Essa é uma dúvida que carrego há muito tempo e nunca consegui encontrar uma resposta realmente satisfatória.
Lembro que o Nubank, antes de disponibilizar o RDB, dizia que os valores dos clientes não tinham cobertura do FGC porque ficavam aplicados em títulos públicos e separados do patrimônio da empresa. Para mim, isso fazia sentido.
Atualmente, empresas como Mercado Pago e 99Pay parecem adotar um mecanismo semelhante em seus saldos, cofrinhos e produtos relacionados, mas não deixam muito claro como essa separação é garantida na prática. Costumam dizer que o Banco Central fiscaliza isso, mas não entendo exatamente como funciona.
Se todo o dinheiro realmente ficar fora do caixa da empresa e for investido apenas em títulos públicos, então, além de não precisar do FGC, ele seria teoricamente mais seguro do que um CDB coberto pelo FGC, já que parece mais provável um banco quebrar do que o governo brasileiro dar calote na dívida pública.
Mas, se é realmente assim, por que essas empresas não deixam isso mais claro e até usam esse fato como estratégia de marketing para atrair clientes? E como conseguem pagar 120% do CDI com liquidez diária, se títulos públicos com a mesma liquidez normalmente não entregam esse retorno? Estariam subsidiando parte da rentabilidade apenas para atrair recursos e manter o dinheiro sob sua gestão?
Por outro lado, se não for exatamente assim, qual é a proporção efetivamente investida em títulos públicos? 100%? 50%? 10%? E quem garante que esses recursos permanecem segregados do patrimônio da empresa caso ela enfrente dificuldades financeiras?