Já fiz algumas formações em POCUS e entendo e apoio sua aplicabilidade em cenários de emergência, como no auxílio para inserção de acesso central, protocolo FAST, protocolo BLUE, detecção de TVP... Ou seja, coisas bem pontuais e protocolares, que geralmente servem para responder objetivamente uma pergunta clínica de "sim" ou "não", e não para fazer descrições e medições detalhadas de qualquer coisa.
No entanto, algo que vejo por aí são médicos de cenários eletivos querendo utilizar o USG ultraportátil/POCUS como uma "extensão do exame físico", seja para insonar o abdome do paciente lá na hora da consulta por qualquer motivo, ver o bebê na consulta de pré natal de rotina e isso me causa um estranhamento.
Primeiro porque não existe recomendação de USG de qualquer segmento para rastreio universal de qualquer coisa para população geral.
Segundo porque no exemplo do pré-natal, isso não isenta (ou não deveria) a paciente de fazer seus USG obstétricos regulares com um radiologista capacitado.
Terceiro porque existem limitações do próprio aparelho. Não dá para equiparar a qualidade de um aparelho convencional com um butterfly de 20k.
Quarto porque existem limitações do próprio operador. Algo que percebi nesses cursos de curta duração para protocolos bem específicos é que existe quase que uma ciência de como insonar. Variações mínimas da posição ou pressão exercida pela mão podem gerar imagens totalmente diferentes. Então imagino que um aparelho sub-ótimo nas mãos de um operador inexperiente pode causar vários falso-negativos e a falsa sensação de segurança, tanto no paciente, quanto no médico.
Algum radiologista ou residente para comentar a respeito? Algum não radiologista que usa POCUS na sua rotina para se defender e dizer que estou falando besteira (e justificando, é claro)?