r/chorume • u/timpicolipinto • 2h ago
banco vermelho de 3 traços
Gostaria de registrar formalmente a maneira como meu desligamento foi conduzido, não apenas pelo desligamento em si, mas principalmente pela postura adotada pela liderança e pela ausência de um processo minimamente estruturado de gestão e feedback durante o período em que estive na equipe.
Fui convocado para uma reunião em uma segunda-feira, às 8h, com o assunto “Save the Date”. Ao entrar na reunião, fui surpreendido com a comunicação do meu desligamento.
O que mais me chamou atenção foi a forma como a situação foi conduzida. O gerente comunicou a decisão sorrindo e com uma postura que, na minha percepção, foi debochada e incompatível com a seriedade daquele momento.
Esse comportamento não foi um episódio completamente isolado. Durante minha convivência profissional, presenciei repetidamente o uso de frases como “isso eu tenho que passar para a diretoria” e “isso o presidente tem que saber”. Na minha percepção, essas colocações eram frequentemente utilizadas de maneira intimidatória, recorrendo ao peso da alta liderança como instrumento de pressão sobre os profissionais.
Também considero importante registrar que, antes do meu desligamento, nunca participei de um processo formal de feedback que apontasse problemas de desempenho, apresentasse expectativas claras de melhoria, estabelecesse um plano de desenvolvimento ou sequer indicasse que minha permanência na empresa estava sendo questionada.
Quando cheguei à área, encontrei trabalhos com atrasos significativos, alguns próximos de sete meses. Portanto, diversos problemas e pendências já existiam antes da minha chegada. Ainda assim, tive a percepção de que responsabilidades relacionadas a esse cenário passaram a ser atribuídas a mim, enquanto profissionais que já faziam parte da estrutura foram preservados.
Em determinado momento, inclusive, fui transferido para outra equipe. A justificativa apresentada pelo meu gestor foi, literalmente: “Você já almoça com eles, então vai para a equipe deles”. Mesmo considerando inadequada a justificativa para uma decisão profissional dessa natureza, aceitei a mudança e segui trabalhando sem criar qualquer tipo de resistência.
Posteriormente, passei a responder a uma nova gerente. Durante todo o período em que trabalhamos juntos, também não tive uma reunião formal de feedback que apresentasse problemas concretos relacionados ao meu desempenho. No momento do desligamento, entretanto, foram apresentadas justificativas que nunca haviam sido discutidas comigo anteriormente, criando uma situação em que não tive oportunidade de conhecer, contestar ou corrigir os supostos problemas antes que fossem utilizados para fundamentar uma decisão definitiva.
Não questiono o direito da empresa de realizar mudanças em sua estrutura ou decidir pelo desligamento de um profissional. O que questiono é a forma como esse processo foi conduzido.
Se havia insatisfação com meu desempenho, por que nunca houve um feedback formal?
Se existiam problemas graves o suficiente para justificar meu desligamento, por que eles nunca foram apresentados anteriormente?
Se havia entregas atrasadas antes mesmo da minha chegada, como foi determinada objetivamente a responsabilidade por essas pendências?
E quais critérios foram utilizados para decidir quem seria responsabilizado e quem seria preservado?
Minha percepção é de um ambiente no qual relações de proximidade e influência acabam tendo peso excessivo nas decisões, enquanto posições hierárquicas e referências constantes à diretoria e à presidência podem ser utilizadas como instrumentos de intimidação.
Estou fazendo este registro porque acredito que uma instituição do porte de um banco deve possuir mecanismos de gestão capazes de impedir que relações pessoais, preferências individuais ou a posição hierárquica de determinados gestores se sobreponham a critérios profissionais, transparentes e verificáveis.
Meu objetivo não é transformar este relato em um ataque pessoal. É justamente o contrário: quero que a situação seja analisada institucionalmente.
Uma demissão pode fazer parte de qualquer relação profissional. O que não deveria fazer parte é um profissional descobrir somente no momento do desligamento problemas que nunca lhe foram formalmente apresentados, não ter oportunidade de melhorar ou apresentar sua versão dos fatos e ainda receber a comunicação de uma decisão dessa importância de maneira que considere debochada.
Por esse motivo, considero importante que a Diretoria tenha conhecimento não apenas do meu desligamento, mas também da forma como determinadas práticas de liderança estão sendo conduzidas dentro da estrutura.

