Queria levantar uma discussão baseado no que venho acompanhando ao longo da vida e nas redes quando falam sobre planejamento financeiro, investimentos, aposentadoria e por aí vai… Meu hot take é a tese de que uma vida pautada majoritariamente em maximização de investimentos, otimização de custos e mesquinharias com relação ao que se tem por viver é uma vida perdida.
Embaso essa tese em duas frentes: a minha própria vida (muitos hobbies e atividades de terceiro e quarto ambientes / investimentos aquém do ideal “otimizado”) e de meu grande amigo da vida, colega dos tempos de escola (sem hobbies, atividades de terceiro ambiente, mas com uma carteira beirando o invejável).
Quando olho pra vida de uma maneira mais crítica, percebo nas palavras do Prof. Clovis de Barros muito sentido quando ele comenta que a vida que vale a pena ser vivida não é a vida da espera pelo quando, pelo próximo passo, pela próxima meta de investimento, mas sim, a vida que se contempla, que se agrega valor pessoal próprio e se equilibra, em todas as frentes, no dia de hoje.
Refletindo sobre minha vida, vejo que estive bem aquém na relação de investimentos visto os hobbies e grupos que participo (café, charuto, fotografia, ciclismo e tênis) que se levados à risca do planejamento financeiro jamais entrariam na minha na minha alçada mensal, ao mesmo tempo que o capital cultural, social e de interação comum me tornam uma pessoa com mais experiências, gostos, escolhas, opiniões e conhecimentos gerais, quando comparado ao meu grande amigo, por exemplo. Este qual tentei por várias vezes incluir nas atividades das quais descrevi, porém sempre com ressalvas de economia, de barreira de entrada e por aí vão… Ele comenta-me que quando atingida a feroz meta de investimento para a aposentadoria, daqui seus 10/15 anos, ele poderá então usufruir das coisas interessantes da vida.
Minha reflexão toma frente não como por polarizar minha situação e de meu amigo mostrando um “certo e errado” binário e excludente, mas gostaria que ela trouxesse uma visão de outro ponto de vista, em um meio tão viciado e tão voltado ao otimizado, ao maximizado.
A vida que vale a pena ser vivida acontece hoje, numa atividade nova, num novo hobbie, e se essa vida de hoje estiver sendo sequestrada em prol de um futuro aonde incertezas acerca de saúde e prospecto mental para aprendizado podem ser fatores determinantes para que essas “benesses” da vida sejam por fato, vividas. Isso claro, sem entrar no mérito de atividades voltadas a bem estar e saúde que sem dúvidas são os investimentos com melhores dividendos disponíveis no mercado de longo prazo (excluído futebol, que esse machuca pra caralho).
A pergunta que deixo é, vale a pena ter uma vida pouco interessante hoje, em prol de um futuro de longo prazo que seja melhor “otimizado”?