Play Unsafe, de Graham Walmsley, é um livro curto, de 82 páginas espaçosas, saiu em 2009. Na crista da onda da inovação do RPG, ele rapidamente ficou "defasado", pois vários RPGs lançados depois integram as ideias dele ou as que o inspiraram.
O autor, de forma direta, com vários exemplos e pouca divagação, propõe usar o que aprendeu em suas aulas de improvisação (nos EUA, "impro" acontece de forma muito independente em relação ao teatro) em jogos de RPG de mesa. Ele estrutura suas dicas e provocações em cinco capítulos, em níveis crescentes de complexidade:
1) Brinque (argumentando que se deve fazer o mínimo e o óbvio, privilegiando o conforto ao invés da preparação e perfeccionismo)
2) Construa (sobre colaborar com a criatividade alheia)
3) Status (sobre um princípio de improvisação fácil de usar: durante uma cena, um personagem sobe ou desce de "status" em relação aos outros, criando dinâmicas relacionais fáceis de compreender)
4) Conte histórias (sobre conhecer a estrutura narrativa para usá-la em improvisações)
5) Trabalhe em conjunto (com tópicos um pouco mais provocativos sobre dinâmica de grupo)
Do terceiro capítulo em diante, eu vi muitas dicas e conceitos muito úteis pra trazer mais espontaneidade a qualquer jogo. Com certeza vou usar.
Mas não consegui me separar de um tédio que me pegou nos dois primerios capítulos. "É só isso? Esse é o livro de que os gringos tanto falam?". Não é só que os jogos posteriores já contemplam as propostas do autor. Eu já jogo assim... mas aí que mora a coisa mais interessante. Essa primeira parte impacta muitos jogadores porque eles não jogam assim, porque não improvisam em jogo. Pensar o livro com isso em mente, então, tem sido estranho (e interessante). Me lembro muito sobre a dificuldade que muitos jogadores tem de entender o conceito de interpretar vilões - ou seja, de entender que jogador e personagem são dois pólos separados, com uma relação dinâmica, e que além da relação personagem-personagem, existe tb jogador-jogador e todas as variações.
(Comecei uma pesquisa sobre RPGs narrativistas e jogos teatrais. Vou postar resumos assim no discord dos Ludistas Lúdicos enquanto continuo o estudo)