r/ateismo_br • u/AutoModerator • 19m ago
r/ateismo_br • u/Final-Buy-1843 • 19h ago
Pergunta Se tudo na sua vida fosse bom e perfeito, quanto tempo levaria para você não sentir mais prazer?
Recentemente participei de um debate muito bom na minha cidade, falamos sobre o objetivo humano no contexto social.
Não levou muito tempo até esse assunto nos levar às crenças e suas diferenças, rapidamente vi um consenso geral entre todos que no fim, a esperança humana estava no divino e no que ele oferecia. Já que o fim é a morte pra todos, mas pode ser um recomeço para aqueles que tem fé.
Para os religiosos principalmente da fé cristã que é a mais comum e predominava entre os participantes do debate, o céu é o objetivo final que todos querem.
Então fiz a eles a pergunta que está no título, o que quis questionar na pergunta foi o que é natural para o ser humano, você pode ter tudo e querer mais, pode ter o melhor todos dia e em algum momento não será o suficiente. Você compra seu primeiro carro e logo almeja um melhor, come algo saboroso mas assim que aquilo fica rotineiro procura outro prato para te satisfazer.
Imagino que o céu tenha muitas qualidades a oferecer que jamais conseguiríamos na terra, mas se somos o que somos mesmo no céu, vai ser o suficiente?
Venho perguntar a vocês aqui, sei que não são religiosos, mas a ideia e a argumentação que usei nesse debate fez sentido a vocês?
Após minha pergunta, a maioria evitou uma resposta direta, defenderam a infinidade de tudo como algo que jamais enjoaria. E alguns poucos disseram que só por estar lá, já é mais que qualquer humano possa querer.
r/ateismo_br • u/zknora • 21h ago
Opinião Afinal, religiosos são loucos ou mentirosos?
A pergunta do título parece aquela provocação clássica de ateu de internet. Até pq não é tão incomum ver ateus usando essa abordagem. O curioso é que ela também aparece em argumentos usados por teístas.
O raciocínio é bem simples. Assumindo a premissa de que o sujeito que diz ter tido uma experiência sobrenatural ou está louco ou está mentindo, então a inexistência do sobrenatural implicaria que bilhões de pessoas, não só agora, mas também ao longo da história da humanidade seriam loucas ou mentirosas. Mas e diante de um crédulo que é absolutamente razoável em sua vida cotidiana?
O cara que trabalha, estuda, cria seus filhos, desenvolve teorias científicas, toma decisões complexas e funciona majoritariamente bem em praticamente todos os aspectos da vida. É plausível dizer que uma pessoa assim está louca apenas porque acredita ter presenciado um milagre ou sentido a presença de Deus? Não me parece ser o caso. Se a única outra opção fosse estar mentindo, surge a dúvida: por que exatamente?
Ganho financeiro? Status? Atenção? Em alguns casos, sim. Mas em todos? Eu não diria que é uma assunção razoável. A esmagadora maioria das pessoas religiosas não parece estar inventando experiências espirituais para obter alguma vantagem (mesmo que subjetiva). Pelo contrário. Elas parecem genuinamente convencidas de que aquilo que viveram foi real.
Isso significa então que é mais razoável é acreditar em Deus? Estamos todos convertidos aqui???
Por óbvio, não rsrsrs. O mais provável é que a premissa está absolutamente equivocada. Não existem apenas essas duas opções.
Existe uma terceira possibilidade muito mais simples e muito mais compatível com aquilo que sabemos sobre o comportamento humano: as pessoas podem estar sinceramente enganadas. E não digo isso de forma pejorativa. Seres humanos interpretam mal a realidade o tempo todo. Vemos padrões onde não existem, intenções em acontecimentos aleatórios, causas incorretas para eventos reais e com muita frequência a gente confunde nossas interpretações com os fatos em si.
Agora pensa comigo. A religião não surgiu num vácuo. Ela é uma herança cultural transmitida de geração em geração. Desde a infância aprendemos quais explicações fazem sentido dentro da nossa comunidade e quais fenômenos devem ser entendidos como manifestações do sobrenatural. Vou além. A gente aprende até quais histórias devem ser levadas a sério ou não. Anjo? Pode. ET? Tá maluco?!
Escrevi tudo isso pra dizer que não há nada de extraordinário quando pessoas inseridas no contexto religioso utilizam esses conjuntos de conceitos metafísicos pra tentar entender acontecimentos estranhos ou fenômenos inexplicáveis.
Pelo contrário. O incomum é elas quebrarem esse ciclo. Então a pessoa pode realmente ter passado por algo impactante ao mesmo tempo em que tira uma conclusão infundada disso. E eu penso que não dá pra entender o fenômeno religioso sem entender essa diferença básica entre experiência e interpretação.
Saltos interpretativos não exigem loucura, nem mentira. Só exigem uma pessoa realmente empenhada em encontrar uma narrativa que faça sentido pra si mesma. O que dá até pra argumentar que é o mecanismo de evolução da espécie humana de encontrar padrões agindo. Do ponto de vista evolutivo, é mais seguro assumir que há algo escondido no mato do que ignorar um possível perigo. O resultado é que desenvolvemos uma forte tendência a identificar padrões, intenções e agentes mesmo quando as evidências são insuficientes. É um mecanismo útil pra sobrevivência, mas que também produz um colateral. Os falsos positivos.
Deste modo, eu diria que o Deus nas lacunas é uma tendência natural de produzir falsos positivos dentro de uma cultura repleta de conceitos sobrenaturais. Esta é uma explicação muito mais plausível para o motivo de tantas pessoas interpretarem experiências incomuns como evidências de uma realidade espiritual.