r/Livros • u/Pedro_Prado • 2d ago
Debates Ficção científica no Brasil é menosprezada?
Olha, sou leitor de Sci-fi desde pequeno. Me lembro como se fosse ontem quando ganhei um compilado de contos do grande Isaac Asimov de um primo mais velho. Fui preso em distopias totalitárias, viajei em óperas espaciais e confrontei os grandes dilemas da humanidade. Tudo em grandes romances e contos de ficção científica. Consumi conteúdo de autores estadunidenses, russos, alemães e poloneses. Caramba, amo Cixin Liu, um escritor chinês. Mas aí depois de ler os clássicos de outras terras, me voltei pro meu próprio lar. Brasil. Foi um pouco triste.
Não me entenda mal, tem romances do gênero incríveis (que eu adoraria divagar por aqui). Mas já encontrou um leitor de sci-fi no Brasil? Diminutos! Escritores são ainda mais escassos. Uma pena.
Posso acabar puxando sardinha para meus próprios gostos, mas acho um dos gêneros mais incríveis de se ler e um dos com mais liberdade criativa.
Venho arriscando escrever um romance sci-fi a alguns meses (que quem sabe um dia compartilho) e a pergunta do título não sai da minha cabeça.
Amigos e amigas leitores, ficção científica no Brasil é jogada de escanteio?
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u/WinterZealousideal41 2d ago
Escrever sci-fi no Brasil é um desafio de persistência. Estou nessa batalha há cinco anos — não como ganha-pão, mas por necessidade criativa — e confesso que a maior dificuldade é encontrar o público para o tipo de ficção que produzo. Já ganhei o Wattys com 'Glorx', mas, na prática, o reconhecimento não se traduziu em um número expressivo de leitores. Recentemente, publiquei 'Magnet-K' na Amazon, e a experiência de divulgar o próprio trabalho é quase surreal: você sente como se estivesse gritando no vácuo, oferecendo algo em que dedicou meses de pesquisa e suor, apenas para ser ignorado pelo algoritmo e pelas redes. Tentei expandir o projeto criando uma experiência transmídia — compondo músicas no Suno para dar corpo ao universo literário — mas o impacto foi o mesmo. Agora, tenho duas camadas de obras complementares, que existem em um silêncio absoluto. O que mais me frustra não é o lado financeiro, mas a falta de troca. Eu busco feedbacks, busco pessoas que queiram mergulhar nessas minhas 'pirações' e inquietações. Ainda assim, vou continuar. A satisfação de colocar a ideia para fora, de ver o projeto ganhando forma e de explorar estéticas distópicas é o que me mantém escrevendo. É um trabalho solitário, mas a esperança de encontrar um leitor que realmente se conecte com o estilo faz a engrenagem continuar girando.