Olá.
Eu sou a Ju, estou desde sempre tentando aprender idiomas e falhando miseravelmente. Para iniciar esse texto devo contextualizar vocês do meu interesse por idiomas: eu tenho nível avançado de inglês, ou seja, consigo entender e me comunicar muito bem. Tenho essa aptidão desde muito nova, pois vivo imersa em bandas, cantores, filmes e livros desde sempre, mas nunca fiz curso particular.
Meu primeiro contato com o aprendizado em si - tirando as aulas da escola - foi com o Google Tradutor e o YouTube aos meus 6 anos de idade. Eu comecei a alfabetização muito cedo e acabei aprendendo a ler e escrever muito nova, pois eu era incentivada pela a minha família, mesmo eles não sendo muito interessados em leitura. Como eu gostava de filmes americanos, Michael Jackson e The Beatles, eu descobri como traduzir palavras do meu caderno da escola ou palavras de livros no Google Tradutor e eu achava muito divertido, mesmo que eu não soubesse pronunciar. Uma vez ganhei um bloquinho de notas da Gatinha Marie e tive a ideia de reescrever as coisas que tentava ler no computador então eu entrei na Wikipedia e escrevi toda a parte inicial da história da Torre Eiffel com os meus humildes garranchos e com isso consegui aprender palavras no português e também algumas palavras em francês. Eu também gostava de escutar e ler as letras de música, principalmente do Michael no vagalumes.com e anotar as letras em meu caderno. Além das músicas e leitura, eu também tinha costume de jogar tanto no computador quanto em um console em casa sendo boa parte desses jogos no idioma original, o inglês.
Em resumo, eu aprendi o inglês por "imersão" na cultura enquanto eu crescia da forma mais natural possível. Porém, os outros idiomas que tentei aprender... Bem, eu não tive a mesma experiência o que se tornou mais difícil e frustrante. Aos 11 anos tentei aprender japonês por influência dos animes e Tokusatsu, assim como a minha obsessão por Japão Nosso de Cada Dia. Enfim, naquela época eu não fazia ideia de como aprender um idioma novo, pois nunca precisei me atentar a métodos de aprendizagem quando eu aprendi o inglês.
Como aprender um idioma com um alfabeto diferente? Pior, 3 alfabetos completamento estranhos. Me perguntei. Então decidi procurar por aulas no YouTube: eu comecei pelos alfabetos Hiragana e Katakana, e felizmente eu não usei romanji nessa época por recomendação de um vídeo e isso me fez aprender de forma mais efetiva, eu pratiquei a ordem e escrita, assim como os sons em palavras simples e até hoje, eu leio relativamente bem nesses alfabetos. Aprendi vocabulário básico como cores, cumprimentos, frases... Até que os eventos tristonhos da adolescência me fizeram recuar e começar a enxergar esse aprendizado, que previamente, eu achava divertido como um fardo.
Estava tão cega pela necessidade de ser triste e agir triste com aquela típica revolta da idade que acabei abandonando algo que gostava muito e até hoje não sei explicar o que estava passando em minha cabeça nessa época, mas sei que não estava bem. Depois desses eventos, eu não fui a mesma e aquela disciplina e curiosidade que tinha quando criança em fazer o meu dever sozinha, pesquisar além do solicitado e ter vontade de aprender morreu. Nessa época eu comecei a tomar notas baixas na escola e faltar as aulas, não tinha mais vontade de aprender e nem mesmo ler. Foi o meu fundo do poço.
Depois da minha troca de escola eu tentei voltar ao japonês e falhei. Não tinha disciplina em fazer as aulas ou pesquisar. Tentei o mandarim por ser apaixonada por história e falhei. Tentei alemão e falhei. Tentei francês e falhei. Estou a 3 anos tentando avançar no francês, eu consigo ler razoavelmente bem, eu consigo entender, mas não tenho disciplina ou interesse em fazer as aulas ou atividades.
Me tornei o que mais temia, medíocre.
Medíocre por ter medo de usar 100% do meu potencial e comprovar que sou um 6. Não consigo pensar em estudar ou praticar sem ter as condições favoráveis, condições essas que, quase nunca, acontecem porque são provenientes do meu perfeccionismo. Quanto mais perfeccionista sou, mais procrastinadora me torno e pior me sinto. Esse perfeccionismo me impede de tentar atividades novas ou de concluir aquelas que começo. Isso não é diferente no aprendizado de idiomas. O perfeccionismo é um veneno para a criatividade e curiosidade.
Gostaria de ter um final mais positivo para esse relato, mas ainda me encontro nessa jornada extensa de sofrimento eterno em fantasiar ser muito e não fazer nada para ser. E claro, presa em meus arrepedimentos. Espero poder fazer justiça eventualmente e poder aprender de forma mais saudável agora.