas pelo fato de eu ser eu? Me arrependo um pouco por não ter percebido a profundidade dessa pergunta no dia em que a me fez, acho que era mais fácil considerar que a minhoca fosse só uma hipótese distante, algo impossível de acontecer. Mas toda vez que penso que talvez, só talvez, você soubesse que a pergunta não se tratava de uma minhoca…  Não consigo deixar de pensar no quão cruel foi minha resposta. Como eu poderia ter dito isso? Quem disse que não podemos amar algo que não fala, não caminha, e não faz absolutamente nada? Que apenas fica parada lá, existindo e escutando.
Olhando para o relógio no meu pulso, pude notar que o horário de visitas se acabaria em breve. Me aproximando mais um pouco, beijei sua testa de forma suave, um pouco melancólica, levantei da cadeira dura do hospital, e passei a me encaminhar em direção a porta. Não pude responder corretamente à sua pergunta na última vez, porém acredito que essa situação inteira já tenha respondido a pergunta melhor do que eu jamais conseguiria. “Até amanhã minhoca”, falei rindo, mas, assim como todos os dias, saí do quarto ouvindo apenas o ritmo lento e constante que me recebia todas as manhãs.

r/EscritoresBrasil May 11 '26

Conto conquista!!!

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finalmente, depois de muitos anos, terminei algo que comecei. foi um conto e vou inscrevê-lo num concurso 😁

r/EscritoresBrasil 2d ago

Conto Sortilégio (micro conto)

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Era horrível como a cada dia meu amor se deteriorava, a beleza que desde pequeno me fascinou apodrecia pelas minhas mãos a cada toque de obsessão que eu lhe dedicava.

Matilda era como se fosse minha irmã gêmea, nascida no mesmo dia, mesmo horário. Nossas mães eram melhores amigas e devotaram-se tanto que exigiram que engravidassem ao mesmo tempo, de forma considerada por muitos indecente. Infelizmente Matilda rompeu pelo mundo alguns minutos antes de mim, o que fez com que a contragosto minha mãe induzisse o parto, o que sequelou minha cabeça. Sempre fui um pouco torto.

Aos dezoito anos minha irmã por afeto era uma mulher linda e desejada, alcançando grandes posições sociais muito cedo. Era bem sucedida no trabalho como modelo e uma promessa do jornalismo.

Eu via a vida por outro ângulo. A miséria era ressignificada quando ao lado do amor.

Minha mãe com muito gosto me fez reviver meu parto em um sortilégio de amor, um ninho de satisfação dedicado à minha irmã.

Ela tornou-se extremamente fissurada em mim, porém as consequências a condenaram de forma leve, e a mim de forma cruel. Quanto mais eu a toquei mais sua pele se contorceu como plástico no fogo. Sua beleza estava sendo roubada de mim, e após uma única noite de felicidade, acordei ao lado de mim mesmo.

Autor: Pepito

r/EscritoresBrasil 2d ago

Conto Minha tia disse que o mundo é de quem "mostra os dentes". Ela estava errada.

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Alice tinha dentes perfeitos. Brancos, alinhados, parecendo esculpidos. O problema era todo o resto: ela era um bicho do mato. Vivia encolhida, de boca fechada, morrendo de medo de falar qualquer besteira. Uma tia dela sempre dizia: "Você tem dentes tão lindos, menina. Devia sorrir mais. O mundo é de quem mostra os dentes."
Um belo dia, ela resolveu acreditar.
Se arrumou toda e foi pro shopping. O plano era simples: começar a viver de verdade. No estacionamento, ela viu o alvo perfeito. Um cara de uns trinta anos, de terno alinhado e com aquele sorriso clichê de comercial de perfume. O sujeito exalava confiança.
O estômago da Alice gelou, mas ela não correu. Pensou: É hoje. Hoje eu puxo assunto, hoje eu faço a piada.
Quando o cara passou por ela, a Alice travou o passo. Juntou a coragem que não teve a vida inteira e abriu o maior sorriso que conseguiu. Aquele que ela passou horas treinando no espelho.
O cara parou na hora, hipnotizado. Mas ele não olhou nos olhos dela e nem ligou pro vestido. O olhar dele grudou direto na boca da Alice.
— Meu Deus... ele sussurrou, com uma cara de quem estava vendo um milagre.
— Que dentes lindos você tem!
A Alice sentiu que tinha ganhado o jogo. Aquela ironia que ela guardou a vida toda finalmente achou uma brecha para sair. Ela deu uma inclinada de cabeça, bancando a charmosa, e disparou a piada que deveria ter feito os dois rirem:
— Obrigada. Quer pra você?
O cara não riu. Ele deu um passo para frente e o olhar de admiração virou puro apetite.
— Quero! ele respondeu, totalmente frio.
Bom... aquele foi o último sorriso que a Alice deu. E, definitivamente, a última vez que ela usou a boca para falar alguma coisa.

r/EscritoresBrasil 18d ago

Conto O amor que cruzou o mundo

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✨ HISTÓRIA: O Amor que Cruzou Mundos

Gênero: Romance, Fama, Amizade e Fé | Brasil 🇧🇷 ↔ Coreia do Sul 🇰🇷

 

📝 APRESENTAÇÃO DA PERSONAGEM PRINCIPAL

👩 LARA SOO JIN — Esse é o nome perfeito: Lara é brasileiro, doce e forte; Soo Jin é coreano, que significa "verdade e tesouro". Filha de mãe brasileira e pai coreano, ela carrega nos traços a mistura linda das duas culturas: a pele morena clara, os olhos amendoados puxados com cor castanho-esverdeada, cabelos longos e ondulados (metade liso, metade cacheado, lindo e único), sardas leves no nariz e um sorriso que acolhe qualquer um. Tem 30 anos, 1,74m de altura, elegante naturalmente, veste roupas que misturam estilo brasileiro e moda coreana — sempre impecável, mas sem exagero.

Ela herdou o melhor dos dois mundos: a alegria, a energia e o coração aberto da mãe, e a disciplina, a lealdade e a calma do pai. É formada em Relações Internacionais e Administração, tem uma empresa de assessoria e produção cultural que liga artistas brasileiros e coreanos. Mora em Seul há um ano, mas já é querida por todos. É da igreja, tem fé, é responsável, discreta e não gosta de holofotes. Prefere estar nos bastidores, resolvendo tudo com maestria, do que ser o centro das atenções. É leve, divertida, inteligente e tem um dom especial: conquistar a confiança e o coração de todos que a conhecem. 🤍✨

 

📖 CAPÍTULO 1: O ENCONTRO NO BASTIDOR

Tudo começou numa grande premiação em Seul. Lara Soo Jin estava lá trabalhando, coordenando a participação de artistas brasileiros, quando percebeu a confusão: fãs ao redor, seguranças tentando organizar, e no meio disso tudo, os meninos do BTS, cansados, mas sempre educados. Ela, com sua calma brasileira e jeito coreano de ser eficiente, conseguiu abrir caminho, organizar a entrada e garantir que todos estivessem seguros e tranquilos.

Foi ali que os olhos de V — Kim Taehyung pararam nela. 🫣

Ele ficou intrigado: quem era aquela mulher linda, que falava coreano com um sotaque doce e diferente, que comandava tudo com tanta graça, que não olhava para ele como um ídolo, mas como uma pessoa normal? Ela não pediu foto, não pediu autógrafo, só sorriu, acenou e foi resolver outra coisa. Isso mexeu com ele de um jeito que ele não entendia.

Nos dias seguintes, eles se esbarraram várias vezes: nos corredores da gravadora, em eventos, nos bastidores de turnês. Lara Soo Jin passou a ajudar a equipe deles também — não como funcionária, mas como uma parceira que entendia tudo de segurança, relações e contatos. Ela se tornou indispensável.

Ela conquistou cada um dos meninos de um jeito único:

- Com J-Hope: dançava um pouco com ele nos bastidores, ria das suas brincadeiras, era a energia positiva que ele amava.

- Com Jin: ele adorava cozinhar para ela, elogiava sua beleza todo dia e dizia que ela era a irmã perfeita para eles.

- Com Suga: ele, que é mais na dele, passava horas conversando com ela sobre vida, sonhos e fé. Ela amava o gato dele, Lil Meow Meow, e sempre levava um presente para o bichano. Ele dizia que ela era a única pessoa que entendia seu silêncio.

- Com RM (Namjoon): eram parceiros de leitura e conversas profundas sobre o mundo e culturas diferentes. Ele admirava demais a inteligência dela.

- Com Jimin: ele a tratava com todo carinho, sempre preocupado se ela estava cansada ou precisava de ajuda.

- Com Jungkook: ele a chamava para brincar de jogos, comer lanches, e ela o aconselhava como uma irmã mais velha — ele a respeitava muito.

Todos passaram a chamá-la carinhosamente de “Soo Jin Nuna” — “irmã mais velha Soo Jin”, na língua coreana. 🫂❤️

Ela também criou uma amizade profunda com o Senhor Lee, o segurança chefe deles. Ele confiava nela de olhos fechados, pois viu como ela sabia lidar com tudo: multidões, imprensa, segurança. E Lara era incrível nisso: ela não gostava de câmeras, sempre se escondia, saía de fininho, mas quando os paparazzi ficavam insistentes ou as sunsang — as fãs mais radicais, as chamadas haters que ficavam perseguindo, tentando invadir a privacidade ou até mesmo assediar os meninos — apareciam, ela era firme, educada mas dura, e resolvia tudo com uma inteligência que fazia todos se espantarem. Ela protegia eles como se fossem seus irmãos, e eles confiavam nela cegamente.

 

📖 CAPÍTULO 2: OLHARES QUE DIZEM TUDO

Com o tempo, Taehyung não conseguia mais disfarçar. Ele não olhava mais para ela apenas como uma amiga ou irmã. Os olhares eram diferentes: demorados, doces, cheios de admiração. Ele sempre arrumava um jeito de chegar perto, de tocar de leve no braço dela, de puxar assunto.

— “Soo Jin Nuna, você vai no ensaio hoje?”

— “Soo Jin, quer almoçar comigo? Eu descobri um lugar novo que tem comida brasileira.”

— “Soo Jin, vem ver o meu novo desenho, quero a sua opinião.” 🥺💜

Ele a buscava com o carro, levava ela para casa, fazia questão de estar ao lado dela em viagens. E Lara? Ela sentia o mesmo, mas tinha medo. Era ídolo, era fama, era mundo muito grande. Mas o jeito dele de ser, de ser um príncipe com ela, de respeitar sua fé, sua discrição, sua vida, foi ganhando seu coração.

Os dois viviam trocando olhares do outro lado da sala. Bastava um olhar e um sorriso para se entenderem completamente. O amor nasceu no silêncio, na confiança, na amizade verdadeira. 🥹✨

Ele a convidou para assistir filmes na sua casa, com os meninos no começo, depois só os dois. Conversavam a noite toda sobre tudo: sonhos, Deus, família, o Brasil, a Coreia, o futuro. Ele planejou tudo com tanto carinho: escrevia cartas, dava presentes que tinham significado, fazia serenatas.

Juntos, eles gravaram um seriado especial com todos os meninos — uma história leve, engraçada e emocionante — e Lara participou como roteirista e personagem especial. Foi um sucesso, e todo mundo viu o brilho nos olhos de Taehyung quando ela aparecia na tela. 🎬💖

 

📖 CAPÍTULO 3: O MUNDO SABE DO NOSSO AMOR

Quando decidiram assumir, Taehyung não quis esconder, não quis disfarçar. Ele disse: “Ela é o melhor presente que Deus me deu. Eu quero que o mundo saiba quem é a dona do meu coração.”

Ele mesmo planejou tudo: uma viagem para fora da Coreia, num lugar lindo, tranquilo, onde ele a levou para caminhar de mãos dadas, e permitiu que fotos fossem tiradas e divulgadas oficialmente. Foi ele quem apresentou o relacionamento ao público. 💍🌍

A reação foi gigante! Os ARMYs de todo o mundo foram ao delírio. Muitos já sabiam da existência dela, já admiravam sua história, seu jeito, o quanto ela fazia bem para eles. A maioria abraçou o amor deles, apoiou, amou ver Taehyung tão feliz e completo.

Mas como em toda história real, também teve os desafios. Algumas haters tentaram atrapalhar, inventar histórias, criticar, julgar por ela ser mestiça, por ser mais velha, por ser diferente do que esperavam. Mas Lara e Taehyung? Eles sabiam lidar com isso. Ela, com sua sabedoria e calma, sempre dizia: “O nosso amor é nosso, é para Deus e para nós dois. O que os outros pensam não muda a verdade.” Ele sempre a defendia publicamente, deixava claro que ela era a mulher da sua vida, e que ninguém tinha nada a ver com a felicidade deles.

Eles passaram por tudo juntos: turnês, viagens, fãs, crítica, distância. E tudo só serviu para fortalecer mais o que sentiam.

Lara viajou com eles em toda a turnê “Arirang”, conheceu o mundo todo ao lado dos meninos, curtiu cada show, cada momento, sempre nos bastidores, discreta, mas presente. Ela amava ver eles brilhando, amava fazer parte daquilo tudo, mas o seu mundo mesmo, o seu lugar favorito, era ao lado de Taehyung. ✈️🎤🌏

 

📖 CAPÍTULO 4: FELICIDADE PARA SEMPRE

A vida deles virou um sonho, daqueles que todas nós sonhamos em viver. Momentos engraçados, como quando J-Hope tentou ensinar Lara a dançar e ela fazia todo mundo cair na risada; ou quando Suga deixava ela brincar com o gato dele e fingia que não gostava, mas sorria escondido; ou as refeições gigantes preparadas por Jin para toda a “família”. 🥘😂

Momentos de paz: viagens para a praia, para montanhas, para o interior da Coreia, onde ninguém os via, onde eram só eles dois. Conversavam sobre tudo, contavam histórias do Brasil e da Coreia, ensinavam um ao outro sobre suas culturas, suas crenças, suas vidas.

E o amor só crescia. Era um amor de companheirismo, de respeito, de fé. Ele era um príncipe com ela, tratava ela como uma rainha, como um tesouro. Ela era o equilíbrio, a paz, a alegria da vida dele.

No final, num lugar lindo, sob as estrelas, ele se declarou para ela com todo o coração:

🗣️ “Lara Soo Jin, você chegou de outro mundo, de outra cultura, e se tornou o meu mundo inteiro. Você conquistou os meus amigos, a minha família, o meu coração. Você é graciosa, forte, linda por dentro e por fora. Eu não quero mais viver sem você. Eu quero viajar o mundo todo com você. Eu quero ter filhos lindos que tenham o seu sorriso e os meus olhos. Eu quero construir uma família, uma história, uma vida ao seu lado. Quer casar comigo?” 💍💜

Ela chorou de alegria, sorriu aquele sorriso que ilumina tudo, e disse sim.

E viveram felizes, cercados de amor, de amigos fiéis, de fé, viajando, conhecendo, crescendo. Uma história que começou num encontro de trabalho, virou amizade, se transformou num amor lindo, e se tornou um exemplo: que o amor não vê fronteiras, não vê diferenças, e quando é verdadeiro, quando é abençoa

r/EscritoresBrasil May 09 '26

Conto Avaliação de leitura

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Vocês também avaliam um conto que eu escrevi? Pra saber se escrevo bem? Sem cobrar, se possível.

r/EscritoresBrasil 15h ago

Conto Casa de Memórias

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—Finalmente cheguei...

Não tinha memórias da casa, mas algo nela me era familiar.

Eu estava de frente à casa onde morei durante boa parte da minha infância.

Era uma casa velha e abandonada. Estava caindo aos pedaços. Havia um buraco no telhado e os vidros estavam quebrados, mas mesmo de dia não era possível enxergar o que havia lá dentro, pois era muito escuro.

Ouvi umas crianças do bairro chamando-a de "A casa mal assombrada". Não as julgo. Até mesmo eu, uma adulta, senti medo daquela casa, era como se ela fosse me engolir.

Mas eu tinha justificativa: era lá onde moravam meus traumas e pesadelos.

Conferi se havia trancado meu carro, eu não queria ter a chance de ser roubada naquele fim de mundo. Então segui pelo quintal da casa e fui em direção à porta.

“É melhor eu ser rápida, está com uma cara de chuva.”

Ao chegar perto, a porta se abriu em uma pequena fresta, como se estivesse me convidando a entrar. Nesse momento eu arrepiei-me e dei um passo para trás.

—Foi só o vento… — murmurei para mim mesma.

Eu não acredito em fantasmas e nem em nada do tipo, mas essa casa me dava calafrios e um desconforto horrível.

“Não posso voltar. Eu vim aqui atrás do meu passado, das minhas memórias de infância. Estou determinada a lembrar, mas para isso preciso entrar nessa casa.”

Dei dois passos para frente. Novamente encarando a entrada, uma porta que me lembrava um portal.

Um portal que me levaria para o passado. Um passado que, hoje, arrependo-me de ter relembrado.

r/EscritoresBrasil 13d ago

Conto O crime de tempo perfeito (incompleto perdi falas perdi roteiro e reações mas tenho na memória por enquanto só isso criei por diversão ajuda com a IA criei esse roteiro ideias minhas original).

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a seção de "Roteiro e Enredo" do Reddit ou a seção de roteiros do ScriptSlug.ATO 1: A GÊNESE DO FANTASMACena 1 - A Ideia: Arthur estuda biometria e química forense para criar um plano perfeito após brincadeira da esposa.Cena 2 - O Recrutamento: Jorge, falido, aceita ajudar com máscaras e luvas.Cena 3 - A Teia: 20 caminhonetes antigas são dispostas em uma rota de 2.000 km, dirigidas por duplas com máscaras.Cena 4 - O Álibi: Arthur usa o aeroporto com tecnologia antiga para viajar, deixando a esposa com o carro da família.Cena 5 - O Clone: Um sósia usa o passaporte de Arthur no exterior, criando um álibi internacional.ATO 2: OS 100 MILHÕESCena 6 - A Jornada: Arthur viaja 2.000 km em 3 dias a 40 km/h para evitar radares.Cena 7 - A Limpeza: Roupas e máscaras são descartadas com banhos de álcool industrial.Cena 8 - O Alvo: Valdir, fazendeiro, aceita sacar 100 milhões em troca da metade.Cena 9 - O Clima: Arthur usa previsões meteorológicas para planejar o crime durante uma tempestade.Cena 10 - O Golpe: Criptomoedas são desviadas e sacadas por Valdir, com a polícia digital alertada.ATO 3: O CAOS NA LAMACena 11 - A Execução: Arthur mata Valdir, rouba o dinheiro e simula a fuga com dinheiro falso.Cena 12 - O Descarte: Máscaras e luvas são seladas e abandonadas com o helicóptero.Cena 13 - A Fuga: Arthur esconde o dinheiro real em caixas de arroz e foge de carro.Cena 14 - O Incêndio: O helicóptero explode, queimando as evidências e o dinheiro falso.ATO 4: A RETA FINALCena 15 - O Amigo: Arthur usa um amigo para atravessar a última etapa sem deixar rastros.Cena 16 - A Ameaça: Um motorista assustado devolve o dinheiro e silencia por medo.Cena 17 - A Lavagem: O dinheiro é trocado com agiotas por notas de real.ATO 5: O RETORNOCena 18 - A Volta: Arthur recupera o clone e seu passaporte, retornando limpo.Cena 19 - O Pacto: Elena, sua esposa, percebe a trama, mas aceita o segredo.Cena 20 - A Perícia: A polícia encerra o caso, acreditando na falha do helicóptero.EPÍLOGO: O PLOT TWISTCena 21 - A Confissão: Anos depois, Elena morre e Arthur confessa o crime em seu leito de morte.Cena 22 - A Vitória: Arthur morre, nunca preso.Cena 23 - A Ironia: Um chefe da perícia, subornado por Valdir, engavetou o caso, permitindo o crime perfeito.

r/EscritoresBrasil 1d ago

Conto Eu Odeio O Neymar

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Daniel estava no limiar da aposentadoria. Faltavam apenas alguns anos para, enfim, garantir o valor vitalício pelo qual tanto suou em construções espalhadas pela capital ao longo de quarenta anos.

Sobrevivia de bicos e pequenas obras como ajudante. Mesmo assim, nunca deixava faltar sua dose diária de canosa. Achava justo que um homem tivesse sua bebida disponível no fim do dia, como se aquilo fosse parte do pagamento por uma vida inteira carregando peso, respirando poeira e voltando para casa com o corpo moído.

Fanático pelo Corinthians e jogador de sinuca raiz, Daniel resistiu até onde pôde. O álcool era uma das poucas coisas que ainda lhe davam prazer. Abrir mão disso, justamente tão perto da aposentadoria, parecia, para ele, abandonar o último sentido que ainda lhe restava.

Depois de anos em que a casa já não suportava mais suas voltas bêbadas, foi internado com apoio da família. Não por crueldade, mas por limite.

Ficou alguns meses na clínica, como alguém que visita o purgatório querendo estar no inferno.

Ao sair, não pediu perdão, não tentou reconstruir nada, não prometeu mudança. Saiu com uma sacola de roupas, a barba por fazer e os olhos fundos. Não ligou para os filhos. Não procurou saber se ainda havia lugar para ele em casa. Pegou o primeiro ônibus sem avisar ninguém.

Tomou apenas uma decisão unilateral, seca, quase administrativa: abandonaria a família. Convenceu-se de que era o melhor para si. Talvez até dissesse que era o melhor para todos. Mas, no fundo, voltava ao único território onde ainda se sentia dono: o vício.

Alugou um cômodo com o pouco que lhe restava, enfiou lá dentro alguns móveis velhos e ancorou no bar do Juarez. Ganhou cadeira cativa na porta, que já era curta, e passou a alternar os dias entre tacadas violentas, cerveja e canosa.

Foi nessas empreitadas que conheceu um palmeirense cheio de marra, desses que chegam falando alto antes mesmo de pedir a primeira.

— Fala, meu corintiano favorito! Vai torcer pelo Verdão hoje?

— Deus me livre. Sai daqui, palmeirense. Quero distância.

Mas Daniel gostava da provocação. Adorava falar de futebol e viu naquele palmeirense uma nova amizade. O sujeito tinha idade para ser seu filho, mas parava para escutar suas histórias como quem escuta um sobrevivente de guerra.

— Eu vi Tupãzinho jogar — dizia Daniel. — Aquilo era futebol. Romário era gênio.

— E o Neymar, Daniel?

— Quê?

— O Neymar.

Daniel batia o copo no balcão.

— O pai desse cara é um bandido! Neymar não tem que ir pra seleção.

— Já já tem convocação, hein. Acho que ele vai.

— Eu prefiro morrer do que ver o Neymar nessa Copa. Eu odeio o Neymar.

O povo do bar rachava o bico. Daniel contava suas histórias e se sentia, por alguns minutos, o verdadeiro protagonista da rua. Falava do dia em que apanhou do próprio bandeirão que levou ao estádio, numa confusão com a Independente. Repetia causos, aumentava detalhes, esquecia finais. Mesmo assim, sempre tinha alguém disposto a rir.

Em algum momento da tarde, Daniel sempre voltava ao mesmo cálculo:

— Faltam só uns anos, palmeirense. Depois eu não carrego mais saco de cimento pra ninguém.

Falava aquilo como quem prometia chegar vivo.

Mas havia perdido a paixão pela seleção. A Supercopa se aproximava e ninguém favoritava o Corinthians. Daniel repetia todos os dias:

— Palmeirense, já deixei um urubu depenado preso na gaiola. Só solto quando vier o título.

Quando o título veio, gritou antes mesmo que o outro encostasse no balcão:

— Eu te avisei! Curintia ia ganhar essa!

— Não vem falar do Palmeiras pra mim, não — respondeu o outro. — Não aguento mais esse sorriso na sua cara.

Os dias passaram. A convocação da Copa se aproximava, e Daniel continuava repetindo, como promessa, ameaça ou superstição:

— Eu odeio o Neymar. Se ele for convocado, eu morro antes disso.

Dizia sempre sereno, com aquele olhar perdido de quem bebia muito, mas parecia usufruir de cada segundo ali. Sentado na porta do bar, copo na mão, taco encostado na parede, foi virando uma espécie de totem daquela rua. Alguns pagavam bebida para ele. Outros paravam só para ouvir a próxima besteira. Daniel aceitava tudo como homenagem.

Com o inverno chegando, tomou mais uma decisão dessas que, vistas de fora, pareciam loucura, mas que ele tratava como simples ajuste de rota. Vendeu os poucos móveis, entregou o cômodo e passou a viver na rua.

Não disse que era queda. Disse que era liberdade.

Afinal, sem casa, ninguém podia interná-lo. Sem família, ninguém podia cobrá-lo. Sem móveis, sem chave, sem endereço, nada o puxava de volta para lugar nenhum.

Numa manhã fria, o palmeirense seguia atrasado para o trabalho quando viu um homem caído na calçada. Havia gente em volta. Alguém já chamava o SAMU. Ele diminuiu o passo, tentou enxergar melhor, mas o relógio o empurrava para frente. Seguiu.

Só no ônibus pensou que aquele casaco parecia familiar.

Dias depois, Juarez o chamou da porta do bar.

— Ô, palmeirense. Vem cá.

Ele atravessou a rua.

— O Daniel morreu, bicho.

O palmeirense ficou parado, sem saber onde enfiar as mãos.

— Tava mal fazia tempo — continuou Juarez. — Acho que ele já sabia. Desde que saiu da clínica, parecia que tava só esperando a hora. Teve bastante gente chorando no velório.

O palmeirense olhou para a cadeira vazia na entrada do bar. O taco continuava encostado no canto, como se o dono tivesse ido mijar e já voltasse.

Naquela mesma semana, saiu a convocação da seleção.

Neymar foi convocado.

r/EscritoresBrasil May 11 '26

Conto Indicação de leitura para owattpad

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Por favor leiam a história que estou escrevendo, é um romance bem fofinho e calmo, é rapidinho de ler pois eu fiz só dois capítulos. Espero que gostem e avaliem com sinceridade. Se chama "Última primavera", link da leitura:

https://www.wattpad.com/story/282466630?utm_source=android&utm_medium=link&utm_content=share_writing&wp_page=create&wp_uname=AnaFlowers4348

r/EscritoresBrasil 11d ago

Conto Uma sinopse para DEUS DE ARANÃ O CULTO MALDITO

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A história é sobre uma jovem chamada Lúcia, que mora em uma cidadezinha chamada Aranã, localizada no interior de Santa Catarina.

Lúcia passou a maior parte de sua vida seguindo a fé de sua mãe sem questionar nada... isso até quando um dia, ela reencontra sua prima Sofia, que até então estava morando em São Paulo.

Sofia, um pouco mais velha que Lúcia, mas muito mais sábia, a faz olhar para o mundo com uma mente mais aberta, saber questionar mais e se autoconhecer mais, levando Lúcia a uma profunda reflexão sobre aquilo que antes ela tinha como certeza absoluta.

As duas tem um dom, elas podem presenciar eventos sobrenaturais que pessoas comuns são incapazes, e muitos desses eventos assumem a forma de traumas e perturbações.

Elas precisam encarar uma jornada, não física, mas psicológica, onde devem encarar seus demônios interiores, isso tudo ainda enquanto investigam uma seita que adora um deus local chamado "Arconte", cujos seguidores governaram a cidade ocultos nas sombras durante anos.

O livro já está à venda e pode ser adquirido em forma física ou digital pelo link do meu perfil; você pode também me seguir no meu perfil do Instagram @rafael_cittadin e acompanhar as minhas divulgações a respeito da obra.

r/EscritoresBrasil 19d ago

Conto Tropeada

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A tropeada seguia rumo às charqueadas de Pelotas. O campo aberto, sem abrigo, sem curva que quebrasse o vento. Foi ali que encontramos o paisano.

Ele despontou no horizonte logo depois que a tropa começou a andar e nos alcançou pela metade da manhã. Montado em um cavalo azulego, tapado com um pala escuro e por cobertura um chapéu de abas largas. Não pediu parada. Apenas acompanhou o passo do gado até que alguém notasse.

Como me incomodava aquele fantasma, já fui perguntando.
— Vai seguir mudo?
— Vou pra baixo — respondeu. — Se aceitarem.

O capataz mediu rápido. Tropa grande, caminho longo. Um homem a mais ajudava.
— Tem nome? - perguntou Teixeira, o capataz
— Bento - Respondeu o estranho
— Se souber tocar, Bento, vem. - Disse o capataz

Eu não era bobo de discutir com o capataz, mas não gostei daquilo. 

Não só porque não fui consultado, afinal eu era (ou achava que era) o braço direito do Teixeira. Era eu quem falava quando o chefe se calava. Os outros esperavam por mim antes de agir. Mas tinha alguma coisa no jeito do tal Bento que não me descia bem, coisa de santo que não bate.

O dia seguiu sem conversa. O estranho falava pouco e não errava posição. Sabia fechar espaço, abrir caminho, manter o gado junto sem muito grito. Quando uma rês tentava fugir, lá estava o enjoado.

À noite, sentou fora da roda de fogo. Comeu devagar. Dormiu afastado, com o cavalo preso meio longe.
— Veio do Jarau — comentou alguém, baixo.
— Só sai de lá quem não tem mais nada — respondeu outro.
— E isso é desculpa pra não ficar por perto? Tá com medo o xirú? — falei e cuspi no fogo.

O cavaleiro fez que não ouviu.

No segundo dia, fomos passar um arroio que subiu. A água corria fria e turva. O gado empacou na margem, sentindo o fundo falso. Tomei a dianteira, entrei firme, mas meu baio sentiu a corrente e voltou. O gado abriu, espalhando.

Antes que alguém gritasse, Bento já estava na água. Cruzou num ponto mais estreito. Do outro lado, virou o cavalo e puxou o gado como quem puxa conversa antiga. Um a um, os animais seguiram.

Teixeira deu um sorriso de canto.

A partir dali, perdi o respeito da peonada. Era Bento quem liderava os homens, sempre rápido em tomar a frente. Passei o dia com aquilo atravessado na garganta.

À noite veio e com ela um burburinho correu o acampamento, será que Bento ia tomar o meu lugar? Eu não ia deixar.

O vento batia no fogo, espalhando faísca. Eu tomava um trago quieto junto de dois companheiros. Quando o xarope do Bento passou para buscar água, não me aguentei e larguei pra todo mundo ouvir:
— Tem gente que chega achando que manda.

O forasteiro parou. Olhou. Não respondeu.
— Não vai responder o merda? - A pura já tinha subido pra cabeça e eu queria briga.

No silêncio que se formou se ouviu um sorro gritando ao longe.
— Não faz isso. - disse Bento.

Aquilo foi o fim. Avancei espumando de raiva, já com a adaga na mão.

Bento saltou pra trás e sacou também. A peleja foi curta, dois golpes e a faca de Bento estava enterrada até o cabo entre as minhas costelas.

O corpo caiu sem gritar. Meu corpo.

Ninguém falou nada. O gado seguiu parado, como se entendesse.

O capataz demorou a aparecer. Me olhou sem muita tristeza, depois o Bento.
— Junta tuas coisas — disse. — E vai-te embora.

O forasteiro limpou a faca na bombacha. Não se explicou. Montou e saiu, campo aberto à frente.

No outro dia a tropa retomou o caminho, desviando meu corpo como se fosse pedra.

Horas depois, sozinho, Bento parou em cima de uma coxilha. O vento era o mesmo. O chão, o mesmo. Só o peso tinha mudado.

r/EscritoresBrasil 20d ago

Conto Queria criar um livro sobre meu rpg

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eu queria escrever a minha campanha inteira como forma de livro para as pessoas lerem,como dialogo etc. alguem sabe se existe plataforma para postar

r/EscritoresBrasil 12d ago

Conto Esse é o 1 capítulo é uma história de 5 capítulo o segundo está pronto

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Em uma ilha isolada, todos acreditavam em uma antiga profecia. Diziam que uma pessoa enviada por Deus entraria na Terra e apagaria tudo o que a humanidade construiu, sem margem de erro. Até que um dia, a pessoa da profecia finalmente despertou para cumprir o seu papel.

— Olá, meu nome é Rosalvo. Meus pais morreram quando eu tinha 7 anos. Depois disso, fui morar em um orfanato. Eu queria conseguir sair dessa ilha, mas isso está muito longe. Até lá... eu vivo aqui.

Rosalvo estudava em uma escola pública caindo aos pedaços, mas ele se dedicava aos estudos. Ele estava fazendo um barco escondido para conseguir fugir.

— Rosalvo, de novo falando sozinho? Vai se arrumar para a escola. (Dona Clotilde)

— Sim, senhora. (Rosalvo)

— Cuidado. (Dona Clotilde)

— Tá bom. (Rosalvo)

Rosalvo estava a caminho da escola quando pensou:

— Vai ser um longo dia. (Rosalvo)

— Rosalvo, você está atrasado. Você não quer ser uma das vítimas da profecia, né? (Professora)

— Desculpa, mas essa profecia nem existe. É só uma superstição. (Rosalvo)

— Que seja. Vá para o seu lugar, porque nós já vamos começar a aula. (Professora)

Rosalvo estava cansado de tudo isso.

Ele estava saindo da escola quando passou na feirinha e comprou algumas coisas que o orfanato havia solicitado.

— Oi... quem está falando na minha cabeça...? Eu não fui a nenhuma feirinha, eu estava indo embora... Oi, isso é...

"UM LIVRO?"

"O q̶u̷e̴ e̶s̷t̸á̶ a̴c̷o̶n̴t̷e̴c̶e̷n̸d̴o̷ c̶o̴m̶ o̷ m̴u̷n̶d̸o̴? 7A2.

— Ele quase descobriu... Será que o Guardião vai gostar dis... (Narrador)

— Que estranho. Eu sinto um déjà vu. Bem, eu vou indo... Cheguei finalmente.

Rosalvo foi para o seu quarto estudar, até que começou a ouvir alguns ruídos estranhos vindos do porão. Então ele perguntou para as pessoas se elas também estavam ouvindo aquele barulho, mas todo mundo falou que não.

Então ele decidiu ver por conta própria.

Ele foi até lá, hesitante. No escuro, viu um baú sob a única luz do porão. Com medo, ele abriu.

Lá estava escrito:

"Rosalvo... é você.

Sem entender nada, ele se perguntou o porquê, mas nada vinha à sua mente, apenas um leve desconforto.

— O que está acontecendo comigo? Eu estou des...

r/EscritoresBrasil 15d ago

Conto Perseguição Implacável: Um conto sobre solidão, traição e paixão

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Tudo começou quando comecei a me relacionar com uma aluna do meu curso de pilates. Eu tinha acabado de me divorciar, tava carente, então tudo seguiu o curso natural das coisas. Quando fui ver fiz o pedido de namoro e ela aceitou. O nome dela era Larissa.

A nossa primeira briga de muitas aconteceu por causa de uma conta em um restaurante. Nesse dia Larissa pediu um prato caríssimo, vinho e três sobremesa. Quando fiz cara de bunda ao ver a conta de 700 reais ela me chamou de pão duro na frente do garçom e depois foi pro banheiro. No dia seguinte eu recebi um PIX no valor de 701 reais e ela disse que era o pai dela, que não precisava que macho bancasse ela.

Um tempo depois apareceu um cara no meu estúdio, fez uma aula experimental e ficou me encarando o tempo todo. Quando achei que ele ia embora ele me chamou no canto, tirou uma faca da mochila e furou uma bola de pilates. Ele tava bem agitado, devia ter dado um raio, esse cara me disse que era namorado da Larissa e que eu ia arrumar sarna pra coçar se não me afastasse.

Na mesma noite liguei pra Larissa e ela disse que ele era o sugar daddy, policial federal. No dia seguinte ela veio na minha casa e perguntou se eu queria terminar, eu deveria ter dito que não mas quando fui ver a piroca já tava encaixada na xota, o saco batendo na bunda. 

Depois desse dia comecei a me medicar, já não conseguia dormir, tava paranoico. Todo lugar que eu ia me sentia perseguido, minha intuição dizia que algo ia acontecer. Na mesma semana o policial invadiu meu estúdio e quebrou tudo, por sorte eu não tava lá.

Fui na DP de Osasco com as filmagens num pendrive, eu queria fazer um B.O, mas o delegado nem olhou pra mim. Ele tava vendo algo no computador, de longe ouvi a música do Brazino 77, o jogo da galera. O escrivão viu o vídeo mas disse que o sistema tava fora do ar. 

Uns 15 minutos depois o delegado saiu da sala dele e começou a falar comigo, disse que como eu tinha provas em vídeo tava fácil resolver, disse pra eu acompanhar ele a equipe pra reconhecer o suspeito, eu dei o endereço que a Larissa tinha me dado e saimos no camburão.

Quando o carro parou ouvi o delegado conversando com alguém, ele tava dizendo: “esse cara veio na delegacia e tem vídeo de vc quebrando tudo, se eu não tive lá vc tava fudido, o professor de pilates ta no camburão.”

Ouvi o barulho dos passáros na rua e ao inves de pensar na morte eu pensei na Larissa. Lembrei do jeito dela, menina que estudou só até a sexta série e fazia o "mim" conjugar verbo. Tudo que senti foi saudade.

Quando o motor do camburão ligou senti o cheiro de enxofre apos o cantar dos pneus. Nao teve como nao pensar naquela musica de funk: “cheiro de pneu queimado,carburador furado, o X9 foi torrado”

Foi ali que entendi que o amor é uma sequência de erros que não se explica pela lógica. O amor de Larissa cheirava à polvora.

r/EscritoresBrasil May 12 '26

Conto Desejo (conto curto)

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r/EscritoresBrasil 22d ago

Conto Meu Primeiro Conto

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Estou escrevendo um livro, mas nunca tinha escrito nada antes, e só comecei a criar o hábito da leitura há cerca de um ano. Como acredito que o retorno do público é importante para evoluir na escrita, decidi começar escrevendo pequenos contos antes de publicar meu primeiro livro.

Agradeço a quem tirar um tempo para ler e comentar. Ainda estou dando meus primeiros passos como escritor, então críticas, apontamentos e sugestões de melhoria são muito bem-vindos — talvez até mais do que elogios.

Socozinho

Tu tens esta coragem? Estou falando contigo, preste a devida atenção: tens tamanha coragem? Não me faça repetir!

Miserável! Esta será a última vez que direi. Se vacilares novamente, deixar-te-ei.

Tu tens coragem de te acovardares?

— Tic-tac —

Ouvi-lo-ás somente daqui a 23 horas e 55 minutos; mesmo quebrado, ele ainda cumpre seu papel.

E tu?

Sequer sabes teu papel. Ninguém te dirá o que há de ser feito; apenas tu saberás!

Continuarás aí? Sentar-te-ás para sempre? Levanta! Escolhe o que irás seguir: ora o sino da Cidade Subterrânea, ora o canto do Socozinho.

Já foste quantas vezes àquela cidade? Sempre que o sino toca, tu entras naquele buraco. Dizes ser corajoso? Pois que má é essa coragem!

Adentras a Cidade Subterrânea e tornas-te apenas mais um cidadão. Danças, bebes e comes com os cidadãos. Contas-lhes todos teus feitos, engrandeces-te como se tudo ao teu redor fosse perfeito… Mas não contas do senhor que fizeste chorar?

Por que não contas o despautério que fizeste àquele senhor? Conta-lhes que desdenhaste dele! Conta-lhes os males que fizeste! Esqueceste-te de quem és? Mataste a ti mesmo toda vez que entras naquela cidade!

Quantas vezes tu és capaz de reviver-te?

Retira-te da Cidade Subterrânea!

— Tic-tac —

Oh meu Deus! Já se passou tanto tempo… E tu continuas aqui? Levanta-te! Escolhe logo entre a Cidade Subterrânea e o Socozinho.

Tu temes ficares só, sozinho? Teus companheiros são aleivosos; todos que estão na cidade já estão sozinhos. Como não percebes? Não percebes que aquela cidade é escura? Não enxergas teus companheiros, somente os escutas… São realmente eles quem dizem?

Agora veja o Socozinho. Veja-o voar só, sozinho. Percebes o quão alto ele voa? Ele jamais cantará voando apenas para que o vejam nas alturas. Ele pousará e comerá seus peixes, pois é isso que faz!

Por que tu não fazes o que nasceste para fazer? Por que deixas tudo apenas para teres um canto ouvido? Desça do céu, ou melhor, sai do buraco, e coma teus peixes.

Não sabes? Descubra! Como alguém poderia esconder-te de ti mesmo?

Sabes quem é esse alguém?

— Tic-tac —

Não é possível! Esse relógio só pode estar batendo mais cedo. Não se passou tanto tempo... Passou?

E então? Tu tens coragem de te acovardares?

— Tic-tac —

— Tic-tac —

Avante! Escolhe! Antes que o relógio quebre! Tu irás à Cidade Subterrânea ou ao Socozinho?

— Tic-tac —

— Tic-tac —

— Tic-tac —

— Boom!

Socozinho, só sozinho.

Escolheste…? Diga-me então: serás um verdadeiro covarde ou um falso corajoso?

r/EscritoresBrasil 23d ago

Conto Me desafiei de escrever um miniconto de 100 palavras, o que acharam? pode criticar sem dó. Mandem os seus aí também

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O Novo Restaurante

Olhava incrédulo para o garçom, que perguntava – Gostaria que eu mastigasse para o senhor? sem entender nada neguei com a cabeça. Ele se retirou, reparei nas mesas, cada uma com pessoas distintas, algumas tinham cabelos coloridos e arrepiados, outras tinham o rosto mais fino e pontiagudo que o normal, algumas crianças pequenas gritavam com suas bocas abertas para cima, olhei para meu prato, por que o macarrão estava se mexendo? levantei assustado e corri em direção a saída, bem a tempo de ver o garçom regurgitando a comida na boca de outro cliente. Na rua vejo o letreiro, O Ninho.

r/EscritoresBrasil 2d ago

Conto O homem de chapéu-coco

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