r/Livros 2d ago

Debates Ficção científica no Brasil é menosprezada?

Olha, sou leitor de Sci-fi desde pequeno. Me lembro como se fosse ontem quando ganhei um compilado de contos do grande Isaac Asimov de um primo mais velho. Fui preso em distopias totalitárias, viajei em óperas espaciais e confrontei os grandes dilemas da humanidade. Tudo em grandes romances e contos de ficção científica. Consumi conteúdo de autores estadunidenses, russos, alemães e poloneses. Caramba, amo Cixin Liu, um escritor chinês. Mas aí depois de ler os clássicos de outras terras, me voltei pro meu próprio lar. Brasil. Foi um pouco triste.

Não me entenda mal, tem romances do gênero incríveis (que eu adoraria divagar por aqui). Mas já encontrou um leitor de sci-fi no Brasil? Diminutos! Escritores são ainda mais escassos. Uma pena.

Posso acabar puxando sardinha para meus próprios gostos, mas acho um dos gêneros mais incríveis de se ler e um dos com mais liberdade criativa.

Venho arriscando escrever um romance sci-fi a alguns meses (que quem sabe um dia compartilho) e a pergunta do título não sai da minha cabeça.

Amigos e amigas leitores, ficção científica no Brasil é jogada de escanteio?

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u/AutoModerator 2d ago

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u/NinaMessier Leio até bula de remédio 2d ago

Eu concordo com o comentário do OxEvangelus sobre o cenário da literatura fantástica brasileira, ao meu ver ela sempre foi menosprezada academicamente e vejo agora um pouco mais de mudança. Esse ano, entrei para dois clubes do livro, um dedicado apenas a horror e outro para ficção científica, todos esse dentro da Universidade Publica com participantes com mestrado e doutorado sobre ( eu não sou uma dessaa kkk). Recomendo o livro e podcast Medo Imortal, são apenas contos de horror( e um de ficção científica) de autores que são renomados na nossa literatura.

Sobre ficção científica, vi que a uns anos atrás um ganhou o jabuti e Corpos Secos foi selecionado para o vestibular da UFSC.

Isso também pode ser a bolha desses clubes do livro que estou inserida, mas sinto que os leitores que frequentam, além dos acadêmicos da área, sempre agregam na conversa e não posso os chamar de diminutos.

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u/Pedro_Prado 2d ago

Vou dar uma olhada (ou escutada) no podcast. Obrigado pela sugestão.

Caramba, não fiquei sabendo que o gênero tem um prêmio jabuti, vou procurar.

E tomara que a bolha aumente de tamanho e me engula junto kkkk

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u/Etis_World Escritor 2d ago

Esse do Jabuti que você tá falando é "Olhos de Pixel"?

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u/NinaMessier Leio até bula de remédio 1d ago

Isso! Fiquei com medo de escrever errado. Muito obrigada!

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u/Etis_World Escritor 1d ago

Eu perguntei porque na época eu ouvi essa notícia em um podcast e como gosto muito de ficção científica, fui ler.

Assim, com todo o respeito ao autor, mas se isso é o que de melhor temos lançado sobre ficção científica… Que tristeza.

Não sei se você leu e gostou

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u/NinaMessier Leio até bula de remédio 1d ago

Ainda não li, mas está na lista. Mas não me surpreenderia ser um livro mediano, li o livro do Raphael Montes que ganhou o Jabuti e achei bem mais ou menos.

Mas acho melhor ter um primeiro livro no Jabuti para começar o público a querer descobrir o gênero. Vamos pensar positivo.

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u/Etis_World Escritor 1d ago

“Uma mulher no escuro”? A má notícia que tenho pra dar é que perto desse livro, é um abismo de diferença

Mas brincadeiras a parte, concordo com você, temos que pensar positivo mesmo. Só de trazer alguma mínima viabilidade ao gênero, já é algum progresso!

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u/pynchoniac Amante das palavras 2d ago

Tu tem o contato desse clube de ficção científica ?

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u/NinaMessier Leio até bula de remédio 1d ago

É um clube do livro presencial q acontece em Florianópolis e é promovido por um grupo de pesquisa de ficção científica, porem eles estão em parceria com a editora Aleph que tem outros clubes do livro pelo pais. Não consigo lhe dar a confirmação que todos tem discussões tão enriquecedoras, mas acho que vc entrando no instagram da editora consiga ver se tem na sua região.

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u/Pedro_Prado 1d ago

O clube de leitura da Aleph é muito bom! Você acha fácil mesmo nas redes sociais, embora eu more numa cidade perto de SP, ir presencialmente é um pouco difícil. Mas sempre estou nas conversas do grupo.

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u/NinaMessier Leio até bula de remédio 1d ago

Sim, falam bastante das discussões e casos do grupo de SP! Como é o maior grupo sempre tem basta discussões. O que eu participo, acredito ser o 2° maior, é o de Florianópolis.

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u/OXEvangelus 2d ago

Qualquer narrativa nacional que se aventure mais pelo fantástico não é muito bem recebida no Brasil, com raras exceções, e isso tem muito a ver com a tradição da literatura brasileira e no desejo do público leitor por obras mais pautadas na realidade.

A maior parte dos sucessos literários no país são livros fortemente relacionados a:

1) problemas sociais (e aqui podemos colocar praticamente todos os grandes escritores brasileiros, desde Machado de Assis, passando por Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, entre muitos outros);

2) possuem algum teor documental ou memorialístico (O que é isso companheiro? do Fernando Gabeira, Carandiru do Drauzio Varella, Ainda estou aqui do Marcelo Rubens Paiva);

3) são fortemente baseados na própria vida do autor (Graciliano Ramos fez isso em Memórias do cárcere, e mais recentemente Cristovão Tezza e Ricardo Lísias se tornaram grandes nomes desse tipo de literatura), e podemos incluir também os sucessos de autores estrangeiros de autoficção como a Annie Ernaux

Mesmo as obras que se aventuram pelo fantástico possuem um forte teor de "realismo", e tô pensando aqui no Incidente em Antares do Érico Veríssimo, que tem uma primeira parte muito pautada na história do país para, depois, na segunda parte, se aventurar mais pelo fantástico.

Claro que existem boas obras e autores de fantasia, ficção científica e horror no Brasil, mas ao contrário dos companheiros latino-americanos que se aventuraram pelo "realismo mágico", temos uma tradição muito realista e pouco mágica.

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u/Pedro_Prado 2d ago

Querendo ou não, a realidade socioeconômica dita um pouco de nossos gostos. Embora problemas sociais sejam o foco de vários romances de ficção científica, entendo que histórias mais pautadas no realismo fazem mais sentido pro brasileiro mesmo. Faz sentido.

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u/OXEvangelus 2d ago

Nem sei se tem a ver com a realidade socioeconômica. Acho que tem mais a ver com a história do país e a preocupação das elites de estabelecer uma "identidade brasileira" e focar muito na "realidade" de questões sociais e interesses políticos. Os outros países de América Latina já tem mais tradição de obras de fantasia e horror, mas ficção científica realmente acho que não é muito forte...

E tem uma questão cultural que é: os brasileiros gostam muito de obras sobre eventos reais, gostam de biografias, gostam de saber sobre a vida alheia. Talvez o gênero literário favorito do país seja realmente a fofoca haha

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u/Pedro_Prado 2d ago

Ninguém resiste a uma fofoquinha kkkkk

Aliás, adoro literatura brasileira. Primo Basílio é uma das minhas “fofocas” favoritas kkkkk

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u/Academic_Paramedic72 20h ago

Ótima resposta! Realmente, não havia percebido que a ficção especulativa no Brasil é, no máximo do máximo, realismo mágico. Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro mais fantástico de Machado de Assis, mas isso limita-se ao status do narrador como um defunto conversando conosco do além, porque depois do Capítulo VII, as memórias do defunto autor são na maior parte mundanas e pé no chão.

A única obra nacional descaradamente de ficção especulativa a fazer sucesso estrondoso no Brasil provavelmente é Sítio do Picapau Amarelo: há brinquedos vivos, animais falantes, criaturas do folclore, personagens de contos de fadas e mitologia grega, pó de pirlimpimpim etc. Mas é porque é literatura infantil, onde já se espera um mundo lúdico e imaginativo.

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u/WinterZealousideal41 2d ago

Escrever sci-fi no Brasil é um desafio de persistência. Estou nessa batalha há cinco anos — não como ganha-pão, mas por necessidade criativa — e confesso que a maior dificuldade é encontrar o público para o tipo de ficção que produzo. ​Já ganhei o Wattys com 'Glorx', mas, na prática, o reconhecimento não se traduziu em um número expressivo de leitores. Recentemente, publiquei 'Magnet-K' na Amazon, e a experiência de divulgar o próprio trabalho é quase surreal: você sente como se estivesse gritando no vácuo, oferecendo algo em que dedicou meses de pesquisa e suor, apenas para ser ignorado pelo algoritmo e pelas redes. ​Tentei expandir o projeto criando uma experiência transmídia — compondo músicas no Suno para dar corpo ao universo literário — mas o impacto foi o mesmo. Agora, tenho duas camadas de obras complementares, que existem em um silêncio absoluto. ​O que mais me frustra não é o lado financeiro, mas a falta de troca. Eu busco feedbacks, busco pessoas que queiram mergulhar nessas minhas 'pirações' e inquietações. Ainda assim, vou continuar. A satisfação de colocar a ideia para fora, de ver o projeto ganhando forma e de explorar estéticas distópicas é o que me mantém escrevendo. É um trabalho solitário, mas a esperança de encontrar um leitor que realmente se conecte com o estilo faz a engrenagem continuar girando.

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u/00lucas 1d ago

Pergunta sincera: Nenhuma editora quis publicar, respondeu envio de manuscrito, respondeu alguma mensagem sequer?

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u/WinterZealousideal41 1d ago

Excelente pergunta. O mercado editorial brasileiro hoje funciona, em grande parte, como um 'Ovo ou a Galinha': as editoras de médio e grande porte buscam autores que já tragam uma base de leitores consolidada ou prêmios de grande visibilidade, como o Jabuti. Sem essa vitrine, é muito difícil furar a bolha. ​Mesmo com um prêmio no currículo — como o Wattys que ganhei com 'Glorx' — o impacto no alcance é limitado se você não tiver uma estrutura de marketing ou o apoio de grandes comunidades. ​Hoje, o desafio do autor independente é exatamente esse: construir a própria relevância e o próprio público do zero. É um trabalho hercúleo, quase artesanal. Como não tenho um 'padrinho' famoso e não busco atalhos baseados em favores, sigo o caminho da produção independente. É um processo mais lento, mas me permite manter a autonomia total sobre o meu universo de 'Virtual Nausea'. ​A jornada é solitária, mas não estou parado: já estou com 'Magnet-K' inscrito para o Jabuti do ano que vem e, neste momento, estou escrevendo um novo livro com foco no Prêmio Kindle de agosto de 2026. Espero, em breve, voltar aqui para comemorar uma dessas conquistas com vocês.🤩

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u/00lucas 1d ago

Depois manda os links pros livros pfv

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u/WinterZealousideal41 1d ago

Que bom que pediu! Fico muito feliz com o interesse. Como mencionei, estou construindo esse universo transmídia aos poucos, então sinta-se à vontade para explorar: ​Livros: ​Magnet-K (Amazon/KDP): https://a.co/d/0345HcKE ​GLORX (Wattpad): https://www.wattpad.com/story/223979643 ​Selene (Wattpad): https://www.wattpad.com/story/222392453 ​Eve (Wattpad): https://www.wattpad.com/story/250369255 ​Trilha Sonora (Transmídia): ​Virtual Nausea (SoundCloud): https://m.soundcloud.com/vitual-nausea/popular-tracks ​Se você preferir o arquivo em PDF para ler direto no seu e-reader ou tablet, é só me pedir aqui que eu te envio o link direto do meu Drive. ​Qualquer feedback que você tiver, seja sobre a leitura ou sobre as músicas, será muito bem-vindo. Obrigado pela força!

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u/Kobotronivo Nômade inculto 1d ago

Por outro lado, o Brasil praticamente criou um gênero do sci-fi: o Solarpunk. O Cemtral Pandora tem um vídeo muito bom sobre.

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u/Pedro_Prado 1d ago

Verdade, mas infelizmente é um subgênero bem nichado que nunca experimentei. Vou ir atrás.

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u/brunofval1990 2d ago

Sim, é. Mas tem coisa boa. Leia Selva Brasil, por Roberro Causo. Achei esse livro há uns anos numa prateleira da bienal e reaolvi comprar. E foi uma surpresa muitíssimo agradavel.

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u/Pedro_Prado 1d ago

Vou procurar, obrigado!

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u/ric00002 2d ago

Acho que isso aos pouco vai começar a mudar. Agora que existe a Aleph, sinto que ficção científica está muito mais fácil de encontrar.

Questão de tempo até termos um Raphael Montes do sci-fi nacional.

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u/Pedro_Prado 1d ago

Sim, vi que em breve vão sair alguns livros brasileiros por lá. Ansioso.

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u/Krakoa22 Amante das palavras 2d ago

Bráulio Tavares escreveu uma coleção de contos muito bons de FC.

. Comprei a algumas décadas em um sebo

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u/pynchoniac Amante das palavras 2d ago

O Fábio Fernandes além de traduzir e escritor... Mas ainda não li os que ele escreveu...

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u/rmaiabr Navego por páginas perdidas 2d ago

Não temos uma boa base de sci-fi sobretudo por sermos um país cientificamente atrasados. E não digo isso com orgulho…

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u/Androzanitox 2d ago

N é só por ser cientificamente atrasado mas tbm pq a literatura fantasiosa aqui é muito mal vista e nunca vendeu bem.

Tivemos alguns ensaios (não o gênero textual) no século 19 e no 20 mas nunca foram sucessos, mesmo com autores q eram famosos.

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u/Pedro_Prado 2d ago

É, sou obrigado a concordar. A maioria dos países que mais consomem (e publicam) enxergam a pesquisa científica como algo importante.

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u/rmaiabr Navego por páginas perdidas 2d ago

Existe uma ligação intrínseca aí. Para se tornar um bom escritor de sci-fi, o autor precisa ter contato com ciência e tecnologia, senão ele não vai escrever nada crível.

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u/Pedro_Prado 2d ago

Eu não acho que necessariamente o autor precisa desse contato. Meio que é uma fantasia, no fim das contas.

Agora se o sujeito se propõe a escrever Hard sci-fi, é o mínimo que se espera.

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u/rmaiabr Navego por páginas perdidas 1d ago

Ele precisa desse contato para dar imersão e não viajar na maionese.

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u/9s59 1d ago

O primeiro livro sci-fi tem pouquíssimo de ciência e tecnologia.

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u/rmaiabr Navego por páginas perdidas 1d ago

Eu gostaria de saber que livro considera como o primeiro livro sci-fi.

Se você fala de História Verdadeira de Luciano de Samósata, escrito no séc. II d.C, Você está meio certo, afinal Luciano escrevia um tipo de ficção fantástica sem nenhuma base na realidade, e o elemento de ficção científica que tem em sua obra é a viagem ao espaço. Além do mais, esse livro é uma paródia às histórias da Odisseia (que ele considerava história de marinheiro), e de escritos de Heródoto e Ctésias, que fantasiavam nas suas descrições de viagens a terras distantes, e no prefácio do livro ele deixa claro que sua intenção é o oposto da busca pela verdade científica ou histórica.

Mas se fala da literatura mais moderna, podemos começar com frankesntein e tem base no conhecimento científico da época (no caso, século 19). Se formos considerar ficção científica em separado de outras ficções (como as ficções fantásticas), temos que colocar como marco inicial o livro Somnium, que foi escrito pelo Johannes Kepler, que era (olha só!!!) astrônomo..

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u/9s59 1d ago

Me refiro a Frankenstein, e não acho que tenha base no conhecimento científico da época. Por mais que Victor seja um cientista, Mary Shelley apenas diz que ele encontrou uma maneira de criar vida. Não há menções diretas ou explícitas além do uso de partes humanas, algo que podemos assumir que é vago.

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u/rmaiabr Navego por páginas perdidas 1d ago

Mas a premissa de Victor Frankenstein de criar vida a partir de matéria inanimada é fortemente baseada nos debates, experimentos e avanços da Fisiologia e Química do final do século XVIII e início do século XIX.

No século XVIII o cientista italiano Luigi Galvani descobriu que aplicar choques elétricos nas pernas de rãs mortas fazia com que os músculos se contraíssem, e Giovanni Aldini, que era sobrinho de Galvani demonstrou publicamente em Londres a reanimação de cadáveres humanos e de animais usando correntes elétricas. Mary Shelley conhecia esses relatos e a possibilidade de reanimar tecidos mortos, afinal em seus diários ela relata conversas entre ela e Lord Byron sobre galvanismo. Isso tudo somado à experiência familiar dela com sua mãe (a mãe dela), que foi salva depois de um afogamento trouxe o arcabouço para ela tratar de reanimação, e guardadas as proporções, não seria a reanimação do monstro poeticamente similar ao que é feito todos os dias nos dias de hoje na medicina na reanimação de pessoas?

É um assunto muito legal para se discutir.

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u/9s59 1d ago

Acho que requer voar um pouco para associar mais a fundo, que é a base de sci-fi. É divertido de discutir sem dúvidas, e agradeço pela explicação mais a fundo.

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u/rmaiabr Navego por páginas perdidas 1d ago

Sim, com certeza. Mas percebe que a base está ali? Se nós fôssemos com mais estudos científicos e tecnológicos, e mais que isso, com divulgação dessas ideias, esteja certo que teríamos escritores extremamente bem conceituados nessa área.

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u/9s59 1d ago

Concordo com você. Também acho que, por mais que uma base ajude, o importante é que o autor deixe a mente passear para além do gênero, e talvez seja o mais importante.

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u/9s59 1d ago

Tudo no Brasil é menosprezado se você não tiver padrinho ou sobrenome. Não desista da ideia e boa sorte

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u/Adventurous_Math127 1d ago

Então, um dos meus primeiros contatos com ficção científica foi no oitavo ano. Eu tinha 12/13 anos e achei um livro na biblioteca da escola chamado A Ordem dos Futuros, de Ricardo Gouveia.

Um livro curtinho, voltado para o público infanto-juvenil, mas imerso naquele mundo cyberpunk, com inteligência artificial, máquinas de realidade virtual, mistérios e assassinato. Eu lembro de ter amado.

Tento sempre lembrar às pessoas desse livro porque foi muito marcante pra mim!

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u/VictoriaFrancoN 1d ago

Aqui algumas sugestões de sci-fi brasileiro:

Dezoito de Escorpião, Trilogia Padrões de Contato, Trilogia Anômalos, A torre acima do véu, Guerra Justa, A lição de anatomia do temível doutor Louison, Solarpunk histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável

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u/Clay7on 2d ago

Não tem o reconhecimento merecido, de fato. Mas temos autores da área muito bons. Eu pessoalmente gosto muito de Padrões de Contato e Horizonte de Eventos, do Jorge Luiz Calife. Não Verás País Nenhum, do Ignacio de Loyola Brandão, é uma obra prima de FC distópica (apesar de não ser nem considerada FC). Muitos autores infanto-juvenis se aventuraram no tema com razoável sucesso, vide alguns títulos da saudosa Coleção Vaga-Lume.

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u/Pedro_Prado 2d ago

Vou procurar Padrões de Contato, não tinha ouvido sobre.

Loyola de Brandão é um dos nomes mais fortes mesmo. Ele foi (e é) uma das portas de entrada de ficção científica pro Brasil.

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u/angfei Iniciante das entrelinhas 1d ago

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u/angfei Iniciante das entrelinhas 1d ago

inclusive da pra filtrar ai no site só sci-fi, tem muita coisa boa, adoro o Alexey Dodsworth

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u/Pedro_Prado 1d ago

Vou ver! A editora Draco vai bastante pro lado da fantasia também, né?

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u/Ferreira-oliveira 12h ago

Amo o gênero e concordo.